A resolução do paradoxo do petróleo

por Thomas Gold [*]

Clique a imagem para aceder à editora. A teoria prevalecente entre os cientistas ocidentais diz que o petróleo deriva dos restos de células outrora vivas que foram enterrados e transformados por processos químicos. Argumentar, como faço, que hidrocarbonetos complexos eram constituintes primordiais de resíduos do Sistema Solar a partir dos quais os planetas se formaram, e que mesmo hoje estes hidrocarbonetos se mantêm num estado não oxidado no interior da crosta e do manto superior da Terra, é pois uma visão radicalmente contrária da formação do petróleo. Mas o problema mantém-se: Se hidrocarbonetos complexos descobertos no interior da crosta da Terra não são os restos reprocessados de vida superficial, então por que é que o petróleo contém a assinatura da vida?

Os apoiantes da teoria biogénica da formação do petróleo assentam o seu ponto de vista em quatro observações centrais. [1] Primeiro, todo o petróleo natural contém misturas de grupos de moléculas que são claramente identificadas como produtos da decomposição de moléculas orgânicas complexas mas comuns sintetizadas pela vida. Estas moléculas, que parecem estar presentes em reservatórios de petróleo pelo mundo fora, não podiam ter-se formado mediante um processo não biológico.

Segundo, o petróleo exibe frequentemente uma propriedade óptica sugestiva de actividade biológica. Quando se faz passar luz plano-polarizada por uma amostra do fluido, a luz emerge com o seu plano de polarização rodado. Esta rotação implica que moléculas passíveis de se formarem ou com uma simetria dextrógira [à direita] ou com uma simetria levógira [à esquerda] (assim como sabemos que alguns parafusos apertam para a direita e outros para a esquerda) não estão representadas no petróleo por números iguais (estatisticamente). Ao invés, há uma "mão" que domina — o que é característico dos líquidos biológicos, presumivelmente por as suas moléculas terem uma ancestralidade comum, feição esta que está ausente em fluidos de origem não biológica.

Terceiro, alguns petróleos são misturas de moléculas de hidrocarbonetos nas quais as que têm um número ímpar de átomos de carbono são mais abundantes do que as que têm um número par. De novo, descobre-se também o inverso. Sugeriu-se que um tal efeito ímpar-par pode entender--se como emergindo da desintegração de certas categorias de moléculas que são comuns em substâncias biológicas passíveis de terem contribuído para qualquer amostra particular. Como no caso do efeito óptico, nenhuma explicação detalhada foi avançada. A biologia pode muito bem estar envolvida, mas não necessariamente como fonte dessas moléculas.

Quarto, descobre-se petróleo principalmente em depósitos sedimentares e só raramente nas rochas primárias da crosta por baixo deles. Mesmo entre os sedimentos, o petróleo favorece extractos geologicamente jovens. Em muitos casos, tais sedimentos parecem ser ricos em moléculas semelhantes a piche conhecidas por querogénio. Os apoiantes do ponto de vista biogénico interpretam estas moléculas como tendo uma origem biológica e consideram que são o material-fonte para quaisquer depósitos de petróleo descobertos na vizinhança. Acredita-se que processos terrestres convertem em petróleo fluido estas moléculas de querogénio distribuídas de forma difusa. Acredita--se também que de algum modo processos terrestres encaminham o petróleo para reservatórios concentrados no interior de rocha sedimentar porosa, por vezes concentrados segundo factores de 100 relativamente à distribuição de querogénio, e situados a substanciais distâncias laterais da rocha rica em querogénio que é considerada a fonte. Não se propôs qualquer teoria deste processo de concentração.

A Solução da Biosfera Profunda e Quente

Passei anos debatendo-me com a evidência conflituosa da formação do petróleo. Por razões explicadas nos dois capítulos anteriores, como podia a teoria abiogénica ser compatibilizada com a evidência igualmente forte de actividade biológica? Vim a descobrir que o problema se tornara paradoxal apenas porque os argumentos de ambos os lados continham uma suposição oculta que não fora reconhecida.

Não há verdadeiros paradoxos na ciência; os paradoxos aparentes são apenas a maneira delicada da natureza, sotto voce, nos informar que o nosso entendimento está incompleto ou é erróneo. No respeitante ao paradoxo do petróleo, a suposição não reconhecida em ambos os lados do debate era uma crença inquestionada que a vida pode existir apenas à superfície da Terra. Nenhum de nós considerara que uma grande quantidade de microbiologia activa podia existir no interior da crosta terrestre, até aos níveis mais profundos a que conseguimos perfurar.

Essa suposição é um vestígio daquilo que apelidei de chauvinismo de superfície, a crença de que a vida é apenas um fenómeno da superfície. Se conseguirmos remover essa suposição, podemos considerar a proposição de que as moléculas biológicas presentes no petróleo bruto não são vestígios de vida superficial há muito morta, enterrada e parcialmente transformada. São ao invés evidência de uma próspera comunidade de micróbios vivendo as suas vidas a grande profundidade, banqueteando-se com hidrocarbonetos de uma origem profunda e abiogénica. Uma vez libertos dos preconceitos, podemos abrir os olhos para a existência de uma biosfera profunda e quente — e seria precisa uma de proporções imensas para acomodar todas as moléculas biológicas nos petróleos em redor do mundo.

Durante algum tempo antes de ter reconhecido que a teoria da biosfera profunda e quente podia resolver o paradoxo do petróleo, sublinhara que os petróleos viajando para cima através dos sedimentos chupariam quaisquer materiais biológicos que encontrassem ao longo do caminho e que um tal chupamento forneceria biomoléculas a estes fluidos. [2] Era difícil, porém, reconciliar este processo com o facto de alguns reservatórios de petróleo não terem qualquer ligação plausível com extractos sedimentares nos quais pudessem ter sido enterrados materiais biológicos que tivessem pois sido sujeitos a chupamento. Estes petróleos problemáticos incluem os oriundos das rochas alicerce mais profundas nas quais se encontraram amostras de petróleos. A solução devia ser uma origem abiogénica de todo o petróleo e gás natural, associada à extraordinária proposição da existência de uma enorme biosfera microbiana a grande profundidade, até pelo menos dois quilómetros (que é a profundidade à qual se descobriu petróleo nos buracos de perfuração mais profundos). Segundo este ponto de vista, todo o petróleo amostrado do solo teria sustentado uma vida microbiana activa porque o petróleo é uma substância muito desejável para diversas formas de microbiologia. Vemos claramente que onde quer que a temperatura do petróleo seja suficientemente baixa para florescerem micróbios estão presentes marcadores biológicos.

Acoplar a teoria abiogénica, ou do gás da Terra profunda, à suposição da existência de uma biosfera profunda e quente permitiu-me interpretar a associação petróleo-hélio como derivando dos longos caminhos percorridos pelo petróleo desde as suas origens profundas até à crosta exterior. Tendo-se originado muito abaixo do limite de profundidade para qualquer biologia passível de o ter polvilhado com as biomoléculas que agora nele observamos, o petróleo deve ter viajado para cima sem possuir nenhuma destas moléculas. Ao alcançar níveis mais rasos, onde as condições permitiam que a biologia funcionasse, o petróleo ascendente rapidamente ficou carregado com a grande variedade de espécies moleculares que uma microbiologia vigorosa conseguia produzir a tais níveis.

