Os desafios futuros à nova administração da CGD
O conselho de administração da CGD que esteve em
funções no período 2010/2016 vai ser substituído
por uma nova administração que brevemente tomará posse.
Parece-nos ser este o momento adequado para fazer um balanço da
gestão da administração que agora finda o seu mandato, e
com base nele identificar os principais desafios que se colocam à nova
administração, a qual será naturalmente avaliada pela
capacidade que revelar em os enfrentar e resolver. É o que vamos
procurar fazer, embora de uma forma sintética, utilizando dados dos
relatórios e contas do período que vai de 2010 ao fim do 1º
semestre de 2016, com os quais se construiu o quadro 1, que se encontra em
anexo.
UM BALANÇO DA GESTÃO DA ADMINISTRAÇÃO DA CGD NO
PERÍODO 2010-2016, CUJO MANDATO TERMINOU, E OS DESAFIOS QUE SE COLOCAM
À NOVA ADMINISTRAÇÃO
Com base nos dados do quadro 1, que constam dos relatórios e contas da
CGD, portanto dados públicos e divulgados pela própria CGD,
é possível tirar as seguintes conclusões e identificam-se
os desafios futuros que seguidamente se apresentam.
No período 20101ºSem.2016, o
Ativo liquido consolidado
da CGD reduziu-se de 125.862 milhões para 99.355 milhões
, ou seja, o valor do Ativo liquido do grupo CGD diminuiu 21,1%, portanto
pode-se dizer, com propriedade, que o grupo Caixa "encolheu"
significativamente
(uma parcela deste encolhimento foi devida à venda de ativos e outro
devido à quebra do negócio bancário),
em que o fecho de 140 agências bancárias em Portugal e a venda
das áreas seguradora e saúde são os exemplos mais
visíveis.
Portanto, conter a continuação deste "encolhimento" da
CGD, que ameaça destroná-la de líder do mercado
(atualmente a CGD detém uma quota de mercado de 21,8% no crédito,
28,2% nos depósitos e 27,8% nos ativos)
, para uma posição secundária, reduzindo o seu papel na
economia e na sociedade portuguesa, e facilitando o domínio ainda maior
da banca privada, é o desafio futuro importante que se coloca à
nova administração.
No mesmo período, o
crédito bruto
concedido diminuiu de 84.517 milhões para 70.674 milhões
(-16,4%), e o
crédito líquido
reduziu-se de 81.907 milhões para 65.284 milhões
(-20,3%), ou seja, verificou-se uma redução do credito às
empresas e famílias,
portanto aumentar o credito à economia e às famílias e,
consequentemente, aumentar o negócio bancário é outro
desafio que se coloca à nova administração
até porque a CGD, apesar da cota de mercado de empresas ter aumentado no
1º semestre de 2016, ela continua baixa
(18,1% de cota de mercado de empresas do país).
No período 20101º sem.2016, o
rácio de crédito em risco
aumentou de 4,2% para 12,2%, ou seja, quase triplicou, o que revela a
existência de elevado mau crédito (NPL), consequência
não só da crise que aumentou o incumprimento mas também da
concessão de credito em que não existiu uma
avaliação correta de risco, nomeadamente créditos para
fins que não se enquadram na missão da CGD, como foram
créditos elevados para adquirir ativos financeiros, de que são
exemplos os concedidos a Manuel Fino para adquirir ações da
CIMPOR, a Joe Berardo para adquirir ações do BCP e,
recentemente, a Isabel dos Santos para adquirir a EFACEC.
Portanto o desafio futuro que se coloca à nova
administração é reduzir este rácio e não
cometer estes atos de má gestão.
Entre 2010 e o 1º sem.2016, os
recursos de clientes (depósitos)
aumentaram de 67.680 milhões para 72.442 milhões
(+7%), apesar da redução das taxas de juro pagas (
entre 2010 e 2015, diminuíram de 2,68% para 0,32%),
um indicador de confiança na CGD.
Portanto o desafio futuro que se coloca à nova
administração é consolidar esta posição.
