Pico petrolífero: Uma análise pormenorizada e transparente
por Phil Hart
[*]
e Chris Skrebowski
[**]
Profissionais da indústria e observadores estudiosos, através da
Association for the Study of Peak Oil (ASPO)
e outras redes, têm dado uma
notável contribuição para o diálogo quanto ao
futuro da produção de petróleo. Eles continuam a
apresentar análises pormenorizadas, utilizando todos os dados que lhes
são disponíveis, e apresentam uma argumentação
convincente do pico a curto prazo na produção mundial de
óleo. Um número crescente de governos, corporações
e comunidades de accionistas consideram estas considerações
convincentes e cada mais fortes.
Apesar disso, Peter Jackson, do Cambridge Energy Research Associates, no
editorial do número de Fevereiro do
Journal of Petroleum Technology,
"Peak Oil Theory Could Distort Energy Policy and Debate"
[1]
, diz que "o argumento do pico não é apresentado no contexto
de uma avaliação sistemática e crível de dados
disponíveis". E acrescenta: "os proponentes não
tornaram disponíveis análises transparentes e pormenorizadas que
permitissem uma discussão racional e objectiva". A nossa
intenção é que este artigo trate directamente daquelas
deficiências percebidas. Em resumo:
-
As avaliações de recursos de petróleo convencional da
United States Geological Society (USGS) constituem a base para as
afirmações de que os recursos petrolíferos são
adequados para suportar o crescimento contínuo da oferta. Uma
reavaliação dos números mais recentes das reservas,
descobertas e crescimento das reservas sugere que cada categoria foi
substancialmente super estimada.
-
Os aumentos das reservas mundiais na última década vieram
primariamente da reclassificação das areias betuminosas do
Canadá e de uma única grande revisão do Irão. A
falta de reservas significativas devido a descobertas significa que a
situação nos países não-OPEP parece cada vez mais
severa.
-
Os recursos petrolíferos não convencional são
volumetricamente grandes mas limitados quanto a taxas de produção
sustentáveis. Relatórios objectivos lançam dúvidas
sobre as expectativas finais.
-
A avaliação adequada do esgotamento dá base às
previsões de um pico a curto prazo na produção global de
petróleo.
-
A indústria petrolífera e os seus empregados enfrentam muitos
desafios estimulantes nos anos pela frente. Apresentar objectivamente o futuro
da oferta mundial de petróleo aos nossos accionistas é um deles.
Reservas
As reservas mencionadas por membros da OPEP, e grandes revisões em alta
particularmente durante a década de 1980, dão motivo a
preocupações. A Agência Internacional de Energia
[2]
apoiou esta interpretação, dizendo que "o salto dos
países da OPEP nas estimativas das suas reservas foi efectuado
através de negociações naquela época sobre quotas
de produção, e tem pouco a ver com as descobertas reais de novas
reservas".
Mais reveladores são os dados recentes do IHS, neste caso
especificamente para o Kuwait
[3]
(ver gráfico). Isto sugere que as reservas do Kuwait estão mais
próximas dos 50 mil milhões de barris ao invés daqueles
101 mil milhões de barris declarados publicamente. Uma nova
confirmação vem no definitivo World Energy Trends 2005 - Middle
East and North Africa (MENA)
[4]
, da AIE. Eles estimam as reservas provadas e prováveis (2P)
remanescentes no Kuwait (incluindo a metade da Zona Neutra) em 54,9 mil
milhões de barris de 9 campos designados e dois 'outros'. Para os
Emirados Arabes Unidos, as reservas provadas e prováveis (2P) são
estabelecidas em 55,1 mil milhões de barris de 9 campos designados e um
'outro'. Estas estimativas do fim de 2004 tem como fontes bases de dados do
IHS Energy e AIE. Como nenhum dos dois países têm grandes ou
mesmo pequenos campos não desenvolvidos isto é uma prova clara de
que as suas reservas foram exageradas.
À luz desta evidência não ambígua é
razoável questionar a dimensão das reservas remanescentes dos
outros membros da OPEP que também aumentaram as suas
avaliações na chamada 'guerra de quotas' da década de
1980. A nossa visão é de que as reservas dos membros da OPEP
foram exageradas num total de aproximadamente 250 mil milhões de barris.