Assinalou-se evidência indisputável de micróbios vivos indígenas em poços de petróleo a profundidades de mais de quatro quilómetros, como vimos no Capítulo 2. Acredito que todas as profundidades que as nossas perfuradoras conseguem alcançar, e das quais obtemos pois amostras para análise, são menos profundas do que o nível de transição abaixo do qual a biologia é incapaz de funcionar. Daí que todos os hidrocarbonetos mostrarão este tipo de melhoramento biológico, mas por uma razão muito diferente da assumida pela teoria biogénica. Células vivas, e não apenas moléculas derivadas por processos biológicos, foram já içadas destes poços profundos e delas foram feitas culturas bem sucedidas. A biosfera profunda e quente tem uma extensão imensa, embora esteja limitada a espaços porosos e fissuras no interior da rocha.

Moléculas Biológicas em Petróleo Não Biológico

A minha teoria da biosfera profunda e quente requeria assim a aceitação da existência de um domínio da vida enorme e previamente não reconhecido. Esta seria a suposição que resolveria o paradoxo do petróleo, mas era uma suposição muito grande para se fazer. Requerer-se-ia evidência corroborativa antes de poder ser aceite. Essa evidência emergiu em 1984, na forma de uma monografia notável de Guy Ourisson, Pierre Albrecht e Michel Rohmer, que trabalhavam na Universidade de Estrasburgo. [3] Embora eu discordasse dos autores na sua conclusão principal, que as bactérias tinham produzido o petróleo e o carvão — (Com que alimento? Com que fontes de carbono e oxigénio?) —, as quantidades de materiais bacterianos que relataram muito fortaleceram a minha vontade de fazer a suposição extraordinária de uma biosfera rica a uma profundidade substancial.

Os autores mostraram que a quantidade de resíduos biológicos no petróleo era espantosamente grande, embora as suas proporções no petróleo fossem pequenas. Uma contaminação bacteriana maciça estava implicada em qualquer caso, embora não fosse esta a opinião destes autores. Ao invés, a equipa de Ourissen exprimiu o ponto de vista convencional de que a biologia era essencial para a produção dos hidrocarbonetos. Não consideraram que os petróleos podiam ser alimento para uma prolífica vida microbiana, criando assim a associação entre petróleo e biologia. Respondi numa carta publicada no mesmo jornal em Novembro de 1984, escrevendo em parte,

Uma flora bacteriana remota e disseminada pode ter emergido quando o vazamento de hidrocarbonetos da Terra forneceu uma fonte de energia química às camadas superficiais da crosta onde o oxigénio abundava devido à fotodissociação da água e à perda de hidrogénio para o espaço. As bactérias oxidantes de metano (e possivelmente oxidantes também de hidrogénio, monóxido de carbono e sulfureto de hidrogénio) podem ter conseguido prosperar nas rochas da crosta. No decurso da evolução, a fotossíntese, com toda a sua complexidade, pode muito bem ter sido precedida enquanto fonte de energia pelo vazamento de hidrocarbonetos. A flora que o vazamento sustentava conferiu ao petróleo e ao carvão a sua marca distintamente biológica. [4]

Uma assinatura molecular da vida nos petróleos proveio de um grupo de moléculas que a equipa de Ourisson descobrira e baptizara de hopanóides. Os hopanóides são versões ligeiramente oxigenadas e enriquecidas das moléculas de hidrocarbonetos conhecidas por hopanos, que contêm entre cerca de 27 a 36 átomos de carbono dispostos em anéis contínuos numa molécula única. Os hopanóides mais carbonatados contêm os componentes adicionais de carbono na forma de uma cadeia acrescentada aos anéis interligados. Os hopanóides são proeminentes em todas as numerosas amostras de petróleo nas quais a sua presença foi testada. Isto inclui amostras retiradas de sedimentos de idades extremamente díspares e oriundos de todo o mundo. E é indisputável que estas moléculas derivam das membranas de células outrora vivas.

A quantidade de hopanóides era enorme, argumentaram os autores: "Só o stock global de hopanóides seria pelo menos 10 13 ou 10 14 toneladas, mais do que as estimadas 10 12 toneladas de carbono orgânico presentes em todos os organismos vivos."

Ourisson e os colegas ficaram porém intrigados pelo facto de enquanto é sabido que as árvores vivas, os fetos e as algas contêm hopanóides na extremidade inferior do espectro do número carbónico, apenas as bactérias [5] contêm as moléculas mais carbonatadas, tais como C 35 e C 36 . Outra molécula interessante (um terpenóide) que a equipa de Ourisson descobriu ser comum nos hidrocarbonetos está também presente em bactérias que é sabido viverem de oxidar metano. Todas as moléculas biogénicas descobertas nos hidrocarbonetos naturais pelo mundo fora podem ligar-se a constituintes de bactérias ou arqueias, e nenhuma se encontra ligada exclusivamente a macroflora ou fauna. Nestas observações não há pois qualquer evidência de que seja necessário algo diferente de uma substancial contaminação microbiológica de petróleos para explicar todas as moléculas observadas. E isto significa por sua vez que não há evidência de que deva invocar-se qualquer vida superficial para explicar a presença destas moléculas biológicas em hidrocarbonetos sub-superficiais.

Não era todavia preciso ter esperado pelos hopanóides para se lançarem dúvidas sobre a teoria biogénica da formação do petróleo. Robert Robinson apresentou o argumento mais convincente mais de uma década antes da geologia do petróleo ter chamado a minha atenção. "Não é possível enfatizar--se demais," escreveu em 1963, "que o petróleo não apresenta a composição correspondente à imagem esperada de produtos biogénicos modificados, e todos os argumentos decorrentes dos constituintes de petróleos antigos encaixam-se igualmente bem, ou melhor, na concepção de uma mistura primordial de hidrocarbonetos à qual foram acrescentados produtos biológicos." [6]

Muito simplesmente, é muito improvável que qualquer resíduo biológico pudesse degradar-se em hidrocarbonetos saturados de hidrogénio. A linha do raciocínio de Robinson ainda é válida, e de todos os argumentos bioquímicos contra a teoria biogénica continua a ser talvez o mais fácil de compreender e o mais convincente.

Ninguém sintetizou ainda petróleo bruto ou carvão em laboratório a partir de uma proveta contendo algas ou fetos. Uma heurística simples mostrará por que razão uma tal síntese seria extremamente improvável. Para começar, recordemos que os carbohidratos, as proteínas e outras biomoléculas são cadeias de carbono hidratadas. Estas biomoléculas são fundamentalmente hidrocarbonetos nos quais os átomos de oxigénio (e por vezes outros elementos tais como o hidrogénio) foram substituídos por um ou dois átomos de hidrogénio. As moléculas biológicas não estão pois saturadas de hidrogénio. Haveria muito poucas probabilidades de resíduos biológicos enterrados na Terra perderem átomos de oxigénio e adquirirem em sua vez átomos de hidrogénio. Se alguma coisa, o lento processamento químico em ambientes geológicos deveria conduzir a um ganho adicional de oxigénio e pois a uma perda adicional de hidrogénio. E no entanto um "ganho" de hidrogénio é precisamente o que vemos nos petróleos brutos e nos seus voláteis de hidrocarbonetos. O rácio hidrogénio-para-carbono é muitíssimo superior nestes materiais do que em moléculas biológicas não degradadas. Como poderiam então moléculas biológicas adquirir de algum modo átomos de hidrogénio enquanto, presumivelmente, se estavam a degradar em petróleo?