O
rácio de transformação da CGD
(quociente entre o crédito líquido e os recursos de clientes),
diminuiu, entre 2010 e 1º sem.2016, de 121% para 90,1%, o que significa
que, em 2016, a CGD por cada 100 de depósitos que recebe empresta
apenas 90,1.
Portanto o desafio futuro que se coloca à nova
administração
é alcançar uma posição mais equilibrada o que se
consegue com o aumento do negócio bancário.
Entre 2010 e o 1ºsem.2016, o
Estado recapitalizou a CGD
com 100 milhões em 2011, e com mais 750 milhões em
2012. E isto para além dos Cocos (900 milhões em 2012,
pelos quais a CGD paga um juro muito elevado: 9% em 2016), o que é uma
consequência dos prejuízos acumulados pela CGD.
Portanto o desafio futuro que se coloca à nova
administração é inverter a necessidade de continuar
recapitalizações, e passar para uma situação em que
a CGD seja uma fonte de receitas para o O.E. como aconteceu até 2010
(só no período 2000-2010 os dividendos pagos pela CGD somaram
2.646 milhões).
No período 2010-1ºsem.2016, os
Capitais Próprios (Situação Liquida) da CGD
(diferença entre o Ativo e o Passivo), diminuíram de 7.840
milhões para 5.745 milhões , portanto uma
redução de 2.095 milhões . No entanto a perda real
de capitais próprios atingiu 2.945 milhões , pois ao valor
anterior há a acrescentar as entradas do Estado para o capital social da
CGD que atingiram 850 milhões .
Portanto, o desafio futuro à nova administração é
inverter esta delapidação continuada dos capitais próprios.
Entre 2010 e 2015, a
margem financeira
diminuiu de 1.415 milhões para 1.114 milhões
(-21,3%). Esta redução da margem financeira resultou de uma
quebra de -32,6% nos juros recebidos por crédito concedido e de uma
redução de -38% nos juros pagos pelos recursos obtidos, ou seja,
no custo do "funding".
Portanto o desafio futuro para a nova administração será
aumentar a margem financeira através do aumento do negócio
bancário pois a redução do custo do "funding"
tem limites.
No mesmo período, as
comissões líquidas
aumentaram de 502 milhões para 511 milhões
(+1,8%). E isto apesar da quebra verificada no negócio bancário.
Portanto
o desafio futuro colocado à nova administração será
aumentar as comissões liquidas através do aumento do
negócio bancário e não à custa de sobrecarregar
mais os atuais clientes da CGD com subidas das comissões que já
têm de pagar.
Como consequência do referido anteriormente, entre 2010 e 2015, o chamado
"Produto bancário core",
ou seja, o negócio por excelência, recorrente e
repetível da banca
(Margem financeira + comissões liquidas)
, diminuiu de 1.918 milhões para 1.625 milhões
(-15,3%).
Portanto o desafio futuro que se coloca à nova
administração é aumentá-lo o que se consegue com o
aumento do negócio bancário.
Entre 2010 e 2015, os
custos operacionais da CGD
(custos com pessoal + gastos gerais administrativos +
amortizações)
diminuíram de 1.967 milhões para 1.392 milhões
(-29,2%). E dentro destes, os
custos com pessoal
desceram de 1.047 milhões para 820 milhões , ou
seja, em 227 milhões . Esta redução nos custos
operacionais foi conseguida fundamentalmente através do fecho de 140
agências e à custa de
redução significativa do número de trabalhadores
que, a nível do grupo CGD, diminuiu em 7.026 (passou de 23.083 para
16.058), e a nível da CGD-Portugal a redução foi de 1.262
trabalhadores (entre 2010 e 2015 passou de 9.672 para 8.410),
o que coloca como desafio futuro para a nova administração a
necessidade de não continuar a utilizar o corte nas despesas com pessoal
o instrumento preferencial para reduzir custos e equilibrar as contas da CGD.
Não deixa de ser estranho que o coordenador da Comissão de
Trabalhadores da CGD tenha afirmado, já por duas vezes, em entrevista
à SIC, que a redução de trabalhadores não era um
problema pois a CGD já o tinha feito no passado sem problemas, dando
assim cobertura às reestruturações sucessivas da CGD que
estão a reduzi-la cada vez mais e a fazer que ela perca
importância e capacidade como instrumento fundamental para a
recuperação económica e desenvolvimento do país.
