Cobiça, regulação ou capitalismo
O agravamento da crise já faz parte do panorama quotidiano. Os meios de
comunicação incluem frequentemente o desmoronamento de algum
banco, o despenhamento das bolsas e anúncios de despedimentos massivos.
A intensidade do tremor está à vista, mas as suas causas
permanecem na obscuridade. As explicações neoliberais e
keynesianas que ocupam o primeiro plano, não dão respostas
significativas.
O destravar
Quando os bancos começaram a desmoronar-se, os neoliberais ficaram
afónicos e só pensaram em exigir a protecção do
estado. Arquivaram as suas doutrinas de livre concorrência e reclamaram o
socorro para o sistema financeiro. Argumentaram que as entidades privadas
bombeiam o dinheiro requerido pela sociedade e que devem ser preservadas com
fundos públicos
[1]
.
Mas se o coração do capitalismo requer essa
sustentação, não têm sentido todos os elogios ao
risco e à concorrência como pilares de uma nova era desse sistema.
A consistência desses cimentos verifica-se nos momentos críticos e
nas áreas estratégicas. É incongruente postular que as
privatizações e as desregulações são
válidas apenas para momentos de prosperidade. O importante é
registar a sua viabilidade em momentos revoltos e é evidente que
não passaram essa prova.
Os neoliberais ignoraram todas as advertências do estalar da
situação. Ignoraram o descontrolo do endividamento, as
alavancagens e os colapsos bancários registados em numerosos
países. Quando era evidente que estas eclosões conduziam a um
vendaval no centro do sistema reforçaram as suas
superstições mercantilistas. Designaram essas
comoções de impactos passageiros e atribuíram a sua
irrupção a réstias de uma "cultura populista".
Essa cegueira exprimiu os interesses de uma elite que rivalizou por
açambarcar os lucros do negócio financeiro.
Os neoliberais descobrem agora o lado inverso dessa concorrência
exacerbada e explicam o desmoronamento das entidades pela cobiça dos
banqueiros. Mas esquecem quão absurdo é reclamar
moderação numa actividade tão competitiva. A rivalidade
que rege o capitalismo exige a maior crueldade nas finanças. Todos os
sermões em voga para restaurar a "ética dos
negócios" omitem essa compulsão
[2]
.
Os economistas ortodoxos detectaram repentinamente as consequências
adversas da predisposição para o risco. Esquecem-se dos elogios
que prestaram a essa postura, em detrimento do conservadorismo empresarial. No
auge enalteceram as virtudes do aventureiro e na crise fazem ressaltar as
vantagens da precaução. Mas ignoram sempre que as grandes
explosões financeiras não obedecem a uma ou outra conduta
individual.
O que determina a marcha ascendente ou descendente da acumulação
são as próprias contradições do sistema e
não podem impedir os desequilíbrios sistémicos que essa
atitude gera.
Alguns economistas premiados atribuem a actual crise aos sofisticados
mecanismos de intermediação que iluminaram as finanças.
Destacam que "o mercado não valoriza adequadamente esses complexos
títulos"
[3]
. Mas onde ficou a infinita sabedoria da oferta e da procura, em
comparação com o estreito horizonte humano dos
funcionários? Se agora descobrem a inoperância desse
princípio na órbita financeira, porque razão deveria essa
mesma norma governar o resto da economia?
A crise em curso enterra o mito que atribui aos banqueiros (e aos seus
matemáticos) a qualidade de perceber e gerir de forma rentável os
sinais de risco transmitidos pelo mercado. Na realidade esses administradores
subvalorizaram as ameaças de colapsos, uma vez que participaram num jogo
em que é obrigatório subir sempre a aposta. A regra do
benefício crescente impede-os de avaliar os riscos envolvidos nos
empréstimos que manuseiam. E quando essas falhas se verificam,
descarregam as suas traumáticas consequências sobre o resto da
sociedade.
Falta de confiança
Alguns neoliberais atribuem as causas imediatas do tsunami a desacertos das
políticas monetárias. Estimam que a redução das
taxas de juro praticadas pela Reserva Federal obrigou as entidades a aumentar a
concessão de empréstimos
[4]
. Consideram que a massiva concessão de créditos
hipotecários de baixa qualidade (subprime) reproduziu a pauta
estabelecida pelo governo norte-americano, na gestão das entidades
semi-públicas do sector (Fannie e Freddie)
[5]
. Seguindo esta lógica, desculpam os bancos pela bolha
imobiliária.