Equipado com a teoria da biosfera profunda e quente como solução para o paradoxo do petróleo, fiz uma estimativa (publicada em 1992) da biomassa que uma tal biosfera poderia sustentar. [7] Comecemos com um limite superior de temperatura para a vida situado entre 110ºC a 150ºC (o qual a uma profundidade considerável estaria ainda bem abaixo do ponto de ebulição da água). Isto colocaria um limite de profundidade para a vida biosférica profunda algures entre 5 e 10 quilómetros abaixo da superfície na maioria das áreas da crosta. O espaço poroso total disponível nas áreas terrestres da Terra até uma profundidade de 5 quilómetros pode estimar-se em 2 x 10 22 centímetros cúbicos (tomando uma porosidade de 3 por cento como valor médio). Se material da densidade da água encher estes espaços porosos, isto representaria uma massa de 2 x 10 16 toneladas. Que fracção disto poderia ser massa bacteriana?

Aqui o cálculo torna-se altamente especulativo. Estimemos algo conservadoramente que a massa bacteriana ocupa apenas 1 por cento, ou 2 x 10 14 toneladas, do material total ocupado pelos espaços porosos. Nesse caso, a biomassa que tem origem e está contida no interior da biosfera profunda e quente equivaleria a uma camada de material vivo que teria aproximadamente 1,5 metros de espessura caso se espalhasse sobre toda a superfície terrestre. Isto seria de facto um pouco superior à flora e fauna existente da biosfera superficial, e é compatível com a estimativa mundial de resíduos biológicos — os hopanóides — que a equipa de Ourisson calculou estarem presentes em todos os petróleos brutos.

Presentemente não sabemos, é claro, como fazer uma estimativa realista da massa subterrânea do material agora vivo. Mas a minha estimativa grosseira e a de Ourisson e seus colegas indicam que ela podia muito bem equivaler a, ou exceder, toda a massa viva da biosfera superficial. [8]

A Teoria Ascendente da Formação do Carvão

Como vimos, o ponto de vista dominante nos países ocidentais é que o petróleo em bruto e o gás natural derivam de resíduos biológicos reprocessados por processos geológicos. Em contraste, o ponto de vista abiogénico, associado à teoria da biosfera profunda e quente, é que o petróleo líquido e os seus voláteis não são biologia que foi reprocessada pela geologia mas geologia que foi reprocessada pela biologia.

A evidência de que agora dispomos sobre actividade biológica no petróleo são restos celulares de micróbios que se alimentavam de hidrocarbonetos, alguns a uma profundidade de talvez dez quilómetros, onde, conforme se julgava previamente, não podia estar presente qualquer biologia. Esta actividade microbiana não é apenas algo que aconteceu no passado remoto; ela prossegue ainda. Os reservatórios de petróleo e de gás ainda estão a encher-se e ainda estão a vazar para a superfície, e os habitantes da biosfera profunda e quente ainda estão a degradar novas provisões de petróleo em dióxido de carbono e outros produtos excretórios enquanto vivem, se reproduzem e morrem.

A teoria abiogénica explica bem muitas características espaciais e quími-cas destas reservas de hidrocarbonetos que a teoria biogénica não foi capaz de explicar. E as moléculas biológicas detectadas em petróleos brutos são explicadas pela teoria da biosfera quente e profunda. Assim, o petróleo bruto e o gás natural não são de modo algum "combustíveis fósseis" como amiúde se designam. Mas achar-se-á que devo decerto abrir uma excepção para o carvão.

Não. Afirmo que embora a turfa e a lenhite tenham de facto origem em resíduos biológicos não decompostos, o mesmo não acontece com os carvões pretos. Na minha opinião, os carvões pretos formam-se a partir da mesma ascensão de hidrocarbonetos profundos que se acumulam como petróleo bruto e gás natural. Com o carvão, porém, o componente de hidrogénio foi ainda mais afastado, deixando para trás um hidrocarboneto muito enriquecido em carbono e empobrecido em hidrogénio. Como poderia o carvão formar-se desta maneira? Que evidência empírica existe para esta pretensão que se opõe à teoria biogénica?

Muitas pessoas pensam que compreendemos completamente a origem do carvão. Não é este o caso. O que aconteceu foi o que acontece vezes demais na ciência: Uma explicação insatisfatória é aceite porque nenhuma explicação mais satisfatória surge durante um longo período de tempo. A teoria biogénica da formação do carvão exige a suposição — inválida na minha opinião — de que terras a toda a volta do globo sustentaram outrora vastas extensões de florestas pantanosas nas quais sucessivas gerações de fetos-árvore (durante o Paleozóico) e coníferas (durante o Mesozóico) caíram em águas carentes de oxigénio, impedindo assim a decomposição. Além disso, estes "pântanos de carvão" ocuparam regiões que se dobraram para baixo, nas quais centenas de pés de sobrecarga, por vezes alternando com condições pantanosas, exerceram pressão sobre as plantas enterradas à medida que passavam as eternidades. Em se lhes dando tempo suficiente, as pressões e temperaturas que prevalecem nas profundezas transformariam então de algum modo moléculas biológicas em carvão preto.

As primeiras investigações sobre carvão betuminoso (começando em Inglaterra, por exemplo, tão cedo como na década de 1850) descobriram muitas coisas que não conseguiam explicar sobre a composição da substância. Dado que havia alguns fósseis no carvão, e que a vida na Terra se baseia no carbono, uma teoria biogénica parecia assaz plausível e parecia o melhor caminho a tomar na ausência de uma alternativa. Apesar disso, a teoria biogénica era incapaz de explicar satisfatoriamente a maioria ou todas as situações nas quais se descobre carbono.

É verdade que por vezes — embora de modo algum sempre — o carvão contém de facto alguns fósseis, mas mesmo esses fósseis criam um problema à teoria biogénica. Primeiro, por que razão fósseis ocasionais retêm a sua estrutura com perfeição, por vezes até ao nível celular, quando outras quantidades, presumivelmente muito maiores, de resíduos desses que lhes estão adjacentes foram tão completamente demolidos a ponto de se tornar impossível a identificação de qualquer estrutura? Não seria estranho que a forma de uma folha ou ramo fosse perfeitamente preservada e todas as outras folhas e ramos do mesmo grupo fossem transformados (pela pressão elevada) numa massa uniforme de carvão praticamente puro? Segundo, por vezes os fósseis estão completamente preenchidos com carbono sem que tenham sido deformados. Cada célula da planta parece ter sido enchida com o mesmo material carbonífero que forma o grosso do carvão no exterior do fóssil. Como é que o material carbonífero entrou na estrutura do fóssil sem o destruir? Tais fósseis de carvão parecem estar cheios de carbono da mesma maneira que a madeira petrificada está cheia de sílica.

Acredita-se universalmente que a formação da madeira petrificada rica em sílica se deveu a ter sido atravessada por fluidos aquosos ricos em dióxido de silicone dissolvido. Com o tempo, o dióxido de silicone — o quartzo — deposita-se, cristalizando-se de maneiras que conservam as estruturas celulares sem conservarem nenhuns conteúdos celulares. Que razão há para que o mesmo tipo de processo, envolvendo um fluido muito diferente, não tenha obrado na formação do carvão e das suas inclusões fósseis? O "carvão" das células da planta deve ter entrado na forma de fluido e presumivelmente tratava-se do mesmo fluido que estabeleceu a matriz circundante de carvão.

