"O que aprendemos com o Maio de 68?"

por Makis Papadopoulos [*]

Fábrica ocupada, 1968. Talvez alguns se perguntem por que estamos a discutir esse assunto hoje, cinquenta anos depois de Maio de 68. Certamente não o fazemos por nostalgia. Felizmente para nós, ao contrário do SYRIZA e de algumas correntes oportunistas , o evento de hoje do KNE é participado principalmente por jovens, estudantes universitários, e não apenas por algumas pessoas de meia-idade que têm uma lembrança experiencial dos eventos ou discussões relativas às últimas décadas através de reuniões na universidade.

Estamos a discutir Maio de 1968 não só para revelar os mitos da propaganda burguesa que querem encobrir a realidade, os mitos que negam o papel condutor da classe trabalhadora, da CGT e do PCF nas lutas, enquanto ao mesmo tempo de modo provocador colocam a responsabilidade política exclusiva pela rápido declínio do movimento apenas sobre eles. Os mitos burgueses que persistentemente apresentam aventureiros anti-comunistas proeminentes como Cohn-Bendit como genuínos revolucionários e apresentam Maio como uma mera revolta de estudantes.

Estamos a discutir Maio de 1968 porque o exame autocrítico da experiência positiva e dos erros, das fraquezas do movimento comunista internacional tornam-nos mais fortes nos dias de hoje, a fim de não repetir os mesmos erros, de acelerar o futuro, com a abolição da exploração do homem pelo homem e o socialismo.

No entanto, a fim de entender as causas dos acontecimentos de Maio de 1968, como em qualquer outro evento histórico, precisamos esclarecer a relação entre economia e política, devemos entender o contexto económico dos acontecimentos. É claro que há a dimensão internacional da ascensão do movimento, por exemplo, o movimento nos EUA contra a Guerra do Vietname nos anos 60, mas hoje nos limitaremos à França.

Este ano é o bicentenário do nascimento de Marx, que observou em seu trabalho " ;O 18º Brumário de Luís Bonaparte" ;, que o povo escreve a sua própria história, mas não a escreve arbitrariamente em condições livres escolhidas por si próprio, mas sob as condições objectivas em que se encontra, ou seja, as relações de produção em cada período dado.

Assim, para entender os desenvolvimentos, vamos dar uma breve olhadela à evolução da economia capitalista na França neste momento.

O desenvolvimento da economia capitalista francesa

Após a Segunda Guerra Mundial, foi implementado em França um Plano Estatal de Modernização e Infraestrutura elaborado por Jean Monnet, com o financiamento de uma parte do investimento pelo Plano Marshall americano. Depois de 1954, a taxa de crescimento da produção industrial francesa atingiu 9-10% ao ano. Os ramos modernos da produção de energia nuclear, aeroespacial, electrónica ganharam muito dinamismo em comparação com outras poderosas economias capitalistas europeias. Em 1968, não havia crise capitalista em França. Em contraste, entre 1969 e 1973, a França teve a segunda maior taxa de crescimento depois do Japão.

A burguesia francesa procurava naturalmente melhorar seu papel de potência imperialista no território europeu. Este objectivo tornou-se mais imperioso, pois depois de 1960 perdera de imediato a soberania política nas suas 15 colónias, especialmente em África.

À medida que a correlação de forças mudava, o general De Gaulle, que representava a maior independência do imperialismo francês, distanciava-se em certa medida das opções dos EUA.

Em 1966, a França retirou-se da secção militar e da estrutura organizacional da NATO. Foi criada uma rede francesa de enriquecimento de urânio para a produção interna de armas nucleares.

Depois de 1963, o governo restringiu os investimentos estrangeiros em sectores estratégicos da economia francesa. Foi lançado um ataque contra a soberania do dólar. De Gaulle falou no período da guerra-fria de uma "Europa do Atlântico aos Urais". Ele criticou a intervenção dos EUA no Vietname, falando a Phnom Penh em Setembro de 1966, enquanto visitava a União Soviética no mesmo ano e reconhecia a República Popular da China.

No processo de estabelecimento e evolução da CEE, De Gaulle contrapôs a " ;Europa dos Estados" ; às propostas em favor de instituições supranacionais e de uma política externa e de defesa comum europeia. Ele vetou a adesão da Grã-Bretanha em 1963, que considerava o "cavalo de Tróia" dos Estados Unidos. Ele tentou construir o eixo franco-alemão e assinou com o chanceler Adenauer uma convenção franco-alemã de reuniões periódicas.

Controvérsia EUA-De Gaulle

Depois do que mencionamos, todos entendemos por que houve uma reacção americana à política de De Gaulle e por que as contradições intra-burguesas em França foram intensificadas. A actividade independente e multifacetada do pós-guerra na França por parte dos EUA, em cooperação com a maior parte das forças pró-atlântistas da burguesia francesa não se limitava apenas a restringir a influência do PCF e ao cultivo do anticomunismo, mas incluía também, ao longo do tempo, uma forma de pressão burguesa e de enfraquecimento da dominância política de De Gaulle.

