Bail-in, bail-out,
sistema de resolução bancária, directiva de
resolução bancária, recapitalização
preventiva, credores júniors ou séniors.
De facto, a única coisa que nos interessa em tudo isso é o nosso
dinheiro.
Um banco sem depositantes pode falir, que belo negócio!
O problema dos depositantes é que eles também votam, os
ignorantes. E um depositante depenado tem mais memória do que um
contribuinte sangrado. Por outras palavras, fazer com que a falência de
um banco seja suportada pelos contribuintes é mais fácil do que
fazê-la pagar pelos depositantes. Infelizmente, todas as
disposições regulamentares europeias postas em prática
doravante proíbem o salvamento dos bancos pelos seus Estados (ou seja,
pelos contribuintes).
Assim, é preciso executar algumas contorções para dar a
sensação de deslizar elegantemente sobre o assoalho do
salão de baile dos bancos zumbis.
Uma compra fraudulenta na Espanha
Comecemos pela Espanha e pelo Banco Popular. O Banco Popular não tinha
senão uns poucos depositantes... e os raros que lhe restavam estavam em
fuga.
Em contrapartida, o Banco Popular possuía mais de 37 mil
milhões de empréstimos imobiliários cujos tomadores
não conseguiam reembolsar. Esta carteira de créditos duvidosos
levou a 3,5 mil milhões de perdas líquidas em 2016.
O Banco Popular foi finalmente comprado por 1 simbólico pelo Banco
Santander, o maior banco espanhol e consequentemente demasiado grande
para falir. A honra e as regulamentações foram salvas: o Estado
espanhol não interveio.
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Os raros depositantes restantes e os detentores de dívida
sénior (as obrigações mais seguros) foram poupados;
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Os detentores de obrigações do Banco Popular perdem quase tudo;
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Os portadores de acções perdem tudo;
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Os tomadores insolventes que contraíram empréstimos
imobiliários terão sempre o Banco Santander e os oficiais de
justiça no seu caminho.
Um futuro incerto para um banco ainda maior
Evidentemente, será preciso que o Banco Santander se desenvencilhe com o
estorvo do Banco Popular. Um banco demasiado grande para falir tornou-se ainda
maior. O Banco Santander deve levantar 7 mil milhões para se
recapitalizar.
Encontrará ele valentes accionistas? Será isto suficiente para
colmatar as perdas de 2017 da carteira imobiliária apodrecida? Se eu
tivesse depósitos no Banco Santander e se fosse um contribuinte
espanhol, colocaria estas questões...
Passemos agora à Itália e ao banco Monte Dei Paschi di Siena. O
problema é que o referido banco tinha muito mais depositantes do que o
pequeno Banco Popular.
Além disso, 42 mil destes depositantes tornaram-se credores a
contragosto. Zelosos "conselheiros financeiros" fizeram com que eles
subscrevessem obrigações júnior de alto rendimento
através de produtos de poupança sem risco.
A linda pilha de regulamentações de Bruxelas foi portanto posta
de lado.
Uma nacionalização ilegal na Itália
O Estado italiano será a priori autorizado a injectar 6,6 mil
milhões no quadro de um aumento de capital de 8,8 mil
milhões. Ele ficará então com 70% do capital do banco.
Está prevista uma compensação para os poupadores no
montante de 2 mil milhões.
É portanto uma nacionalização limpa, como nos bons velhos
tempos.
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Os depositantes restantes e os poupadores são... poupados;
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Os contribuintes pagam.
Mas há outros bancos italianos zumbis no salão de baile: Banca
Popolare di Vicenza e Veneto Banca para o qual convém igualmente
organizar os salvamentos. A ideia para evitar a falência convocar os
outros bancos em socorro do seu irmão infeliz. É preciso
encontrar 6,4 mil milhões, mas a Comissão Europeia quer que
os bancos italianos injectem previamente 1,2 mil milhões
proporcionalmente à dimensão dos depósitos de cada um dos
zumbis.
Solidariedade ou caridade forçada
Os outros bancos não estão ansiosos por esta
operação visto que já puseram 3,4 mil milhões
no mealheiro através do fundo Atlante. De repente, o governo italiano
põe a pistola na testa dos dois maiores bancos, Intesa Sanpaolo e
UniCredit, para que cada um dance com uma das cavalheiras necessitadas e
apliquem o modelo do par perfeito Banco Santander Banco Popular...
O que reter deste baile dos bancos zumbis?
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Que quando os depositantes são suficientemente numerosos é
preciso contornar os textos e encontrar o meio de fazer com que os
contribuintes paguem a ruptura. Como nos bons velhos tempos...
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Portanto, para o vosso banco que abrigue uma conta corrente, prefira um
grande banco da rede que tenha muitos depositantes. Mas não deixe
evidentemente mais de 100 mil euros e mesmo bastante menos.
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Fuja como da peste ou da cólera de contas remuneradas e de contas a
prazo
(super livrets).
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Não esqueça que se os bancos espanhóis e italianos
estão infestados por créditos duvidosos, os bancos franceses e
alemães estão vulneráveis aos produtos derivados e
às perdas na sua actividade de
trading
por conta própria. Portanto se as taxas sobem ou se os mercados baixam,
terá de redobrar a vigilância.
E o famoso "risco sistémico", poderá ser perguntado?
Exactamente, é através das perdas no
trading
por conta própria que ele se pode materializar.
Depois de 4 milhões de milhões de criação
monetária e nove anos de taxas baixas, os bancos zumbis continuam sempre
necessitados dos contribuintes para fazerem crer que podem continuar a viver.
[*]
Consultora financeira.
O original encontra-se em
la-chronique-agora.com
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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