Se não apenas o petróleo bruto e o gás natural são uma dádiva da crosta profunda ou do manto, mas o carvão também o é, como poderia o carvão formar-se concretamente?

Para começar, a química e a física simples dizem-nos que os hidrocarbonetos sofrerão uma perda de hidrogénio no seu caminho ascendente através da crosta. Por que é isto assim? Primeiro, qualquer oportunidade para um átomo de oxigénio errante (ou catalizado por processos microbiológicos) interagir com um fluido de hidrocarbonetos de qualquer espécie resultará na perda por esse fluido de dois átomos de hidrogénio por cada dois átomos de oxigénio que encontre, gerando assim água. Isto não representa mais do que uma tendência para o equilíbrio químico. O rácio carbono-para-hidrogénio do fluido aumentará então, com outros átomos apropriadamente carregados (tais como nitrogénio e enxofre) tomando o lugar do hidrogénio na estrutura molecular ou, mais vulgarmente, com ligações duplas substituindo ligações simples nas cadeias ou anéis de carbono que devem acomodar a perda de hidrogénio.

Como sabemos até bem demais por causa das avarias nos motores nos nossos carros, os átomos de oxigénio retiram preferencialmente quase todos os átomos de oxigénio num fluido de hidrocarbonetos antes de se lançarem à obra nos átomos de carbono, os quais são mais difíceis de oxidar. O resultado: carbono menos do que completamente oxidado (monóxido de carbono, CO). Um sinal de ainda menor eficiência é a matéria preta não oxidada que circunda a cabeça de uma vela retirada do motor de um carro mal afinado ou jorra do tubo de escape de um camião pesadamente carregado quando este engrena uma mudança diferente. Isto é carbono quase puro, ou fuligem.

Em geral, quanto mais "pesado" (mais rico em carbono) for o combustível, tanto maior será a hipótese de combustão incompleta. De modo a converter em moléculas do mais elevado estado de oxidação todo o carbono bem como o hidrogénio contido num fluido de hidrocarbonetos, deve estar disponível oxigénio suficiente e temperaturas suficientemente altas. A chama de uma vela de parafina, por exemplo, é quente bastante para oxidar o hidrogénio mas não é quente bastante para oxidar todo o carbono. A fuligem é na verdade o produto intencional da indústria do carvão preto, que queima incompletamente gás natural num ambiente de baixo oxigénio e baixa temperatura de modo a produzir fuligem que pode ser vendida como tinta de impressão.

A oxidação não é a única causa da perda de hidrogénio no caminho ascendente a partir das profundezas da Terra. Hidrocarbonetos complexos formados a grande profundidade seriam instáveis a pressões próximas da superfície mesmo que fossem estáveis às pressões que prevalecem no seu ponto de origem no manto superior, talvez 200 ou 300 quilómetros abaixo da superfície da Terra. Nas rochas superiores, e longe de influências vulcânicas, as temperaturas são frias demais para quebrar as moléculas à força, mas haverá todavia uma dissociação gradual de hidrogénio oriundo do carbono, à medida que a mistura de hidrocarbonetos se ajusta gradualmente às temperaturas mais baixas das menores profundidades.

A existência de diamantes — cristais de carbono puro — dá-nos vários itens de informação muito significativos sobre as circunstâncias vigentes a profundidades superiores a 100 quilómetros. (Este importante tópico será examinado em maior detalhe no Capítulo 7.) Tem-se determinado fiavelmente que a pressão necessária para o carbono adoptar esta forma cristalográfica é 35 a 40 quilobar (1 quilobar é igual a 1000 vezes a pressão atmosférica). Atendendo a que a pressão a qualquer temperatura não pode exceder o valor dado pelo peso da sobrecarga de rocha, a formação de diamantes não poderia ocorrer a profundidades menores do que 100 a 150 quilómetros. Ao estudarmos os diamantes podemos assim aprender algo sobre as condições vigentes a profundidades assim tão grandes.

Primeiro, deve estar em curso um processo que concentre carbono com alto grau de pureza. Só um fluxo de um líquido transportando carbono pode fazer isto. Lá em baixo devem existir espaços porosos, e através deles devem circular fluidos capazes de verter carbono puro. Segundo, pequenas impurezas existentes em alguns diamantes, na forma de inclusões de fluidos a uma pressão semelhante à necessária para a formação de diamantes, podem ser consideradas amostras de fluidos que ocorrem a tais profundezas. Entre estas estão metano, outros hidrocarbonetos leves e CO 2 . Isto responde à pergunta sobre a profundidade à qual alguns compostos não oxidados de carbono são estáveis na Terra: É pelo menos 100 quilómetros mas pode ser muito maior. Presumo que a dissociação de alguns hidrocarbonetos é a origem do carbono limpo dos diamantes. Mesmo diamantes feitos num domínio de pressão-temperatura onde são estáveis tornam-se instáveis às baixas temperaturas superficiais. Os diamantes não são eternos mas são para muito tempo, apenas por serem super-arrefecidos e não terem energia para mudar a sua configuração cristalina para a forma de baixa pressão, que é a grafite. De um modo semelhante, a maior parte das moléculas de hidrocarbonetos entrarão num domínio instável ao subirem em direcção à superfície.

Figura 5.1. Para termos uma ideia de como os hidrocarbonetos reconfiguram espontaneamente a sua mistura molecular sob uma mudança substancial de pressão e temperatura, instruí um aluno licenciado para estudar alterações químicas numa amostra de propano (C 3 H 8 ) sujeito a um ambiente simulado de profundidade com 475ºC de temperatura e 4000 atmosferas de pressão, que correspondem a uma profundidade de uns 10 quilómetros na maior parte da crosta terrestre. Após apenas seis horas, a amostra redispusera-se-se numa mistura indo de C 1 até C 5 , mantendo o rácio de input de carbono para hidrogénio (Figura 5.1). Isto mostra que é possível proceder à montagem das moléculas de hidrocarbonetos sem intervenção da vida; mostra também que o rácio das diversas moléculas de hidrocarbonetos leves observadas nos poços de petróleo e de gás é determinado pela relação pressão-temperatura ao longo do caminho de ascensão.

A perda sequencial de hidrogénio é a razão primária por que tantas jazidas de petróleo estão configuradas à maneira de camadas de bolo: Enormes depósitos de metano à maior profundidade, petróleos leves mais em cima e os petróleos mais pesados no topo (embora cada bolsa possa ser encimada por alguma quantidade de metano). Em algumas jazidas, o hidrocarboneto mais rico em carbono situado mais acima não é petróleo bruto; petróleo bruto nem sempre é o fim da sequência. Ao invés, acima das camadas de petróleo pode haver carvão preto. Quanto mais preto for o carvão (de betuminoso até antracite), tanto maior será a perda de hidrogénio e tanto maior será o rácio carbono-para-hidrogénio resultante.

Figura 5.2. E quanto às moléculas biológicas detectadas no carvão? A presença no carvão dos mesmos tipos de hopanóides — moléculas atribuíveis a bactérias — descobertos no petróleo bruto constituiu forte evidência tanto de que os mesmos micróbios jantam ou jantaram hidrocarbonetos em camadas de carvão como em reservatórios de petróleo (Figura 5.2). De acordo com a teoria biogénica, porém, a forte semelhança em espécies de hopanóides nos carvões e petróleos é difícil de explicar. [9] Isto deve-se ao facto dos proponentes da teoria biogénica considerarem o carvão como os restos alterados de plantas terrestres e o petróleo como os restos alterados de resíduos biológicos marinhos; pareceria no entanto improvável que se descobrisse em ambos praticamente o mesmo material microbiológico. Se o carvão foi um produto final do petróleo, então esta coincidência seria explicada.

