As sanções causam dor ao povo, reconhece Richard Nephew

por Humberto Herrera Carlés [*]

O chanceler venezuelano Jorge Arreaza informou que o assessor e perito em sanções do governo dos Estados Unidos, Richard Nephew, reconheceu no seu livro que as sanções impostas por esse país à Venezuela têm como objectivo "causar dor ao povo".

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Nephew, o sancionador. O twitter contem um trecho do livro de Nephew em que este destaca:

"Um sancionador sempre pode alegar que é responsabilidade do país sancionado manejar suas importações e inclusive evitar toda confrontação. Isto contudo não significa que as sanções não sejam dolorosas, nomeadamente para o cidadão comum, ou que o sancionador seja inocente de haver criado quaisquer crises resultantes. O mais irónico de tudo isto é que as sanções buscam, em última instância, provocar dor e mudar uma política...".

The Art of Santions. É evidente que esta política de sanções transcende a Venezuela e atinge todos os países em que os EUA advogam o direito de sancionar. Nações soberanas que com isso transgridem, no mínimo, o direito internacional.

Isto explica os objectivos das contínuas sanções contra Cuba por parte do governo dos EUA, que são mais do que uma acção de bloqueio económico e financeiro: convertem-se num acto deliberado de agressão genocida, com o propósito de destruir nações não afins aos interesses dos EUA.

O cinismo é de grande monta ao considerar este tipo de sanções como uma "Arte", uma cópia má, plagiada e burlesca do título do importante livro "A arte da guerra" de Sun Tzu.

A Amazon, por sua vez, não tem escrúpulos quando se trata de vender. Na resenha do livro diz:

"Ainda que as sanções se tenham utilizado cada vez mais como uma ferramenta de política externa, são ineficazes se se executarem sem uma estratégia clara que responda à natureza e ao comportamento cambiante do objectivo. Em "A arte das sanções", Richard Nephew apresenta um quadro prático muito necessário para planificar e aplicar sanções que se centra não só na estratégia de sanções iniciais como também, de maneira crucial, em como calibrar no caminho e como decidir quando se conseguiram a máxima eficácia com as sanções.

Nephew, líder na concepção e implementação de sanções contra o Irão, desenvolveu pautas para interpretar as respostas dos objectivos às sanções com base em dois factores críticos: dor e resolução. A eficácia das sanções radica na aplicação da dor contra um objectivo, mas os objectivos podem ter uma resolução significativa para resistir, tolerar ou superar esta dor. Compreender a interacção da dor e da resolução é fundamental par utilizar as sanções com êxito e de maneira humana. Ao prestar atenção a estas duas variáveis chave e como mudam no decurso do regime de sanções, os responsáveis da formulação de políticas podem assinalar quando é provável que a intervenção diplomática tenha êxito ou quando é necessária uma escalada. Centrando-se nas lições das sanções contra o Irão e o Iraque, Nephew apresenta aos responsáveis da formulação de políticas um guia prático sobre como medir e responder à dor e à resolução ao serviço de regimes de sanções fortes e com êxito".

Em Cuba há que continuar a aplicar a máxima de Marti adequada a estes tempos: "A um plano obedece o nosso inimigo: enervar-nos, dispersar-nos, dividir-nos, afogarmos. Por isso obedecemos nós a outro plano: educarmo-nos em toda a nossa altura, endurecer-nos, juntar-nos, burlá-lo, tornar por fim a nossa pátria livre. Plano contra plano". Marti, em Pátria, 11 de Junho de 1892.

02/Setembro/2020
The art of sanctions pode ser encomendado em www.bookdepository.com/...

[*] Economista, cubano.

O original encontra-se em
cubayeconomia.blogspot.com/2020/09/richard-nephew-reconoce-que-las.html


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05/Set/20