É urgente uma reforma democrática do sistema fiscal para corrigir as profundas injustiças introduzidas pela "troika" e PSD/CDS
por Eugénio Rosa
[*]
Uma das medidas tomadas pela "
troika
" e pelo governo PSD/CDS que mais contribuiu para o agravamento das
condições de vida dos trabalhadores e dos pensionistas, já
que causou um enorme corte no seu rendimento disponível, foi
precisamente a transformação do sistema fiscal num sistema
profundamente antidemocrática e injusto
(em termos relativos, paga mais imposto quem menos tem)
, em clara violação do estabelecido no nº1 do artº.
103º da Constituição da República, que dispõe
que um dos objetivos mais importantes do sistema fiscal é precisamente
promover "
uma repartição justa dos rendimentos e da riqueza
". E como iremos provar, as medidas tomadas pela
"troika"
e pelo governo PSD/CDS nesta área foram no sentido contrario,
agravando ainda mais as desigualdades existentes.
Em 2011, 90,2% dos rendimentos declarados para efeitos de IRS, ou seja, 76.223
milhões , eram rendimentos do trabalho e de pensões. Os
"Outros rendimentos",
que eram essencialmente rendimentos de Capital, representavam apenas 9,8% dos
rendimentos declarados. E entre 2011 e 2013, esta desproporção
ainda se agravou mais, já que neste último ano 92,8% de todos os
rendimentos declarados para efeitos de IRS foram rendimentos do trabalho e
pensões, cabendo aos restantes rendimentos apenas 7,2%.
Foram precisamente nos escalões mais baixos e médios que a
receita fiscal de IRS mais aumentou (entre 477,8% e 156,3%) como
consequência das alterações feitas pelo governo PSD/CDS no
Código do IRS, nomeadamente na tabela de IRS (escalões e taxas),
enquanto no escalão mais elevado (rendimento bruto de valor igual ou
superior a 250.000/ano) a receita até registou uma quebra de 9,1%.
Embora tivéssemos de sobrepor os escalões para tornar de mais
fácil apreensão as alterações profundas e injustas
introduzidas no Código do IRS pelo governo PSD/CDS
(redução do número de escalões, aumento das taxas e
criação de mais impostos que atingiram fundamentalmente
trabalhadores e pensionistas), no entanto a simples observação do
aumento verificado nas taxas de IRS em 2013, ilustrado na barra cinzenta que
tem a percentagem do aumento registado em cada escalão, mostra que o
agravamento das taxas de IRS foi enorme, nomeadamente nos rendimentos das
classes baixas e médias da população, agravando assim a
grave injustiça fiscal já existente.
29/Novembro/2015
[*]
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