A reduzida eficácia do combate à evasão e à fraude
no pagamento de contribuições à Segurança Social
Só nos dois anos de governo de Sócrates a S.
Social perdeu 5.200 milhões de euros de receitas
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RESUMO DESTE ESTUDO
Como mostrámos no
último estudo
, o governo pretende aprovar uma lei que determinará
reduções muito significativas nas pensões dos
trabalhadores que se reformarem no futuro. Utilizando o caso real de um
trabalhador cuja pensão foi calculada pelos serviços da
Segurança Social, tendo como base toda a carreira contributiva e os 10
melhores anos dos 15 anos anteriores à idade de reforma, e variando o
número de anos de descontos feitos antes e depois de 2001, a
aplicação do projecto de lei do governo pode reduzir a
pensão a apenas 44% daquela que o trabalhador receberia se ela fosse
calculada com base nas remunerações dos 10 melhores anos dos 15
anos anteriores à data da reforma do trabalhador e sem aplicar o
"factor de sustentabilidade" do governo. A justificação
dada pelo governo para uma redução tão grande das
pensões é que a Segurança Social não suportaria os
encargos resultantes se isso não fosse feito
No entanto, os dados oficiais da DGO mostram que a Segurança Social,
diferentemente dos outros organismos do Estado, tem encerrado os últimos
anos sempre com saldo positivo e os excedentes têm sido cada vez maiores.
Efectivamente, a Segurança Social encerrou o ano de 2004 com um saldo
positivo de 276,6 milhões de euros; em 2005 o saldo foi de 297,8
milhões de euros e, em 2006, o saldo positivo atingiu 715,8
milhões de euros, ou seja, mais 140% do que em 2005. Por outro lado, o
Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social, que
é uma reserva para fazer frente a qualquer dificuldade financeira,
atingiu em 2006 cerca de 7.000 milhões de euros (1.400 milhões de
contos na moeda antiga).
Para além disso, o combate à evasão e à fraude nos
pagamentos das contribuições por parte do actual governo continua
a ter uma eficácia reduzida apesar das manifestações de
satisfação de "missão cumprida" do ministro
Vieira da Silva (DN, 03/03/2007). Por ex. em 2004, estima-se que a
Segurança Social tenha perdido, devido à evasão, fraude e
isenções, cerca de 3.087 milhões de euros de receita; em
2005, a perda deverá ter atingido 2.699 milhões de euros e, em
2006, cerca de 2.505 milhões de euros. Portanto, se somarmos a perda
verificada nos dois anos de governo de Sócrates obtém-se
já 5.204 milhões de euros (cerca de 1.040 milhões de
contos na antiga moeda). Comparemos estes valores de receita perdida com a
receita cobrada como resultado do combate à fraude e evasão
levado a cabo pelo actual governo. De acordo com os dados divulgados pelo
ministro a recuperação da divida em execução
atingiu apenas 65,7 milhões de euros em 2004; em 2005, cerca 129,4
milhões de euros e, em 2006, rondou 238,5 milhões de euros. Mesmo
se juntarmos a dívida recuperada resultante de acordos com empresas
88,6 milhões de euros em 2006 atingir-se-á para
2006 somente 416,8 milhões de euros, que representa 16,6% da receita
potencial perdida pela Segurança Social só nesse mesmo ano. No
fim de 2005, a divida declarada já atingia 3.400 milhões (680
milhões de contos) e estava a crescer cerca de 500 milhões de
euros por ano. E como já confessou o próprio ministro, este
governo nem conhece a totalidade da divida declarada à Segurança
Social pelas empresas, e muito menos a que não é declarada
É evidente que se o combate à fraude e a evasão fosse
verdadeiramente eficaz, não seria necessário reduzir as
pensões como este governo pretende fazer
Um combate verdadeiramente eficaz exige não apenas cruzamento de dados e
declarações oficiosas de contribuições como o
governo está ou pretende fazer. Tem de passar fundamentalmente por
trabalho no terreno, ou seja, por inspecções às empresas
para detectar as que não declaram as contribuições
devidas. Mas para que esse trabalho de campo possa ser realizado são
necessários mais meios humanos e materiais. E o governo não os
quer disponibilizar. A prová-lo está o facto que, em 2006, de
acordo com informações do ministro na Assembleia da
República, apenas entraram 30 novos inspectores que mal deram para
compensar aqueles que saíram por se terem aposentado. A provar isso
está também o facto de que o quadro da Inspecção
Geral do Trabalho tem 550 lugares mas estão preenchidos apenas 252.