Mas na verdade, a objectada diminuição das taxas destinou-se a
reactivar a economia e a permitir uma lubrificação dos
empréstimos, o que enriqueceu os financeiros. Por isso não
questionam neste momento uma política monetária que, além
do mais, não os obriga a conceder créditos de qualquer natureza.
Por outro lado, a caprichosa divisão de responsabilidades entre
funcionários e banqueiros omite a estreita vinculação que
estes grupos mantêm entre si. Os personagens que chegam à
administração do FED ou do Tesouro desenvolvem a sua carreira nos
grandes bancos e querem retomar esses cargos quando se retirarem da actividade
oficial. Longe de sofrer os rigores de certa política monetária,
os financeiros participam activamente na fixação dessas
orientações, através de distintos comités
governamentais.
Perante a falta de argumentos, os neoliberais recorrem a crenças.
Converteram a confiança numa palavra mágica, que explica a
explosão, a continuação ou a superação da
crise. Supõe que o despenhar financeiro irrompeu com a perda dessa
qualidade e dissipar-se-á com o seu restabelecimento. O estado de
espírito dos empresários é visto como a chave mestra do
ciclo económico.
Mas ambos os processos estão ligados por uma causalidade inversa. Os
capitalistas investem quando têm ganhos e subtraem capital nos
períodos inversos. Por esta razão, enquanto a crise continuar a
deteriorar os lucros, nenhuma exortação transformará a
inquietação em optimismo. Todas as divagações sobre
a confiança retratam somente os diálogos que a classe dominante
mantém consigo mesma, na busca de uma luz ao fundo do túnel.
Os porta-vozes mais experientes das finanças reconhecem que "o
capitalismo encontra-se encurralado" pela gravidade do descalabro. Mas
apostam igualmente numa crise curta e manobrável, que seria coroada com
o restabelecimento pleno da "economia de mercado"
[6]
. Mas esta expectativa contradiz os sombrios diagnósticos que enunciam e
choca-se com uma certa perda de consenso neoliberal entre as classes
dominantes. Há muita ilusão e pouco realismo na esperança
de um tremor irrelevante ou benigno
[7]
.
Especulação e regulação
Os keynesianos afastaram os seus adversários da cena mediática.
Atribuem-se o mérito de ter pressagiado a crise, mediante reiterados
questionamentos à desregulação financeira. Mas na sua
maioria acompanharam as prioridades da elite bancária e só
apresentaram objecções nos últimos anos.
Quando o
establishment
aplaudia os atropelos sociais inaugurados por Reagan e Thatcher, Stiglitz
presidia ao Banco Mundial, Soros enriquecia especulando contra as divisas
europeias e Jeffrey Sachs instrumentalizava o ajuste das economias
periféricas. Esta mesma mudança de lado regista-se actualmente no
sentido inverso. Greenspan modera o fervor neoliberal e Feldstein promove o
gasto público. Mas esta flexibilidade de cheirar para onde sopra o vento
não é sinónimo de lucidez para caracterizar a crise.
Uma explicação que compartilham as duas vertentes da economia
convencional associa o colapso actual com as "bonificações
exageradas dos gestores"
[8]
. Este prémio à especulação é condenado com
o mesmo vigor com que se questionam as fraudes perpetradas por personagens como
Bernard Madoff. Essas condutas são invariavelmente apresentadas como
excepções e não como expressão dominante na
actividade bancária actual.
O roubo de 50 mil milhões de dólares de Madoff a poderosas
entidades (Santander, BBVA, HSBC, Paribas) através de uma simples
pirâmide foi apenas mais um episódio do negócio financeiro.
Prometia altos rendimentos por investimentos inexistentes, que
disfarçava com a chegada de novos clientes. Com essa manobra estendeu
às fortunas das elites os enganos que caracterizam a
intermediação. As suas apropriações indevidas
caíram em desgraça porque flanquearam a permeável
fronteira que separa as actividades toleradas das ilegais.
No ambiente de impunidade neoliberal dos últimos anos cometeram-se todo
o tipo de fraudes. Os seus principais artífices foram os bancos e as
empresas construtoras que montaram a bolha imobiliária. Os desfalques
foram coroados com os 140 mil milhões de dólares que Bush
concedeu aos seus banqueiros predilectos, mediante uma manobra obscura de
isenção fiscal impositiva.
Este reinado generalizado da espoliação não deveria
ocultar que o próprio capitalismo gera periodicamente marés de
especulação para aumentar o crédito. Esta expansão
requer financeiros com habilidade para inventar refinados instrumentos de
endividamento. Como estes indivíduos obtêm ganhos proporcionais
às jogatinas que montam, tendem sempre a violar as regras vigentes.