Onde quer que a microbiologia tenha desempenhado um papel catalizador na conversão de um hidrocarboneto rico em hidrogénio num hidrocarboneto pobre em oxigénio, o produto pode, até certo ponto, ser considerado uma criação biológica — produzida porém por uma ecologia subterrânea alimentando-se de fluidos de petróleo abiogénico. Na génese do carvão, porém, não é claro se e até que ponto estiveram envolvidos micróbios da biosfera profunda. O processo de perda de hidrogénio pode ou não ser assistido por acção microbiana. Em qualquer caso, pode ocorrer feedback positivo mal sejam gerados os primeiros átomos de carbono puro. Um depósito de carbono sólido age como catalizador para a deposição adicional de carbono oriundo de metano e de outros hidrocarbonetos. Onde outras circunstâncias, tais como temperatura e pressão, estiverem próximas de causar dissociação e subsequente deposição de carbono, a presença de algum carbono iniciará o processo. Isto significa que numa área de hidrocarbonetos ascendentes haverá uma tendência para os depósitos de carbono crescerem até elevadas concentrações, porque a sua própria presença é instrumental no assentamento de quantidades adicionais dessa matéria.

Fiquei a saber bem isto a partir de uma experiência realizada no meu laboratório. Começámos com um tubo transparente de quartzo fundido, parcialmente rodeado por um intenso aquecedor eléctrico mas deixando espaço para se ver o interior. Soprou-se metano através do tubo à medida que a temperatura subia. Por volta dos 800ºC, uma partícula preta surgiu subitamente na parede interior, e numa fracção de segundo desenvolveu--se um segundo risco preto com início no ponto inicial e alargando-se de forma triangular em direcção a jusante. Significativamente, o carbono não surgiu num padrão disseminado dentro do tubo. Ao invés, depois de a primeira partícula ter sido gerada, toda a deposição subsequente criou uma massa única expansionista; o carbono depositou-se muito rapidamente após ter surgido o primeiro grão.

Concluindo, acredito que pode formar-se carvão tanto por processos abióticos como bióticos. O que distingue esta teoria da teoria tradicional é ela postular que o carvão deriva de uma fonte que ascende das profundezas ao invés de ser um depósito que se afunda a partir da superfície. Poderíamos pois referir-nos a isto como a teoria ascendente. O carbono entrou a partir de baixo enquanto fluido carbonífero tal como o metano, o butano ou o propano, e pôde assim penetrar nas células de quaisquer fósseis vegetais que estivessem presentes no trajecto do seu fluxo. Depois disso, uma perda contínua de hidrogénio aproximá-lo-ia gradualmente da consistência a que chamamos carvão. O carvão preto e duro é um produto de processos inteiramente sub-superficiais. Não tem nada a ver com a biosfera superficial. Não tem nada a ver com a fotossíntese. Um carvão assim não é energia solar armazenada.

Evidência a Favor da Teoria Ascendente

A evidência a favor desta teoria ascendente da formação do carvão é diversa e, a meu ver, convincente. A mais forte refutação da teoria tradicional da formação do carvão talvez possa descobrir-se na escassez de cinza mineral contida na maior parte dos carvões pretos. Não obstante alguns veios de carvão terem mais de 10 metros de espessura, o seu conteúdo mineral pode ser tão baixo quanto 4 por cento. O grosso do material é apenas carbono, com um pouco de hidrogénio, oxigénio e enxofre misturados em diversos compostos. Para um pântano assentar carvão bastante para produzir um tal veio, deveria ter crescido até uma profundidade de mais de 300 metros, tendo nesse volume um conteúdo mineral de menos de 1 por cento. Hoje em dia não existem pântanos que tais, e mesmo que outrora tenham existido parece improvável que crescessem plantas em circunstâncias dessas.

O rácio de minerais para carbono em qualquer acumulação actual de restos de plantas é muito mais elevado, e em lugar algum se encontram acumulações das quantidades de carbono de biomassa necessárias para explicar grandes veios de carvão. Não há razão para invocar um processo ambiental (formação de carvão terrestre) e uma gama adequada de ambiente superficial (enormes pântanos florestados) desprovidos de análogos no mundo actual. É seguramente necessária uma teoria mais parcimoniosa, em especial atendendo a que compreendemos que a superfície deve ter sido abastecida com uma grande quantidade de carbono no decurso do tempo geológico.

A teoria ascendente, em contraste, pode explicar o baixo teor mineral do carvão, e evita a necessidade de postular um tipo e escala de ambiente que ocorreu outrora mas deixou de existir. Acredito que a formação substancial de carvão não é apenas uma coisa do passado. Está a acontecer hoje. Não a reconhecemos simplesmente porque em grande medida o carvão está a formar-se enquanto acréscimos incrementais a depósitos de carvão existentes. Não são apenas as jazidas de petróleo e de gás que estão a recarregar-se mas também os depósitos de carbono, só que a um ritmo lento demais para nós reconhecermos.

A teoria ascendente adequa-se bem às dimensões de depósitos maciços de carvão e explica a pequena quantidade de cinza mineral neles contida. É possível que depósitos biológicos perfeitamente "vulgares" presentes numa camada sedimentar de uma porosidade propícia, com misturas normais de minerais, agisse como arrancador. Alguns dos hidrocarbonetos ascendentes seriam dissociados aí; os fósseis dessa rocha encher-se-iam de carbono e, à medida que se acumulava mais carbono, seriam estimuladas acumulações adicionais de carbono. No final, as quantidades de carbono atribuíveis ao material vegetal original podem representar uma fracção insignificante e o rácio carbono-para-mineral pode ter alcançado valores que nunca ocorrem na vegetação superficial. Assim, o empilhamento vertical dos veios de carvão cuja ocorrência é comum atesta meramente que se trata de uma área na qual fluidos de hidrocarbonetos estiveram a vazar ao longo de extensos períodos e na qual as circunstâncias estiveram ligeiramente a favor da dissociação e deposição de carbono. Isto explica também outra observação muito investigada em tempos recentes: O carvão parece produzir amiúde grandes e comercialmente valiosas quantidades de gás metano, em especial quando baixa a pressão da água superficial que rodeia um veio de carvão. Diz-se então que este metano deve ter residido no carvão. Mas o metano desloca--se assaz livremente através do carvão e não se consegue vislumbrar por que razão se teria ele concentrado e mantido aí durante períodos tão longos como a idade de qualquer veio de carvão particular. Parece mais provável que a presença do carvão seja um bom indicador de metano ascendente.