Até parece que o governo não está muito interessado em
tornar mais eficaz esse combate, não dando meios, talvez para não
incomodar muito os patrões.
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No estudo anterior mostrámos as consequências para os trabalhadores
quando se reformarem da entrada em vigor, já a partir de 2007, da nova
fórmula de cálculo das pensões e da
aplicação, a partir de 2008, do chamado factor de
sustentabilidade, como consequência da lei que o governo pretende aprovar.
Até 31/12/2006, um trabalhador quando se reformava a sua pensão
era calculada de três formas: (1) Com base em toda a carreira
contributiva, ou seja, desde que começou a descontar para a
Segurança Social; (2) Com base nos 10 melhores anos dos 15 anos
anteriores à data de reforma, que era o único regime que vigorou
até 2001; (3) E com base numa média ponderada das duas
pensões anteriores, tomando como pesos, respectivamente, os anos de
descontos até 2006 e os anos de descontos posteriores a 2006. E a
pensão de reforma que era atribuída ao trabalhador era, dos
três valores obtidos anteriormente, o mais elevado.
O governo PS, com um projecto de lei que pretende aprovar, tenciona alterar
já partir de 2007 aquela forma de atribuir a pensão aos
trabalhadores que se reformarem.
Para os que se inscreveram na Segurança Social depois de 2001, a forma
de cálculo da pensão passará a ser com base toda a
carreira contributiva. E para os que se inscreveram antes de 2001,
obtém-se calculando a média ponderada das pensões
calculadas com base em toda a carreira contributiva e com base nos 10 melhores
anos dos últimos 15 anos anteriores à data de reforma. E depois
à pensão assim obtida ainda aplica-se o "factor de
sustentabilidade do governo" que reduz ainda mais a pensão.
Para o leitor poder avaliar as consequências desta mudança de
cálculo da pensão, que se traduz na eliminação do
período de transição que devia vigorar até 2017,
utilizamos o caso real de um trabalhador, com 39 anos de descontos até
2006, que segundo os cálculos feitos pela própria
Segurança, a sua pensão calculada com base nos 10 melhores anos
dos últimos 15 anos anteriores à data de reforma era de 1652
euros e com base em toda a carreira contributiva era apenas de 827,8 euros, ou
seja, praticamente metade da obtida com base nos 10 melhores anos. Depois
fizemos uma série de simulações, em que aumentamos o
número de anos de descontos feitos depois de 2001 e reduzindo, na mesma
proporção, o número de anos descontos feitos antes de
2001, calculando depois a média ponderada e aplicando seguidamente o
"factor de sustentabilidade" utilizando a formula do governo. E
chegamos à conclusão que quanto maior fosse o número de
anos de descontos feitos depois de 2001 tanto menor era a pensão. No
caso extremo do trabalhador ter descontado apenas um ano antes de 2001, e 39
anos depois de 2001, a pensão reduzia-se apenas a 44% da pensão
que receberia se fosse calculada com base nos 10 melhores anos dos 15 anos
anteriores a 2001 e sem "factor de sustentabilidade", ou seja, do
regime que foi aplicado até ao fim de 2006 para a maioria dos
trabalhadores que se reformaram.
Essa simulação feita com base num caso real de um trabalhador, em
que a Segurança Social tinha calculada a pensão de duas formas,
mostrou de uma forma clara a dimensão da redução que
poderá sofrer a pensão de muitas centenas de milhares de
trabalhadores quando se reformarem se o projecto de lei elaborado pelo governo
for aprovado e entrar em vigor. A dimensão da redução das
pensões de reforma poderá mesmo gerar no futuro uma
situação socialmente intolerável, o que obriga já a
repensar toda a reforma da Segurança Social feita pelo governo de
Sócrates.