Os dados disponíveis sobre reservas são inadequados para um
planeamento saudável da parte de governos e corporações.
Se estamos à procura de transparência acrescida no diálogo
referente ao futuro da produção de petróleo, uma auditoria
de reservas nacionais seria um bom meio de começar.
Descobertas
Em World Petroleum Assessment 2000, o USGS
[5]
descreveu um potencial de 939 mil milhões de barris de descobertas ao
longo do período 1995-2025, equivalente a 31 mil milhões de
barris por ano. Mas as descobertas reais continuam o declínio firme que
têm apresentado durante muitas décadas. Ao longo dos
últimos cinco anos, as descobertas caíram para menos da metade da
taxa prevista pelo USGS (ver gráfico).
A extensão da tendência das descobertas indicate um potencial de
descobertas futuras de petróleo convencional de aproximadamente 200 mil
milhões de barris. Cada vez mais, aqueles que argumentam contra o pico
petrolífero aceitam a verdade óbvia, preferindo subestimar o
papel das descobertas para cumprir a oferta futura de petróleo, e ao
invés disso enfatizam a importância do crescimento das reservas.
Ao avaliar o potencial do crescimento da reservas a fim de aumentar as
estimativas mundiais, o USGS estudou aumentos aparentes no dimensionamento de
campos ao longo do tempo em 48 estados dos EUA e aplicou um crescimento
observado de 44% às reservas remanescentes à escala mundial e
à produção acumulada.
Em primeiro lugar este método despreza o papel significativo que tem a
informação no ambiente americano sobre os aumentos percebidos.
Quando prossegue a produção e o desenvolvimento de um campo, as
reservas provadas publicamente declaradas são necessariamente revistas
para cima, em direcção à estimativa inicial do 'provado
mais o provável'. O aumento médio real nas reservas é
portanto significativamente mais baixo do que 44%.
Em segundo lugar, a maneira com que os campos de petróleo são
desenvolvidos actualmente não permite comparação com os
tempos antigos da indústria americana e deixa um bocado menos de ganho.
Esta diferença surgiu sobretudo porque os direitos mineiros na
América do Norte (EUA e Canadá) são legalmente garantidos
ao proprietário da terra, ao passo que em quase toda a parte do mundo
eles são garantidos ao governo. Desde a década de 1970, e em
contraste com a antiga experiência norte-americana, os novos campos
geralmente têm sido unificados e plenamente definidos, com
utilização de recuperação secundária onde
adequado desde o primeiro dia.
Em resultado desta diferença fundamental na propriedade e na abordagem
é muito inadequado aplicar esta experiência de crescimento das
reservas a reservas não norte-americanas. O desenvolvimento de campos
em águas profundas e de campos mais pequenos apenas fortaleceu esta
tendência rumo à recuperação optimizada desde o
princípio da vida do campo. Consequentemente, tem sido observado um
crescimento relativamente pequeno das reservas na última década.
A terceira falha significativa no método do USGS foi aplicar
indiscriminadamente um número de crescimento das reservas à
produção acumulada e a todas as reservas actuais. Podem ser
identificadas várias categorias de campos podem ser identificadas:
-
a grande fracção de campos, nos quais instalações
para recuperação secundária estão em
operação ou onde existe uma pressão natural forte.
Futuros incrementos de reservas são a contribuição
adicional que poderia ser activada pela recuperação
terciária.
-
aqueles campos em que mecanismos de recuperação terciária
já estão a operar. Nesta categoria, as perspectivas de
crescimento de reservas ulterior são limitadas.
-
campos no fim ou próximo do fim das suas vidas produtivas,
especialmente aqueles retirados de serviço
(decommisioned)
ou despressurizados numa comutação para a produção
de gás. Campos isolados podem ser redesenvolvidos com êxito mas o
aumento médio nas reservas será baixo.
-
campos de gás/condensados onde a confiança na
produção final de líquido é mais elevado e as
possibilidades de recuperação avançada são
geralmente limitadas para o rebaixamento da pressão na cabeça do
poço.