Ao passo que o conteúdo do carvão em cinzas é muito menor do que a teoria biogénica prediria, as concentrações de minerais residuais podem ser muito maiores do que o ponto de vista tradicional consegue explicar. A maior contribuição feita pelo homem para a poluição radioactiva não é nem de longe as infiltrações oriundas dos resíduos e da água de arrefecimento das centrais nucleares mas sim colunas de fumo ricas em urânio expelidas pelas chaminés de centrais eléctricas alimentadas a carvão. Em adição ao urânio, descobrem-se amiúde metais como mercúrio, gálio e germânio concentrados no carvão, muito para além de níveis sedimentares normais. Estes não são metais que poderíamos esperar terem sido concentrados por plantas. Os advogados da teoria biogénica da formação do carvão presumem pois que alguns veios de carvão devem ter agido de forma idêntica ao carvão vegetal nos filtros de cigarros e de água: extraindo os metais que os atravessam. Mas na maioria dos casos de concentrações extremas, é difícil ver como poderia a água superficial ter transportado uma quantidade suficiente da substância através do carvão ainda que toda a que passasse aí ficasse retida. Em contraste, a teoria ascendente sustenta que o carvão, como o petróleo, forma-se a partir de hidrocarbonetos trazidos das profundezas, sugando minerais no decurso da viagem.

Outra anomalia que os geólogos têm dificuldade em explicar através da teoria biogénica é a presença de veios de carvão em lugares onde não era suposto encontrarem-se, e inclinados segundo ângulos que não deviam assumir. A maior parte dos veios de carvão explorados comercialmente estão dispostos em camadas entre estratos sedimentares, mas tal não acontece com muitos depósitos de carvão do mundo. Conhece-se a existência de carvão entremeado com lava vulcânica e desprovido de sedimentos em diversas áreas vulcânicas, mais notavelmente no sudoeste da Gronelândia. [10] Aí descobre-se carvão muito próximo de grandes pedaços de ferro metálico incrustado de lava, não longe de vulcões de lama que borbulham metano e de uma face rochosa de cujas fissuras saem amiúde chamas. [11] Outro depósito notavelmente não sedimentar localiza-se em Nova Brunswick, no Canadá. Aí um carvão chamado Albertite enche uma racha quase vertical que atravessa muitas camadas sedimentares acamadas horizontalmente. Foi minerada no século passado, mas a dificuldade de minerar um veio quase vertical fez com que a operação fosse desactivada. [12] A teoria biogénica é incapaz de oferecer explicações causais sequer remotamente plausíveis para estes e outros ambientes anómalos do carvão.

E também não é incomum descobrir pedaços de rocha carbonatada no interior de um veio de carvão e, ao rachá-las, descobrir fósseis contendo madeira — não preta mas de cor clara — que não mostra quaisquer sinais de estar a transformar-se em carvão. De um modo semelhante, relata-se que no carvão da Bacia de Donetz da Ucrânia podem encontrar-se troncos de árvore fossilizados que se estendem através de um veio de carvão a partir da rocha carbonatada por baixo deles até à que está por cima. Esses fósseis estão carbonizados onde estão dentro do veio de carvão e não estão carbonizados onde estão no carbonato. [13]

Figura 5.3. Muitos investigadores fizeram observações sobre as numerosas inconsistências observadas se desejarmos interpretar o carvão como um resultado da deposição de pântanos nas localizações onde o carvão agora se encontra. H.R. Wanlass, por exemplo, sentiu-se intrigado pela presença em algumas regiões contendo carbono de camadas de argila entremeadas, com apenas uma ou poucas polegadas de espessura, estendendo-se horizontalmente através dos carvões, intactas ao longo de distâncias de várias centenas de milhas. Decidiu pois que havia "objecções suficientes a todas as teorias propostas sobre a origem daquelas argilas para fazer cada uma delas parecer absurda." [14]

A distribuição geográfica dos depósitos de carvão coloca outro problema à teoria convencional. Assume-se que o petróleo e o carvão resultam de tipos completamente diferentes de depósitos biológicos que assentaram em circunstâncias muito diferentes e, em muitas regiões onde ambos ocorrem, em alturas muito diferentes. Invocam-se geralmente resíduos biológicos de algas marinhas para a formação do petróleo bruto e vegetação terrestre para o carvão. Não seria assim de esperar qualquer relação próxima entre as distribuições geográficas das duas substâncias. Mas de facto, à medida que os mapas do petróleo e do carvão do mundo foram sendo desenhados cada vez mais detalhadamente, tornou-se inegável uma relação próxima. Os mapas do petróleo e do carvão do sudeste do Brasil são eloquentes neste aspecto (Figura 5.3). A Indonésia apresenta outro exemplo do género: a sabedoria popular entre os que aí perfuravam em busca de petróleo era "Uma vez que atingíamos carvão, sabíamos que íamos atingir petróleo".

Figura 5.4. Carvão por cima e petróleo por baixo é uma feição tão comum que não há hipótese de o acaso a explicar. No Wyoming, encontra-se mesmo algum dentro dos reservatórios de petróleo. Em muitas bacias sedimentares, incluindo a Bacia de San Juan do Novo México e a Bacia Anadarko do Oklahoma, o carvão jaz directamente em cima de petróleo e gás (Figura 5.4). O Alasca, o Irão, a Arábia Saudita, os Montes Urais — todos conhecidos pelas suas jazidas de petróleo — possuem também grandes quantidades de carvão. O mesmo é verdade de muitas outras áreas produtoras de petróleo, tais como a Venezuela, a Colômbia e a parte dos Montes Apalachianos situada na Pensilvânia.

Considere-se também que algumas jazidas de carvão contêm e geram mais metano do que o carvão existente poderia produzir. Seria de esperar, segundo a teoria biogénica, que carvão que ainda não "enegreceu" na forma de carbono quase puro abandonasse lentamente esses átomos de hidrogénio, provavelmente na forma de metano. Mas se o metano estiver a ser gerado pelo próprio carvão ao invés de ascender de uma profundidade ainda maior, deveria estar presente em provisões muito pequenas. Nem sempre é este o caso — para consternação dos proprietários e dos mineiros do carvão. Mesmo recorrendo a jorros de ar forçado muito rápido, muitas minas de carvão são atormentadas por explosões de metano. A mineração de carvão em Hokkaido, a ilha setentrional do Japão, cessou por completo porque mesmo estas minas de carvão, as mais bem ventiladas do mundo, não conseguiam evitar grandes explosões. A explicação para o excesso de metano, a meu ver, é que metano da própria fonte que criou o depósito de carvão está ainda a fluir para cima. O carvão ainda está a formar-se!

Uma Excepção para a Turfa

"E quanto à turfa, e quanto à lenhite?" ouço os meus críticos retorquir. "Seguramente não pretende que são abiogénicas!"

Não, não pretendo isso. Ao invés, a turfa e a lenhite (esta última sendo um "carvão castanho" no qual pode ainda ver-se a estrutura das plantas originais) representam uma parceria extremamente interessante entre fontes biogénicas e abiogénicas de carbono.

Há uma ligação subtil entre turfa e lenhite por um lado e petróleo e carvão por outro. A turfa e a lenhite fornecem clara evidência de terem sido formadas por plantas em locais onde os processos usuais de decomposição foram impedidos de funcionar e onde, pois, carbono e outros componentes das plantas não foram devolvidos à atmosfera. É comum debater-se uma das maneiras como isto pode acontecer. Se plantas suficientes se afundarem num depósito de água e assim o transformarem num charco ou pântano estagnado, então a taxa de absorção de oxigénio atmosférico será baixa. Quando até mesmo uma pequena quantidade dos resíduos vegetais for decomposta por micróbios anaeróbicos, as condições químicas no depósito podem tornar-se tão hostis que impedem qualquer decomposição adicional. O conteúdo de carbono das fibras vegetais não será transformado em dióxido de carbono, o qual escaparia, ao invés deixando para trás um lodo de carbono ou uma esponja carbonatada e fibrosa de materiais que sobreviverão durante muito tempo enquanto travam também o fluxo de água.