A razão que o actual utiliza para justificar a redução das
pensões com esta dimensão que pretende impor é que ela
é necessária para garantir a sustentabilidade da Segurança
Social. No entanto, uma análise mais profunda desta questão
mostra que existiam outras soluções para garantir essa
sustentabilidade sem penalizar com aquela dimensão os trabalhadores no
fim da vida.
A SEGURANÇA SOCIAL TEM APRESENTADO EXCEDENTES CADA VEZ MAIORES
Um dos argumentos utilizados para justificar as medidas que estão a ser
tomadas é que a Segurança Social enfrenta dificuldades cada vez
maiores para pagar as pensões. O próprio ministro das
Finanças foi mesmo à RTP dizer que se não fossem tomadas
estas medidas a Segurança Social entraria em "falência"
daqui a 15 anos. As contas dos últimos anos da Segurança Social
mostram o alarmismo e a irresponsabilidade de tais afirmações.
Os dados do quadro seguinte, que são dados oficiais publicados pelo
governo, revelam que, diferentemente dos outros organismos do Estado, a
Segurança Social tem fechado todos os anos com saldos positivos e sempre
crescentes, tendo mesmo acumulado até ao fim de 2006 importantes
reservas no Fundo de Estabilização Financeira da Segurança
Social.
QUADRO I - Os excedentes e as reservas da Segurança Social
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DESIGNAÇÃO
|
2004
Milhões euros
|
2005
Milhões euros
|
2006
Milhões euros
|
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SALDO ANUAL (Excedente) (*)
|
276,6
|
297,8
|
715,8
|
|
Fundo de Estabilização da Segurança Social
|
5.900,0
|
6.200,0
|
(**) 7.000,0
|
Fonte: (*) Boletim da DGO - Janeiro2006 e Janeiro de 2007 ; (**)
Estimativa.
Nos últimos anos, a Segurança Social tem fechado os
exercícios com um
excedente cada vez maior, sendo o de 2006 superior em 140% ao de
2005. Por outro lado, o Fundo de Estabilização Financeira da
Segurança Social, que é uma reserva que tem a Segurança
Social para fazer face a qualquer dificuldade financeira, tem crescido de uma
forma continua, tendo atingido no fim de 2006 cerca de 7.000 milhões de
euros (mais de 1.400 milhões de euros).
Estes dados oficiais mostram de uma forma clara o alarmismo e mesmo a
irresponsabilidade como o actual governo tem tratado os problemas da
Segurança Social com o objectivo de justificar, perante a opinião
pública, as medidas que está introduzir na Segurança
Social visando reduzir ainda mais e de uma forma significativa o valor das
pensões. E isto num país, onde de acordo com os próprios
dados do governo, 85% dos pensionistas ainda recebem pensões inferiores
a um salário mínimo nacional.
A REDUZIDA EFICÁCIA DO COMBATE À EVASÃO E FRAUDE DAS
CONTRIBUIÇÕES
O ministro do Trabalho apresentou na semana passada, com pompa e
circunstância, os resultados do combate à evasão e fraude
no pagamento das contribuições à Segurança Social,
manifestando grande contentamento pelos resultados obtidos. Interessa por isso
analisar esta importante questão para fundamental para garantir a
sustentabilidade da Segurança Social, não ficando apenas pelos
dados divulgados pelo ministro, como fizeram muitos órgãos de
comunicação social, mas comparando esses dados com o que ficou
por fazer, ou seja, com aquilo que devia ser recebido pela Segurança
Social e o não foi. No quadro seguinte apresenta-se uma estimativa da
receita potencial em 2004, 2005 e 2006, ou seja, daquela que devia ter sido
recebida pela Segurança Social, comparando depois com aquela que foi
efectivamente recebida, e calculando depois a que ficou por receber, ou seja, a
perdida devido à falta de eficácia do combate à
evasão e fraude.