O rácio "custos operacionais" a dividir por "produto
bancário core",
que é um indicador importante da eficiência de uma
instituição financeira, já que mede a capacidade desta
para gerar rendimento no seu
"core business"
suficiente para cobrir os seus custos operacionais, entre 2010 e 2015,
diminuiu na CGD de 102,6% para 85,7%, o que mostra que, em 2015 contrariamente
ao que sucedia em 2010, o "produto bancário core" já
era mais que suficiente para cobrir os custos operacionais.
Portanto o desafio futuro que a nova administração tem é
melhorar ainda mais esta relação
(em 2015, no BPI os custos de estrutura corresponderam apenas a 70,6% do seu
"produto bancário core", e no BCP a 55,5%).
A quebra do negócio bancário tem levado a banca a entrar com
força numa área, que não é o seu "core
business", a especulação financeira
(operações financeiras)
, o que tem aumentado significativamente o risco da atividade bancária
perante a passividade do supervisor (BdP). A CGD não fugiu a isso, tendo
aumentado significativamente as aplicações financeiras com o
objetivo de obter mais-valias, que são resultados não recorrentes
e que envolvem elevados riscos. E isto com o objetivo de compor os fracos
resultados obtidos na sua atividade "core". No período
2010-1ºsemestre de 2016, as mais-valias obtidas pela CGD, através
de operações financeiras, somou 1.667 milhões .
Portanto o desafio futuro é tornar a CGD menos dependente deste tipo de
receitas que envolve elevados riscos e não constitui a sua atividade
"core"
até porque uma parcela significativa dos prejuízos da CGD no
1º sem.2016 teve como causa precisamente os elevados prejuízos
registado nas operações financeiras, como vamos mostrar.
O
"produto bancário e segurador",
entre 2010 e 2015, diminuiu de 3.099 milhões para 2.042
milhões
(quebra de -34,1%)
, portanto superior à quebra verificada no negócio
bancário, que reflete também os efeitos negativos da venda da
área seguradora e de saúde.
Portanto o desafio futuro para a nova administração é
aumentá-lo.
Como consequência o
"cost-to-income"
(quociente dos custos operacionais pelo produto bancário),
uma medida da eficiência de um banco, entre 2010 e 2015, aumentou de
63,5% para 68,2%, o que significa que uma parcela crescente do produto
bancário tem de ser utilizada para cobrir os custos operacionais,
portanto
o desafio futuro é melhorar esta relação
(aproximá-lo de 50%)
, o que exige o aumento do negócio bancário.
No período 2010-2015, a CGD contabilizou
"imparidade de crédito liquidas"
no montante de
4.737 milhões ,
e se somarmos a estas as
"imparidades de outros ativos"
, aquele valor sobe para
6.892 milhões ,
que são perdas enormes, sendo
umas
resultado do agravamento da crise e do aumento do incumprimento a que
está inevitavelmente associada, o que aconteceu com todas as
instituições financeiras; e
outras
,
resultam claramente de má gestão e da utilização
da CGD para a concessão de credito em clara violação do
que deve ser a sua missão e os seus objetivos e também violando
uma gestão adequada de risco.
Portanto
o desafio futuro para a nova administração é alterar
profundamente este tipo de gestão passando a CGD a ser um instrumento
ao serviço da recuperação e do desenvolvimento do
país, respeitando um rigoroso controlo do risco do credito concedido
, pois 94,3% dos recursos da CGD são recursos alheios (fundamentalmente
de depositantes) e o restante foi financiado pelos contribuintes.
A quebra do negócio bancário e o aumento enorme das imparidades
determinou que,
no período 20101ºsem.2016, a CGD tenha acumulado
prejuízos no montante de 1.932 milhões de prejuízos
, o que delapidou muito os seus capitais próprios que, por isso,
sofreram um redução importante, como já se referiu, e
acabou por se refletir negativamente nos rácios de capitais.
Portanto inverter esta situação de degradação
continuada constitui também um objetivo para o futuro da nova
administração.
