Consumidores de combustíveis pagam em Portugal preços superiores
aos da UE
No estudo da semana anterior analisamos os lucros exorbitantes, e mesmo
escandalosos, obtidos para a EDP através da cobrança de
preços de eletricidade aos consumidores portugueses sistematicamente
superiores ao preço medio dos países da União Europeia (28
países).
Neste estudo, vamos analisar o que sucede no mercado dos combustíveis em
Portugal (gasolina 95 e gasóleo) utilizando os dados divulgados pela
Direção Geral de Energia e Geologia (DGEG) do Ministério
da Economia.
PREÇOS DA GASOLINA 95 E DO GASÓLEO EM PORTUGAL NO ANO DE 2017
(inclui impostos) SISTEMATICAMENTE SUPERIORES AO PREÇO MÉDIO DA
UNIÃO EUROPEIA
O gráfico 1, com os últimos dados divulgados pela
Direção Geral de Energia e Geologia do Ministério da
Economia, mostra que os preços da gasolina 95 e do gasóleo pagos
pelos consumidores portugueses foram, em 2017, sempre superiores aos da
União Europeia.
Gráfico 1
Preço pago a mais pelos consumidores portugueses
em comparação com o preço médio da UE
(inclui impostos), 2017, Euros/litro
Como revelam os dados da Direção Geral de Energia, nos primeiros
nove meses de 2017, o preço de venda (inclui impostos) da gasolina aos
consumidores portugueses foi, em média, superior em 7,6% (+
0,1021/litro) ao preço médio da União Europeia, e o
gasóleo foi vendido aos consumidores portugueses, em média, a um
preço 2,1% (+ 0,0254/litro) superior ao preço médio
da União Europeia.
Se se tiver presente que nos primeiros oito meses de 2017, o consumo de
gasolina atingiu 880,3 milhões de litros e o de gasóleo 3.552,1
milhões litros, é fácil concluir que os consumidores
portugueses pagaram por este volume de gasolina e gasóleo mais 180,3
milhões do que os consumidores da União Europeia. E se
esta situação de descontrolo continuar, o que permite às
petrolíferas impor os preços que querem, e se fizermos uma
estimativa para o ano, concluiremos que
pagarão a mais 270,4 milhões em 2017
.
Uma mentira espalhada pelas petrolíferas e pelos seus defensores na
comunicação social, com o objetivo de enganar e manipular a
opinião pública, é que este valor pago a mais pelos
consumidores portugueses se deve a que os impostos em Portugal sobre os
combustíveis são superiores aos impostos nos outros
países. Interessa por isso desmontar mais esta mentira. E para isso
vamos utilizar também os dados oficiais da Direção Geral
de Energia e Geologia (DGEG) do Ministério da Economia.
PREÇOS DOS COMBUSTÍVEIS SEM IMPOSTOS EM PORTUGAL SUPERIORES AOS
PREÇOS MÉDIOS DA UNIÃO EUROPEIA, A PRINCIPAL CAUSA DOS
PREÇOS ELEVADOS PAGOS PELOS CONSUMIDORES E FONTE DE LUCROS PARA AS
PETROLÍFERAS
O gráfico 2, construído com dados da DGEG, mostra o que os
portugueses pagam mais pelos combustíveis às empresas do que na
União Europeia, pois o gráfico foi construído com base nos
preços sem impostos, ou seja, aqueles preços que revertem
totalmente para as empresas.
Gráfico 2
Preço pago a mais pelos portugueses,
quando comparado com preço médio da UE
que reverte totalmente para as empresas
(não inclui impostos)
Em média, os consumidores portugueses em 2017 pagaram a mais, quando
comparado com os preços médios da União Europeia,
0,035 /litro na gasolina e 0,029/litro no gasóleo às
empresas, já que nestes preços excluímos os impostos pagos
em Portugal e na UE. Se fizer uma estimativa para o ano de 2017, isto significa
que pagarão a mais 200 milhões , que reverterão na
totalidade para as empresas, e que constituem fonte de lucros
extraordinários e inaceitáveis. E isto porque este valor é
calculado utilizando os preços dos combustíveis sem impostos.
Portanto, contrariamente à mentira das petrolíferas e defensores,
74% dos 270,4 milhões referidos atrás devem-se não
a impostos a mais mas sim a lucros a mais
. E ninguém tem a coragem de pôr cobro a este escândalo
(governo, Autoridade da Concorrência).
O secretário de Estado da Energia, ainda falou
(pediu ajuda a Comissão Europeia, mostrando a sua impotência, a
qual recusou dar)
, mas rapidamente se calou. Assim se vê o poder do poder económico
em Portugal.
LUCROS DA GALP NOS PRIMEIROS 9 MESES DE 2017 ATINGEM 397 MILHÕES ,
QUANDO EM 2016 FORAM APENAS 99 MILHÕES , E OS NOMES DOS ACIONISTAS
BENEFICIADOS
A GALP serve como exemplo da atuação das petrolíferas em
Portugal. Nos primeiros 9 meses de 2017, a GALP obteve 397 milhões
, ou seja, quatro vezes mais do que os lucros obtidos em idêntico
período de 2016. E a pergunta que naturalmente se coloca é a
seguinte: Quem são os seus acionistas que serão beneficiados com
generosos dividendos resultantes destes lucros exorbitantes? Eis os seus nomes
para conhecimento dos portugueses: (1)
Amorim Energia
, uma empresa da família Amorim e de Isabel dos Santos que, para
não pagarem imposto sobre dividendos em Portugal, criaram a empresa na
Holanda (com 33,34% do capital da GALP); (2)
BlacRocK
(2,45%);
Handersom
(2,34%);
Standard Life
(5,6%); etc., ou seja, tudo grupos estrangeiros. O Estado tem neste momento
apenas 7,48% do capital da GALP através da Parpublica. Portanto a maior
parte dos lucros extraordinários da GALP pagos pelos consumidores
portugueses e distribuídos aos acionistas, vão para o estrangeiro
sem pagar imposto em Portugal (com exceção de 7,4%). Eis a
consequência da privatização da GALP.
11/Novembro/2017
[*]
edr2@netcabo.pt
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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