Utilizando estas categorias, uma nova estimativa do potencial de crescimento
das reservas é apresentada na Tabela 1. Trata-se de ganhos
teóricos que podem não ser realizados de todo, mesmo ao longo de
um período de várias décadas. A
contribuição do CERA e de outros para refinar esta
avaliação é bem vinda. Ele é necessariamente
aproximado mas melhora dramaticamente a simples (e provavelmente inadequada)
extrapolação utilizada pelo USGS. Além disso, a sua
estimativa de 730 mil milhões de barris de crescimento das reservas ao
longo do período de estudo de 30 anos descreve um aumento anual das
reservas de 2,5%. Estimativas internas feitas pelas companhias quanto ao
crescimento anual das reservas nos campos estão mais próximas dos
0,2%. O resultado do USGS é dez vezes mais elevado do que aquele
utilizado no interior da indústria e deve ser posto em causa.
Recursos de petróleo convencional
O caso para a revisão em baixa das estimativas de reservas actuais
feitas pelos USGS, as expectativas de descobertas e o crescimento das reservas
conduz à nossa avaliação de recursos de petróleo
convencional, a qual é apresentada na Tabela 2.
A uma taxa de 30 mil milhões de barris por ano, a produção
acumulada atinge 50% dos recursos totais em apenas quatro anos.
Sem considerar o eventual perfil da curva da produção mundial de
petróleo, a nova expansão da produção de
petróleo convencional já está rigidamente constrangida. O
crescimento da oferta total de petróleo no mundo agora depende das
perspectivas para o petróleo não convencional.
Petróleo não convencional
As expectativas históricas acerca da taxa com que as reservas de
petróleo convencionais podem ser transformadas em produção
não se mantêm para os grandes recursos de petróleo
não convencional. Relatar ambos em conjunto também obscurece
tendências que de outra forma seriam aparentes na categoria das reservas
de petróleo convencional.
A Wood Mackenzie
[7]
, conselheiro em energia altamente respeitado, espera que a
produção das areias betuminosas canadianas alcance os 4
milhões de barris por dia em 2020. Com um objectivo ligeiramente mais
baixo de 3,3 milhões b/d, o Oxford Institute of Energy Studies
[8]
, dentre outros conselheiros objectivos, prevê que toda a
produção de petróleo não convencional alcance 6,5
milhões de barris por dia em 2020. Isto está bem distante dos 25
milhões de barris por dia que o CERA prevê no mesmo espaço
de tempo.
Os custos de capital e operacionais continuam a elevar-se e em
consequência tem sido adiados projectos e mesmo postos de lado. A
produção está a ficar atrás das previsões
anteriores. Preocupações acerca da procura por água e
gás e o impacto sobre o ambiente local estão também a
constranger a expansão ulterior. A produção de
petróleo não convencional continuará a expandir-se, mas
há riscos significativos de declínio. É improvável
que sejam cumpridas as previsões mais elevadas.
Prevendo a procura, e a seguir a oferta
É ilustrativo nesta altura rever como as agências de energia
preparam as suas previsões. A sua abordagem de longo prazo é
baseada no nível do USGS de recursos recuperáveis finais, taxas
de esgotamento e crescimento da reserva, mas apenas para regiões
não OPEP. A AIE
[2]
afirma claramente:
"A produção de petróleo convencional da OPEP é
assumida preencher o fosso entre a produção não OPEP e
não convencional e o total da procura mundial de petróleo".
Isto conduz a uma inconsistência notável; o USGS assinala um
quarto dos recursos não descobertos aos países da OPEP, mas a AIE
convoca a OPEP a fornecer plenos 70% do aumento da oferta de 2002 a 2030.
Extrapolar a procura para a frente não é uma técnica
adequada a esta finalidade e logicamente fracassará na previsão
do pico petrolífero, deixando a economia global despreparada.
O CERA parece apresentar uma análise de baixo para cima. Contudo, tal
como com as agências de energia, eles próprios também se
encontram a rever em baixa previsões anteriores. Subjacente a estas
previsões sistematicamente elevadas está uma
avaliação inadequada do esgotamento, a mesma razão pela
qual a nossa indústria fracassou em prever anteriores picos regionais.
A palavra que está a faltar: Esgotamento
Em retrospectiva, é claro que a indústria petrolífera na
América no princípio da década de 1970 e no Mar do Norte
no fim da década de 1990 fracassaram na previsão dos seus
respectivos picos de produção porque ambos subestimaram o papel
do esgotamento de campos petrolífero maduros no arrastamento para baixo
da produção líquida. Muito naturalmente, a
indústria e os media focam notícias positivas, desenvolvimento de
campos e descobertas, novas tecnologias e acções para extrair
recursos não convencionais. A
apresenta as boas notícias; o nível historicamente elevado de
nova capacidade planeada para os próximos poucos anos.
