A herança de pobreza deixada pelo governo PSD/CDS no Natal de 2015
por Eugénio Rosa
[*]
Este estudo tem como objetivo lembrar
(é o mínimo que se pode fazer
), nesta época de Natal, até para que o manto do esquecimento e
da indiferença não consiga ocultar, a situação de
pobreza em que vivem milhões de portugueses fruto de uma politica de
direita que tem privilegiado os mais ricos e sacrificado os mais pobres, que se
agravou enormemente durante o governo PSD/CDS, como mostram os dados INE
publicados em
18/12/2015, referentes a 2014 (v. quadro 1).
No 1º período da crise (2007-2010), não se registou um
agravamento da pobreza, já que as prestações sociais
atenuaram os seus efeitos. Entre 2007 e 2010, a taxa de risco de pobreza
após as transferências sociais até baixou de 18,5% para
18%, e o número de portugueses no limiar da pobreza diminuiu em 47.297
(passou de 1.950.455 para 1.903.158). Mas com a entrada do governo PSD/CDS e da
"
troika"
, esta tendência inverteu-se, e a percentagem de portugueses no limiar da
pobreza subiu, entre 2010 e 2014, de 18% para 19,5%, tendo o seu numero
número ultrapassado os dois milhões.
Segundo o INE, no fim de 2014, 11% dos empregados (494.945 portugueses), embora
com trabalho, viviam no limar da pobreza devido aos baixos rendimentos que
auferiam. A nível de desempregados a percentagem no limiar da pobreza
atingia 42% em 2014, e estava a cresce rapidamente; 14,5% dos reformados e 32%
dos "Outros ativos" estavam também no limiar da pobreza em
2014. Tudo isto é preocupante e dramático.
É neste quadro de pobreza e miséria crescente, deixado pelo
governo de direita, que se tem de ser analisado o descongelamento das
pensões anunciado pelo novo governo PS.
Como revelam os dados oficiais, 87% dos pensionistas da Segurança
Social, ou seja, 1.854.325 teriam um aumento nas suas pensões com a
aplicação das normas constantes da Lei 53-B/2006, que variava
entre 41 cêntimos e 2,45 por mês. Aumentos desta natureza
seriam inevitavelmente entendidos como uma burla, e inaceitáveis por
parte de um governo que criou expectativas a milhões de portugueses e
que tem afirmado querer inverter a situação de pobreza causada
pela política de austeridade recessiva e anti-social do PSD/CDS. E
seriam também certamente aproveitados pelas forças de direita
para desacreditarem, aos olhos da população, os partidos de
esquerda. É por isso necessário que isso não
aconteça, e que seja garantido aos portugueses com pensões baixas
um aumento com algum significado (recorde-se que desde 2010, as pensões
de valor superior a 260 e muitas destas estão abaixo do
limiar
da pobreza como mostram os dados do quadro 3 não tiveram qualquer
aumento, e os preços aumentaram 6,5%). É preciso inverter esta
situação de pobreza generalizada de uma forma gradual mas segura.
É preciso dar já em 2016 um sinal claro dessa inversão
apesar das
limitações.
19/Dezembro/2015
[*]
edr2@netcabo.pt
,
www.eugeniorosa.com
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