por Chris Summers
A Grã-Bretanha deixou a União Europeia em 31 janeiro, mas
não há sinais de que os bancos deixem a City de Londres, uma das
principais reivindicações dos
Remainers
[NT]
antes do referendo do Brexit. Mas serão as engrenagens da City mantidas
a girar apenas com a lavagem de dinheiro?
Nicholas Wilson
, que denunciou escândalos financeiros e deu a conhecer os milhões
de libras de cobranças injustas a clientes, tendo em consequência
sido demitido do escritório de advocacia britânico Weightmans,
afirma que a City de Londres depende do "dinheiro sujo" e diz que a
economia mundial entraria em colapso se ela parasse de lavá-lo .
O Reino Unido tentou bloquear uma proposta da UE para apertar o controlo
à lavagem de dinheiro
Nicholas Wilson, um ex-gerente de litígios, afirmou: "A UE queria
reforçar o controlo à lavagem de dinheiro, o Reino Unido foi o
único país que votou contra". "O capitalismo depende do
dinheiro sujo, movimentado para realizar investimentos em todo o mundo".
Um
relatório do ano passado
do Centro de Pesquisa Bancária da Cass Business School pintou um quadro
róseo da City no pós-Brexit. A coautora do relatório,
professora Barbara Casu Lukac, escreveu: "Londres continuará sendo
um elemento importante no sector global dos serviços financeiros e no
mercado de capitais após o Brexit. No entanto, algumas de suas
operações, capacidades e margens serão afetadas pela
incerteza política da regulação a longo prazo, subjacente
ao processo Brexit".
Isto contrasta fortemente com as declarações alarmistas sobre o
futuro da City feitas pelo então Chanceler George Osborne, como parte de
seu "Projeto Medo", antes do referendo do Brexit em 2016.
Após o referendo, David Cameron renunciou e foi substituído por
outro
Remainer,
Theresa May. Quando seus esforços para aprovar um acordo no Brexit
falharam, ela foi substituída por
Boris Johnson
, desde o início um entusiástico defensor da saída de UE.
Em junho de 2019, durante a campanha para a liderança do Partido
Conservador, Boris Johnson gabou-se de quanto havia feito pela City de Londres.
Johnson renegociou um novo acordo com a UE, mas o futuro da City fará
parte das negociações sobre comércio, a realizarem-se
ainda este ano. Os bancos poderão continuar a prestar serviços
durante o período de transição, a começar em 1 de
fevereiro, mas devem perder os seus "direitos de passaporte", que
lhes permitiam oferecer serviços aos clientes nos 27 estados da UE. Uma
solução possível é que os bancos do Reino Unido
precisem criar uma subsidiária num estado membro da UE e então,
nesse país, solicitar uma "licença de passaporte".
O Chefe da Financial Conduct Authority foi promovido, mas será que ele
estava a 'dormir ao volante'?
No mês passado, o governo anunciou a nomeação de Andrew
Bailey, atual chefe do Departamento Financeiro, da
Financial Conduct Authority
o regulador que supervisiona os serviços financeiros e os
mercados de capitais no Reino Unido para o cargo de Governador do Banco
da Inglaterra, que assumirá em março.
Mr. Bailey disse: "O Banco tem um trabalho muito importante e, como
Governador, continuarei o trabalho que Mark Carney fez para garantir que o
interesse público esteja no centro de tudo o que faz. É
importante para mim que o Banco continue trabalhando para o público,
mantendo a estabilidade monetária e financeira, garantindo que as
instituições financeiras sejam seguras e sólidas."
Mas Nicholas Wilson, declarou que apenas nos últimos 12 meses Bailey
fracassou em vários escândalos de destaque, como o colapso da
empresa
London Capital and Finance
, a implosão da
Woodford Investment Management
e o bloqueio do
imobiliário da
M&G Property Portfolio
por questões de liquidez. Acrescentando:
"Mr. Bayley falhou seguramente ao longo de todos estes anos ao lidar com a
fraude do HSBC
, que relatei pela primeira vez à FCA em 2012".
