A situação da Associação Mutualista Montepio, as
contas consolidadas de 2018 e a Assembleia Geral de 15 de julho de 2019
A Assembleia Geral do Montepio realiza-se no dia 15 de julho de 2019, pelas
21h00, NA AULA MAGNA DA UNIVERSIDADE DE LISBOA (na Cidade Universitária,
Lisboa)
Como é habitual no Montepio, Tomás Correia e o padre
Melícias não divulgaram como o deviam fazer, através da
Revista Montepio e da newsletter que chega à casa de todos os
associados, a realização da assembleia e, como
consequência, a esmagadora maioria dos associados do Montepio, mais uma
vez, nem sabe que a assembleia se realizará. Para os que estiverem
interessados em se informar os documentos para essa assembleia estão
disponíveis podendo obtê-los através do "site"
com o link:
https://www.montepio.org/institucional/informacao-legal/
(para aceder carregar o ponteiro sobre este link)
AS CONTAS CONSOLIDADAS DA ASSOCIAÇÃO MUTUALISTA DE 2018 CONFIRMAM
A SITUAÇÃO MUITO DIFICIL DO GRUPO MONTEPIO DEVIDO À
GESTÃO RUINOSA DA ADMINISTRAÇÃO DE TOMÁS CORREIA:
o ATIVO sem AID, ou seja, o património que verdadeiramente possui,
é inferior ao seu PASSIVO, ou seja, o que deve e tem de pagar
Na assembleia da Associação Mutualista que se realizará em
15 deste mês serão analisadas as contas consolidadas que integram
as contas não só da Associação Mutualista mas
também as contas das 50 empresas, que constituem o grupo Montepio.
Só através das contas consolidadas da Associação
Mutualista é que é possível conhecer a verdadeira
situação do Montepio e o valor dos ativos que garantem as
poupanças dos associados.
E o que revelam as contas consolidadas da Associação Mutualista
de 2018?
Se retirarmos os impostos diferidos, que não constituem um verdadeiro
ativo, pois com eles não se podem reembolsar as poupanças aos
associados nem pagar dividas, o ATIVO total consolidado da
Associação Mutualista, que integra os Ativos de todas empresas do
grupo Montepio, e que é aquilo que a Associação Mutualista
possui ou tem a receber é bastante inferior àquilo que deve e tem
de pagar, que inclui o reembolso das poupanças aos associados. O Quadro
1 mostra isso
Quadro 1 Capitais Próprios da Associação Mutualista
com e sem Impostos diferidos
Se se deduzir os "Impostos diferidos", o ATIVO da
Associação Mutualista, ou seja, o que ela possui, era inferior ao
seu PASSIVO, ou seja, o que ela deve, que inclui o reembolso das
poupanças aos associados, em 2016 em 789 milhões ; em 2017
em 785 milhões ; e, em 2018, o "buraco" aumentou para
1.070 milhões .
Se incluirmos os "Impostos diferidos" (AID), e se contarmos com o
milagre que sucedeu em 2017 realizado pela administração de
Tomás Correia, com o apoio do Ministério das Finanças de
Mário Centeno, que criou num ano apenas 774 milhões de
"Impostos Diferidos", pois entre 2016 e 2017 aumentaram de 538
milhões para 1.312 milhões , para "obter"
resultados positivos não reais de 834,7 milhões e assim
"endireitar" o Balanço, mesmo com esse milagre da
multiplicação de ativos, no fim de 2018 o ATIVO da
Associação Mutualista era superior ao seu PASSIVO em só
260 milhões .
Para se poder compreender o artificialismo desta operação de
engenharia financeira da criação de 1.329.milhões
de Impostos Diferidos (AID), visando ocultar aos associados e à
opinião publica a verdadeira situação do Montepio, basta
dizer que o seu reconhecimento significa que a administração da
Associação Mutualista considera que esta irá gerar um
mínimo 4.000 milhões de resultados positivos nos
próximos anos, o que é manifestamente impossível. É
incompreensível que o auditor externo, que é a KPMG, tenha dado
cobertura a todo esta manobra de ilusão financeira, e que não
tenha passado a "pente fino", como era a sua obrigação,
os Planos de Negócios da Associação Mutualista e de todas
as empresas do grupo Montepio, nomeadamente do Banco Montepio, onde
também era auditor, para avaliar a consistência desses planos e,
consequentemente, a possibilidade de recuperar aquele valor. Recorde-se que nos
últimos anos os planos de negócios da AMMG e do Banco Montepio
não têm sido cumpridos, verificando enormes desvios negativos e,
apesar disso, a KPMG não tem alertado os associados para a
autêntica "bomba relógio" económica e financeira
que existe no Montepio embora tenha colocado uma enfase mas não tirou
qualquer ilação prática (por ex. não aceitando um
montante de impostos diferidos tão elevado e impondo a sua
redução aquando do incumprimento do plano de negócio).
