Comissão Europeia chantageia Portugal
Clima de medo provocado pelos media
Agravamento das desigualdades no país
Antes de tudo, comportamentos para reflexão dos leitores, já que
atingiram níveis de despudor chocantes para todos aqueles para quem a
dignidade nacional não é só uma palavra.
Nas últimas semanas tem-se acentuado o clima de chantagem e
ameaças por parte de Comissão Europeia sobre o governo
português, revelando uma atitude de despotismo e de clara
ingerência nos assuntos internos do país, pretendendo e achando-se
com o direito de se sobrepor às instituições nacionais
eleitas pelos portugueses dando ordens ao governo. Os burocratas não
eleitos de Bruxelas tratam Portugal como fosse uma quinta deles, e dão a
imagem de "senhores" (eles) a tratar com súbditos (Portugal).
E a situação torna-se ainda mais confrangedora, quando a maior
parte dos media em Portugal
(muitos comentadores e jornalistas, felizmente não todos)
assumem, objetivamente
(talvez sem terem consciência disso)
o papel de simples instrumentos amplificando essa campanha de chantagem e medo.
Quase todos os órgãos de informação repetem
passivamente até à exaustão, como isso fosse natural e
admissível, as ameaças, as chantagens e as ingerências em
assuntos nacionais de qualquer funcionário da Comissão Europeia,
procurando assim criar um clima de submissão nacional aos ditames da CE
e dos seus mentores. E como isto não fosse suficiente, eles
próprios assumem, talvez inconscientemente, o papel desses chantagistas
de Bruxelas, exigindo que o governo apresente o chamado "Plano B"
(medidas adicionais gravosas para os portugueses).
Philipe Breton, no seu livro
A palavra manipulada
, refere-se a este tipo de manipulação da opinião pública a que chama
"naturalização da realidade
". E dá como exemplo o desemprego nos seguintes termos: "
O desemprego é a mais das vezes apresentado no discurso
político como uma espécie de catástrofe natural, de flagelo
", portanto fora do controlo e da responsabilidade dos humanos. Para
muitos media em Portugal, e seus comentadores habituais, as ingerências e
as ameaças dos funcionários de Bruxelas são também
naturais (sua naturalização), normais e admissíveis, nada
se podendo fazer a não ser cumpri-las submissamente, e repeti-las para
que sejam mais facilmente aceites, e se crie desta forma um clima de
submissão nacional em relação aos burocratas não
eleitos de Bruxelas. É isto o que resulta da forma como tratam esta
matéria, embora se possa admitir que muitos deles não o
façam intencionalmente. Mas aqui o que conta não são
intenções. Mas assim vai o jornalismo em Portugal, felizmente
não todo.
O AUMENTO DAS DESIGUALDADES EM PORTUGAL
Os burocratas de Bruxelas, como o apoio dos "cavalos de Troia
internos"
(Passos Coelho e outros)
pretendem impor mais sacrifícios aos portugueses, quando a parcela da
riqueza liquida criada anualmente que reverte para quem trabalha já
é inferior à de 1995 (gráfico)
O Produto Interno Liquido é o que se obtém deduzido ao PIB o
Consumo do Capital Fixo, ou seja, o valor do que se depreciou
(corresponde a nivel das empresas às amortizações)
, portanto é a riqueza liquida criada anualmente no país que
depois é repartida. E como mostra o gráfico, a parcela que
reverte para os trabalhadores, sob a forma de salarios e ordenados, tem
diminuido desde 2009. Neste ano, os ordenados e salários correspondiam a
45,1% do Produto Interno Liquido, e após a "troika" e o
governo PSD/CDS ficou reduzido a 40,4%, o que signfica menos 7.000
milhões de salários e ordenados por ano. E isto quando os
trabalhadores por conta de outrem representam 82,3% da população
empregada mas receberam, sob a forma de ordenados e salários, apenas
40,4% da riqueza liquida criada em 2015 no país. Esta é uma
situação que urge inverter e o atual governo tem de ter um
importante papel nisso fixando essa inversão como um objetivo importante
da sua ação.
A MAIORIA DOS TRABALHADORES EM PORTUGAL TÊM SALÁRIOS LIQUIDOS
MUITO BAIXOS
O quadro 1, construído com dados do INE, mostra como os salários
líquidos da esmagadora maioria dos trabalhadores portugueses são
muito baixos e têm tido aumentos anémicos após a
ingerência da "
troika
" e do governo PSD/CDS
No 1º Trimestre de 2016, ainda 60,1% dos trabalhadores por conta de outrem
Portugal tinham um rendimento salarial mensal liquido inferior a 900 por
mês, e mais de metade inferior a 600, segundo também o INE.
No período 2007/2011, o aumento médio dos salários
líquidos em Portugal foi 2,6% ao ano, enquanto com a "
troika"
e o governo PSD/CDS foi apenas de 0,6% ano (quatro vezes menos que no
período anterior), portanto inferior à inflação que
se registou em alguns dos anos deste 2º período. E isto segundo o
INE.
AGRAVARAM-SE AS DESIGUALDADES NOS GANHOS ENTRE PORTUGAL E A UE
Como revelam os dados do Eurostat do quadro 2, as assimetrias a nível
dos ganhos dos trabalhadores estão-se a agravar entre Portugal e maioria
dos países da UE.
Em 2009, o ganho médio mensal de um trabalhador em Portugal correspondia
a 63,8% da média da UE, enquanto em 2014 já representava somente
54,7%. Em 2015 diminuiu mais. E a CE, o BCE e o FMI ainda consideram que
são demasiadamente elevados
(recorde-se a posição do FMI em relação ao aumento
do salário mínimo)
e pretendem reduzir ainda mais.
17/Julho/2016
[*]
edr2@netcabo.pt
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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