A situação anóxica no pântano pode amiúde dever-se ao crescimento rápido de bactérias pilhando quaisquer átomos de oxigénio disponíveis de modo a queimarem, para as suas necessidades metabólicas, metano abiogénico que ascende de baixo. Dado o metano ser um alimento tão desejável, os micróbios metanotróficos vencerão a competição com aqueles que de outro modo usariam oxigénio para atacar os resíduos vegetais, muitas de cujas moléculas de celulose e lenhite podem ser particularmente resistentes a ataques. Criar-se-á então um pântano a partir de todo o material vegetal que se acumulou e ainda não se decompôs.

As condições de formação da turfa podem também surgir sob circunstâncias assaz diferentes das do exemplo do pântano. Uma turfeira não precisa de estar aninhada numa taça desprovida de um vazamento natural de água. Uma turfeira pode também ser capaz de reter água em espessas camadas de restos vegetais durante muito tempo sem qualquer assistência da topografia. Descobriram-se localizações na Suíça onde uma faixa de terreno turfoso — isto é, uma faixa de solo muito macio vegetado pela mesma flora que é característica das turfeiras — ocorre em encostas íngremes de colinas, ao longo de linhas de fractura que correm transversais à encosta da colina. Pareceria não ter havido qualquer impedimento ao fluxo de água, mas pode detectar-se uma produção mensurável de metano ao longo das fracturas. A meu ver, é pois provável que o vazamento de metano crie depósitos de turfa e lenhite em regiões sobrejacentes a um fluxo intenso de hidrocarbonetos. Presumo ser esta de facto a explicação para a presença não incomum de jazidas de turfa e lenhite na superfície sobrejacente a jazidas produtivas de petróleo e de gás.

Uma outra observação corrobora esta associação causal presumida entre a turfa e uma fonte significativa de vazamento de metano. Mandei proceder a medições dos gases que emanavam de uma grande jazida de turfa comercial no Canadá. Os resultados foram espantosos. Nesta jazida de turfa, os gases situados mesmo abaixo da superfície estavam muito enriquecidos com metano, como é comummente o caso em tais ambientes — uma condição que os apoiantes da teoria biogénica atribuem evidentemente à presença de bactérias excretoras de metano alimentando-se dos restos vegetais num ambiente pobre em oxigénio. Mas os gases estavam também enriquecidos com todos os outros gases de hidrocarbonetos desde C 2 H 6 até C 5 H 12 . Esta mistura não é produzida normalmente por plantas em qualquer das suas fases de degradação. Muito simplesmente, os micróbios não excretam metano enquanto estão a decompor carbohidratos.

Curioso, e com a minha teoria ascendente em mente, solicitei a abertura de um furo bem afastado desta jazida canadense de turfa, bem no interior do solo local, o qual não continha qualquer material turfoso. Os gases retirados desta localização provaram ser muito semelhantes à composição gasosa da jazida de turfa em si. Toda a área mostrava idênticos sinais de hidrocarbonetos. Isto indicava-me que a maioria dos gases detectados no interior da jazida de turfa tinham de facto entrado a partir de baixo e eram assim semelhantes aos gases ao longo da mesma linha de fractura. Por que razão nesta região de vazamento de gases algumas faixas eram turfosas e outras não? Suponho que diferenças nos efeitos de limpeza de várias taxas de circulação de água do solo podem ter sido um factor.

A experiência pessoal com os nossos próprios sentidos — suplementando a experiência algo distanciada por meio da tecnologia ou completamente distanciada na biblioteca — é muito estimulante para questionarmos os pontos de vista recebidos. Tenho uma vívida recordação de uma experiência dessas na Suíça. Caminhava ao longo da encosta assaz íngreme de uma colina mesmo acima de um pequeno riacho. O solo estava recoberto não de vegetação mas de uma lama viscosa. Um colega que me servia de guia dobrou-se para baixo e espetou assaz arbitrariamente os cinco dedos na lama. Puxou então de um isqueiro e abanou a chama em volta dos buracos que os seus dedos tinham feito. De todos eles surgiram chamas, parecendo os bicos de gás em cima de um fogão na cozinha! Aparentemente muitas outras pessoas tiveram também esta experiência, embora noutro país. Recordo-me de ter ouvido dizer que numa jazida de argila perto de Oxford, em Inglaterra, os trabalhadores que mineravam a argila faziam uso de uma situação semelhante para cozinhar os almoços.

A turfa e a lenhite são claramente materiais biológicos, mas a razão para a sua acumulação pode muito bem estar nas circunstâncias criadas pelos hidrocarbonetos não biológicos que acontece ascenderem a partir de baixo e que podem também juntar mais carbono do que o contido nas plantas envolvidas. Há muitas localizações onde podemos suspeitar de uma tal conspiração entre a biologia superficial e a Terra profunda. Grandes depósitos de turfa de Sumatra residem sobre regiões ricas em petróleo e gás. Alguns depósitos de lenhite (por exemplo, aqueles na margem norte do Estreito de Magalhães no lado do Atlântico) têm depósitos comerciais de petróleo e de gás mesmo debaixo deles. A vizinha Tierra del Fuego — a Terra do Fogo — pode ter sido assim baptizada por Fernão de Magalhães quando viu chamas emanando do solo. Este fenómeno foi incorporado no folclore com histórias assustadoras engendradas à volta da presença sempre tão real de "gás dos pântanos" passível de entrar espontaneamente em ignição.

Crucialmente, os carvões pretos não apresentam uma gradação suave até ao carvão castanho da lenhite e daí para a turfa. Ao invés, há uma nítida descontinuidade entre o preto e o castanho — e, a meu ver, também uma nítida descontinuidade entre as circunstâncias da sua génese. Os carvões pretos são a progenia da Terra profunda, moldada e vitrificada por uma biosfera profunda alimentando-se de uma correnteza de substâncias comestíveis. Em contraste, a lenhite e a turfa são a progenia da biosfera superficial —  energia solar que foi capturada e armazenada temporariamente, mas cuja estabilidade amiúde se manteve graças a um banho de gases de hidrocarbonetos que flui a partir de baixo.

Mas e quanto ao querogénio? O querogénio é um material semelhante a piche ou a carvão, descoberto como pequenas partículas distribuídas difusamente em vários estratos rochosos. Tal como o petróleo, nunca foi confeccionado numa proveta a partir de componentes biológicos de qualquer variedade sujeitos a temperaturas e pressões de qualquer grau. Sempre que se descobre querogénio perto de um depósito de petróleo, declara-se que se trata da "matéria prima biológica" que libertou o petróleo descoberto nas cercanias. Se não houver querogénio na vizinhança, presume-se então que o petróleo migrou, talvez uma grande distância lateral, a partir de uma rocha "prima" que em certa altura conteve decerto querogénio. Esta explicação da origem do petróleo é de facto central à teoria biogénica. Mas como poderia um reservatório de petróleo concentrado coalescer a partir de uma quantidade de hidrocarbonetos que previamente tinham estado esparsamente distribuídos num volume muito maior de rocha? Não foi oferecida qualquer explicação para esta curiosidade. Dado que existem de facto semelhanças químicas e isotópicas entre o querogénio e o petróleo vizinho, os aderentes da teoria biogénica reclamam este facto a seu favor. Mas por que razão o querogénio e o petróleo da região não haveriam de se ter formado a partir da mesma correnteza ascendente de hidrocarbonetos?