Mas todos os anos, sem ameaças de atrasos ou ultrapassagem de custos, o
esgotamento corrói o potencial de todo campo produtor. O pico
estará ultrapassado com o balanço entre estes dois movimentos
favoráveis ao esgotamento. A propensão selectiva em focar as
notícias positivas reduz a nossa capacidade para prever este pico. Na
, a AIE ilustra este balanço dentre países onde a
produção está a expandir-se contra apenas alguns daqueles
onde a produção já está em declínio absoluto.
O relatório Megaprojects
[11]
de Skrebowsk identifica projectos com uma capacidade total de 3,2
milhões b/d de que se esperava um fluxo em 2006 (incluindo
petróleo não convencional). Eles dividem-se de forma
aproximadamente igual em 1,6 milhões b/d da OPEP e de produtores
não OPEP.
Para países não OPEP, o ganho de produção registado
pela AIE foi 300 mil b/d em 2006. Isto significa que os produtores não
OPEP perderam 1,3 milhões de b/d para o esgotamento no ano passado.
Isto é consistente com a magnitude da perda de capacidade vista em
outras fontes de dados tais como o último BP Statistical Review of World
Energy.
Os produtores OPEP registaram um declínio anual de aproximadamente 500
mil b/d em 2006. Apenas parcialmente isto pode ser atribuído a cortes
de quota planeados nos últimos dois meses do ano. Ou os produtores OPEP
escolheram conter a produção num período de forte procura
e preços elevados sustentados, ou o esgotamento está a
verificar-se na OPEP a níveis pelo menos tão altos quanto no
resto do mundo. Talvez seja alguma combinação deste dois efeitos.
Portanto, o quadro mundial é de que o petróleo bruto e a
produção de condensados caíram 200 mil b/d em
comparação com o ano anterior. O crescimento em NGLs e outros
líquidos foi capaz apenas de manter na horizontal a oferta total do
líquido.
Apesar da actividade em níveis historicamente elevados, parece cada vez
mais claro que a nova capacidade e o trabalho em curso de desenvolvimento de
campos agora é quase insuficiente para compensar o esgotamento. Os
constrangimentos de capacidade que levam a adiamentos de projectos
provavelmente não acalmarão no curto prazo. A espécie de
fluxos de produção acrescidos que o mundo precisa para servir de
base ao crescimento económico podem não ser mais possíveis.
Em defesa de Hubbert
Peter Jackson afirmou que "a produção em 2005 nos 48 estados
contíguos dos Estados Unidos foi 66% mais elevada do que previu
Hubbert"
[1]
. Isto baseia-se na mais baixa das duas curvas logísticas propostas por
Hubbert em 1956. A estimativa elevada de Hubbert (URR=200Gb) havia modelado
tanto a produção acumulada como anual dentro de uma margem de uns
poucos por cento. Não está mau para a previsão que tem 40
anos de idade.
A técnica de linearização posterior a Hubbert e aplicada
aos dados mais recentes continua a prever uma URR para os 48 estado
próxima aos 200 Gb, apesar dos avanços tecnológicos e
outros factores 'acima do chão'
. A mesma técnica aplicada mais uma vez aos membros da OPEP apoia a
nossa avaliação dos recursos de petróleo convencional na
Tabela 2.
Sumário
O pico petrolífero apresenta um desafio profundo; completamente em
divergência com as previsões de procura baseadas no crescimento do
consumo de energia. O fraco padrão de informação
fundamental quanto a reservas e produção futura torna
fácil negar e obscurecer a probabilidade de um pico a curto prazo na
produção mundial de petróleo.
O baixo nível de novas descobertas limita a extensão em que a
indústria pode continuar a entregar um nível elevado de novas
capacidades. Enquanto isso, há um perigo real de que as taxas de
declínio em regiões maduras continuem a aumentar. O
balanço entre este dois factores pode inclinar-se em favor do
esgotamento mais cedo do que o esperado.
Como observaram Hirsh et al.