Nos primeiros anos do pós-guerra, ela se concentrou no objectivo da expulsão do PCF do governo de unidade nacional e da contracção da sua influência na classe trabalhadora. Apesar de sua linha reformista, a forte influência do PCF era considerada um obstáculo à ampliação do anti-sovietismo pelos serviços americanos e como um risco potencial para a estabilidade do sistema, caso o partido corrigisse sua linha e adquirisse uma estratégia e actividade revolucionárias.

O PCF recebeu 29% dos votos nas eleições nacionais de 1946, L'Humanité era o jornal com mais leitores e o director do CIG (antecessor da CIA), Hoyt Vandenberg, advertiu que se o partido quisesse poderia tomar o poder.

A intervenção anticomunista dos EUA no pós-guerra incluiu vários planos e redes de agentes secretos, alguns dos quais foram revelados por políticos burgueses franceses no contexto de contradições intra-burguesas. O Plano Azul para impedir a criação de uma França vermelha tornou-se conhecido. A rede anticomunista francesa, com o nome de código de "Rosa dos Ventos" foi estabelecida, com o símbolo da Aliança Atlântica, liderada por François de Grossouvre que viria a ser assessor especial do presidente socialista Mitterrand,.

A CIA apoiou a criação e a actividade da central sindical divisionista e anticomunista Force Ouvrière, a qual tentava limitar a grande influência da confederação dos trabalhadores vermelhos, a CGT.

A CIA também apoiou a acção da Organização do Exército Secreto (OAS), a qual organizou um golpe contra De Gaulle. Procurando manter o jugo colonial sobre a Argélia, bem como assassinatos tais como o presidente da municipalidade de Evian que apoiava De Gaulle e uma tentativa de matar o próprio De Gaulle.

Durante o período anterior a Maio de 1968, de acordo com um relatório do Parlamento francês muitos anos depois, dezenas de milhares de membros foram recrutados para o Serviço de Acção Cívica, o qual participou desta guerra encoberta de serviços secretos.

Também digno de nota é o apoio de políticos social-democratas pró-atlantistas por grupos de estudantes anti-autoritários e oportunistas, como Pierre Mendès France, que foi calorosamente saudado pela assembleia anti-governamental em 27 de Maio de 1968 no Estádio Charléty.

O grupo de Cohn-Bendit, incluindo as tendências maoísta, trotskista e anti-autoritária, visava tanto o governo De Gaulle como o PCF e na prática facilitou o acesso ao governo da social-democracia atlantista francesa.

Mesmo militantes não-comunistas de Maio de 68, como Guy Hocquenghem, nomearam importantes protagonistas da época, tais como Bernard Kouchner e Serge July, como órgãos de uma pseudo-esquerda pró-americana.

Tendo visto o que estava a acontecer no campo burguês, vamos agora ver quais foram as consequências desses desdobramentos sobre a classe trabalhadora, os estudantes, a juventude.

Necessidades contemporâneas insatisfeitas

No período específico de 1968, não tivemos uma rápida deterioração, um aumento acentuado da miséria absoluta da classe trabalhadora em relação aos anos anteriores, nem se desencadeou uma crise capitalista profunda.

Então, o que temos nós? Na década de 1960, a tendência da pauperização relativa da classe trabalhadora foi fortalecida em relação à riqueza produzida, que a burguesia, os grandes accionistas dos grupos monopolistas, desfrutavam. Os trabalhadores viam empiricamente uma distância crescente entre as suas necessidades modernas e o seu poder de compra.

Na nossa época, a classe trabalhadora já não pode mais contentar-se em satisfazer apenas necessidades básicas, como vestuário e alimentação diária. Ela se preocupa com a necessidade de mais tempo de lazer, conteúdo criativo de trabalho, erradicação da insegurança quanto ao futuro, a educação real dos seus filhos, a melhoria da protecção à saúde.

Ainda que não compreendesse o mecanismo da exploração capitalista e não estudasse o marxismo em massa, ela experimentava mais intensamente a contradição entre a socialização do trabalho em centrais nucleares, indústria automobilística, fábricas modernas e a apropriação dos resultados da produção pelo grande capital.

Era agora mais educada e qualificada do que nas primeiras décadas do século XX. Ela podia objectivamente reflectir mais sobre quem determina o ritmo do trabalho, quem decide sobre investimentos e prioridades. Desde que a vanguarda revolucionária a orientasse nesta direcção.

Os empregados estavam preocupados com o aumento do desemprego em massa, particularmente entre os jovens, que havia aumentado de 200 mil em 1964 para 300 mil em 1967 e a eclosão de uma crise de certos sectores, como os estaleiros navais de Nantes e St Nazaire. Eles experimentavam as primeiras medidas para limitar os direitos trabalhistas e de segurança social com o Plano de Estabilização de De Gaulle que, entre outras coisas, elevava as contribuições para a segurança social e retirava os fundos da mesma do controle dos sindicatos.

