O milagre do carro eléctrico na Noruega é uma fraude nacional
presunçosa, criada por meio de subsídios aos ricos para comprarem
Teslas
À atenção do governo português que embarcou
numa política desastrosa de subsidiação dos
veículos eléctricos
O governo de Oslo gasta milhares de milhões dos dólares das
exportações de petróleo para ajudar os ricos a comprarem
um segundo carro eléctrico que do contrário não
desejariam. Isso mostra o ambientalismo europeu na sua forma mais fraudulenta e
ensandecida.
Não é que não se possa incentivar financeiramente as
sociedades a serem mais conscientes do planeta, mas esta charada de incentivos
perversos, de ineficiências e de efeitos colaterais negativos não
é nada disso.
O milagre do carro eléctrico na Noruega é basicamente uma
questão de números.
No ano passado, os veículos eléctricos (VEs) representaram 49,8%
de todos os carros comprados no país e, até agora, neste ano,
três em cada cinco carros novos comprados na Noruega são
eléctricos. Para comparação, apenas 2,1% dos carros novos
registados nos EUA no ano passado foram VEs, ao passo que na UE a percentagem
é ainda menor: 0,9%.
Assim, com uma população de apenas 5 milhões de
habitantes, a Noruega tornou-se o terceiro maior mercado de carros
eléctricos do mundo.
Isto tem polido as credenciais do país escandinavo como uma terra
povoada unicamente por pessoas éticas.
Mas como foi alcançado este incrível resultado? Pelo suborno
absoluto e desavergonhado do Estado.
Com a isenção do IVA, do imposto do CO2 e do imposto sobre o peso
um Tesla importado por US$70 mil fica mais barato do que um Audi que custa
US$35 mil quando cruza
a fronteira norueguesa. Acrescente-se a isto a redução do imposto
de circulação e a passagem gratuita pelas portagens
rodoviárias, os lugares gratuitos nos ferries e o parqueamento gratuito,
bem como a diferença no preço do combustível e
então o custo operacional de tais carros é 75 por cento mais
barato.
A Noruega está a gastar cerca de US$2 mil milhões por ano com
subsídios tanto quanto gasta com pagamentos de licenças de
maternidade e com a actual taxa de absorção e as regras
existentes o número actual crescerá para dezenas de milhares de
milhões.
Certamente, com tão grande custo isto deve ser o modo mais eficiente de
combater o CO2. Mas não é, porque há dezenas de diferentes
meios práticos de reduzir a produção de carbono que
dão mais valor ao investimento os quais poderiam então
permanecer ociosos e isto é, sem exagero, milhares de vezes mais
barato.
Pelo menos, poder-se-ia dizer, está-se a retirar carros da estrada...
Bem, na verdade não. Dois terços dos compradores de VEs têm
um outro carro com motor de combustão interna. Analogamente, dois
terços das famílias que compram um único carro ainda o
adquirem com motores tradicionais.
Isto acontece porque, além dos cidadãos urbanos que fazem
corridas curtas na cidade, possuir um carro eléctrico não
é prático, sobretudo como meio de transporte único num
país com uma população pequena dispersa em grandes
distâncias.
Não surpreendentemente, estudos mostram que é muito mais
provável que pessoas ricas invistam num carro eléctrico
sobretudo porque há poucos de segunda mão disponíveis
do que pessoas pobres. E ainda assim elas utilizam-no menos do que o seu
carro principal.
Uma coisa que os veículos eléctricos substituem é o
transporte público, o que é negativo pois este torna-se
financeiramente menos atraente e mais sujeito a perturbações com
os EVs a obstruírem as faixas dedicadas aos autocarros que eles
também podem utilizar.
Tudo isso se combina, no final das contas. Todas estas isenções
não são sobre conduzir menos, elas são acerca de motivar a
utilização do carro [particular], apenas de formas mais variadas.
A utilização da gasolina mal caiu 10% nos últimos cinco
anos desde que começou esta revolução verde. E, como
já foi
destacado
algures, grande parte da redução deveu-se simplesmente a
veículos a gasolina mais limpos que substituíram modelos
desactualizados.
Mas esqueça todos os números. O fracasso desta política
era previsível simplesmente a um nível intuitivo como
acontece sempre que se usam grotescas distorções do mercado para
forçar pessoas a obterem um produto inferior. Olhe o seu
telemóvel. Agora imagine que o governo lhe diga que venderá um
aparelho de aparência elegante pela metade do dinheiro, mas que só
funcionará onde houver Wi-Fi. Suponho que se tiver o dinheiro de sobra o
comprará, mas não o utilizará o tempo todo e provavelmente
não desejará que seja o seu único telemóvel.
Então, o que obteve com isso foi um brinquedo na moda, fabricado com
materiais caros que lhe foram enviados da outra metade do mundo.
Isto é exactamente o que são estes carros eléctricos
brinquedos importados. E isto sem mencionar a estranheza flagrante de o
governo tentar impingir com tanta força escolhas indesejáveis
para o consumidor.
Porque se pensa que as pessoas querem realmente carros eléctricos
e pensassem em comprá-los sem todas essas esmolas depois de os terem
experimentado e já com infraestrutura já disponível
considere o caso da vizinha Dinamarca. Em 2015, com subsídios
pródigos embora nem de longe tão ricos quanto os da
Noruega foram vendidos quase 5.000 veículos. Em 2017, os
incentivos caíram e menos de 1.000 veículos foram vendidos.
Toda esta mascarada ilustra uma verdade mais profunda acerca da Noruega. O
país pretende não ironicamente ser neutro em carbono
é uma sorte ser bastante montanhoso para que possa ter energia
hidroeléctrica suficiente para atender às suas necessidades
e ao mesmo tempo ser o 12º maior exportador de petróleo do
mundo e o 2º maior fornecedor de gás natural. Mas se realmente
quisesse combater as emissões de CO2 no mundo, simplesmente reduziria
suas indústrias extractivas, ao invés de injectar os impostos
arrecadados nessas indústrias em esquemas consumistas de elefantes
brancos com a compra de carros novos e elegantes para os seus burgueses
eticamente amimalhados.
Mas a Noruega realmente pouco se importa com o mundo. Ela afirma estar a
estabelecer um exemplo para outros países. Mas a sua
revolução do carro eléctrico é inacessível
aos demais, excepto os Estados muito ricos. E a sua singularidade parece ser
um meio de uma sociedade privilegiada e com complexo de superioridade sinalizar
presunçosamente o seu excepcionalismo, o seu auto-proclamado
progressismo. Deixem-nos conduzir Teslas.
08/Setembro/2019
Ver também:
Carros para a elite: Veículos eléctricos, o fetiche de Obama
[*]
Jornalista
O original encontra-se em
www.rt.com/news/468342-norway-tesla-electric-cars-hypocrisy/
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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