QUADRO II Estimativa das receitas perdidas pela Segurança Social
devido à evasão, fraude e isenções em 2004, 2005 e
2006
|
DESIGNAÇÃO
|
2004
Milhões euros
|
2005
Milhões euros
|
2006
Milhões euros
|
|
REMUNERAÇÕES
|
72.099,00
|
74.099,0
|
76.322,0
|
|
Contribuições Patronais (-)
|
14.581,47
|
15.136,4
|
15.590,5
|
|
SALARIOS 1
|
57.517,53
|
58.962,6
|
60.731,4
|
|
Vencimentos Função Publica (Não descontam para a
Segurança Social)
|
14.621,00
|
14.926,0
|
15.100,0
|
|
Outros salários (Banca e outros que não descontam para a
Segurança Social)
|
4.000,00
|
4.500,0
|
5.000,0
|
|
SALARIOS 2
(que deviam descontar para a Segurança Social)
|
38.896,53
|
39.536,56
|
40.631,44
|
|
CONTRIBUIÇÕES POTENCIAIS
(de trabalhadores e patronais que deviam ser pagas à Segurança
Social)
|
13.516,54
|
13.739,0
|
14.119,4
|
|
CONTRIBUIÇÕES EFECTIVAS
(aquelas que foram recebidas pela Segurança Social)
|
10.429,20
|
11.040,0
|
11.614,4
|
|
PERDA POR "FUGA+EVASÃO+ISENÇÕES"
|
3.087,34
|
2.699,0
|
2.505,0
|
Fonte: 2004 e 2005: Banco de Portugal e CGA; 2006: Estimativas calculadas com
base dados da CGA e BP.
Os dados de "Remunerações " que incluem as
contribuições patronais para a Segurança Social (por isso
tivemos depois de as deduzir), são os que constam dos Relatórios
do Banco de Portugal com excepção do referente a 2006, que
tivemos de estimar pois o Banco Portugal ainda não publicou o seu
relatório relativo ao ano de 2006. Para calcular os salários da
banca utilizamos os dados constantes do Relatório de Estabilidade
Financeira publicado também pelo Banco de Portugal. Os vencimentos da
função publica foram calculados a partir dos descontos dos
trabalhadores para a CGA, com excepção de 2006 que foram
estimadas. As "Contribuições Potenciais" foram
calculadas utilizando a Taxa Social Única, e as
Contribuições Efectivas são as que constam das
Informações da Direcção Geral do Orçamento
(DGO).
E a conclusão que se tira é a seguinte: embora de tenha
observado uma redução na receita perdida pela Segurança
Social devido à evasão, à fraude e a
isenções, muitas delas injustificáveis, ainda assim a
perda atinge níveis preocupantes e intoleráveis. Efectivamente,
em 2004, estima-se que a Segurança Social tenha perdido 3.087
milhões de euros de receita; em 2005 cerca de 2.699 milhões de
euros e, em 2006, estima-se que a perda de receita tenha atingido 2.505
milhões de euros. Portanto, só nos dois anos de governo de
Sócrates a perda de receita deverá ter atingido 5.204
milhões de euros (1.040 milhões de contos na antiga moeda).
Comparemos estes valores de receita estimada perdida com a receita cobrada como
resultado do combate à fraude e evasão levado a cabo pelo actual
governo.
De acordo com os dados divulgados pelo ministro Vieira da Silva em conferencia
de imprensa a recuperação da divida em execução
atingiu apenas 65,7 milhões de euros em 2004; 129,4 milhões de
euros em 2005 e, em 2006, 238,5 milhões de euros. Mesmo se juntarmos a
divida recuperada resultante de acordos com empresas 88,6 milhões
de euros em 2006 atingir-se-á, para 2006, somente 416,8
milhões de euros, que representa 16,6% da receita potencial perdida
pela Segurança Social nesse ano. O objectivo para 2007 é
recuperar apenas 550 milhões de euros, o que face aos números de
receita potencial perdida não deixam de ser muito modestos. Mas parece
que este governo, e nomeadamente o ministro Vieira da Silva, já
está muito satisfeito com estes resultados.
UM GOVERNO NEM CONHECE A DIVIDA DECLARADA PELAS EMPRESAS À
SEGURANÇA SOCIAL
Para se poder compreender a reduzida eficácia do combate à fraude
e evasão do actual governo é importante distinguir a divida
declarada à Segurança Social pelas próprias empresas
daquilo não é pago nem é declarado à
Segurança Social pelas empresas que deviam fazer mas não o fazem.