O estrato inferior da classe trabalhadora, isto é, um milhão e meio de trabalhadores, recebia o salário mínimo (apenas 400 francos por mês), o qual não chegava para uma sobrevivência decente, a menos que trabalhassem muito tempo extra todas as semanas.

Onde a falta de satisfação das necessidades modernas emergiu com particular acuidade foi nas universidades. As necessidades de expandir a reprodução do capital após a guerra aumentaram a exigências por mão-de-obra científica qualificada. A investigação e o conhecimento científico estavam a tornar-se cada vez mais generalizados na produção para benefício da lucratividade capitalista.

Assim, na década de 1960, temos o aumento espetacular da entrada de estudantes nas universidades. Isto muda a composição dos estudantes em termos de origem de classe , mas principalmente diferencia sua perspectiva de classe. O risco de desemprego e de trabalho assalariado mal pago surge pela primeira vez. Por outras palavras, a tendência da proletarização aparece.

Ao mesmo tempo, a infraestrutura, laboratórios, edifícios, professores não são adequados para os estudantes. As barreiras de classe na educação estão a tornar-se mais intensas. Uma série de anacronismos, como a autoridade do professor e a separação dos átrios estudantis naqueles para homens e naqueles para mulheres, eram agora considerados inaceitáveis. Discussões sobre opressão sexual e igualdade das mulheres foram abertas.

Dentro deste clima, uma faísca, como a Lei do Ministério da Educação, que dizia respeito a barreiras de exame e mecanismos de separação para futuros estudantes, foi suficiente para desencadear as primeiras mobilizações estudantis no final de Abril. Assim, a questão das necessidades modernas insatisfeitas desencadeou um clima de um desafio geral difuso, e algumas lutas estalaram. A questão é como o PC enfrentou a situação.

A fraqueza política do PCF

O PCF tinha fortes laços com a classe trabalhadora e grande influência política no movimento sindical. Em ocupações de fábricas, em lutas trabalhistas, na grande greve geral de 10 milhões que deu peso político real a Maio de 68, onde as forças sindicais do PCF através da CGT estavam na liderança.

Só após a gigantesca manifestação política do PCF em 29 de Maio de 1968 é que De Gaulle ficou realmente alarmado com a possibilidade de uma escalada da luta de classes e da ocupação do Palácio Presidencial devido à dinâmica das lutas, embora os slogans fossem limitados ao objectivo de uma mudança no governo.

De Gaulle em 30 de Maio acusou o PCF de tramar contra a legalidade civil, a fim de pressioná-lo na direcção da desescalada das lutas trabalhistas e do compromisso. Foi só depois das aparições dinâmicas do partido que ele ameaçou escolher "outro caminho para além do voto directo", isto é, medidas de repressão de emergência.

Infelizmente as coisas não foram tão difíceis para a burguesia. O clima de um desafio geral difuso nunca foi suficiente para levar a um ataque planeado e organizado da classe trabalhadora pelo poder, nem para que o movimento trabalhista formasse as alianças sociais apropriadas.

O PCF no período do pós-guerra até 1968 estava recuando cada vez mais da estratégia revolucionária e, finalmente, acabou por seguir a linha da capitulação aberta do eurocomunismo. Não nos preocuparemos hoje em profundidade desta questão, a qual está enraizada em contradições e considerações erradas na elaboração da estratégia da Internacional Comunista anterior à guerra.

O que é importante entender é o impacto negativo decisivo da linha reformista, as ilusões acerca de uma transição parlamentar para o socialismo, com um governo de cooperação de sociais-democratas e comunistas. Esta estratégia levou o PCF a alinhar-se frequentemente como um pêndulo nas contradições intra-burguesas em França entre os burgueses pró-atlantistas e os apoiantes de De Gaulle.

O tempo não permite uma apresentação pormenorizada deste rumo de desvio oportunista e de negação das leis da revolução socialista. No entanto, vale a pena mencionar brevemente seus pontos-chave:

O PCF participou do governo de unidade nacional de 1846, o qual tinha como objectivo a reconstrução capitalista da França. Por esta opção, foi criticado pela Cominform em 1947.

Após o seu afastamento pelo governo, com o comprovado envolvimento dos Estados Unidos neste desenvolvimento, ele voltou o seu fogo no 12º Congresso (1950) somente contra a influência americana, absolvendo na prática a burguesia francesa.

Depois do 20º Congresso do PCUS em 1956, emergiu a meta da unidade de acção com a social-democracia, na qual, entre outras coisas, se encontra a maioria dos políticos burgueses pró-atlântistas. Foi proclamado que a passagem revolucionária violenta ao socialismo não é obrigatória e que agora é possível impedir as guerras imperialistas devido a uma mudança na correlação internacional de forças.

