O delírio anti-comunista na Polónia clerical

por PRCF [*]

Cartoon de Rainer Hachfeld. Senhor Embaixador da Polónia:

Manifestamos toda a nossa indignação contra a vergonhosa caça às bruxas iniciada na Polónia contra pessoas suspeitas de cooperação com o "regime comunista" e suas autoridades legais. Lembramos-lhe que o dito regime era um regime polaco legalmente reconhecido internacionalmente; sem dúvida tinha muitos defeitos, mas assegurava a todos os cidadãos o direito ao emprego, à habitação, a cuidados de saúde gratuitos, à educação, era um regime laico que respeitava o direito das mulheres a dispor do seu corpo, e à época, milhões de polacos não se viam obrigados a emigrar em busca de trabalho, como se viam antes da guerra e como novamente com a restauração triunfante do capitalismo no seu país. Além disso é escandaloso do ponto de vista formal que a celerada "lei" aprovada pela actual maioria ultra-reaccionária e clerical que domina o país obrigue os cidadãos a denunciar-se a si próprios, o que é contrário ao humanismo para o qual tanto apelam os dirigentes polacos.

Decididamente a hipocrisia anticomunista não tem limites: antes da queda do socialismo, os adversários da república popular pretendiam lutar em nome da democracia, da prosperidade, da paz e da independência nacional. À paz e à independência nacional vê-se o que lhes sucedeu com o contingente polaco que ajuda o imperialismo americano a oprimir o povo iraquiano. Da prosperidade, pode ver-se a sua imagem real nos operários polacos que vêm trabalhar para a França por uma miséria, servindo de carne para lucro dos que, no nosso país, querem cortar nos salários e no código do trabalho. Quanto à liberdade, ao pluralismo e ao anti-totalitarismo, veja-se-os no aumento do integralismo religioso, nas declarações anti-semitas de alguns dos altos responsáveis do seu país e nas perseguições dignas de Mac Carthy contra os comunistas.

É preciso que a restauração das relações de exploração capitalista na Polónia tenha decepcionado os operários polacos e que a nostalgia do socialismo, por imperfeito que tenha sido, seja ainda forte no seu país, para que os actuais dirigentes sejam obrigados a recorrer a tais práticas, que não deixariam de receber a aprovação da Inquisição e dos fascistas!

Reconheçamos ao menos nesses processos detestáveis um único mérito: o de mostrar claramente que a "liberdade" e a "democracia" não foram jamais os verdadeiros objectivos dos que destruíram o socialismo com a ajuda do Ocidente, do papa da época e de Gorbatchov: o seu único objectivo DE CLASSE não foi senão (se se exceptuar os papalvos do único "sindicato" então apoiado pelo Vaticano e por Washington) o de restabelecer as relações capitalistas de exploração do homem pelo homem.

Na realidade a proximidade do regime actual a um regime fascista manifesta-se claramente quando se vê os heróis polacos da Brigada Dombrowski, herói da nossa Comuna de Paris, que combateram o fascista Franco na Espanha, serem doravante tratados como criminosos no seu país – homens idosos e admiráveis que se encontram privados da sua pensão de reforma pelo actual governo tão "cristão"! Como se diz falso beato em polaco?

Creia, senhor Embaixador, na nossa determinação em denunciar perante os trabalhadores da França e perante os operários polacos entre nós a celerada lei das fascizantes personagens que dominam provisoriamente o seu grande e orgulhoso país.

[*] Pôle de Renaissance communiste en France

  • Ver também "Polónia paranóica" , de Ignacio Ramonet.

    Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .