"É imoral não administrar a cloroquina"
por Didier Raoult
[*]
Entrevistado por Frédéric Mouchon
[**]
Didier Raoult, especialista em doenças infecciosas, afirma estar
convencido de ter encontrado um remédio contra o coronavírus. O
Prof. Raoult julga "imoral" esperar para administrá-lo e
afirma que se "marimba" para o lançamento de um ensaio
clínico.
Director do Institut hospitalo-universitaire Méditerranée
Infection de Marselha (Bouches-du-Rhône), este infectologista,
especialista em
doenças infecciosas emergentes afirma que a cloroquina um
medicamento anti-palúdico utilizado há décadas e bem
conhecido
dos viajantes sob o nome de Nivaquina tem efeitos espectaculares sobre a
epidemia em curso. Seis dias depois de o ter administrado a pacientes atingidos
pelo Covid-10, afirma ele, só 25% deles eram portadores do vírus.
Mas 90% daqueles que não haviam recebido este tratamento continuavam a
ser positivos.
Apesar de alguns dos seus colegas não o levarem a sério, pondo em
causa seus métodos e os resultados dos seus ensaios terapêuticos,
o ministro da Saúde, Olivier Véran, anunciou em 21 de
Março que este tratamento ia ser experimentado "em maior
escala". "Pedi que o estudo do professor Raoult seja reproduzido
(...) em outros centros hospitalares, por outras equipes independentes",
disse o ministro.
LE PARISIEN
O governo [francês] autorizou um ensaio clínico de grande
amplitude para testar o efeito da cloroquina sobre o coronavírus.
É importante para si ter obtido isso?
DIDIER RAOULT
Não, marimbo-me. Penso que há pessoas que vivem na Lua e
comparam os ensaios terapêuticos da Sida com uma doença infecciosa
emergente. Eu, como qualquer outro médico, a partir do momento em que um
tratamento se mostrou eficaz, considero imoral não o administrar.
É tão simples quanto isso.
LE PARISIEN
O que é que responde aos médicos que apelam à
prudência e são reservados quanto aos vossos ensaios e o efeito da
cloroquina, nomeadamente na ausência de estudos mais minuciosos?
DIDIER RAOULT
Compreenda-me bem: eu sou um cientista e reflicto como um cientista com
elementos verificáveis. Tenho produzido mais dados em doenças
infecciosas do que qualquer outro no mundo. Sou um médico, vejo doentes.
Tenho 75 pacientes hospitalizados, 600 consultas por dia.
Portanto, as opiniões de uns e de outros, isso me é indiferente.
Na minha equipe, somos pessoas pragmáticas, não pássaros
de televisão.
LE PARISIEN
Como é que chegou a trabalhar sobre a cloroquina dizendo que
isso poderia ser eficaz para tratar o coronavírus?
DIDIER RAOULT
O problema neste país é que as pessoas que falam
são de uma ignorância crassa.
Fiz um estudo científico sobre a cloroquina e os vírus há
treze anos atrás e que foi publicado.
Desde então, quatro outros estudos de outros autores mostraram que o
coronavírus era sensível à cloroquina. Tudo isso
não é uma novidade.
Que o círculo dos decisores não seja sequer informado acerca do
estado da ciência, é sufocante. A eficácia potencial da
cloroquina sobre os modelos de cultura viral é conhecida. Sabia-se que
era um anti-viral eficaz.
Decidiu-se nas nossas experimentações acrescentar um tratamento
de azitromicina (um antibiótico contra a pneumonia bacteriana, NR) para
evitar as infecções bacterianas posteriores.
Os resultados revelaram-se espectaculares nos pacientes atingidos pelo Covid-19
quando se acrescentou a azitromicina à hidroxicloroquina.
LE PARISIEN
O que espera dos ensaios conduzidos em maior escala em torno da
cloroquina?
DIDIER RAOULT
Nada. Com a minha equipe, consideramos ter encontrado um tratamento. E
no plano da ética médica, considero não ter o direito
enquanto médico de não utilizar o único tratamento que
até agora tem provas dadas.
