A gestão de Paulo Macedo na CGD
Redução do crédito à economia e as
famílias
Perda de quota de mercado
Liquidez em excesso não utilizada
Enorme aplicação em títulos com risco
Vendas de carteira de crédito
Write-offs
Resultados obtidos à custa dos depositantes e da reversão
de imparidades e provisões excessivas
Redução de trabalhadores e agências
O mandato da administração de Paulo Macedo na CGD já
terminou. Imediatamente o marketing da CGD e os defensores de Paulo Macedo na
comunicação social procuraram fazer passar a mensagem junto da
opinião pública que a sua gestão tinha sido um
êxito, e que a administração de Paulo Macedo tinha salvo a
CGD. Simultaneamente os media divulgaram que o governo tencionava reconduzir a
administração de Paulo Macedo para novo mandato (2021/2024).
Interessa por isso, analisar com objetividade e com base em números os
resultados da gestão de Paulo Macedo para a CGD, para os trabalhadores
da CGD e para o país. É o que vamos fazer utilizando os dados da
própria administração de Paulo Macedo
(Relatórios e Contas da CGD de 2015/2020)
para se conhecer uma opinião diferente, que é um contributo para
a reflexão
A REDUÇÃO DO CRÉDITO À ECONOMIA E ÀS
FAMILIAS E O NÃO CUMPRIMENTO DA MISSÃO DA CGD
Uma das missões mais importantes da CGD é apoiar as
famílias e as empresas, através da concessão de
crédito embora fazendo uma análise rigorosa do risco e
assegurando as garantias necessárias ao seu reembolso, com o objetivo de
promover o crescimento económico e o desenvolvimento do país. Ora
durante a vigência da administração de Paulo Macedo
verificou-se precisamente o contrário, tendo-se registado uma forte
redução no crédito concedido pela CGD às
famílias e à economia como revelam os dados do quadro 1 retirados
dos Relatórios e contas da CGD.
Entre 2015 e 2020, o crédito concedido pela CGD às empresas
diminuiu em 37,3%, ou seja, em 11.137 milhões . No mesmo
período, a redução do crédito às
famílias foi de 21,6%, ou seja, de 7.798 milhões . Mesmo o
crédito à habitação sofreu uma enorme
redução de 7.041 milhões (-21,4%). Globalmente, a
redução no crédito total durante a
administração de Paulo Macedo foi de 29,7%, ou seja, de 21.226
milhões . Deliberadamente ou por incapacidade, a gestão de
Paulo Macedo não cumpriu a missão da CGD que é a de
promover o crescimento económico e o desenvolvimento do país.
Esta a realidade e a verdade sobre os resultados da gestão de Paulo
Macedo na CGD segundo os Relatórios e contas.
A CGD PERDEU QUOTA DO MERCADO DO CRÉDITO COM PAULO MACEDO, O QUE
CONTRIBUIU PARA O AUMENTO DO DOMINIO DO SETOR E DA NOSSA ECONOMIA PELOS BANCOS
ESTRANGEIROS
Um outro aspeto que caraterizou a administração de Paulo Macedo
foi a redução de quota que a CGD detinha no crédito total
concedido pela banca no país a favor dos bancos controlados por grupos
estrangeiros como revelam os dados do quadro 2 também dos
Relatórios da CGD
Em 2015, ano anterior à entrada de Paulo Macedo para a
administração da CGD, a CGD detinha 22,5% de todo o
crédito concedido no país, sendo por isso o maior banco do
país. No fim da gestão de Paulo aquela quota de 22,5% estava
reduzida apenas a 18%. No mesmo período, a quota do crédito
às empresas tinha diminuído de 19,8% para 14,5%, e às
famílias (particulares) de 23,5% para 19,5%. A CGD, com Paulo Macedo
perdeu quota de mercado até na Habitação e no Setor
Público Administrativo. Em contrapartida quem ganhou quota de mercado
foram os bancos controlados por estrangeiros. A gestão de Paulo Macedo
permitiu o aumento do domínio quer do setor bancário quer da
economia pelos grupos estrangeiros. Estes dados também mostram que a
redução do crédito da CGD (quadro 1) não é
explicada pela redução do crédito no país, mas sim
pela perda de quota de mercado pela CGD.
Esta é também a verdade e a realidade da gestão de Paulo
Macedo na CGD segundo os Relatórios e contas.
