Monstruosidades imperiais
Como escapar do Covid em caso de ataque nuclear
Incinerados e radioactivos, mas livres do vírus...
A
FEMA
, agência do governo dos EUA, publicou instruções sobre
como os cidadãos deverão se proteger do COVID-19
em caso de ataque nuclear.
Aqueles que conseguirem abrigos deverão usar
máscaras, gel desinfectante e lá dentro manter distanciamento
social, recomenda o manual.
Assim, o governo dos EUA actua como se fosse possível fazer a
gestão das milhões de pessoas que seriam afectadas por um engenho
nuclear. A iniciativa é absurda pois não existem abrigos
suficientes para a
massa populacional que seria atingida. No entanto, ela transmite à
opinião pública a ideia da normalização da guerra
nuclear
dando a entender que esta seria compatível com a vida
quotidiana.
A administração norte-americana tenta fazer esquecer o que
é na verdade uma explosão nuclear difundindo
instruções sobre o que fazer para se proteger da COVID-19 numa
situação desse tipo. Infelizmente, as radiações
resultantes matarão, num máximo de duas semanas, todas as pessoas
por elas atingidas, sofram ou não de COVID-19.
A Agência Federal dos Estados Unidos para a Gestão de
Emergências (FEMA), dependente do governo de Washington, actualizou as
instruções à população sobre os
comportamentos a adoptar em caso de ataque nuclear. As novas
instruções têm em conta a COVID-19, os confinamentos
associados ao combate à pandemia e as normas a respeitar para se
proteger do vírus.
Para estarem preparadas quando ouvirem o alarme de um ataque nuclear iminente
previne a FEMA as pessoas devem ter a consciência de que,
"por causa da COVID-19, numerosos locais por onde passam para ir trabalhar
e regressar podem estar fechados ou não ter horários regulares de
abertura". Por isso, as pessoas devem identificar, antes de mais, todos
"os melhores lugares susceptíveis de abrigo, que são as
caves e os andares médios dos prédios".
Nestas instruções, a FEMA ignora quais são os efeitos
reais (cientificamente comprovados) de uma explosão nuclear. Mesmo que
as pessoas em fuga tenham condições suficientes para encontrar um
abrigo que não esteja submetido a confinamento decorrente da COVID-19,
elas não terão, ainda assim, qualquer possibilidade de
êxito. A deslocação do ar da explosão, com ventos de
800 quilómetros por hora, provoca o desabamento ou mesmo a
própria explosão dos edifícios mais sólidos. O
calor, capaz de fundir aço, fará explodir o betão armado.
Mesmo as pessoas que tenham descoberto "os melhores locais para ficarem ao
abrigo da explosão" serão vaporizadas, esmagadas,
carbonizadas.
"Mantenha a distância social
"
Os efeitos destruidores de uma bomba nuclear de uma megatonelada (equivalente
ao poder explosivo de um milhão de toneladas de trítio)
expandem-se em círculos numa distância até cerca de 14
quilómetros. Se a bomba for de 20 megatoneladas, os efeitos destruidores
estender-se-ão num raio superior a 60 quilómetros.
Num cenário destes, a FEMA parece preocupada em proteger as pessoas com
COVID-19. Quando o ataque nuclear for lançado, previne,
"informem-se junto das autoridades locais sobre os refúgios que
estão abertos, uma vez que podem ter sido alterados por causa da
COVID-19"; no momento da evacuação, "para se proteger,
e à sua família, da COVID-19, deverá munir-se de duas
máscaras por pessoa e de um gel hidro-alcoólico para as
mãos contendo pelo menos 60% de álcool"; no interior do
refúgio, "continue a praticar o distanciamento social, coloque a
máscara e guarde uma distância de seis pés (quase dois
metros) das pessoas que não façam parte da sua
família".
Este cenário pressupõe que em caso de alarme nuclear os 330
milhões de cidadãos norte-americanos mantenham a calma, se
informem de que refúgios estão abertos e se preocupem, antes de
mais, em proteger-se da COVID-19 equipando-se com máscaras, gel
desinfectante e, uma vez chegados aos refúgios, respeitando o
distanciamento social. Isto fará com que num abrigo para mil pessoas
apenas possam entrar 200, ficando as restantes no exterior.
Admitindo, por absurdo, que as pessoas sigam as instruções da
FEMA para se protegerem da COVID-19, de qualquer maneira elas ficarão
expostas à contaminação radioactiva numa área
bastante mais vasta que a destruída pelas explosões nucleares. Um
número crescente de pessoas, aparentemente não atingidas,
começarão a apresentar sintomas da síndrome das
radiações. Para elas não existe actualmente qualquer
tratamento, pelo que se trata de uma circunstância fatal.
Se as radiações atingirem o sistema nervoso, provocarão
letargia e fortes dores de cabeça, depois um estado de coma acompanhado
por convulsões e a morte chegará em 48 horas. Em caso de
síndrome gastrointestinal provocado pelas radiações, a
vítima será atingida por vómitos, diarreia
hemorrágica, juntamente com febres altas; a morte chegará dentro
de uma a duas semanas.
Neste cenário, a FEMA preocupa-se também com o estado mental das
pessoas. E previne: "a ameaça de uma explosão nuclear pode
provocar um acréscimo de stress em numerosas pessoas que actualmente
sofrem já de medo e angústia por causa da COVID-19". Por
isso, recomenda ainda que se sigam as instruções sobre o modo de
"gerir o stress durante um acontecimento traumático". O que
parte do princípio que, em caso de ataque nuclear, os cidadãos
dos Estados Unidos serão assistidos por psicólogos que, enquanto
explodem bombas nucleares, lhes ensinam a gerir o stress persuadindo-os de que,
graças à FEMA, escaparam à COVID.
20/Dezembro/2020
[*]
Jornalista, italiano.
O original encontra-se em
Il Manifesto
e a tradução em
www.oladooculto.com/noticias.php?id=890
Este artigo encontra-se em
https://resistir.info/
.
|