Estou convencido que no fim todo o mundo utilizará este tratamento.
É apenas uma questão de tempo até as pessoas aceitarem
comer o seu chapéu e dizer: é isso que é preciso fazer.
LE PARISIEN
Sob qual forma e durante quanto tempo o administra a cloroquina aos
vossos pacientes?
DIDIER RAOULT
Dá-se a hidroxicloroquina à razão de 600 mg por
dia durante dez dias (Plaquenil, o nome comercial do medicamento, NR) sob a
forma de comprimidos administrados três vezes por dia. E a azitromicina a
250 mg à razão de duas vezes no primeiro dia e depois uma vez por
dia durante cinco dias.
LE PARISIEN
Será um tratamento que pode ser tomado como
prevenção da doença?
DIDIER RAOULT
Não o sabemos.
LE PARISIEN
Quando o administra, ao cabo de quanto tempo um paciente atingido pelo
Covid-10 pode ficar curado?
DIDIER RAOULT
O que se sabe no momento é que o vírus desaparece ao cabo
de seis dias.
LE PARISIEN
Compreende entretanto que alguns dos vossos colegas apelam à
prudência quanto este tratamento?
DIDIER RAOULT
As pessoas dão a sua opinião sobre tudo, mas eu
não falo senão daquilo que conheço: não dou minha
opinião sobre a composição da equipe francesa de futebol!
Cada um na sua profissão. A comunicação científica
deste país hoje em dia parece conversa de café.
LE PARISIEN
Mas não há regras de prudência a respeitar antes da
administração de um novo tratamento?
DIDIER RAOULT
Àqueles que dizem que é preciso trinta estudos
multicêntricos e mil pacientes incluídos, respondo que se se
devesse aplicar as regras das metodologias actuais seria preciso refazer um
estudo sobre o interesse dos paraquedas. Tomar 100 pessoas, a metade com
paraquedas e a outra sem e contar os mortos no fim para ver o que é mais
eficaz.
Quando se tem um tratamento que funciona contra zero outros tratamentos
disponíveis, é este tratamento que se deveria tornar a
referência.
E é minha liberdade de prescrição enquanto médico.
Não se tem de obedecer às injunções do Estado para
tratar os doentes. As recomendações da Alta autoridade de
saúde são uma indicação, mas isso não vos
obriga. Desde Hipócrates, o médico faz o melhor que pode, no
estado dos seus conhecimentos e no estado da ciência.
LE PARISIEN
E quanto a riscos de efeitos indesejáveis graves ligados
à tomada de cloroquina, nomeadamente em alta dose?
DIDIER RAOULT
Ao contrário do que dizem alguns na televisão, a
Nivaquina (o nome de um dos medicamentos concebidos com base na cloroquina, NR)
é bastante menos tóxica do que o Doliprane ou a aspirina tomada
em dose forte. De qualquer forma, um medicamento não deve ser tomado com
ligeireza e deve ser sempre prescrito por um médico generalista.
LE PARISIEN
Tem consciência de suscitar uma imensa esperança de cura
para os pacientes atingidos?
DIDIER RAOULT
Eu vejo sobretudo que há médicos que me escrevem do mundo
inteiro todos os dias para saber como se trata das doenças com a
hidroxicloroquina. Recebi pedidos do Massachusetts General Hospital e da Mayo
Clinic de Londres.
Os dois maiores especialistas mundiais, um das doenças infecciosas, o
outro dos tratamentos antibióticos, contactaram-me para me pedir
pormenores sobre a maneira de efectuar este tratamento.
E mesmo Donald Trump tuitou acerca dos resultados dos nossos ensaios. Só
neste país é que não se sabe muito bem quem eu sou!
Só porque não se vive dentro da periferia parisiense, não
quer dizer que não se faça ciência. Este país
tornou-se Versalhes no século XVIII!
LE PARISIEN
O que entende por isso?
DIDIER RAOULT
Colocam-se questões franco-francesas e mesmo
parisino-parisienses. Mas Paris está completamente desfasada do resto do
mundo.
