O "esboço do OE 2016" do governo PS
O aumento inaceitável das pensões defendido por Vieira da
Silva
O projecto de lei enganador do CDS
O governo do PS de António Costa acabou de apresentar aquilo que designa
como
"Esboço do Orçamento do Estado 2016".
É com base nos dados constantes das págs. 8 e 14 desse
documento do governo que elaboramos o quadro 1 que permite ficar com uma ideia
clara dos objetivos e das medidas e, consequentemente, dos efeitos do
Orçamento do Estado para 2016 que o atual governo tenciona apresentar
à Assembleia da República, o qual permite já fazer uma
primeira análise e tirar algumas conclusões importantes.
Do lado esquerdo do quadro, estão a previsões de receitas e de
despesas constantes dos Orçamentos do Estado de 2015 e para 2016. E as
conclusões que se tiram dessas previsões de receitas e despesas
são as seguintes: (a) As receitas do Estado aumentarão em 2016,
quando comparadas com as de 2015, em 1.517 milhões , tendo 1.200
milhões como origem aumentos de impostos. No entanto, se
analisarmos as receitas por impostos, concluímos que as que têm
como origem "
Impostos sobre a produção e importação
" (IVA, imposto de selo, imposto sobre os combustíveis, sobre o
tabaco, etc.) aumentam em 1.432 milhões , enquanto as receitas que
têm como origem os
"Impostos sobre o rendimento e património"
(IRS, IRC, etc.) diminuirão em 511 milhões . Esta
diminuição é, em grande parte, determinada pela
redução da sobretaxa de IRS que corresponde a uma
redução de receita de 429 milhões , como consta do
lado direito do quadro. Finalmente, as receitas que têm como origem "
Impostos sobre o capital
" aumentarão 425 milhões entre 2015 e 2016.
Entre 2015 e 2016, a despesa com "Remunerações" dos
trabalhadores da Função Pública aumenta em 437
milhões que é praticamente igual ao valor da
reposição dos cortes dos salários, que é de 448
milhões conforme consta do lado direito do quadro, o que
significa que mais de 250 mil trabalhadores com remunerações
inferiores a 1500/mês, que têm os seus salários
congelados desde 2010, não terão qualquer aumento. Um aspeto
negativo é a quebra no investimento público (FBCF) entre 2015 e
2016, que neste último ano será apenas 2% do PIB
(em 2015, foi 2,1%),
quando ele é tão necessário à
recuperação económica.
A despesa com "Prestações sociais", que inclui
não apenas as transferências para a Segurança Social e CGA
mas também para o Serviço Nacional de Saúde, aumenta,
entre 2015 e 2016, em 640 milhões . No entanto, quando analisamos
do lado direito do quadro as medidas que determinam aumentos de despesa na
área social constatamos o seguinte: Em 2016, para o Rendimento Social de
Inserção (RSI) está previsto um aumento de despesa de
apenas 56 milhões ; para o Complemento Solidário de Idoso o
aumento é zero. Apesar de serem medidas que o governo tem afirmado que
seriam melhoradas, no entanto o número de novos beneficiados será
muito reduzido. Para a
atualização das pensões o aumento de despesa previsto
é de apenas 56 milhões , o que corresponde a uma
atualização em 2016 de apenas 0,4% nas pensões até
628,8,
como consta no próprio documento do governo o que é
inaceitável sob o ponto de vista politico depois das expectativas
criadas e, sob o ponto de vista moral, verdadeiramente ofensivo para
milhões de pensionistas.
Para que se possa ficar com uma ideia do que representam aumentos de 0,4% nas
pensões que o ministro Vieira da Silva defende é importante
lembrar o seguinte: Em 2015, a pensão social recebida por quase 100 mil
pensionistas era apenas de 201,5, um aumento de 0,4%, corresponde apenas
a mais 80 cêntimos por mês (2,68 cêntimos/dia). No Regime
geral as pensões de velhice e de invalidez até 106, que
abrangem 43 mil pensionistas, teriam um aumento de 42 cêntimos por
mês (1,4 cêntimos/dia); as pensões entre 106 e
246, que abrangem 221 mil pensionistas, teriam um aumento entre 42 e 98
cêntimos por mês; e as pensões entre 246 e 419,
que já abrangem 1.119.000 pensionistas, teriam uma subida entre 98
cêntimos e 1,7 euros por mês (5,6 cêntimos/dia). Finalmente
as pensões entre os 419 e os 628,8 teriam um aumento entre
1,7 e 2,5 por mês. Os restantes pensionistas não
teriam qualquer aumento.