Após o golpe militar na Argélia, e no referendo de 1958, onde De Gaulle pediu a concentração de muitos poderes como Presidente da República, bem como a dissolução da Assembleia Nacional, o PCF agora especificamente mencionou o objectivo de cooperação governamental entre social-democratas e comunistas com um programa conjunto que enfoca a nacionalização de certos monopólios, o fortalecimento de sectores modernos da produção capitalista, a redução do desemprego, a reforma educacional.

Isto cultivou a ilusão de que pode haver uma gestão pró-povo das necessidades modernas da sociedade, do estado burguês dos capitalistas, com a mudança de governo. Cultivou a ilusão da passagem parlamentar para o socialismo. Nublou a oposição dos trabalhadores ao falar apenas acerca das secções mais reactivas da burguesia francesa que apoiam as ambições de De Gaulle de impor uma ditadura militar. Nublou o papel da democracia burguesa como a principal forma de ditadura da capital.

Nas eleições presidenciais de 1966 o PCF apoiou a candidatura conjunta de François Mitterrand, que estava comprometido com a aliança euro-atlântica. Nas eleições parlamentares de 1967, o PCF concordou com o socialista sobre um sistema de retiradas mútuas em que o candidato do partido que recebesse menos votos no primeiro turno, retirava-se do segundo turno em favor do candidato do partido com mais votos.

No 17º Congresso do PCF, o secretário-geral Maurice Thorez chegou a referir-se ao objectivo da unidade do partido socialista e comunista. Em 1968, foi formulado o acordo francês de Champigny para a cooperação socialista-comunista, onde a nacionalização e a ampliação da democracia burguesa foram confirmadas como termos básicos. Vale notar que durante o período de 1962 a 1968, Mitterand sistematicamente evitou comprometer-se com a participação do PCF no governo se ele vencesse as eleições. Após o estalar da contra-revolução na Checoslováquia, Mitterand falou na necessidade de uma nova aliança política de " ;socialismo e liberdade" ; com uma clara orientação anti-soviética. Em essência, ele pressionou o PCF a distanciar-se mais abertamente do PCUS.

Portanto, diante da explosão de necessidades sociais insatisfeitas de hoje, que alimentaram a corrente dos desafios desfocados de Maio de 1968, o PCF não foi mais capaz de formar uma linha revolucionária que, por um lado iluminasse a necessidade e a oportunidade histórica do socialismo. Por outro lado, contribuísse para a escalada das lutas trabalhistas e para o aprofundamento da sua direcção anticapitalista.

Acordo de Grenelle

Se bem que as necessidades modernas pelo direito ao trabalho, por mais tempo de lazer, pelo conteúdo criativo do trabalho, pela utilização eficaz da força científica do homem como força produtiva para a prosperidade social, iluminasse a necessidade de erradicar o caminho do crescimento baseado no lucro capitalista, o PCF restringiu a militância e o dinamismo do movimento do trabalho a um quadro económico de lutas respeitantes ao crescimento salarial, à redução da idade de reforma, às 40 horas de trabalho por semana.

Estes objectivos económicos não são sequer declaradamente vinculados à necessidade de um conflito total com o poder do capital, da NATO e da CEE.

O único objectivo político era a renúncia do governo De Gaulle e a emergência do chamado governo popular.

Para o governo burguês, era fácil lidar com essa linha reformista sugerindo os Acordos de Grenelle entre o governo e os sindicatos sobre reivindicações financeiras e pedindo eleições alguns dias depois de assiná-los.

No Acordo de Grenelle de 27 de Maio, o governo burguês fez concessões significativas face às reivindicações económicas da CGT. Aceitou um aumento do salário mínimo de 35%, a redução da idade de reforma para limitar o dinamismo político da escalada de lutas dos trabalhadores. Os trabalhadores nas fábricas sob ocupação não aceitaram o acordo imediatamente ou sem reservas. Em certos casos, um descontentamento intenso foi expresso. No entanto, na primeira semana de Junho, a produção industrial recomeçou.

Os pregadores " ;libertários" ; do liberalismo

A incapacidade do PCF de se exprimir de um modo militante, com um programa radical de luta com uma linha anticapitalista para atender às necessidades sociais modernas, também contribuiu para o surgimento de conceitos burgueses e pequeno-burgueses, os quais por sua vez ajudaram no surgimento de uma movimento anti-comunista em massa e no desarmamento do movimento dos trabalhadores.

Marcuse, por exemplo, condenou as exigências da classe trabalhadora pelo atendimento de algumas das suas necessidades materiais modernas , como adquirir electrodomésticos modernos e um carro, como responsáveis por sua alienação. Assim, ele inculpou a classe trabalhadora e obscureceu o facto de que o sistema capitalista é responsável por alienar o trabalhador do produto de seu trabalho, da sua própria actividade de trabalho, das outras pessoas e do meio ambiente.

Mas é o capitalismo que impõe o lucro capitalista como o objectivo do trabalho e não o produto específico ou o serviço particular produzido pelos trabalhadores. É o capitalismo que afecta a consciência de classe da classe trabalhadora, a qual modela padrões de consumo específicos, transformando tudo em mercadoria, desde a água até a saúde e a educação das crianças. É o capitalismo que leva muitos trabalhadores a competir para garantir um emprego temporário dentro da selva do mercado capitalista.

Esta situação não foi criada pelo desenvolvimento da indústria e da tecnologia em geral, mas pela relação de exploração do homem pelo homem, as relações capitalistas de produção.

Não discutiremos a multiplicidade de correntes pequeno-burguesas e burguesas que influenciaram primariamente as fileiras do movimento estudantil em Maio de 1968. Para muitos deles, como os situacionistas, os existencialistas, os neo-freudianos, os chamados anti-autoritários, vamos fazer uma breve referência na intervenção do camarada Loukas que se segue.

Contudo, precisamos apontar as consequências políticas da "linha libertária" que glorificou os direitos individuais contra qualquer opressão social. Essa linha não era apenas inócua para o sistema capitalista, também era útil para a nova ofensiva do capital. Marxistas franceses daquele tempo (Michel Clouscard) falavam correctamente do " liberalismo libertário".

Os slogans anarquistas "é proibido proibir" e "qualquer tipo de poder corrompe" obscureceram o objectivo estratégico de derrubar o poder do capital e desarmou o movimento, porque é imperioso banir a propriedade privada sobre os meios de produção a fim de abolir a exploração do homem pelo homem e o desemprego.

A reivindicação difusa e generalizada de menos burocracia governamental e mais liberdade tornou-se a bandeira da política burguesa liberal, a qual, naturalmente, foi aplicada por poderosos estados burgueses – junto com o anticomunismo, uma vez que compara o estado burguês ao estado com os trabalhadores no poder.

A glorificação do individualismo em oposição à sociedade opressiva em geral tornou-se o pano de fundo da campanha americana que falava acerca de direitos humanos a serem espezinhados nos países socialistas, a qual evoluiu para a promoção contemporânea da prioridade e protecção dos direitos individuais em relação aos direitos e deveres sociais. É uma linha política profundamente reaccionária que classifica qualquer escolha que prefira o interesse da sociedade como forma de opressão social. Esta linha política oprime e sufoca os direitos dos milhões explorados no capitalismo.

Se aceitarmos e ampliarmos estas posições, dentro de poucos anos estaremos a discutir acerca da protecção dos direitos individuais do estuprador, do pedófilo, do traficante de drogas. E, é claro, esta posição considera sagrado e inviolável o direito à propriedade privada dos meios de produção.

O mito individualista do direito à subjectividade, ou seja, que todos são primariamente responsáveis por si mesmos, foi explorado depois de Maio de 1968 pela organização capitalista do trabalho. Novas formas de organização com o manto da participação activa e da liberalização da iniciativa de cada funcionário aumentaram a competição entre os trabalhadores e a intensificação do trabalho. Eles se concentraram na responsabilidade individual de cada trabalhador para aumentar a lucratividade da empresa.

O verdadeiro papel dos grupos trotskistas

O Movimento de 22 de Março era tão inofensivo para o sistema que o próprio Cohn-Bendit, um estudante de Sociologia, disse então que não tinha um programa definitivo, nem hierarquia, nem estrutura. Os estudantes que seguiam esta linha gritavam " ;abaixo a repressão" ; e " ;imaginação ao poder" ;, essencialmente deixando o poder burguês incólume, permitindo ao estado burguês organizar a exploração e a repressão do povo. Além disso, Cohn-Bendit havia mencionado em várias ocasiões seu próprio anticomunismo convicto.

Este movimento condenou o governo de De Gaulle e o PCF em geral, deixando sistematicamente intacta a social-democracia francesa pró-atlantista. A vaga de slogans " ;libertários" ; que foram lançados serviu na prática o objectivo de mudar o governo.

Esta presença aventureira inicialmente apoiou o grupo trotsquista básico que fora expulso da organização juvenil do PCF França, a qual emergiu como a Juventude Comunista Revolucionária com Alain Krivine como seu líder.

Eles já tinham manifestado sua simpatia pelas forças contra-revolucionárias na Polónia e principalmente na Hungria em 1956. Recusando a possibilidade de construir o socialismo num país como a França, eles adiavam o fomento da revolução socialista para o futuro distante. O programa transicional de luta que eles propuseram concentrou-se na criação da organização do controle dos trabalhadores no território do capitalismo.

As suas críticas ao PCF concentraram-se no facto de que ele subestimava e não incentivava a acção espontânea dos trabalhadores e as formas militantes de luta. Ernest Mandel, seu teórico, avaliando o Maio de 1968, escreveu que a experiência mostrava que, mesmo quando a vanguarda revolucionária não está presente , a experiência prática das contradições capitalistas pelos trabalhadores pode levar à aceleração do desenvolvimento da consciência de classe revolucionária.