Entre 2010 e 2015,
o rácio de capital total diminuiu
de 12,3% para 11,2% e, entre 2012 e o 1º sem.2016, o
CET 1
caiu de 11,1% para apenas 10%. Os rácios que aumentaram
significativamente foram os
rácios de liquidez
: entre 2013 e 2016, o
LCR
subiu de 112,9% para 193,5% (valor mínimo exigido pelo BdP é
70%), e o
NSFR
aumentou de 110% para 135,9% entre 2013 e 2015, o que revela, por um lado, a
elevada confiança que os portugueses depositam na CGD e, por outro lado,
a solidez desta instituição financeira.
Portanto, o desafio futuro será melhorar os primeiros e consolidar os
últimos.
A análise realizada mostra, com base nos dados divulgados pela CGD, qual
foi a evolução da CGD durante o mandato da
administração que terminou, quais as áreas em que se
registou um agravamento e são criticas, quais as áreas
sensíveis que merecem um grande atenção e quais as
áreas em que situação melhorou, bem como alguns dos
desafios que se colocam no futuro que exigem acompanhamento e
avaliação para se poder ficar a saber se a nova
administração está à altura desses desafios.
A SITUAÇÃO DA CGD NO 1º SEMESTRE DE 2016
Como aconteceu com as restantes instituições financeiras, a CGD
acabou de divulgar o seu relatório e contas consolidado referente ao
1º semestre de 2016. Interessa analisá-lo de uma forma detalhada
porque permite ficar com uma informação mais concreta e
atualizada da situação da CGD neste momento. É o que vamos
fazer utilizando os dados mais importantes desse relatório que constam
também do quadro 1 em anexo.
No 1º semestre de 2016
, quando comparado com o semestre homólogo de 2015,
registou-se uma melhoria da Margem Financeira
em +5,5% (+29,8 milhões ), o que foi conseguido fundamentalmente
por meio da redução acentuada do custo do "funding"
(depósitos) que foi de -17,5% (-171,6 milhões ) muito
superior à diminuição registada nos "juros das
operações ativas" (crédito concedido) que foi de
-9,3% (-141,8 milhões ), esta última uma consequência
da quebra verificada no negócio bancário.
Apesar do aumento da Margem Financeira conseguida fundamentalmente à
custa da redução do custo do "funding"
registou-se no 1º semestre de 2016 uma diminuição muita
significa do "Produto bancário"
, quando comparado com o do período homólogo de 2015, pois
passou de 1.154 milhões em 2015 para apenas 754,6 milhões
em 2016 (-349,4M). Esta diminuição do "Produto
bancário" teve como causa fundamental os
resultados obtidos em operações financeiras que foram de +301,9
milhões
(positivos)
no 1º sem.2015 e -47,4 milhões
(negativos)
no 1º sem.2016
, portanto um desvio negativo de -349,4 milhões , o que
corresponde a 87,5% da quebra do "Produto bancário".
Tal facto mostra de uma forma clara o risco elevado e a volatilidade dos
resultados das operações financeiras, o que desaconselha a sua
utilização como instrumento importante de gestão para
atenuar os efeitos negativos a nível do negócio bancário.
Apesar deste elevado risco, no fim do 1º semestre de 2016, a CGD tinha em
"aplicações de títulos" 20.137 milhões
, mais 1.151 milhões do que em Dez.2015, o que aumentou
ainda mais o risco, sendo um dos desafios futuros da nova
administração reduzir esta elevada exposição da CGD
aos mercados financeiros pois tal politica de risco elevado não se
enquadra, a nosso ver, na missão de um banco público.
