Da curva em U à curva em L
por Nouriel Roubini
No ano passado, o debate sobre quanto tempo a recessão perduraria era
entre aqueles da maioria que argumentavam que seria em feitio de V
apenas cerca de oito meses como as de 1990 a 1991 e em 2001 e aqueles,
como eu, que argumentavam que perduraria pelo menos três vezes mais, 24
meses, e teria uma profundidade três vezes maiores que as duas anteriores.
Hoje, entramos no 15º mês. É óbvio que já
estamos numa penosa recessão em feitio de U que se tornou global e que
perdurará pelo menos até o fim do ano 24 meses, a mais
longa desde a Grande Depressão. Mesmo se o Produto Interno Bruto
crescer em 2010, é provável que não suba mais do que 1 por
cento. E a esta taxa, com a taxa de desemprego a elevar-se rumo aos 10 por
cento, ainda estaremos em grande medida numa recessão.
Mesmo que fossem empreendidas acções políticas agressivas
monetárias e e de estímulo fiscal, limpeza bancária
e restauração do crédito, redução da
dívida hipotecária para famílias insolventes a taxa
de crescimento não subiria para perto dos 2 por cento até 2011.
Assim, esta recessão pode perdurar 36 meses.
E as coisas poderiam ficar pior. Agora enfrentamos uma probabilidade de 1 em 3
de que, se não forem aplicadas políticas adequadas, esta feia
recessão em feitio de U pode tornar-se numa mais virulenta
quase-depressão em feitio de L ou estag-deflação (uma
combinação mortal de estagnação económica e
deflação de preços) como aquela experimentada pelo
Japão na década de 1990 após o estouro das suas bolhas
imobiliárias e de acções.
01/Março/2009
O original encontra-se na página de opinião do
New York Times
e em
www.rgemonitor.com
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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