Alguns keynesianos como Krugman e Samuelson explicam o excesso de
especulação pela ausência de regulação e
esperam emendar esta carência com normas mais restritivas
[9]
. Mas estas regras abundam na selva legislativa manejada por distintos lobbys
de banqueiros nos bastidores do poder. Esta estrutura e não a
abstracta ausência de regulamentação precipitou a
crise. Algumas normas tenderam a delegar nos próprios banqueiros a
gestão consensual das operações (acordos de Basileia) e
outras incentivam uma gestão mais estreita com as autoridades
(através da independência dos bancos centrais). Mas as entidades
nunca operaram no vazio.
A fantasia de evitar a repetição do estalido financeiro com novas
disposições legais recuperou força. Mas estas
comoções são inerentes ao capitalismo e não existe
nenhuma forma de impedir a sua reiteração. O próprio
sistema gera periodicamente pressões para valorizar o capital e cria
anticorpos para esterilizar as regulações precedentes. Esta
reacção verificou-se, por exemplo, no início do
neoliberalismo e voltará a aparecer quando o capitalismo necessitar
recompor as taxas de lucro.
Se todo o reboliço em curso derivasse de uma falta de supervisão,
não haveria tanto temor pela evolução futura das
finanças. Já existe um amplo consenso para modificar o
funcionamento dos bancos, verificar as operações bolsistas e
limitar o alcance das actividades com maior risco. Mas é óbvio
que estas iniciativas só introduzirão correctivos menores.
Os keynesianos idealizam as regulações que os estados
capitalistas estabelecem para ordenar o funcionamento dos mercados financeiros.
Supõe que estas normas definirão a dinâmica do
negócio bancário, omitindo que o essencial é a garantia
conferida pelo poder público aos distintos papéis em
circulação. O que permite comercializar títulos é a
percepção de solidez no aval estatal. Com este apoio fluem as
moedas, colocam-se os títulos públicos e intercambiam-se os
documentos privados. Quando essas garantias falham, as
regulamentações perdem relevância e as crises assumem a
gravidade que se observa na conjuntura actual.
Os economistas heterodoxos desconhecem por completo este problema. Como
são fiéis do capitalismo e do estado supõem que basta
estabelecer óptimas regulações para favorecer o bem comum.
O salvamento dos bancos refutou categoricamente essa presunção.
Mas, além disso, abriu-se uma crise que pôs em dúvida a
capacidade do estado de proteger os títulos em circulação.
Esta vulnerabilidade não depende de uma ou de outra
regulação, mas sim da gravidade e da evolução do
crack financeiro.
Mas o que mais chamou a atenção nos últimos meses foi o
temor reverencial exibido pelos keynesianos em relação aos
financeiros. Krugman e Stiglitz propiciaram o salvamento dos bancos sem olhar a
custos nem impor penalidades. Constatam a "armadilha de liquidez"
propagada pelos bancos ao receberem auxílios estatais que os
enriquecem sem reactivar o crédito mas não aplicam nenhum
correctivo.
As estrelas do pensamento económico actual também notam o escasso
impacto que têm as decrescentes taxas de juro sobre a melhoria do
investimento ou do consumo. Sabem que os bancos aproveitam os preços
baixos dos fundos disponíveis para compensar as quebras, reconverter as
suas operações ou adquirir outras entidades. Este bloqueio
poderia reverter-se com medidas de expropriação, mas os novos
mimados do
establishment
arquivaram qualquer estratégia de eutanásia do rentista.
Os keynesianos pretendem dissuadir a especulação sem obstruir a
rivalidade pelo lucro. Nas crises enfatizam o primeiro objectivo e na
prosperidade apontam-lhe o segundo propósito. Mas ignoram sempre que
ambas são periodicamente soterradas pela própria
reprodução capitalista.
Coordenação e reactivação
Muitos keynesianos atribuem a propagação global da crise à
"escassa coordenação que os governos mantêm".
Especialmente Krugman e Stiglitz destacam esta carência
[10]
. Advertem contra a expansão não consensual dos gastos
públicos, as desvalorizações sem consulta e o
proteccionismo comercial.
A sua exigência de sincronização reflecte o carácter
internacional da crise. Como o temor sacode a principal economia do planeta, o
contágio à Europa e Japão é tão acelerado
como a fracassada separação da semi-periferia emergente. Nem
sequer a Suíça ou o Golfo Pérsico conseguiram afastar-se
do tsunami financeiro que já travou a locomotiva chinesa e ameaça
reproduzir as comoções de que padecem a América Latina e o
Sudeste Asiático.