Contudo, a experiência não mostra isto. A ausência de uma vanguarda revolucionária efectiva permitiu à classe burguesa neutralizar a ascensão do movimento. O governo burguês utilizou a cenoura – que é a táctica das concessões temporárias às reivindicações económicas do trabalho – e o chicote – repressão com prisões, ferimentos e assassínios e a ameaça ao PCF de estar a conspirar contra a legalidade burguesa.

Mobilizou organizações para-estatais como " ;Comités de Defesa para a Democracia" ;, bem como centenas de milhares de cidadãos que apoiaram De Gaulle em 30 de Maio, com os slogans " ;França para os franceses" ; e " ;O comunismo não passará" ;. As organizações para-estatais até começaram a disparar tiros de advertência, ocasionalmente, do lado de fora de gabinetes locais do PCF e da CGT.

Eles jogaram a carta de declarar eleições antecipadas na qual os gaullistas aumentaram sua percentagem de 38,3% para 46,4%. Durante o período pré-eleitoral, o trabalhador de 18 anos e membro da Juventude Comunista, Marc Lanvin foi assassinado, assim como dois trabalhadores na ocupação da fábrica da Peugeot e um estudante de 17 anos. O PCF que já havia convocado os trabalhadores a deter as greves após a satisfação de suas exigências económicas , estabeleceu como objectivo político a formação de um governo burguês de " ;unidade democrática com os socialistas" ; e declarou que não caía na armadilha que seria libertar as mãos de De Gaulle para um Comité Constitucional. Naturalmente, os acontecimentos mostraram que a classe burguesa francesa não tinha como objectivo um confronto de classe decisivo e administrou facilmente o movimento dos trabalhadores. A Liga Trotskista, formada principalmente pela fracção expulsa da Juventude Comunista, apareceu nas eleições a apoiar o objectivo de formar um governo burguês de cooperação entre o Partido Socialista e o Partido Comunista.

Quanto aos estudantes universitários que em Maio cantavam, " ;sob as pedras do pavimento, a praia" ; desde Junho já haviam começado a partir em busca das praias reais para começarem suas férias de Verão.

Quão rapidamente as lutas militantes do Maio de 68 francês foram dizimadas. Nos anos que se seguiram, a França foi assimilada de forma mais orgânica dentro dos planos imperialistas euro-atlânticos. Cohn-Bendit, que se havia iniciado na Associação de Estudantes Socialistas Alemães, antes de se tornar activo em Nanterre, na França, reapareceu como um político burguês na Alemanha nas décadas seguintes.

O que foi o Maio de 68?

Com base no que discutimos anteriormente, podemos agora extrair algumas conclusões específicas acerca do Maio de 1968 francês.

Maio provou que o próprio desenvolvimento do capitalismo aguça a contradição básica capital-trabalho e objectivamente alimenta a crescente insatisfação da classe trabalhadora, do povo, da juventude dos estratos populares. Revelou que nenhuma política burguesa, nenhuma forma de modernização tecnológica na era do capitalismo monopolista, onde o sistema está apodrecendo, pode cobrir completamente e para sempre o fosso entre as possibilidades de satisfazer as necessidades da sociedade que são crescentes e os sacrifícios daquelas necessidades no altar do lucro capitalista.

Inversamente, à medida que o crescimento das forças produtivas prossegue sob o capitalismo, este fosso só pode tornar-se maior, tanto que pode provar que este caminho não só não conduz como na verdade se opõe à satisfação das necessidades contemporâneas da sociedade que estão a expandir-se e em mutação.

No entanto, o agravamento da situação e o descontentamento da classe trabalhadora não conduzem automaticamente ao amadurecimento da consciência de classe por parte dos trabalhadores e dos estratos populares pobres.

É necessário que uma vanguarda revolucionária exista e actue decisivamente. Esta é, o PC sob o capitalismo, a fim de preparar e liderar a classe trabalhadora organizacionalmente, política e ideologicamente, a fim de concretizar sua missão histórica, a abolição da exploração do homem pelo homem.

Não teria havido uma revolução burguesa na França em 1789 sem os Jacobinos e Robespierre, a revolução de libertação nacional burguesa grega em 1821 sem o Filiki Etaireia, a Revolução de Outubro sem os bolcheviques e Lenine.

Durante o período de Maio de 68, essa conclusão foi realçada pela fraqueza do PCF em efectivamente desempenhar o papel da vanguarda revolucionária, devido ao predomínio da linha reformista, das ilusões parlamentares, do objectivo de formar um governo " ;progressista" ; com social-democracia no território do capitalismo.

Em geral, o PC francês não formulou uma política revolucionária que destacasse a importância do derrube revolucionário do capitalismo e a ascensão ao poder da classe trabalhadora a fim de satisfazer as necessidades da sociedade.

Assim, no período mais vasto de Maio de 1968, a influência das percepções burguesas, pequeno-burguesas e oportunistas foi reforçada e prevaleceram slogans que eram ou inócuos, facilmente integrados ao sistema, ou úteis para o ataque do capital nos anos seguintes com. reestruturações no capitalismo. Deste ponto de vista, o desenvolvimento de outros líderes de Maio no movimento estudantil – como Cohn-Bendit, que mais tarde se tornou um político burguês anticomunista – foram, em essência, completamente naturais.

