Serão as energias renováveis um investimento seguro a longo prazo?
Ou afundarão dentro em breve?

por Bryan Leyland [*]

Os investidores estão a despejar milhares de milhões de dólares em projectos de energias renováveis tais como parques eólicos, solares e de ondas do mar, assim como em biocombustíveis. Eles parecem estar confiantes em que a actual popularidade das energias renováveis torna tais investimentos seguros a longo prazo. Mas serão eles, tal como a bolha das dot.com, apenas uma tempestade num copo d'água?

A crença em que devemos reduzir as emissões de CO 2 produzidas pelo homem é o condutor do boom nas energias renováveis. Isto tem levado a enormes subsídios directos e indirectos a renováveis que de outra forma seriam não económicas. Estes subsídios e isenções fiscais provocaram o boom. Sem eles, isto não teria acontecido.

Na Europa, a produção dos parques eólicos é remunerada três vezes mais cara do que o custo da produção a partir de centrais convencionais e, na maior parte dos casos, os produtores não têm de pagar as linhas de transporte nem os custos das centrais térmicas de reserva que são necessárias quando não sopra o vento. Nos Estados Unidos, as isenções fiscais constituem dois terços do benefício obtido pelos proprietários dos parques eólicos. Os subsídios às células fotovoltaicas e a muitas outras energias renováveis são ainda mais elevados. Os subsídios e isenções fiscais aos biocombustíveis estão a persuadir os agricultores a comutarem dos alimentos para os biocombustíveis, contribuindo para a desflorestação e pressionando em alta os preços dos principais alimentos.

Segundo o gabinete do UK National Audit, as actuais políticas para reduzir as emissões de carbono custam US$ 140 a US$ 280 por tonelada. O mesmo relatório estima que o valor para a sociedade está entre US$ 20 e US$ 40 por tonelada. Mas ao longo do ano passado, aproximadamente, o preço das emissões no mercado europeu de carbono caiu de cerca de US$ 30 para cerca de US$ 1 por tonelada.

O entusiasmo pela produção renovável é conduzido inteiramente por receios quanto ao perigoso aquecimento global provocado pelo homem e por uma crença em que gastar grandes quantias de dinheiro em renováveis resolverá o problema e assim salvará o planeta de uma grande variedade de desastres. Mais de US$ 25 mil milhões por ano vão para a instalação de parques eólicos e outras energias renováveis. Uma quantia semelhante é gasta com subsídios directos e indirectos. Mas gastar US$ 200/t para gerar créditos de carbono que podem ser comprados por uns poucos dólares simplesmente não faz sentido.

Se reduzir o CO 2 produzido pelo homem é o objectivo, obter o melhor resultado pelo valor gasto deveria ser muito importante. Os governos deveriam concentrar-se na maximização da redução do carbono por cada dólar de despesa. Se eles assim fizessem abandonariam estas tecnologias ineficazes e subsídios caros e, ao invés disso, concentrar-se-iam em substituir velhas e ineficientes centrais termoeléctricas a carvão, instalar centrais nucleares e promover carros eléctricos. A tecnologia está demonstrada, o resultado é assegurado e quaisquer subsídios que possam ser necessários seriam mínimos e de prazo curto.

Quando a evidência utilizada para justificar afirmações de que o CO 2 produzido pelo homem causa um perigoso aquecimento global é examinada, ela não aguenta um exame detido. Em grande medida, esta teoria está pendurada no agora desacreditado “hockey stick” que pretendia mostrar que o aquecimento recente seria sem precedentes e sobre afirmações não provadas de que os computadores podem prever o clima daqui a 50 anos. Qualquer pessoa com experiência em modelos económicos saberá que é difícil conseguir previsões exactas mesmo para daqui a uns poucos anos. Assim, porque deveria alguém arriscar-se a investir milhares de milhões de dólares com base numa crença de que modelos climáticos extremamente complicados e incertos poderia prever com precisão o clima daqui a 50 anos? Acredite ou não, é exactamente isto que está a acontecer – e apesar do facto de que há um crescente corpo de evidências a mostrar que o sol, não o CO 2 , conduz o clima. O facto de que as temperaturas mundiais atingiram o pico em 1998 é ignorado.

Se se tornar aceite que as renováveis são caras e ineficazes ou, tal como com o imperador lendário, que “não tem calças” a teoria de que o CO 2 produzido pelo homem provoca um perigoso aquecimento global, tudo o que está associados aos projectos de energias renováveis pesadamente subsidiados, comércio de carbono, biocombustíveis, etc provavelmente sofrerá um crash estilo dot.com quando os investidores caírem fora. A irritação dos investidores que perderam o dinheiro que foram aconselhados a investir nas renováveis subsidiadas será voltada contra aqueles que promoveram estes investimentos e fracassaram em darem os passos necessários para lhes assegurar que a ciência e a teoria económica tinham bases sólidas. Estas pessoas descobrirão que as suas carreiras, rendimentos e reputações profissionais estão em risco. Além disso, o colapso fará um enorme dano a toda a ciência.

Qualquer pessoa que redija um prospecto convidando pessoas a investir é obrigada a descrever os riscos. Quantos destes prospectos em favor de energias renováveis subsidiadas advertem o investidor de que a ciência climática é incerta, de que há meios melhores e mais baratos de reduzir emissões de carbono, e de que o projecto terá enormes perdas se os subsídios forem retirados? Todos eles deveriam fazer isso.

Não importa quão fortemente um conselheiro ou investidor é apegado à crença de que as renováveis são “boas” ou que devemos reduzir o CO 2 para salvar o planeta, não é senão mais do que uma prudente administração do risco advertir os investidores do que acontecerá se tudo tiver mais a ver com a política e a manipulação da informação do que com a ciência objectiva.

13/Junho/2007

[*] Consultor, engenheiro electrotécnico com ampla experiência em produção de energia, sistemas de potência e mercados de electricidade. Sempre foi céptico quanto às afirmações de que mercados de electricidade beneficiariam os consumidores e recentemente tornou-se céptico quanto ao apregoado aquecimento global. Pode ser contactado através do seu sítio web: www.bryanleyland.co.nz .

O original encontra-se em http://www.energypulse.net/centers/article/article_display.cfm?a_id=1501


Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
26/Jun/07