Embora o
credito tanto bruto como liquido tenha continuado a diminuir
(
este ultimo teve a seguinte evolução; Jun.2015: 66.639
milhões ; Dez.2015: 66.178 milhões ; Jun.2016: 65.284
milhões )
, no entanto
a quota de mercado de empresas da CGD aumentou de 17,7% em Dez.2015 para 18,1%
em Jun.2016
;
Os recursos de clientes
aumentaram em Jun.2016, quando comparados com os existentes em Jun.2015, em
mais 2.199 milhões e
(passaram de 70.242 milhões para 72.442 milhões )
, o que reflete a confiança que os portugueses têm na CGD, no
entanto quando a comparação é feita com Dez.2015
(73.426 milhões )
consta-se uma redução de - 984 milhões nos
últimos 6 meses, o que dá bem a ideia da sensibilidade das
instituições financeiras a eventos que afetam o seu nível
de confiança, como foram os que CGD foi sujeita nos últimos meses
(atrasos na nomeação da nova administração,
inquérito parlamentar, etc.).
Um aspeto importante é o
contributo positivo da atividade internacional para o "resultado bruto de
exploração"
(+203 milhões no 1º sem.2015, e +205,3 milhões
no 1º sem.2016)
, enquanto o
contributo da "atividade doméstica" caiu muito
(passou de +243,4 milhões no 1º sem.2015, para -83,6
milhões no 1º sem.2016). Portanto
a venda de todos os ativos da atividade internacional, incluindo os da CGD em
França e Macau, como parece prever o plano de
reestruturação negociado pelo governo com Bruxelas, poderá
criar dificuldades à CGD e reduzir a sua capacidade para apoiar as
empresas.
As imparidades do credito liquidas de reversões aumentaram
significativamente no 1ºsem.2016
pois, entre o 1º sem. 2015 e o 1º sem.2016, passaram de 235,8
milhões para 302,5 milhões , ou seja, em mais 28,3%
(+66,7 milhões ), o que é preocupante pois revela a
existência de um volume elevado de credito malparado, nomeadamente
grandes créditos o que poderá determinar a necessidade de
constituir mais imparidades elevadas no futuro próximo
(embora o credito em risco tenha diminuído entre Jun.2015 e Dez.2015
pois passou de 12,4% para 11,5%, no entanto em Jun.2016 tornou a aumentar para
12,2%)
A CGD continuou a encolher
pois, entre Jun.2015 e Jun.2016, o valor do seu Ativo Liquido passou de
100.238 milhões para 99.355 milhões
(em Dez.2015 era 100.901M),
e número de agencias neste período diminuiu a nível do
grupo Caixa de 1.225 para 1.221 (-4), mas em Portugal a redução
foi maior pois passou de 760 para 729 (-31);
Como consequência da continuação da quebra do
negócio bancário, de elevadas imparidades e de elevadas perdas
nas aplicações financeiras (menos valias)
os prejuízos foram elevados, pois passou de um resultado líquido
positivo de +47 milhões no 1º sem.2015 para um resultado
liquido negativo de -205,2 milhões no 1º sem.2016.
Como consequência destes resultados líquidos negativos, e da
diminuição do valor das "reservas de justo valor"
(saldo de mais e menos valias de ativos não realizados que vão
diretamente à conta de capital pode ser temporariamente ,
não passando pela conta de resultados que, entre o 1ºsem.2015 e o
1ºsem.2016, diminuiu de 201 milhões para 111
milhões)
,
os Capitais Próprios da CGD sofreram uma importante redução
neste período
pois, entre Jun.2015 e Jun.2016, diminuíram de 6.391 milhões
para 5.745 milhões ,
portanto sofreram
uma redução de 646 milhões
(entre Dez.2015 e Jun.2016 diminuíram em 439 milhões, um
valor elevado)
,
o que causou a redução dos rácios de capital.
Assim, o
Commom equity tier 1
(CET 1)
teve a seguinte evolução:
Jun.2015: 11%; Dez.2015: 10,9%; Jun.2016: 10%.
E o
Rácio Total:
Jun.2015: 12,5%; Dez.2015: 12,3%; Jun.2016: 11,2%
. No entanto o
rácio de liquidez imediata (LCR)
, que é vital, já que um banco implode é fundamentalmente
por falta de liquidez, teve, no mesmo período, a seguinte
evolução:
Jun.2015: 135,9%; Dez.2015: 143,1%; Jun.2016: 193,5%
(valores muito superiores ao valor mínimo exigido pelo BdP que é
70%)
, e o mais elevado na banca a operar em Portugal, o que mostra a solidez da CGD
e a confiança nela depositada.
