Antes de começar a rever esta 'arma de informação
crítica', insto-o não só a comprar o livro como
também, quando acabar a sua leitura (é realmente breve, de modo
que não deverá onerar a nossa cultura com défice de
atenção), a escrever ao seu deputado, senador, a ONU, o seu
vigário/padre/iman/homem sagrado/rabi; dar ao seu vizinho, professor,
colega, irmão, irmã, mãe e pai. Em suma, gritar do topo
dos telhados que o governo dos EUA é um criminoso internacional de
proporções estarrecedoras e que toda a
administração Bush deveria ser indiciada como criminosos de
guerra e até o último deles deveria ser preso e a chave jogada
fora.
Bem, do que estamos a tratar aqui? O livro curto e apaixonado de Boyle
Biowarfare and Terrorism
trata do programa ilegal do governo americano de armas
biológicas, de muitos milhares de milhões de dólares. Um
programa que, como Boyle torna muitíssimo claro, apresenta-se como
"defensivo" mas naturalmente, a fim de produzir uma 'defesa', exige o
desenvolvimento de bioarmas ofensivas.
De facto, as penalidades capituladas na lei interna americana só pelo
empenho em investigar armas biológicas são prisão
perpétua e, sob certas circunstâncias, até a pena de morte
bem como o impedimento
(impeachment)
para o presidente (seguido rapidamente, espera-se, pela prisão
perpétua).
Mas o livro não só trata do programa ilegal de bioarmas iniciado
sob o governo Reagan, continuado sob Clinton e amplamente expandido sob o
actual regime, ele revela a ligação entre o ataque de antrax ao
Congresso e o 11 de Setembro;
Através desta pequena charada, o maior crime político na
história dos Estados Unidos da América desde a sua
fundação em 4 de Julho de 1776 os ataques com antrax ao
Congresso, os quais serviram não só para entregar uma
ameaça terrorista aos seus membros como realmente para encerrá-lo
durante um período pode permanecer oficialmente sem
solução para sempre. Poderia verdadeiramente ser
coincidência que duas das vítimas primárias pretendidas
pelos ataques terroristas com antrax os senadores Daschle e Leahe
estivessem a dificultar a aprovação rápida do pré
planeada Lei Patriota
(USA Patriot Act)
após a terrível tragédia do 11 de Setembro uma lei
que proporcionou ao governo federal poderes sem precedentes em
relação a cidadãos e instituições
americanas? (p. 49)
Boyle continua
Será que o que realmente aconteceu no fim de 2001 foi o proverbial
"ataque duplo"
("one-two punch")
contra a República Americana e a Constituição dos EUA
pelo Pentágono, CIA, Conselho de Segurança Nacional, FBI e o
resto daquilo que na antiga União Soviética costumava-se chamar
os seus "poderes ministeriais"
("power ministries"):
NSA, DIA, NRO, etc. Por outras palavras, poderia a América ter
sofrido mesmo sem notar um golpe de estado? (p.50)
Não é de admirar que os media corporativos hajam ignorado este
pequena mas devastadora acusação à máquina de
guerra americana (investiguei longa e arduamente por uma revisão do
livro nos media principais, mas em vão). Isto também é,
por sinal, uma
grossa acusação aos media que ignoraram inteiramente a
questão, desde as verdadeiras causas da Síndrome da Guerra do
Golfo até o desenvolvimento em grande escala de armas biológicas
por parte do governo americano, incluindo o seu fornecimento a Saddam Hussein
(directamente de Fort Detrick).
Grande parte do livro trata de aspectos específicos dos tratados e leis
relevantes sobre bioarmas e de como os EUA tanto os ignoraram como tentaram
contorná-los e Boyle põe os pontos no 'i' e corta os 't' uma vez
que é o responsável por grande parte do conteúdo destes
tratados. Assim, quem melhor do que ele para entender como os EUA agiram
irresponsavelmente em relação a eles!
Ao explorar a natureza do programa de bioarmas americano Boyle também
revela a cumplicidade das universidades e dos cientistas empregados no
desenvolvimento de bioarmas com milhares de milhões de dólares de
financiamento a serem canalizados para os campus não só por todos
os EUA como também além mar. Ele adverte-os mesmo de que
também são passíveis de prisão perpétua pelo
seu trabalho com bioarmas.