Wilson foi demitido depois de ter demonstrado que o HFC Bank, uma
subsidiária do HSBC, impunha ilegalmente uma sobretaxa de 16% aos
clientes caso não cumprissem pontualmente o pagamento dos
créditos contratados e empréstimos subprime.
Em 2017,
venceu a sua batalha
contra o HSBC, que foi forçado a pagar mais de 4 milhões de
libras a milhares de clientes. Em 2019, outras 18 500 vítimas foram
identificadas. Até agora, o HSBC concordou em pagar 30 milhões de
libras e Wilson acredita que o total chegará a 200 milhões de
libras.
Em março de 2019,
Adrian Hill
, ex-CEO do HFC Bank, afogou-se na sua casa de luxo em Oxfordshire. Num
inquérito sobre sua morte, foi dito que sofria de stress, por estar
convencido de que seria enviado para a prisão em resultado da
investigação da FCA sobre o HFC.
Nicholas Wilson salientou que o chanceler do Tesouro do governo sombra, John
McDonnell, afirmou no Parlamento em 8 de janeiro, que o histórico de
Bailey na FCA deveria ter sido levado em consideração antes de
ser nomeado. McDonnell disse que Bailey esteve "a dormir ao volante
durante seu mandato na FCA".
O chanceler, Sajid Javid, insistiu que Bailey era "um excelente candidato,
o mais relevante candidato para ser o próximo governador do Banco da
Inglaterra".
Reino Unido, o país mais corrupto do mundo
Em 2016, o jornalista italiano
Roberto Saviano
, que passou a maior parte de sua carreira investigando a máfia, disse
que a Grã-Bretanha era o país mais corrupto do mundo.
Numa intervenção no Hay-on-Wye Book Festival, Saviano disse ao
público:
"Se eu perguntasse qual é o lugar mais corrupto do mundo,
você poderia dizer-me que é o Afeganistão, talvez a
Grécia, a Nigéria, o sul da Itália e eu vou dizer-lhe:
é o Reino Unido. Não é a burocracia, não é a
polícia, não é a política, mas o que é
corrupto é o capital financeiro: 90% dos proprietários de capital
em Londres têm sua sede no exterior".
Em resposta, Nicholas Wilson, disse: "Concordo com isso. Ele está
falando sobre a City de Londres, que é a capital mundial da lavagem de
dinheiro. Nada pode ser feito para limpar a City. Se algum político
tentasse desmantelá-la, a economia mundial entraria em colapso. O
dinheiro das drogas foi a única coisa que manteve em funcionamento os
bancos durante a crise financeira de 2008".
Em 2016, o
Home Affairs Select Committee
declarou que 100 mil milhões de libras de dinheiro ilícito eram
lavados no mercado imobiliário de Londres todos os anos.
Wilson disse ainda que o banco com a pior reputação era o
HSBC
, que estava envolvido em 18 dos 25 principais escândalos de
corrupção listados pelo órgão de
fiscalização Transparency International no ano passado. Rona
Fairhead, ex-diretora do HSBC, que também foi presidente do BBC Trust e
é atualmente membro da Câmara dos Lordes, foi ministra no governo
de Theresa May, até maio do ano passado.
Como afirmou Wilson, as instituições políticas e
financeiras estão estreitamente entrelaçadas. Existem
vários exemplos de ex-parlamentares e ministros que foram trabalhar para
bancos e ex-banqueiros a entrarem na política ou em cargos influentes.
A City of London Corporation recusou-se a comentar e a Financial Conduct
Authority, que também foi abordada, não fez comentários.
[NT]
Remainers:
pessoas que no referendo de 2016 votaram pela permanência do Reino Unido
na União Europeia.
O original encontra-se em
sputniknews.com/...
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https://resistir.info/
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