Este alcance planetário induz a procura de remédios coordenados
pelos economistas heterodoxos. Por isso objecta-se à
salvação à custa do vizinho que predominou no
início da crise. Especialmente na Europa, a disputa brutal entre os
países para preservar os depósitos bancários conduzia
à sua fusão. O mesmo efeito tendia a gerar a política
simultânea de aumentar (Banco Central Europeu) e reduzir (Reserva
Federal) as taxas de juro.
Todos os keynesianos agora aplaudem a adopção generalizada do
modelo inglês de capitalização bancária como
correctivo da crise. As diferenças de aplicação que
separam os franceses (ingerência estatal nas
administrações) dos norte-americanos (ausência de
interferência na gestão) e a pressão
britânico-americana para manter o livre movimento de capitais em Nova
York e Londres não alteram esta busca de uma resposta comum ao
descalabro financeiro.
Nas propostas em debate os economistas heterodoxos reivindicam as iniciativas
que tendam a diminuir a gravitação dos paraísos fiscais,
reduzir o protagonismo das classificadoras de risco e introduzir mecanismos de
alerta bancário. Também dão o seu aval ao corte das
retribuições aos executivos e à modificação
das normas de funcionamento bancário global (Basileia II). Mas nenhuma
destas mudanças é substancial e a sua aplicação
exige um fim (ainda incerto) do despenhamento financeiro.
O desenho de "um novo Bretton Woods" apregoado por Stiglitz é
mais ambicioso, mas flutua no ar
[11]
. Definir um novo prestamista internacional de última instância e
estabelecer os critérios de outra moeda (cabaz, multilateral, Bancor)
requer uma certa estabilização da tormenta financeira. E este
compromisso, por sua vez, pressupõe um desenlace das
relações de força entre as potências, que apareceria
mais no final e não no início da crise.
A indefinição que impera em volta do dólar e do euro
é um nítido sintoma do carácter inicial deste tremor. O
bilhete estado-unidense transformou-se no refúgio espontâneo de
todas as classes dominantes do planeta. Mas o descomunal défice fiscal e
comercial dos EUA põe em dúvida a continuidade dessa
tendência.
O euro também ofereceu protecção aos capitais que
abandonam as divisas dos países europeus mais ameaçados
(Polónia, Dinamarca, Suécia, Islândia). Mas não se
sabe como responderá esta moeda ao descalabro dos convénios
orçamentais de Maastricht. Mais perigoso ainda é o transbordante
endividamento que registam vários países do Velho Continente
(Itália, Grécia, Espanha).
Todos os apelos angelicais à "coordenação
internacional" disfarçam as duras regras da
realpolitik
que imperam nos encontros oficiais. Na cimeira que em Novembro passado reuniu
20 presidentes, os Estados Unidos exigiram um compromisso geral com o seu
resgate financeiro. Pretendem garantir especialmente a contínua
afluência em direcção ao Norte dos fundos acumulados pela
Ásia e pelos países exportadores de petróleo.
Com esta finalidade, ao "Grupo dos 7" foram adicionadas a China,
Rússia, Brasil, Índia e Arábia Saudita. A presença
de outros países é um formalismo diplomático, uma vez que
a Argentina, Indonésia, México ou Turquia figuram na lista de
países receptores de dinheiro, e não na de países
provedores do mesmo. Nas próximas cimeiras, Obama tentará
continuar esta política de atracção de capitais para os
EUA.
Todas as mensagens keynesianas para "reformar o FMI" com a "nova
arquitectura financeira" caíram, subjugadas pela prioridade da
reconstrução dos bancos malparados.
Com a finalidade de relançar o Fundo como administrador desse socorro,
já se discute a concessão de atribuições aos novos
contribuintes de capital. Essas iniciativas poderiam também ser
acopladas ao trespasse de acções dos bancos mais aflitos aos seus
mecenas da Ásia ou do Mundo Árabe. Mas em qualquer caso o FMI
continuará a actuar como representante dos credores contra os povos da
periferia.
Este papel que não perturba Stiglitz ou Krugman desmente
as fantasias que exibem alguns presidentes latino-americanos sobre uma viragem
benevolente do FMI. As expectativas de "empréstimos sem
condições para os mais necessitados" foram destruídas
pelos recentes créditos concedidos à Ucrânia ou à
Hungria (e negociados com a Islândia e o Paquistão). Estes acordos
incluem todas as exigências de ajuste neoliberal.
Os keynesianos vivem como um triunfo a aplicação actual das suas
orientações. Supõe que esta implementação
confirma a superioridade do seu programa. Mas esta viragem apenas ilustra a
afinidade que mantêm com os seus adversários. O FMI e todos os
governos conservadores abraçaram as propostas da
reactivação porque na crise as classes dominantes recorrem aos
gastos públicos para travar a recessão.