Também os supervisores têm fechado os olhos. Mas mais tarde a KPMG
e os supervisores (Ministério do Trabalho, ASF, Banco de Portugal)
não podem dizer que não sabiam. Um outro aspeto que revela o
quadro 1, é a redução do ATIVO do grupo Montepio que,
entre 2017 e 2018, diminui de 22.452 milhões para 20.761
milhões (- 1.691M, e sem AID é de -1424M) o
que mostra a fragilidade e as dificuldades crescentes do Montepio
OS RESULTADOS APÓS IMPOSTOS DO GRUPO MONTEPIO DIMINUEM PARA APENAS 541
MIL, SENDO OS OPERACIONAIS NEGATIVOS EM 4,7 MILHÕES , O
NÚMERO DE ASSOCIADOS CONTINUA A DIMINUIR E TAMBÉM A MARGEM
ASSOCIATIVA: a crise no Montepio é cada vez mais grave
As Contas consolidadas da Associação Mutualista de 2018 mostram
com clareza a crise crescente que enfrenta o grupo Montepio causado por uma
gestão ruinosa. Como diz o ditado popular, é preciso dizer a
Tomás Correia que "
não vale a pena tapar o sol com uma peneira"
que, no seu caso, com mentiras. A verdade é como o azeite vem sempre ao
de cima. Só não vê quem não quer ver ou quer ser
enganado.
Quadro 2 Redução continua de associados, da margem
associativa, da liquidez imediata e resultados operacionais negativos
assim não há Montepio que se aguente
Entre 2016 e 2018, o número de associados do Montepio diminuiu de
632.675 para 612.607, e a queda não é maior devido ao facto de
quem obtém crédito no Banco Montepio é obrigado a ser
associado para ter alguns descontos. Em três anos os levantamentos das
poupanças pelos associados foram superiores às entradas em 686
milhões (2016: -122M; 2017: -373M; 2018: -191M;
o "negocio" mutualista esta em queda significativa devido à
manutenção de uma administração que não gera
confiança nos associados). A liquidez imediata para reembolsar as
poupanças aos associados registou uma enorme queda pois, entre 2016 e
2018, passou de 1.510 milhões para apenas 514 milhões
(reduziu-se a um terço). A soma dos resultados antes de impostos,
no período 2016/2018, foi negativa tendo atingido -205 milhões
. Em 2018, os resultados após impostos, que incluem os
"Impostos diferidos" foram apenas 542 milhões
atribuíveis à Associação Mutualista pois a restante
(87%, 3,7M) foram para os sócios do Montepio nas empresas. Isto
mostra que os lucros diminutos quando existem
(muitas têm apresentado resultados negativos),
das 50 empresas são entre empresas do grupo que desaparecem quando se
faz a consolidação. E os 542 mil foram só
conseguidos com mais valias contabilísticas de terrenos (por ex. o da
Praça de Espanha) e imóveis e lucros de Finibanco Angola (FNBA)
que não se conseguem transferir de Angola.
Em resumo,: (1) O negócio mutualista encontra-se em queda ao
nível da carteira e da sua rentabilidade e é urgente inverter
esta tendência e a atual administração de Tomás
Correia é incapaz de o fazer; (2) A margem associativa é negativa
há vários anos e é impossível o Montepio sobreviver
a continuar tal situação; (3) O número de associados assim
como as subscrições de produtos do Montepio continuam a cair;
(4) As provisões matemáticas continuam a descer devido ao
levantamento das poupanças pelos associados causado pela
desconfiança gerada pela manutenção da
administração de Tomás Correia; (5) A nível do
Banco Montepio o negócio bancário continua a cair e o banco a
perder quota de mercado e a nova administração imposta por
Tomás Correia revela-se incapaz de inverter tal tendência; (6) O
Montepio Seguros continua a apresentar resultados negativos, embora a
situação da Lusitânia SA (não vida) tenha melhorado
um pouco embora a Associação Mutualista tenha sido obrigado a
injetar mais capital utilizando as poupanças dos associados; (7) No
grupo Montepio existe uma elevada dispersão de meios financeiros e
humanos mas apesar disso continuam-se a criar mais empresas (ex.: Banco
Montepio Empresa, Residências universitárias SA) em clara
inversão da tendência do mercado, utilizando para isso as
poupanças dos associados.
É urgente a intervenção dos supervisores
(Ministério do Trabalho, ASF e Banco de Portugal) não deixando
que a agonia do Montepio se prolongue por mais tempo pois, a continuar, a
recuperação tornar-se-á muito mais difícil.
É necessário também que todos os associados se unam para
salvar o Montepio pois a tarefa é muito pesada após tanta
destruição de valor e de reputação, por isso a
unidade é fundamental.
[*]
edr2@netcabo.pt
07/Julho/2019
PERGUNTAS PARA REFLEXÂO DOS ASSOCIADOS: Nas 50 empresas que constituem o
grupo Montepio, quantos cargos de administração foram criados,
quantos milhões o Montepio gasta anualmente com as
remunerações, os carros de gama alta que lhe são
distribuídos, incluindo o pagamento as despesas com gasolina quando os
utilizam em serviço pessoal, os cartões de credito, os
complementos de pensão de reforma, que são pagos a estes
administradores
(alguns estão em várias empresas)
para obter os resultados "miseráveis" que o grupo Montepio
tem apresentado? Por que razão tal informação tem sido
ocultada aos associados do Montepio que as pagam e não são
publicados nos relatórios e contas? A falta de transparência e a
opacidade que existe no grupo Montepio e, nomeadamente na
Associação Mutualista, com a conivência dos supervisores
(a única exceção é o Banco Montepio que publica por
imposição do supervisor que é o Banco de Portugal),
é inaceitável e é urgente por cobro. A
transparência devia ser a norma num grupo mutualista mas infelizmente
não é.
AS 50 EMPRESAS QUE CONSTITUEM O GRUPO MONTEPIO
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