O que torna o livro de Boyle tão importante é que o homem, quase
sem assistência, foi responsável por toda a
legislação principal, tanto interna como internacional, que cobre
a proscrição legal das armas biológicas, em particular a
Convenção das armas biológicas
(Biological Weapons Convention)
e a Lei anti-terrorista das armas biológicas
(Biological Weapons Anti-Terrorism Act)
de 1989.
Os Estados Unidos têm tido um programa extremamente agressivo de guerra
biológica ofensiva que remonta à Segunda Guerra Mundial, mas por
um certo número de razões, em 1969 Nixon interrompeu o seu
programa de bioarmas.
A primeira, porque considerava as bioarmas "contra-producentes devido ao
'blowback' ". A segunda, porque "[a] Ao proibir as "bios",
a Convenção das armas biológicas (BWC) permitiria que os
estados com armas nucleares do mundo mantivessem, consolidassem e estendessem
ainda mais o seu quase monopólio sobre as WMD (armas de
destruição maciça) que haviam acabado de ser codificadas
pelo Tratado sobre a não-proliferação de armas nucleares
de 1968".
Além disso, os EUA consideravam as bioarmas como "as armas
nucleares dos pobres" e estavam ansiosos para que os países do
Terceiro Mundo não as adquirissem.
Finalmente, em 1972 os EUA ratificaram a BWC mas isto não impediu a CIA
de continuar a sua investigação e desenvolvimento de bioarmas.
Além disso, a BWC tinha um grande alçapão: não
impedia a "investigação" para
"protecção profilática ou outras finalidades
pacíficas".
Nem tão pouco a BWC proibia a sua "utilização"
na guerra.
E, como declara Boyle
"desgraçadamente, escondidos ali nas entranhas do Pentágono,
os remanescentes da velha Unidade de Guerra Química e Biológica
(Chemical and Biological Warfare, CBW)
esperavam, desejavam, ansiavam, planeavam e tramavam retornarem à
vida". (p. 21)
E quando Reagan foi eleito em 1981, eles conseguiram o que queriam e a
administração Reagan começou a despejar quantias
maciças de dinheiro na investigação e no desenvolvimento
de agentes biológicos para o que eles alegavam serem finalidades
"defensivas".
De facto, em dólares constantes, sob Reagan os EUA
"gastaram tanto dinheiro na investigação das bioarmas
alegadamente defensivas quanto haviam gasto quando o governo americano tinha um
programa abertamente ofensivo e agressivo de guerra biológica". (p.
22)
Mas o pior estava para vir.
A BWC
NÃO
cobre investigação em engenharia genética, esta
ciência não existia quando o BWC foi promulgada, e esta mesma
investigação em engenharia genética pode ser aplicada tanto
para usos defensivos como ofensivos.
A linha entre 'investigação' e desenvolvimento é
extremamente difusa mas, de acordo com o Artigo 1 da BWC, o desenvolvimento de
bioarmas é proibido. Uma maneira de determinar se a linha foi cruzada
é verificar se o bio-agentes foram aerosolizados para entrega, pois a
maior parte das bioarmas são concebidas para serem 'entregues'
através do ar.
E foi aqui que o papel das universidades e institutos de
investigação por todo os EUA entrou em cheio, com milhares de
milhões de dólares de contratos de engenharia genética
distribuídos, tudo sob o disfarce do uso dual,
"investigação" defensiva-ofensiva. O programa foi
chamado "Biological Defense Research Programme, BDRP".
Sob Bush Junior, o programa tornou-se no Chemical and Biological Defense
Program.
Boyle destaca que no fim da década de 1980 muitos "cientistas da
vida" estavam a tornar-se "cientistas da morte" utilizando
engenharia genética para desenvolver agentes biológicos seguidos
da produção das vacinas alegadamente "defensivas"; a
testarem aquelas coisas danadas sobre animais, e a seguir transferindo a sua
"investigação e desenvolvimento" para o
Pentágono.