Segundo o documento do governo (pág. 149) esta medida permitirá
"
a atualização de 2,5 milhões de pensões".
Dividindo os 56 milhões que o governo orçamentou para a
atualização das pensões pelas 2,5 milhões de
pensões e depois por 14 meses, dá um aumento médio de
1,6 por mês, ou seja, de 5,3 cêntimos/dia. É evidente
que uma subida desta natureza é inaceitável sob o ponto de vista
politico e ofensiva sob o ponto de vista moral por parte de um governo que
criou expetativas e que não se cansa de afirmar que quer combater a
pobreza. E isto quando a esmagadora maioria destes pensionistas não tem
qualquer aumento desde 2010, e quando os preços aumentaram, desde esse
ano, 7%. Esperemos que esta insensibilidade do governo PS seja corrigida pelos
outros partidos de esquerda durante o debate do OE 2016 na Assembleia da
República. E não se venha com a desculpa que não existem
meios financeiros para o fazer. Bastava eliminar ou reduzir as taxas reduzidas
e as isenções concedidas a inúmeras entidades empregadoras
que determinam uma perda de receita avaliada em cerca de 500 milhões
por ano, assim como o bónus dado recentemente pelo ministro
Vieira da Silva aos patrões quando se debateu o salário
mínimo na concertação social que vai causar uma nova perda
de receita que o governo avaliou em 30 milhões /ano mas que
certamente será muito mais.
A INSENSIBILIDADE DE VIEIRA DA SILVA E A DEMAGOGIA ENGANADORA DO CDS
Aproveitando a insensibilidade social do ministro Vieira da Silva, o CDS
apresentou já um projeto de lei na Assembleia da República para
aumentar as pensões que visa enganar os pensionistas e "
entalar
" o governo PS e os partidos que o apoiam. De acordo com ele, o nº 2
do artº 6º da Lei 53-B/2008
(a lei de atualização das pensões do governo
Sócrates que o governo de António Costa agora descongelou),
passaria a ter a seguinte redação:
"as pensões mínimas de invalidez, e velhice e
sobrevivência do Regime Geral de Segurança Social, do RESSAA
(Atividades Agrícolas), e do regime não contributivo
(pensão social), e das pensões mínimas de
aposentação, reforma e invalidez atribuídas pela CGA
são atualizadas pela taxa de inflação prevista para o ano
seguinte no Orçamento do Estado".
E com a intenção de "entalar" ainda mais o PS, e os
partidos que o apoiam, aos olhos da opinião pública, no
preâmbulo compara o aumento de pensões de 1% durante o governo
PSD/CDS, assim como o que defende agora com a subida de 0,4% nas pensões
do ministro Vieira da Silva.
Para desmontar a demagogia e o carater manipulador do projeto de lei do CDS
é importante ter presente o seguinte. O CDS e o PSD consideram
"pensões mínimas",
não as que constam da lei, mas apenas os dois escalões mais
baixos das pensões mínimas. E isto porque enquanto foram governo
apenas atualizaram as pensões mínimas até a 262 em
2015. Todas as pensões de valor superior a 262 não tiveram
qualquer aumento com o PSD/CDS. A inflação prevista na proposta
de OE 2016 é de 1,4%, assim as pensões até 106
teriam um aumento de 2,2/mês; a pensão social que é
de 201,5 sofreria uma subida de 2,8/mês, e a pensão
mais elevada que seria atualizada a de 262 seria aumentada
em 3,7/mês. São estes os aumentos de miséria que o
CDS defende na sua proposta enganadora e ainda por cima, como aconteceu
enquanto foi governo, abrangendo menos de um terço dos pensionistas.
23/Janeiro/2016
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edr2@netcabo.pt
,
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