De modo análogo, no nosso país, experimentámos um protesto aparentemente espontâneo nas praças em 2012, o qual não visava o inimigo real, ele extravasava para fora do movimento do trabalho organizado e, em essência, ajudou o SYRIZA a se elevar ao poder governamental. Neste caso, destacou-se a intervenção de centros organizados que capturam a insatisfação popular direccionando-a para mudanças inócuas de governo. As difusas palavras-de-ordem anti-memorando de 2012 constituíram um ponto de encontro político para as forças do SYRIZA e as da Aurora Douradas.

A classe trabalhadora mostrou em Maio de 1968 sua capacidade de organizar sua luta, de emergir dinamicamente na linha de frente encerrando a produção capitalista, com uma greve geral e tomadas militantes de fábricas. A classe burguesa e o governo De Gaulle só ficaram realmente preocupados quando testemunharam o êxito da greve geral de 10 milhões de trabalhadores após o apelo da CGT e do PCF. Eles ficaram preocupados porque o objectivo aguçado da luta de classes poderia ter impulsionado a liderança do PCF a corrigir sua linha reformista numa direcção revolucionária. Ficaram preocupados porque a classe dominante sabe muito bem qual classe é objectivamente a classe social de vanguarda que pode derrubá-la, uma vez que não tem nada a perder excepto as suas cadeias.

No entanto, apesar da acção militante política e sindical das forças do PCF, sua linha foi essencialmente o que restringiu o movimento do trabalho às reivindicações de alívio económico e realocação, com o objectivo sendo uma mudança de governo.

Objectivamente isto facilitou as manobras do governo De Gaulle, que administrou com concessões económicas temporárias para neutralizar a dinâmica do movimento e mobilizar forças sociais conservadoras sob a bandeira da governação burguesa.

A intervenção do núcleo oportunista, grupos trotskista e maoista, ajudou objectivamente no desarmamento político do movimento. O anti-sovietismo, a rejeição da luta pela vitória da revolução socialista em um país, ao nível nacional, a projecção da dinâmica das acções trabalhistas espontâneas, um programa de transição que se concentrava no controle operário e na gestão amistosa das pessoas no terreno do capitalismo foram alguns dos elementos básicos da sua linha oportunista. Deste modo, o Liga de Maio trotsquista começa como a cauda e inofensiva do movimento de 22 de Março, o qual clama por um levantamento sem conteúdo político específico que leva ao apoio do objectivo da cooperação entre socialistas e comunistas nas eleições que tiveram lugar a seguir.

Foi uma revolução?

Maio de 1968 recorda-nos também que os estudantes universitários e os jovens não constituem uma classe separada, com interesses objectivos uniformes. Suas diferentes origens de classe, mas principalmente as diferentes perspectivas de classe para os graduados, após a sua organização em massa nas universidades, o perigo do desemprego e a tendência de proletarização futura para muitos deles, desempenharam um papel nas revoltas, na luta e na radicalização do movimento estudantil universitário. Salientou mais uma vez que a questão decisiva é a substancial cooperação do movimento estudantil com o movimento operário com orientação de classe , contra as políticas e o poder da classe burguesa.

Como foi mencionado anteriormente, isto nos permite responder com maior clareza às questões sobre o conteúdo político do de Maio de 1968 francês e avaliar se este poderia ter evoluído de modo diferente. Maio de 68 não exprimiu um ataque planeado e organizado da classe trabalhadora e seus aliados para o derrube do poder capitalista

Por um lado, as condições objectivas que teriam permitido isto não existiam completamente; ainda não existia uma situação revolucionária. Por outro lado, o PC não traçou uma política revolucionária que pudesse liderar o movimento do trabalho nesta direcção, devido à sua estratégia reformista.

Houve no entanto um aguçamdento do conflito de classes, houve um aumento significativo no movimento dos trabalhadores que objectivamente criou condições favoráveis para uma escalada na luta de classe na direcção do conflito e do derrube do poder do capital. O que estamos a descrever esquematicamente como " ;situações não-revolucionárias" ; não é estático, imutável, uma situação fixa.

É claro que o momento em que uma situação revolucionária se manifesta não pode ser previsto com precisão, nem depende da vontade da vanguarda revolucionária. No entanto, a acção do PC e do movimento operário revolucionário tem um efeito e é registada na mudança das condições objectivas. O equilíbrio de forças entre as classes não muda por si mesmo como um fenómeno natural, nem por um milagre. Ele muda com base no curso e no resultado da luta de classes, que é naturalmente travada sob condições específicas que dizem respeito ao aguçamento da contradição básica e às contradições intra-burguesas.

