As pensões da Segurança Social e da CGA em 2017
por Eugénio Rosa
[*]
Este estudo mostra:
(1) Que as pensões são um instrumento importante no combate
à pobreza em Portugal;
(2) Que aplicação da Lei 53-B/2006 em 2017 determinaria novamente
aumentos de miséria para a maioria das pensões e o congelamento
das restantes;
(3) Que um aumento extraordinário de 10 em todas as pensões
é necessário, não aumenta as desigualdades e permite aos
pensionistas recuperarem uma parcela (menos de 1/3) do poder de compra perdido
desde 2010;
(4) E determina um aumento despesa comportável quer para a
Segurança Social quer para a CGA.
Se não existissem prestações sociais, incluindo as
pensões, 47,8% da população portuguesa, ou seja, 4.943.156
portugueses viveriam no limiar da pobreza, isto é, teriam para viver
apenas cerca de 361/mês (14 meses). Após as
transferências das pensões aquela percentagem desce para 26,4%.
Portanto, as pensões retiram 2.213.045 portugueses do limiar da pobreza
. Dizer, como alguns afirmam, que um aumento das pensões não
teria qualquer efeito na redução da pobreza em Portugal
não tem qualquer sustentação na realidade. Para
além disso, a importância das pensões no combate à
pobreza é muito superior aos efeitos das restantes
prestações sociais. Com revelam também os dados do INE
sobre a pobreza em Portugal (quadro 1), as restantes prestações
sociais apenas retiram do limiar da pobreza 196.485 portugueses.
Portanto, 1.506.960 portugueses com 65 ou mais anos são retirados do
limiar da pobreza devido às pensões. As pensões são
um instrumento fundamental no combate à pobreza em Portugal, embora seus
valores sejam extremamente baixos e insuficientes. Para além de tudo
isto, a eficácia dos outros instrumentos de combate à pobreza,
nomeadamente à pobreza das famílias, dos idosos e dos
desempregados tem diminuído, já que o número de
beneficiários tem continuado a cair mesmo com este governo. Entre
Dez/2015 e Ago/2016, o número de crianças a receber abono de
família diminuiu em 11.376 pois passou de 1.134.986 para 1.123.610; o
numero de idosos a receber o Complemento Solidário de Idoso (CEI) caiu
em 6.051 pois passou de 165.982 para apenas 159.931, e o numero de
desempregados a receber subsidio de desemprego diminuiu em 44.925, pois passou
de 261.004 para apenas 216.079
(o que corresponde a 38,5% dos desempregados oficiais, e isto quando o
desemprego é a principal causa da pobreza em Portugal pois, segundo o
INE, 42% dos desempregados estão no limiar da pobreza).
É urgente inverter esta situação.
Em 2016, a aplicação da Lei 53-B/2006 determinou aumentos de 0,4%
nas pensões até 628,83, ou seja, de miséria,
continuando congeladas desde 2010 as de valor superior. Em 2017, se fosse
aplicada determinaria subidas nas pensões até 628,8 de
apenas 0,7%, e de 0,2% nas pensões superiores até 2.515
continuando congeladas as de valor superior, ou seja, aumentos também de
miséria para a maioria dos pensionistas e a continuação do
congelamento de pensões para os restantes (com o PSD/CDS
só foram aumentadas, e de uma forma irrisória, o 1º
escalão das pensões mínimas, ou seja, pensões
até 260).
Um aumento de 10 em todas as pensões, determinaria: (a) Que 88,7%
dos pensionistas de invalidez, 79,9% dos pensionistas de velhice, e 94,6% dos
pensionistas de sobrevivência, com pensões médias entre
243 e os 288 por mês, tivessem aumentos entre 3,5% e 4,1%;
(b) Que os pensionistas de invalidez, velhice e sobrevivência com
pensões médias entre 668 e 684 por mês tivessem
uma subida nas pensões de 1,5%, (c) Finalmente, os pensionistas com
pensões médias entre 1459 e 1560 por mês, que
representam entre 1% (sobrevivência) e 6,6% (velhice), teriam aumentos
nas pensões entre 0,6% e 0,7%.
Quanto mais elevada é a pensão menor é o aumento percentual
. Idêntica conclusão se obteria para as pensões de
aposentação e de sobrevivência e de sangue da CGA. Portanto
afirmar, como alguns media fazem, que uma subida de 10 de todas as
pensões agravaria as desigualdades é enganar e manipular a
opinião pública.
Em relação à Segurança Social
, um aumento de 10/mês nas pensões determinaria um aumento
da despesa anual de 2,8% com as pensões invalidez; de 2,3% com as
pensões de velhice; e um aumento anual de 4,4% com as pensões de
sobrevivência. Para o conjunto destas três pensões
invalidez, velhice e sobrevivência- o aumento anual de despesa seria
apenas de 2,7%.
Em relação à CGA
, os efeitos de aumento de despesa anual seriam muito menores. Relativamente
às pensões de aposentação a subida de despesa anual
seria apenas de 0,78%, e a despesa anual com as pensões de
sobrevivência e sangue seria de 2,36%. Globalmente, o aumento de despesa
anual para a CGA seria somente de +0,94%, um aumento muto reduzido.
06/Outubro/2016
[*]
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