Muitos cientistas que tentam compreender o carvão parecem assim ter caído no sulco da teoria convincente mais próxima [NT] . Exploram com grande eficácia o terreno deste sulco, até ao mais ínfimo pormenor das suas paredes interiores, sem no entanto treparem para fora dele no intuito de lançarem outro olhar. "Não se pode argumentar com um fóssil," foi uma observação que me lançaram durante uma conferência que dei sobre este assunto. É verdade que não se pode disputar a natureza biológica do fóssil, mas podemos decerto pensar de novas maneiras sobre o que a sua presença implica para o material que o rodeia.

Notas
[1] Esta série de quatro reivindicações apoiando a teoria biogénica surge no meu artigo de 1993 "A origem do metano na crosta da Terra", em David G. Howell, ed., The Future of Energy Gases, Monografia Profissional 1570 do USGS.
[2] Desenvolvi a solução da biosfera profunda e quente para o paradoxo do petróleo ao longo de um período alargado, começando há quase vinte anos. Ao serem preparadas estas notas, uma assistente (Connie Barlow) e eu vasculhámos os meus ficheiros numa tentativa de descobrir expressões escritas da transformação ocorrida no meu pensamento, quando estava a suplementar a teoria do gás da Terra profunda com a teoria da biosfera profunda e quente mas não chegara ainda a uma apreciação completa da relação. Dois ítens chamaram a nossa atenção. Na transcrição de uma entrevista conduzida por John Maddox para a BBC e transmitida em Junho de 1978, como parte do programa radiofónico "Falar Cientificamente", torna-se claro que eu ainda não começara a tomar em consideração a ideia de poderem viver micróbios a grande profundidade — ou pelo menos não estava disposto a enunciar esta hipótese. Disse: "Em anos recentes, descobriu-se muito mais gás, a maior profundidade do que qualquer petróleo e muito limpo de metano sem mais nenhuns hidrocarbonetos. Inclino-me a pensar que se trata em grande medida de material primevo, mas como é evidente o facto de haver indubitavelmente hidrocarboneto biogénico no solo torna muito difícil distinguir os dois".
Cinco anos mais tarde estava pronto para levar o debate muito mais longe. Numa entrevista publicada na edição de Março do Montana Oil Journal, disse isto: "O conteúdo genuinamente biológico da maior parte dos óleos representa apenas uma pequena fracção e não [é] de modo algum difícil de explicar. Quando um óleo se encontra em sedimentos fossilíferos, sugará decerto todo o material biológico solúvel em óleo. Adicionalmente, o óleo é uma substância muito desejável para várias formas de microbiologia, e vemos claramente que onde a temperatura do óleo é baixa bastante para isto florescer, os marcadores biológicos estão presentes".
Dois meses mais tarde, em Junho de 1983, apresentei a minha monografia "Uma biosfera quente e profunda" à Nature. Faça-se referência à nota 4 no Capítulo 3 para a história da minha tentativa de conseguir que esta ideia fosse publicada.
[3] Guy Ourisson, Pierre Albrecht e Michel Rohmer, Agosto de 1984, "A origem microbiana dos combustíveis fósseis", Scientific American 251(2):44-51.
[4] A minha resposta à monografia de Ourisson et al. foi publicada em Novembro de \984, Scientific American 251(5):6.
[5] Em 1984, na altura da monografia de Ourisson, nenhuma distinção fora feita ainda entre bactérias e arqueias.
[6] Robert Robinson, 1965, "A origem duplex do petróleo", Nature 199:113-14.
[7] A minha estimativa da biomassa microbiana a grande profundidade foi publicada em Thomas Gold, "A biosfera profunda e quente", Proceedings of the National Academy os Sciences 89:6045-49.
[8] Quanto este livro estava na fase de revisão de provas foi publicada um importante monografia que corrobora qualitativamente as minhas projecções de uma biomassa muito grande contida na interior da biosfera profunda e quente: J. R. Delaney et ali., 1998, "O evento quântico de acreção crostal oceânica: Impactos do represamento em cristas do meio do oceano", Science 281:222-30. Os autores descrevem um fenómeno previamente desconhecido de libertação súbita e maciça de fluidos hidrotermais no leito oceânico. Dado que este fluidos continham "efusões maciças de produtos bacterianos", os autores inferiram que a actividade biológica devia ter ocorrido antes da ejecção do fluido, em "habitats mais quentes por baixo do leito oceânico". A sua conclusão: "A zona da crosta ocupada por termófilos pode ser enorme". Afirmaram também: "A produção maciça e sustentada de produtos microbianos associados ao represamento dá sustentação a postulados recentes de uma significativa biosfera profunda e quente no interior da Terra". A minha monografia de 1992 está entre as referências citadas com essa afirmação.
Devido à minha reivindicação (no Capítulo 9) de que colunas ascendentes de metano são a causa de muitos terramotos, a observação feita por Delaney et al. de que "enxames de terremotos" parecem acompanhar a libertação dos fluidos hidrotermais reveste grande interesse para mim.
[9] Ourisson et. al. escreveram, "Dada a diferença de idade e dado julgar-se que os compostos orgânicos do carvão e do petróleo provinham de fontes diferentes, foi inesperada a correspondência de picos na região C27 a C32. Guy Ourisson, Pierre Albrecht e Michel Rohmer, 1984, "A origem microbiana dos combustíveis fósseis", Scientific American 251(2):44-51.
[10] K. R. Pedersen e J. Lam, 1970, "Compostos orgânicos pré-câmbricos do Ketilidiano do sudoeste da Gronelândia", Granlands Geologiske Unders. Bull. Nº 82.
[11] G. Henderson, 1964, "Prognósticos sobre petróleo e gás na bacia cretácico-terciária da Gronelândia ocidental, Geol. Survey Greenland Rept., Nº 32
[12] C. H. Hitchcok, 1865, "O Carvão Alberto, ou Albertite, de Nova Brunswick", Amer. J. Sci. 2nd Ser. 39:267-73.
[13] Estes e muitos mais exemplos de anomalias em depósitos de carvão são discutidos no Capítulo 9 do meu livro de 1987, Power from the Earth (Londres: J. M. Dent).
[14] H. R. Wanless, 1952, "Estudos das relações de campo dos leitos de carvão", em Second Conference on the Origin and Constitution of Coal, Departamento de Minas da Nova Escócia, pp. 144-80.

[N. do T.] É impossível traduzir em português o duplo sentido da expressão original "fallen into the rut", que significando literalmente "cair no sulco" se usa em linguagem corrente com o sentido de "cair na rotina".


  • Ver também nota de rodapé inserida no artigo Confissões de um ex-crente no Pico Petrolífero , de F. William Engdahl.
  • Théorie russo-ukrainienne de l'origine abiotique profonde du pétrole (Teoria russo-ucraniana da origem abiótica profunda do petróleo)

    [*] Astrofísico , 1920-2004.   Este texto constitui o capítulo 5 de "A Biosfera Profunda e Quente", aqui reproduzido graças à amabilidade da editora (Ed. Via Óptima , Porto, Março de 2007, 238 pgs., ISBN 978-972-9360-32-9).


    Este texto encontra-se em http://resistir.info/ .
  • 01/Out/07
    04/Nov/17