Tomemos o exemplo da Coreia do Sul e da China, onde já não
existem casos. Nestes dois países, eles decidiram há muito tempo
realizar testes em larga escala para poder diagnosticar mais cedo os pacientes
infectados. Este é o princípio básico da gestão das
doenças infecciosas.
Mas chegamos ao ponto de insanidade tal que os médicos nos écrans
de TV não aconselham mais a fazer o diagnóstico da doença,
mas dizem às pessoas para ficarem confinadas em casa. Isto não
é medicina.
LE PARISIEN
Pensa que o confinamento da população não
será eficaz?
DIDIER RAOULT
Jamais foi praticado na época moderna. Fazia-se isso no
século XIX durante a cólera em Marselha. A ideia do acantonamento
das pessoas para bloquear doenças infecciosas nunca deu provas.
Não se sabe mesmo se isso funciona. Trata-se de
improvisação social e não se medem todos os efeitos
colaterais. O que acontecerá quando as pessoas ficarem encerradas nas
suas casas, a portas fechadas, durante 30 ou 40 dias? Na China, relatam-se
casos de suicídios por medo do coronavírus. Alguns vão
lutar entre si.
LE PARISIEN
Será preciso, como reclama a Organização Mundial
da Saúde, generalizar os testes em França?
DIDIER RAOULT
Tenhamos a coragem dizer: a mistela
(tambouille)
francesa não funciona. A França não faz senão 5000
testes por dia quando a Alemanha efectua 160 mil por semana! Há uma
espécie de discordância. Nas doenças infecciosas,
efectua-se o diagnóstico das pessoas e, uma vez obtido o resultado,
são tratadas. Tanto mais que se começa a ver pessoas portadoras
do vírus, aparentemente sem sinais clínicos, mas que num
número não desprezível de casos têm lesões
pulmonares visíveis em exames de tomografia computadorizada
(scanner)
mostrando que estão doentes. Se estas pessoas não forem tratadas
a tempo, há um risco razoável de serem encontradas em cuidados
intensivos onde não serão recuperadas. Testar as pessoas apenas
quando já estão gravemente doentes é, portanto, uma
maneira extremamente artificial de aumentar a mortalidade.
LE PARISIEN
E é preciso generalizar a utilização das
máscaras?
DIDIER RAOULT
É difícil avaliar. Sabe-se que elas são
importantes para as pessoas dos cuidados de saúde, pois são as
raras pessoas que têm realmente extremamente próximas com os
doentes quando as auscultam, por vezes a 20 cm do seu rosto.
Não se sabe muito bem até onde voam os vírus. Mas
certamente não a mais de um metro. Portanto, para além desta
distância, talvez não faça muito sentido utilizar uma
máscara.
De qualquer forma, é para os hospitais que é preciso enviar as
máscaras prioritariamente a fim de resguardar os cuidadores. Na
Itália e na China, uma parte extremamente importante dos doentes
acabou por estar entre o pessoal dos cuidados.
24/Março/2020
Ver também:
This scientist suggested a drug to treat Covid-19. 'Fact checkers' branded him fake news
Estudo chinês acerca da cloroquina
Un timing troublant qui consista à compliquer l'accès à l'hydroxychloroquine
Hydroxychloroquine: Le professeur Didier Raoult obtient une première victoire
Centro de Ingeniería Genética y Biotecnología, de Cuba
Mais qui est donc le Professeur Didier Raoult ?
Por que a França está escondendo uma cura barata e testada para o vírus
Le Professeur Didier Raoult : Rebelle Anti-Système ou Mégalomane sans éthique ?
Russia presents Covid-19 TREATMENT based on existing anti-malaria drug
Clinical and microbiological effect of a combination of hydroxychloroquine and azithromycin in 80 COVID-19 patients with at least a six-day follow up: an observational study
https://www.mediterranee-infection.com/covid-19/
DGS autoriza médicos a utilizarem medicamentos do ébola e malária contra Covid-19
[*]
https://en.wikipedia.org/wiki/Didier_Raoult
[**] Jornalista de
Le Parisien.
O original encontra-se em
www.upr.fr/...
Esta entrevista encontra-se em
https://resistir.info/
.
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