"A partir dali, o Pentágono podia facilmente produzir, acumular,
instalar e utilizar armas biológicas em nova ruptura do Artigo 1 da
BWC". (p. 25)
Em 1988 o Conselho para a Genética Responsável
(Council for
Responsible Genetics, CRG)
pediu a Boyle que preparasse uma análise do
BDRP de Reagan como um Memorando Pormenorizado da Lei (o qual está
incluído no livro).
Ficou claro para Boyle que a universidade onde trabalhava, a Universidade
de Illinois, campus Urbana-Champaign, "estava empenhada no desenvolvimento
de armas ofensivas de guerra biológica, apesar dos seus protestos
públicos em contrário" e Boyle destaca que "as
universidades americanas têm um longo historial de voluntariamente
permitirem que as suas agendas de investigação, investigadores,
institutos e laboratórios sejam cooptados, corrompidos e pervertidos
pelo Pentágono e pela CIA. (p. 26)
A escala do programa americano de bioarmas é estarrecedora, com US$ 5,6
mil milhões a serem gastos no "Project Bioshield", ao longo
dos próximos dez anos, e isto é apenas uma faceta do
desenvolvimento das bioarmas americanas. Globalmente, a quantia a ser gasta no
desenvolvimento de bioarmas é de pelo menos
US$ 22 mil milhões !
Boyle revela um aspecto particularmente relevante deste programa de
desenvolvimento de bioarmas: a utilização de países tais
como o Iraque para "transformar em armas"
("weaponize")
estes novos agentes biológicos. Por outras palavras, consiga que o
Iraque teste estas coisas danadas sobre as tropas iranianas! Foi isto
precisamente o que aconteceu quando o governo Reagan forneceu-as ao Iraque,
através do American Type Culture Collection (ATCC) e dos US Centers for
Disease Control and Prevention (CDC).
"A ATCC é um grande instituto científico do sector privado
que cultiva e armazena todo o tipo de doenças conhecidas que ocorram na
natureza para finalidades supostamente científicas. É portanto
impressionante notar que tanto a ATCC como o CDC cooperaram com a aberrante
ruptura pela administração Reagan da BWC ao enviar estas armas
com bioagentes específicos para o Iraque". (p. 32)
Estes envios violaram o Artigo III da BWC.
Cada estado parte desta convenção compromete-se a não
transferir para qualquer receptador seja o que for, directamente ou
indirectamente, e não assistir, encorajar ou induzir de qualquer modo
qualquer estado, grupo de estados ou organizações internacionais
a fabricarem ou de outra forma adquirirem quaisquer dos agentes, toxinas,
armas, equipamento ou meios de entrega especificados no artigo 1 da
Convenção.
Sob a legislação proposta pelo CRG "estas
transferências de armamento de guerra biológica teriam sujeitos os
seus perpetradores reaganistas à prisão perpétua, de modo
que eles combateram a minuta do CRG implementando legislação
exactamente no momento do seu afastamento político (temporário),
o qual verificou-se quando Bush pai foi eleito presidente em Novembro de
1988". (pgs. 32-33)
E, não surpreendentemente, é a mesma gang da ultra-direita
anti-comunista que acompanhou os anos de Reagan, que tal como o programa de
bioarmas tinha estado a aguardar o seu momento, que é ressuscitada sob
Bush Senior, bem a tempo para a 'Operação tempestade no deserto'
('Operation Desert Storm')
e a forçada inoculação de
tropas americanas (e britânicas) com vacinas tanto para o antrax como
para a botulina.