A REDUÇÃO SIGNIFICATIVA DO CRÉDITO CONCEDIDO PELA CGD
DURANTE A GESTÃO DE PAULO MACEDO NÃO TEM COMO CAUSA NEM FALTA DE
LIQUIDEZ NEM RÁCIOS DE CAPITAL INSUFICIENTES. A DIMINUIÇÃO
DO RÁCIO DE TRANSFORMAÇÃO É UM INDICADOR DE UMA
GESTÃO INEFICIENTE
Os dados do quadro 3, que são dos Relatórios e contas da CGD
durante o período da gestão de Paulo Macedo, tornam ainda mais
claro as caraterísticas e os resultados da sua
administração.
Em 2015, antes do Estado, ou melhor os contribuintes, terem recapitalizado a
CGD com 4.000 milhões , os
rácios de capital da CGD
(CET1, Tier 1 e Total)
eram manifestamente insuficientes
(variavam entre 7% e 8,1%)
e constituíam um obstáculo à concessão do
crédito embora o
rácio de liquidez
(LCR) estivesse acima do mínimo exigido pelo banco de Portugal que era,
nessa altura, de 100%.
Em 2016 com a recapitalização enorme da CGD feita pelo Estado com
dinheiro dos contribuintes verificou-se um aumento significativo dos
rácios de capital
(entre 72,8% e 85,7%)
que continuaram a aumentar com base na criação orgânica
interna de capital, e por meio de
"write-offs"
(1100M a que se soma 1933M feitos em 2016, créditos abatidos
ao Ativo por se considerarem perdidos)
e vendas de carteira de crédito
(2690M que geraram perdas pois quem compra quer ganhar em média
20%)
que reduziram o
RWA
(
entre 2016 e 2020, os
Ativos ponderados pelo risco
, diminuíram de 55014M para 33750M
). Portanto, não são rácios de capital baixos ou
insuficientes que impediram a concessão de mais crédito às
famílias e à economia. O mesmo se pode dizer do rácio de
liquidez que era, em 2020, 494,3%, o mais elevado em toda a banca (o exigido
pelo Banco de Portugal é 150%). A CGD não tem problemas de falta
de capital nem de liquidez.
A análise da evolução do
"Rácio de transformação"
mostra que o que se verificou foi incapacidade ou recusa da
administração da CGD para aumentar, com segurança, o
crédito às famílias e à economia como fizeram os
bancos controlados por estrangeiros que assim conseguiram apropriar-se de uma
parcela da quota de mercado antes detida pela CGD. O "rácio de
transformação" obtém-se dividindo o montante de euros
de crédito concedido por cada 100 de depósitos. Em 2015, o
rácio de transformação era de 90,1%, ou seja, a CGD por
cada 100 de depósitos concedia crédito no valor de
90,1. Em 2020, o rácio de transformação baixou para
66,5%, ou seja, que por cada 100 de depósitos a CGD concedeu
crédito no valor de 66,5. Para se poder ficar com uma ideia da
dimensão da ineficiência basta recordar que a própria
"troika" fixou como limite um rácio de
transformação de 100% (por cada 100 de depósitos,
conceder 100 de crédito).
Esta é a verdade e a realidade sobre a gestão de Paulo Macedo na
CGD.
NO LUGAR DE CONCEDER MAIS CRÉDITO, PAULO MACEDO OPTOU EM INVESTIR EM
TITULOS, TRANSFORMANDO A CGD NUM BANCO QUE APOSTA EM MAIS-VALIAS AUMENTANDO
ASSIM O RISCO
Confirmando a incapacidade da gestão para aumentar o crédito
à economia e às famílias, que é a missão da
CGD, Paulo Macedo optou por investir maciçamente o dinheiro dos
contribuintes e dos clientes em títulos, o negócio por
excelência de uma entidade que aposta na especulação, o que
não faz parte da missão da CGD. O quadro 4 mostra a
dimensão que atingiu tal política na CGD.
Entre 2015 e 2020, com a administração de Paulo Macedo, o Ativo
da CGD diminui em 9.626 milhões (-9,4%), e as
aplicações em títulos, que representam um elevado risco
para CGD, pois podem determinar elevados prejuízos, aumentaram de 19,5%
do Ativo em 2015, reduzido para 16,7% em 2016, para 25,7% em 2020, mais de um
quarto do Ativo líquido total consolidado da CGD. Não se aumenta
o crédito à economia e às famílias, mas investe-se
23.445 milhões em títulos, certamente a maior percentagem
existente no setor bancário, cujo valor está sujeito a
flutuações devido aos riscos que incorpora. Qualquer gestor
prudente nunca faria um investimento com tal dimensão em títulos,
o que até não é a missão da CGD, ainda mais com
dinheiro dos contribuintes e dos clientes.