A divida declarada é aquela resulta das declarações que as
empresas fazem por sua própria iniciativa à Segurança
Social mensalmente, relativas às suas contribuições e aos
descontos feitos nos salários dos trabalhadores, mas que depois
não entregam mesmo a parte dos trabalhadores à Segurança
Social. Esta divida é fácil de calcular pois basta comparar o
declarado com o pago e a diferença é a divida declarada que tem
aumentado todos os anos, pois tem crescido mais depressa do que tem sido
recuperado pelo governo com o seu combate à evasão e fraude.
De acordo com informação que obtivemos contida na resposta a um
requerimento que fizemos ao Ministério do Trabalho e da Solidariedade
Social enquanto estivemos como deputado na Assembleia da República, no
final de 2004, a dívida declarada à Segurança Social
atingia 2.978 milhões e, no fim de 2005, a divida declarada já
atingia 3.400 milhões de euros, ou seja, num ano aumentou em 422
milhões de euros. Portanto, aumentou muito mais do que o recuperado. Em
2006, enquanto estivemos na Assembleia da República no debate do OE2007
fizemos a mesma pergunta ao ministro do Trabalho e da Segurança Social e
tivemos a surpreendente resposta: o governo não sabia qual era a divida
declarada. E de acordo com declarações feitas pelo ministro na
conferencia de imprensa realizada em Março de 2007, o Ministério
"notificou todos os contribuintes com divida no sistema, estando neste
momento a tratar a informação apurada, que deverá depois
ser introduzida no sistema corrente e permitirá saber a
situação contributiva de qualquer empresa em qualquer
momento" (DN, 03/03/2007). Portanto, o governo confessa que não
conhece a divida das empresas, e então perguntou às empresas
quanto devem, e são os dados assim obtidos que são introduzidos
no sistema para calcular a divida das empresas. Não resta dúvida
que é um "método insólito" para apurar a divida,
mas ele dá bem um ideia do tipo de combate deste governo.
A DIFERENÇA ENTRE DÍVIDA DECLARADA E DÍVIDA TOTAL E A
FALTA DE EFICÁCIA DO COMBATE À EVASÃO E FRAUDE DO GOVERNO
DE SÓCRATES
Como é evidente a dívida declarada não coincide com a
divida total das empresas, ou seja, com aquilo que deviam entregar à
Segurança Social. A divida declarada corresponde, como próprio
nome indica, apenas à parte que informam a Segurança Social,
declarando-a pois, como vimos, uma parcela significativa nem declaram. A
estimativa que fizemos da receita potencial que é perdida pela
Segurança Social no período 2004/2006 perdeu em media, por
ano, 2.430 milhões de euros de receita dá bem uma ideia da
parte que não é declarada pois a divida declarada está a
crescer cerca de 500 milhões de euros por ano, o que significa que
apenas 20% da receita perdida é declarada indo aumentar a divida
declarada.
É evidente que a redução da receita perdida pela
Segurança Social que não é declarada passa
fundamentalmente por inspecções às empresas e não,
como afirmou o ministro, pelo cruzamento de dados e declaração
oficiosa de contribuições
Para que esse trabalho de campo ida às empresas possa ser
feito são necessários meios humanos e materiais. E o governo
não os quer disponibilizar. A prová-lo está o facto, que
em 2006, de acordo com informações dadas pelo ministro na
Assembleia da República, apenas entraram 30 novos inspectores que mal
deram para compensar aqueles que saíram por se terem aposentado. Por
outro lado, o quadro da Inspecção Geral do Trabalho tem 550
lugares mas estão preenchidos apenas 252, continuando por preencher mais
de metade.
Tudo isto mostra que o governo não está interessado em
desenvolver um combate verdadeiramente eficaz contra a evasão e fraude
no pagamentos das contribuições à Segurança Social
talvez para não incomodar muito as entidades patronais, preferindo tomar
medidas que determinarão no futuro reduções socialmente
intoleráveis das pensões dos trabalhadores.
04/Março/2007
[*]
Economista,
edr@mail.telepac.pt
este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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