A novilíngua neoliberal no seu esplendor
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Não se diz patrão, diz-se empreendedor.
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Não se diz direito do patrão, diz-se flexibilidade laboral.
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Não se diz direito do trabalhador, diz-se rigidez laboral.
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Não se diz capitalismo, diz-se economia de mercado.
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Não se diz regra ambiental, diz-se barreira ao investimento.
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Não se diz especulação, diz-se arbitragem.
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Não se diz predação financeira das empresas, diz-se
criação de valor para o accionista.
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Não se diz soberania, diz-se fechamento.
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Não se diz perda de soberania devido à UE, diz-se partilha de
soberania na Europa.
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Não se diz perda de controlo democrático, diz-se abertura.
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Não se diz controlo de capitais, diz-se repressão financeira.
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Não se diz redistribuição de baixo para cima, diz-se
mercado livre.
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Não se diz socialização dos prejuízos da banca,
diz-se resgate ou resolução.
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Não se diz controlo da política monetária pelo capital
financeiro, diz-se banco central independente.
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Não se diz justiça social, diz-se inveja.
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Não se diz regressividade fiscal, diz-se incentivo.
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Não se diz progressividade fiscal, diz-se confisco.
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Não se diz construção política de
instituições económicas, diz-se ordem espontânea.
Há muitas mais coisas que devem ser ditas quando se pretende ofuscar
ideologicamente a realidade.
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Não se diz opinião paga por grandes interesses económicos,
diz-se opinião independente.
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Não se diz panfleto europeísta, diz-se jornal de referência
Público.
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Não se diz destruição e crime económico (aquilo que
a Troika fez aos do sul, especialmente à Grécia), diz-se
solidariedade europeia.
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Não se diz propagandista, diz-se Camilo Lourenço; Helena Garrido;
Manuel Carvalho; João Vieira Pereira.
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Não se diz zona monetária que não funciona, diz-se mais
Europa.
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Não se diz crime de guerra, diz-se libertação dos povos
oprimidos.
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Não se diz roubo de petróleo e outros recursos naturais, diz-se
odioso ditador Maduro.
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Não se diz odioso regime Saudita, diz-se grande aliado do Ocidente.
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Não se diz organização belicista, diz-se NATO.
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Não se diz organização anacrónica, diz-se FMI.
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Não se diz organizações sem legitimidade
democrática e sem escrutínio da população, diz-se
Comissão Europeia e Banco Central Europeu.
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Não se diz mais de uma década perdida, empobrecimento,
precarização, regressão e transferência da riqueza
da base para o topo, diz-se reestruturação da economia.
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Não se diz exploração laboral, diz-se
moderação salarial.
02/Junho/2020
[*]
Economista.
O original encontra-se em
ladroesdebicicletas.blogspot.com/2020/06/da-sabedoria-convencional.html
Este texto encontra-se em
https://resistir.info/
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