O coronavírus foi ensaiado mediante um simulacro de pandemia em Setembro de 2019 num hotel de Nova York

por Diego Herchhoren

O simulacro de pandemia intitulado Evento 201 foi um exercício de simulação de alto nível que se verificou em 18 de Outubro de 2019 no hotel The Pierre, de Manhattan, segundo a agência Bloomberg, que teve acesso exclusivo ao mesmo.

Os participantes (banqueiros, empresários de alto nível e responsáveis de vários organismos financeiros mundiais) reuniram-se para explorar ideias sobre como mitigar os devastadores impactos económicos e sociais mundiais que resultariam de "um surto intercontinental grave e altamente transmissível".

O exercício foi construído em torno de um vírus fictício, um coronavírus natural (não muito diferente do SARS ou do MERS) que, segundo o exercício, teria surgido dos porcos . Segundo o vídeo difundido na Internet pelos organizadores do evento, o exercício sintetiza as campanhas oficias contra o COVID-19 lançadas por vários governos, quase de modo premonitório.

O evento foi organizado pelo Centro John Hopkins para a Segurança da Saúde, em associação com o Fórum Económico Mundial e a Fundação Bill e Melinda Gates. Só se podia comparecer por convite, com a assistência de medias como a Bloomberg. Não foram permitidas gravações de vídeo e áudio, mas depois do evento foram seleccionados alguns de alta qualidade para a sua difusão em meios seleccionados, normalmente imprensa especializada destinada a um público determinado.

Entre os participantes estiveram Ryan Morhard, assessor em matéria de saúde e economia do Fórum Económico Mundial; Chris Elias, presidente da Divisão de Desenvolvimento Mundial da Fundação Bille Melinda Gates; Tim Evans, ex director de saúde do Banco Mundial; Avril Haines, ex-subdirector da CIA; Sofia Borges, em representação das Nações Unidas; Stanley Bergman, presidente e CEO da Henry Schein (empresa distribuidora mundial de fornecimentos médicos e dentais, inclusive vacinas, produtos farmacêuticos, serviços financeiros e equipamentos); Paul Stoffels, director científico da Johnson & Johnson; Matthew Harrington, director de operações globais da Edelman (uma das maiores firmas do mundo de consultoria de marketing e relações públicas); Martin Knuchel, chefe de Gestão de Crises, Emergências e Continuidade de Negocios da Lufthansa; Eduardo Martínez, presidente da Fundação UPS; Hasti Taghi, vice-presidente e assessor executivo da cadeia norte-americana NBC; Lavan Thiru, representante chefe da Autoridade Monetária de Singapura.

A finalidade principal da simulação foi ilustrar o enfraquecimento das alianças internacionais e a debilidade governamental na gestão destas crises, para assim promover e aumentar as associações público-privadas. Se bem que os participantes tenham reconhecido o sector público como a primeira linha de defesa contra pandemias, destacaram sua liderança compartilhada com o sector privado.

"Criar eventos como este custa mais de um ano de planificação e um investimento de centenas de milhares de dólares, mas as lições aprendidas são incalculáveis", disse Morhard à Bloomberg.

Trinta dias depois do exercício de simulação de 18/Outubro/2019, em 17 de Novembro, teria aparecido o primeiro caso documentado do COVID-19. "O primeiro caso de alguém que sofria de Covid-19 remonta a 7 de Novembro, segundo informações dos meios de comunicação sobre dados não publicados do governo chinês", publicou The Guardian. Em 11/Março/2020 o COVID-19 foi declarado pandemia pela OMS, que entre seus principais financiadores tem a Fundação Gates, patrocinadora deste evento.

No mesmo dia 11/Março/2020, enquanto director da Plataforma de Acção COVID-19, [era constituído] um grupo de trabalho composto por mais de 200 corporações económicas de todo o mundo, dentre as quais estão as firmas indicadas acima. Este soma-se à associação que o Fórum fez com as Nações Unidas em 13/Junho/2019, que estabeleceu um entendimento entre ambos os organismos para fazer políticas conjuntas em matéria de economia, saúde, educação e migrações, ou seja, uma aliança entre um organismo inter-estatal com outro que representa os principais bancos do mundo.

Os vídeos que permanecem acessíveis sobre este evento de Outubro de 2019 podem ser consultados em Youtube e incluem fragmentos dedicados a contra-medidas médicas, comércio, viagens e mobilidade, política financeira durante a pandemia, bem como comunicações e telefones.

A própria agência Bloomberg publicou dois áudios em inglês, um em 4/Novembro/2019 : "Preparando-nos para a próxima pandemia: À medida que o surto de coronavírus se aproxima de uma pandemia, os líderes mundiais e os funcionários de saúde lutam por conter as consequências. Isso provocou quarentenas e outras acções de emergência em todo o mundo. É um cenário que foi planeado há apenas alguns meses, numa reunião de líderes em finanças globais, políticas e cuidados médicos. Janet Wu, da Bloomberg, esteve ali e nos traz esta informação".

O outro em 4/Março/2020 , que dizia: "Os apresentadores June Grasso e Ed Baxter apresentam as melhores histórias do dia da Bloomberg Radio, Bloomberg Television e mais de 120 escritórios da Bloomberg News em todo o mundo na Bloomberg Radio de Bloomberg Best. Os pontos destacados incluem... Janet Wu sobre o impacto potencial da próxima pandemia".

O plano da Plataforma de Acção COVID-19 do Fórum Económico Mundial e da OMS inclui a arrecadação de aproximadamente 12 mil milhões de dólares para criar e distribuir uma vacina contra o coronavírus, incluindo-se no grupo de trabalho corporações como a Volkswagen, Bank of America e Deloitte.

Para "unir-se à comunidade global", o grupo de trabalho "reforçará o poder dos líderes nacionais e reforçará os apelos à solidariedade, inclusive mediante a mobilização de referências juvenis mundiais, embaixadores dos meios de comunicação e da sociedade civil". E o último enfoque é "mobilizar a cooperação e o apoio empresarial para a resposta ao COVID-19: aproveitar o big data e a inteligência artificial para mitigar o impacto e melhorar a tomada de decisões. Em síntese, há quem tenha instruído a ideia de uma pandemia mundial, alguém que a executou e alguém que viu uma oportunidade. Provavelmente serão as mesmas pessoas.

21/Março/2020

O original encontra-se em movimientopoliticoderesistencia.blogspot.com/

Este artigo encontra-se em https://resistir.info/ .
23/Mar/20