Obama prepara-se para lançar o maior plano de infraestruturas dos
últimos 50 anos (136 mil milhões de dólares). Este mesmo
tipo de gastos será instrumentalizado pelos presidentes neoliberais da
Europa (170 mil milhões de euros) e o mandatário de direita do
Japão (255 mil milhões de dólares). O propósito
comum destas iniciativas é auxiliar os banqueiros e industriais
afectados pela implosão financeira.
Os keynesianos aplaudem o socorro mas advertem contra o seu eventual fracasso,
se as decisões se aplicarem de forma tardia, com instrumentos
inadequados ou com doses reduzidas. A obviedade deste tipo de raciocínio
salta à vista: se as medidas dão resultado confirmam a sua
conveniência e se falham demonstram a sua insuficiência.
Mas a severidade da crise induz os papas da heterodoxia a reclamar
também maiores impostos a ricos e menores gastos militares (Stiglitz) ou
o bombear directo de mais dinheiro oficial, ultrapassando a
intermediação bancária (Krugman). Em
comparação com as iniciativas que debatem outros economistas do
mesmo círculo, estas propostas sobressaem pela sua cautela
[12]
.
Todos os keynesianos esperam o ressurgimento do capitalismo com
políticas anticíclicas. Desconhecem as limitações
destas orientações e o seu escasso impacto fora de certas
condições. Para compreender o que está a acontecer
é necessário recorrer a outras teorias.
Notas
1- Wolf Martin, "É hora de um resgate abrangente no mercado",
Financial Times- Folha de São Paulo, Outubro 2008
2- "Assistimos ao perigoso esquecimento dos cimentos morais (do
capitalismo). O respeito da palavra empenhada, a santidade dos contratos, o
valor da poupança e
a renúncia aos ganhos
instantâneos", Grondona Mariano "El capitalismo, la democracia
y la integridad",
La Nación,
21/12/08
3- Selten Reinhard "Criar uma regulação que não se
possa evitar".
Clarín
, 23/11/08
4- Marx Daniel "A crise terminou, virão mais ajustes",
Ámbito Financiero, 19/03/08
5- Edwards Sebastián, "Não temer o pragmatismo"
Clarín
, 26/10/08
6-
The Economist-La Nación
"
El capitalismo está acorralado, pero aún sirve"
18/10/08
7- Os teóricos da direita transmitem esta mensagem tranquilizador,
afirmando que "um capítulo encerra-se
mas são
maluquices as teses de que outro mundo é possível e do fim do
imperialismo ou do capitalismo", Jorge Castañeda,
La Nación
, 24-12-08.
8- Phelps Edmund, "Los bancos deberán buscar un nuevo rol",
Clarín
, 23-11-08.
9- "Houve um sistema financeiro paralelo, sem as
regulamentações tradicionais", Krugman Paul "El
gobierno argentino está haciendo un poco mejor las cosas",
Clarín
, 16-12-2008. Krugman Paul, "No llores por mi, Estados Unidos",
New York Times-La República
, 18-10.08. Krugman Paul, "Bancos: iliquidez o insolvencia",
New York Times-Clarín
, 29-12-07. Krugman Paul, "Planes de estímulo débiles y con
serios errores",
New York Times-Clarín, 31-1-08
. Krguman Paul, "La economía real también necesita un gran
rescate",
New York Times-La Nación
, 18-10-08. Samuelson Paul, "Mercado no es igual a capitalismo sin
regulación",
Clarín
, 23-11-08.
10- Krugman Paul "La riesgosa negativa de Alemania",
New York Times-La Nación
17-12-08. Stiglitz Joseph, "Ahora todos somos keynesianos, incluso la
derecha", 10-12-08.
11- Stiglitz Joseph, "El dólar ya no sirve como reserva",
Clarín, 23-11-08.
12- Reich planeou aplicar a lei de quebras aos bancos para implementar a sua
reorganização sob protecção judicial
(capítulo 11) e Roubini sugeriu paralisar as execuções
hipotecárias. Reich Robert, "El rescate equivocado",
New York Times-Clarín
, 12-12-08. Roubini Nouriel, "La recesión llegó a EEUU y
podría durar hasta 2009",
Clarín, 25-1-08.
.
[*]
Economista, argentino, investigador e professor, membro do EDI (Economistas de
Izquierda). Este texto é uma versão reduzida do artigo com o
mesmo título.
Traduzido por João Camargo.
O original encontra-se em El Viejo Topo, Nº 253.
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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