"não só anterior à aprovação da vacina
pelo Food and Drug Administration (FDA) mas sem o seu consentimento informado e
portanto em clara
violação do Código de Nuremberg sobre
Experimentação Médica". (pgs. 39-40)
E não é de admirar, pois ninguém sabia que a
"administração Reagan havia subrepticiamente enviado estas
armas com agentes biológicos específicos para o Iraque, e
imaginavam que Saddam Hussein havia transformado em armamento o antrax e a
toxina botulínica". (p. 40)
Boyle torna a criminalidade das acções americanas perfeitamente
clara
"Como sempre, o primeiro passo errado obrigou ao segundo, o qual era
criminoso. Consequentemente, aquilo que eram então apenas vacinas
experimentais foi injectado nos 500 mil homens das forças armadas
americanas deslocados para a I Guerra do Golfo pela administração
Bush Sr., bem como nas tropas britânicas para ali enviadas, tornando todo
o projecto um experimento vivo maciço. Os seus resultados devido
à sua irregularidade e na verdade ilegalidade nem a comunidade de
investigação científica nem o Pentágono foram
capazes de controlar uma vez que os registos dos efeitos das vacinas foram
sistematicamente
NÃO
mantidos... Até o dia de hoje, mais de 11 mil soldados americanos
morreram mas não devido ao combate e a maior parte dos
restantes sofre da Síndrome da Guerra do Golfo (Gulf War Syndrome,
GWS)". (p.41)
A escala deste crime contra a humanidade ultrapassa aquela dos experimentos dos
médicos nazis efectuados sobre os infelizes ocupantes dos campos de
concentração. Estamos a falar aqui de quase 600 mil seres
humanos experimentados pelo governo americanos, sem o seu conhecimento ou
consentimento. E não estamos mesmo a considerar o crime dos efeitos do
urânio empobrecido tanto sobre as forças da
'coligação' como da população iraquiana.
Boyle resume isto assim:
"Bush Sr., Cheny, General Colin Powell
General "Stormin'"
Norman Schwarzkopf, e o resto do Alto Comando dos EUA infligiu um Crime de
Nuremberg às forças armadas dos Estados Unidos ao
forçá-las a tomar estas vacinas médicas experimentais em
violação do Código de Nuremberg sobre
Experimentação Médica". (p.41)
E se pensa que os actos criminosos cometidos sob Reagan, Bush Sr. e Bush Jr.
excluem Clinton, pense outra vez:
"Os pretensos neoliberais da administração Clinton decidiram
reactivar o maciço financiamento do Pentágono para armamento de
uso duplo
(dual-use),
contratos de bioguerra de engenharia genética do
DNA simultaneamente ofensiva-defensiva, apesar do facto de que o neo-cons
reaganistas e os seus cientistas BDRP cúmplices já haviam
"investigado" bio-agentes mortais que ocorriam mais naturalmente
quase uma década antes ... Estes programas de bioguerra dos pretensos
neoliberais clintonistas violaram tanto a Convenção das Armas
Biológicas como a Lei Anti-Terrorista das Armas Biológicas,
iniciada pelo Comité para a Genética Responsável".
Boyle trata extensamente do ataque com antrax ao Congresso a seguir ao 11 de
Setembro a que me referi acima. Compre o livro para ter os pormenores.
Os crimes cometidos pelos EUA tal como expostos no pequeno livro de Boyle
são estarrecedores e são ainda mais pelo facto de que os media
principais (mainstream) ignoraram-nos quase sem excepção. E
não é de admirar pois se os media principais denunciassem os
monstruosos crimes cometidos pelo capitalismo americano, quase todo o governo
dos Estados Unidos, sem mencionar as dezenas de milhares de "cientistas da
vida" que estão envolvidos no desenvolvimento destas Armas de
Aniquilação em Massa, teriam de enfrentar a realidade de que no
mínimo teriam de cumprir prisão perpétua pelos seus crimes.
01/Março/2006
Francis A. Boyle foi o principal professor de Direito Internacional que redigiu
o Biological Weapons AntiTerrorism Act de 1989. É professor na
Universidade de Illinois. Tem um grau LLD, magna cum laude, e um PhD em
Ciência Política, ambos da Universidade de Harvard. O seu livro é
editado pela Clarity Press Inc., de Atlanta, Georgia, EUA, 139 pgs., ISBN
0932863469, 11,38 Euros.
Clique o título para adquiri-lo através da Amazon.fr:
Biowarfare and Terrorism
[*]
Britânico, editor do sítio
www.williambowles.info/
, email:
editor@williambowles.info
O original encontra-se em
www.williambowles.info//ini/2006/0306/ini-0398.html
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Tradução de JF.
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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