A redução dos rácios de capital verificada no 1º
sem.2016 exigia a rápida recapitalização da CGD para que
esta pudesse apoiar a economia e as famílias.
Por cada aumento de 1 ponto percentual nos rácios de capital são
necessários cerca de 600 milhões .
Consequentemente, a transformação dos Cocos (900M) em
capital e a entrada de, pelo menos, mais 2.500 milhões faria
aumentar o
CET1 para mais de 14%
, e o
Rácio total para mais de 15%
, portanto valores muito acima da media do setor
(em Jun.2016;o Novo Banco: 12%; a CEMG: 10,3% e o BPI 11%; em Mar. 2016:
BCP-Millennium: 11,5%),
por isso aquele valor era, para nós, suficiente que está
próximo do aprovado por Bruxelas.
A RECAPITALIZAÇÃO E A NECESSIDADE DO GOVERNO DEFINIR A
MISSÃO DA CGD
Os media divulgaram em 24/8/2016 que a Comissão Europeia aprovou a
transformação dos Cocos (900M) em capital, e ainda a
recapitalização direta da CGD com mais em 2.700 milhões
, tendo o governo se comprometido em lançar uma emissão de
obrigações subordinadas
(divida subordinada)
de mais 1.000 milhões a ser
adquirida por privados
, pagando juros elevados. Como o valor do Ativo ponderado pelo risco (RWA) da
CGD ronda os 60.282 milhões , a entrada de dinheiro fresco na CGD
(recapitalização direta)
no montante de 2.700 milhões fará aumentar os
rácios de capital da CGD em cerca de 4,4 pontos percentuais o que
colocará os rácios de capital da CGD muita acima da média
do setor
(o CET 1 da CGD passará dos 10% atuais para mais de 14,4%, superior aos
dos outros bancos).
Tal aumento de capital, a concretizar-se, determinará que a CGD
poderá já acomodar facilmente o risco de um aumento importante de
crédito à economia e às famílias, sendo esse o
desafio futuro da nova administração pelo qual terá de ser
avaliada.
A divida subordinada (obrigações subordinadas) desde que seja
emitida respeitando as normas de Basileia III
(não existirem incentivos ao reembolso antecipado)
conta para os fundos próprios do nível 2 (Tier2), mas não
para os fundos próprios do nível 1 (CET1), mas aumenta o
Rácio de Capital Total e, consequentemente, a solvabilidade da CGD e
capacidade para apoiar as empresas e as famílias.
Um aspeto importante a saber é se a recapitalização da CGD
está ligada à imposição pela C.E. de uma profunda
reestruturação da CGD
(a comissária da C.E,
Vestager
, fala de um
"Plano que prevê mudança muito profunda na CGD"
aceite pelo governo, mas que ninguém ainda conhece completamente
em concreto mas que pode ter consequência graves para a CGD encolhendo-a
ainda mais e reduzindo a sua capacidade de intervenção)
, que inclui a saída de 2.500 trabalhadores e o fecho de 300
balcões já divulgados pelos media. Os custos totais desta
reestruturação têm que ser registados à
cabeça
(no ano em que for aprovada e não à medida que for executada)
, segundo as normas internacionais de contabilidade (IAS 37), o que
poderá determinar prejuízos elevados no ano em que for feita a
sua contabilização.
Mas todo este esforço poderá ser inútil se o governo
não definir com clareza e precisão a missão e os objetivos
na fase atual para a nova administração da CGD para que esta
não possa fazer mais uma vez, como aconteceu no passado, o que quiser
(autogestão)
e depois fiscalizar. É o que se espera que faça rapidamente.
25/Agosto/2016
LEGENDAS: As
áreas a vermelho
revelam zonas criticas que merecem uma atenção redobrada e um
esforço grande para sair delas, e onde se localizam os maiores desafios
futuros;
as áreas a amarelo
são aquelas que exigem também muita atenção pois
são áreas muto sensíveis; e
as zonas a verde
são aquelas em que a evolução da situação
foi positiva, e a situação atual é favorável.
[*]
edr2@netcabo.pt
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
.
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