[12]
, a preparação para o pico petrolífero requer duas
décadas de esforço intensivo e coordenado pelo governo. Os
críticos do pico petrolífero propõem que assumamos um
grande risco ao atrasar a preparação. A análise
apresentada aqui assinala que fazer mudanças agora seria muito mais
prudente.
30/Maio/2007
Referências
1- Jackson, P.M. (Cambridge Energy Research Associates), Peak Oil Theory Could
Distort Energy Policy and Debate. SPE Journal of Petroleum Technology Feb 2007
2- International Energy Agency, World Energy Outlook. 2004.
3- Chew, K. (IHS), Oil Depletion: dealing with the issues. Energy Institute Nov
2006.
4- International Energy Agency, World Energy Trends 2005: Middle East and North
Africa. 2005.
5- United States Geological Society, World Petroleum Assessment. 2000
6- Oil and Gas Journal, PennWell Corporation, Vol 104 Issue 47,2006
7- Wood Mackenzie, Canadian Oil Sands Developments: Will Cost Hyper-inflation
Curb Attractiveness? Press Release Mar 2007.
8- Skinner, R., Difficult Oil. Oxford Institute for Energy Studies Sep 2005
9- Mandil, C. (International Energy Agency). A Global Oil Outlook: Demand and
Supply. International Petroleum Week Feb 2007
10- Energy Information Administration, Short-Term Energy Outllook. Feb 2007
11- Skrebowski, C., New capacity failes to boost 2006 production: delays or
depletion? Petroleum Review Feb 2007
12- Hirsch, R.L., Bezdek, R. and Wendling, R., Peaking of World Oil Production:
Impacts, Mitigation, and Risk Management. Department of Energy NETL Feb 2005
A resposta do CERA
Um breve resumo deste documento foi publicado no número de Junho de 2007
do
Journal of Petroleum Technology
da Society of Petroleum Engineers e distribuído aos seus 73 mil membros
em todo o mundo. A nossa foi uma das quatro surgidas em resposta ao Editorial
do convidado de Peter Jackson do Cambridge Energy Research Associates (CERA)
publicado em Fevereiro de 2007 (Ref. 1 acima). Foi dado a Peter Jackson o
direito de resposta e ele fez os seguintes comentários
em resposta ao nosso documento:
Hart e Skebrowski entenderam mal a nossa definição de
líquidos não convencionais, os quais incluem condensados e
líquidos de gás natural bem como petróleo extra-pesado e
certas fontes de águas profundas. [Condensados, NGLs, águas
profundas e petróleo pesado estão incluídos na nossa
Avaliação do Petróleo Convencional]
Hart e Skebrowski entram mais uma vez no labirinto das reservas e deixam de
notar as enormes incertezas que cercam o cálculo das reservas e
também parecem cancelar (write off) as reservas não convencional
como insignificantes. Permanecemos confusos acerca da sua
rejeição da importância crítica das
reavaliações e revisões de reservas e aquilo que parece
ser uma atitude estática quanto à tecnologia.
Eles também tacteiam questões de esgotamento de campos de
petróleo, sugerindo que o balanço global
"inclinar-se-á em favor do esgotamento mais cedo do que o
esperado" sem apresentar qualquer prova em apoio do porque ou do quando ou
mesmo do quem. O recente trabalho pormenorizado do CERA sobre o esgotamento de
mais de 800 campos sugere que as médias de esgotamentos anuais globais
são cíclicas.
[*]
Phil Hart estudou Materials Engineering na Monash University em Melbourne antes
de passar cinco anos na Shell UK Exploration and Production. Foi engenheiro de
projecto em dois novos campos de petróleo e gás no Mar do Norte,
quando entrou para a equipe da Brent de manutenção de campos como
engenheiro de corrosão. Em 2006 retornou a Melbourne e é membro
da Australian Association for the Study of Peak Oil.
www.philhart.com/contact
[**]
Chris Skrebowski é editor da
Petroleum Review,
desde Junho de 1997, tendo editado a
Petroleum Economist
durante os três anos anteriores como analista do mercado de
petróleo em Londres. Começou a sua carreira em 1970 como
planeador de longo prazo da BP e a seguir entrou para a
Petroleum Times
como jornalista pouco antes da primeira crise petrolífera de 1973/74.
É um dos membros fundadores da
Association for the Study of Peak Oil
.
O original encontra-se em
http://www.philhart.com/CERA_SPE_debate
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
.
|