Esta é também a verdade e a realidade da gestão de Paulo
Macedo na CGD segundo os Relatórios e contas
RESULTADOS OBTIDOS À CUSTA DOS DEPOSITANTES, DE IMPARIDADES EXCESSIVAS
DEVIDO À RECAPITALIZAÇÃO EXCESSIVA DA CGD PELO ESTADO E
REDUÇÃO DE TRABALHADORES E AGÊNCIAS
Para uma mais fácil e clara compreensão da forma como a
administração de Paulo Macedo obteve resultados positivos, que
ela e os seus defensores, nomeadamente nos media tanto gabam, selecionamos dos
dados divulgados pela administração nos seus relatórios os
que constam do quadro 5
A atividade por excelência de um banco como é a CGD, o seu
core business
é a de intermediação, pagando juros pelos
depósitos que recebe
(operações passivas)
e cobrando juros pelo crédito que concede
(operações ativas).
Associada a esta, está a das comissões que cobra pelos
serviços prestados e as que paga pelos serviços que necessita. O
resultado constitui aquilo que se designa por "
Produto bancário core
", que é precisamente o valor acrescentado que resulta da atividade
"
core
" do banco. Vejamos então como estes dois instrumentos foram
utilizados pela administração de Paulo Macedo.
Devido a diminuição da carteira de crédito da CGD e
à redução da taxa de juros cobrada pelo banco pelo credito
concedido, a receita de juros cobrados diminuiu, entre 2015 e 2020, em 49% (-
1422,3 milhões ), mas os juros pagos aos depositantes sofreram uma
redução de 74,9% (-1365,4 milhões ), pois os
depósitos estão a ser remunerados com uma taxa próxima de
zero. Cerca de 95,9% da redução de receitas resultantes do
crédito concedido foi suportada pelos depositantes, apesar dos
depósitos terem aumentado
(entre 2015 e 2020, passaram de 66.692 milhões para 72.033
milhões ).
Associado com a atividade anterior estão as comissões
líquidas. Apesar da significativa redução do
crédito concedido e, consequentemente, das comissões cobradas por
esse crédito, as receitas líquidas das comissões apenas
sofreram uma redução de só 0,2% (um milhão de
euros). A quebra nas receitas de comissões por crédito concedido
foi compensada através da multiplicação e aumento das
comissões aplicadas aos depositantes em que, muitas vezes, os juros nem
davam para pagar as comissões, o que os obrigou a pagar utilizando o
próprio capital (depósito feito). O banco publico fez o que os
outros fizeram
(massacre dos depositantes com juros próximos de zero que nem cobrem a
inflação e com a multiplicação de comissões).
Outro instrumento utilizado pela administração de Paulo Macedo
foi a redução de custos operacionais, nomeadamente de pessoal
que, entre 2015 e 2020, sofreram uma redução de 37,6% e dos
"gastos administrativos" que, no mesmo período, registaram uma
diminuição de 48,7%. Isso foi conseguido através da
destruição de 2.226 postos de trabalho e do fecho de 221
agências só na CGD em Portugal.
Um outro instrumento utilizado para aumentar os resultados foi a
reversão de imparidades ou provisões feitas em excesso em anos
anteriores
(em 2016 foram constituídas de 3.016,9 milhões de imparidades)
possíveis devido ao facto do Estado ter recapitalizado em excesso a CGD
com 4.000 milhões de dinheiro dos contribuintes. Pelos menos
441,3 milhões foram lucros criativos da
administração de Paulo Macedo que resultaram de reversões
de imparidades e provisões como os dados do quadro 5 revelam.
COMENTÁRIOS FINAIS PARA REFLEXÃO DOS LEITORES: uma CGD mais
frágil
Uma CGD com um Ativo mais reduzido, com menos crédito concedido
às famílias e à economia, com uma quota de mercado mais
reduzida, num setor vital onde o domínio estrangeiro aumentou devido
à perda de posição da CGD, com menos trabalhadores e menos
agências, ou seja, uma CGD mais frágil, eis o resultado da
gestão da administração de Paulo Macedo.
É importante que os portugueses tenham acesso a uma opinião
diferente da oficial, fundamentada em dados, para assim poderem formular a sua
própria opinião sobre a gestão de Paulo Macedo na CGD, que
é o mais importante. E isto porque se trata de um banco público
que quando é mal gerido, as consequências são suportadas
pelos contribuintes, por todos nós, através de
recapitalizações feitas pelos Estado, como aconteceu já no
passado. E é ainda um dos poucos bancos de capital totalmente
português a operar em Portugal. Estas são as razões deste
estudo.
10/Maio/2021
[*]
edr2@netcabo.pt
Este artigo encontra-se em
https://resistir.info/
.
|