Retorno ao estado natural de estagnação

por Dan Glazebrook

Clique a imagem para encomendar. Uma das poucas indústrias em expansão em tempos de declínio – além das firmas de segurança privada, agências de cobrança de dívidas e de pornografia – parece ser a publicação de livros acerca de declínios.

Toda a gente, desde Vice Cable ao editor económico da Newsnight, Paul Mason, está a andar pelo país e a apregoar a sua própria versão dos acontecimentos económicos recentes. Cópias de Das Kapital estão confirmadamente a desaparecer das prateleiras mais depressa do que podem ser impressas.

O que torna notável este breve livro — The Great Financial Crisis — dos editores da consagrada revista estado-unidense Monthly Review é que vai além das peripécias da alta finança, para as causas mais profundas e estruturais do actual mal-estar do capitalismo.

Cinquenta anos atrás, Paul Baran e Paul Sweezy publicaram a sua obra clássica: Monopoly Capital .

Nela, argumentaram que o pensamento económico convencional sobre recessão estava de pernas para o ar desde o princípio.

Ao invés de perguntar porque se verificou a Grande Depressão – e portanto aceitar que foi alguma espécie de ocorrência caprichosa – ambos argumentaram que eram os períodos de crescimento do capitalismo que precisavam ser explicados.

O capitalismo na sua fase monopolista – a era da corporação gigante – caracteriza-se pela estagnação e só experimenta algo diferente devido a "consertos" historicamente específicos – e temporários.

Na raiz desta estagnação já a contradição clássica do capitalismo – de que a capacidade produtiva tende a ultrapassar a procura efectiva.

Por outras palavras, não somos suficientemente pagos para comprar toda a tralha que produzimos. Os bens acumulam-se invendidos, a actividade produtiva congela-se e o capital é incapaz de encontrar saída para reinvestimento lucrativo.

A Segunda Guerra Mundial proporcionou o "conserto" supremo a este problema – eliminando grandes quantias de capital, preparando o terreno para uma nova rodada de investimento. Pela década de 1970, contudo, o sistema havia revertido ao seu estado natural de estagnação.

A tese de Foster e Magdoff é que, desde então, o principal conserto tem sido a financiarização da economia.

Ao lhe serem negadas oportunidades de investimento lucrativo na "economia real" da produção, o capital ao invés disso tem fluído para as finanças ou para uma série de cada vez mais voláteis e super-inchadas bolhas de preços de activos – a mais recente, no imobiliário.

Por algum tempo, isto foi um duplo boom para o capital – não só os empréstimos hipotecários proporcionavam uma saída para lucros excedentes como também o aumento da situação líquida das casas permitia às pessoas que assumissem enormes empréstimos.

Tais empréstimos tornaram-se a força condutora subjacente ao aumento do consumo na economia dos EUA, uma vez que os salários reais estiveram em declínio durante mais de três décadas.

O crédito tornou-se o novo conserto para o problema clássico – se as pessoas não podem permitir-se comprar toda a tralha que produzem, então pode-se emprestar-lhe o dinheiro para que o façam.

Foi claramente uma "solução" construída sobre fundamentos muitíssimo frágeis.

O que tornava a "tese da estagnação" de Baran e Sweezy radical na década de 1960 era que o capitalismo ainda estava em meio a uma "era dourada" de crescimento sem precedente, portanto não parecia nada estagnado.

Hoje, contudo, a realidade confirma a sua validade de qualquer lado que se olhe.

O desafio para a esquerda é articular em termos acessíveis tanto a natureza temporária dos consertos do capitalismo como o próprio capitalismo.

Este livro é uma arma útil para todos o que se esforçam por assim fazer.

11/Agosto/2009

O original encontra-se em www.morningstaronline.co.uk

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
28/Ago/09