A importância desta interacção entre as condições objectivas e os factores subjectivos destaca de modo positivo a vitória da Revolução de Outubro de 1917 e de modo negativo o resultado das lutas de Maio de 68.

Examinando o período com base nos critérios leninistas para uma condição revolucionária, podemos confirmar:

A partir dos factos que temos, não se pode documentar que em Maio de 68 tivesse objectivamente sido atingida em França o ponto onde " ;os que estão no poder não podem mais governar como antes" ; , isto é, que a desestabilização da dominância política da classe burguesia tivesse aparecido. Contudo, a dificuldade de administrar politicamente as crescentes necessidades sociais havia aumentado e enfraquecido a hegemonia burguesa. As contradições intra-imperialistas entre os EUA e a secção da classe burguesa francesa que apoiava De Gaulle haviam-se aguçado. Os EUA apoiaram os políticos social-democratas franceses e intervieram de modo a que o movimento tomasse uma direcção contra o governo De Gaulle. Apesar disso, o estado burguês, o exército, a polícia e os tribunais, todos funcionaram decisivamente e portanto não foram perturbados. O governo mobilizou centenas de milhares dos seus apoiantes.

O mês de Maio de 68 não apresentou uma deterioração espectacular e generalizada nas vidas da classe trabalhadora e da juventude. Contudo, tornou-se mais claro que o desenvolvimento capitalista não leva à satisfação das necessidades sociais contemporâneas, mas ao aumento do desemprego, da insegurança e da pobreza relativa. O relativo empobrecimento da classe trabalhadora em relação à riqueza que ela produz aumentou.

Em Maio de 68, assistimos a um aumento dramático na atmosfera militante, na militância, na difusa radicalização superficial de uma " ;grande massa vinda de baixo" ;, da classe trabalhadora e dos estudantes universitários, mas isso naturalmente não era suficiente para uma grande mudança no equilíbrio de forças a verificar-se à custa da classe burguesa, que marca uma situação revolucionária.

Contudo, isto não alivia o PCF das suas grandes responsabilidades pelo resultado da luta de classe e pela rápida desintegração do movimento. Certamente as condições não estavam maduras para que ele liderasse de imediato uma insurreição revolucionária armada. No entanto, poderia e deveria ter escalado e aprimorao a luta política do movimento trabalhista, visando o inimigo real, o poder da classe burguesa, abrindo e aprofundando a fenda na sua dominância política. Poderia ter corrigido sua linha reformista e politicamente "fertilizado" o entusiasmo militante que surgiu em muitas tomadas de fábricas.

Poderia ter propagado abertamente o slogan " ;trabalhador, você pode administrar sem patrões" ; para os trabalhadores que gritavam: " ;dez anos é suficiente sob De Gaulle" ; e para os estudantes que escreviam nas paredes: " ;Imaginação ao poder" ;. O fraco slogan radical " ;as fábricas para os trabalhadores" ; já era ouvido, o que mostrava haver espaço para avançar em direcção ao poder para os trabalhadores. Poderia ter corrigido sua linha reformista das ilusões parlamentares sobre um governo burguês progressista dentro da própria luta de classe.

Sem decepções

O curso de Maio de 1968 acima de tudo nos ensina os termos necessários para um PC continuar a ser a vanguarda revolucionária da classe trabalhadora. Este papel não é simplesmente entregue e nem é concedido de uma vez por todas pela História. A fim de que todo PC, em acção e não em palavras, permaneça uma vanguarda revolucionária, estuda contínua e auto-criticamente a experiência histórica da luta de classe, para interpretar os desenvolvimentos contemporâneos, elaborar a estratégia ideal que esclarecerá a necessidade da revolução socialista, do socialismo, para a satisfação das necessidades sociais contemporâneas. Para mapear militantemente a política ideal que ajudará na escalada da luta de classe, para aprofundar e ampliar seus laços com a classe trabalhadora e os estratos populares pobres, para estabelecer uma orientação anti-capitalista dentro do movimento do trabalho, para contribuir para a construção de alianças sociais.

Nosso Partido se esforça persistentemente todos os dias por responder a todas estas tarefas. Somos ensinados pelos 100 anos de luta e sacrifícios do heróico KKE, mas também pela experiência – positiva e negativa – do Movimento Comunista Internacional.

Ao estudar momentos históricos importantes, como o de Maio de 68 em França, não sentimos qualquer decepção quanto às lutas que supostamente foram perdidas.

A partir de Maio de 1968, temos em nossas mentes a imagem de centenas de milhares de trabalhadores e estudantes que marcharam juntos no mesmo caminho no coração do capitalismo desenvolvido, cantando A Internacional. E continuamos a luta por este mesmo caminho, até o fim, para que a classe trabalhadora finalmente tome o poder, na vida real e não nas nossas imaginações!

[*] Intervenção no Festival de Estudantes Universitários da KNE, na Ática, em 16/Junho/2018.

A versão em inglês encontra-se em inter.kke.gr/en/articles/What-have-we-learned-from-May-of-68/


Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
03/Jul/19