Taser, a arma "não letal" que mata
Só no Estados Unidos e no Canadá o Taser já matou 167
pessoas desde 1999
por RAIDH
[*]
Réseau d'Alerte et d'Intervention pour les Droits de l'Homme
No momento em que a atribuição de armas Taser a mais de 5000
agentes policiais franceses está iminente, o RAIDH inquieta-se com as
consequências da escalada de violência que a
introdução destas pistolas de electrochoque provocará, dez
dias depois da morte por electrocução de Ziad Benna e Bouna
Traore...
Nos próximos dias, o
Taser X26
, uma arma que envia uma descarga
eléctrica de 50 mil volts e paralisa o sistema nervoso da vítima
durante vários segundos, será posto à
disposição de 3000 polícias e 2000 gendarmes.
Ver os efeitos destas armas sobre:
um porco
um touro
uma pessoa em estado ébrio
uma manifestante
(imobilizada no solo)
uma mulher que se recusa a descer do seu carro
(1º tiro de taser após 30 segundos!)
outros vídeos e material de campanha
Informados pelo RAIDH acerca do próximo equipamento das forças
policiais com pistolas de electrochoques paralisantes e dos seus perigos, 12
parlamentares franceses apresentaram perguntas escritas ao ministro do Interior
em 12 de Junho último.
Mas, desde então, não houve qualquer resposta do
Ministério do Interior. E os resultados do
relatório de experimentação
do Taser, testado a partir de Janeiro de 2004
sobre 130 pessoas em França, permanecem secretos.
Assim, os parlamentares Nicole Borvo Cohen-Seat, senadora (PS) Monique
Cerisier-Ben Guiga, senadora (PS) Yves Détraigne, senador (UDF) Francis
Hillmeyer, deputado (UDF) Jean Gaubert, deputado (PS) Yvan Lachaud (UDF) Bruno
Le Roux (PS) François Liberti (CR) Martine Lignières-Cassou (PS)
François Marc Sénateur (PS) Christophe Masse (PS) Bernard Piras,
senador (PS) Ivan Renar, senador (PCF) manifestaram as suas
preocupações face aos perigos que a introdução das
pistolas eléctricas de electrochoques paralisantes faz correr a todos.
Eles manifestaram ao ministério o seu desejo de ver publicado o
relatório da experimentação destas armas durante o
período de testes.
Por sua vez, as senadoras Nicole Borvo Cohen-Seat e Monique Cerisier-Ben Guiga
exigem igualmente "uma moratória imediata às encomendas de
Taser efectuadas pelo ministério no quadro do concurso".
Paralelamente, Ivan Renar sugere ao ministro do Interior a
proibição da venda livre destas armas.
Uma pistola de electrochoques paralisantes deixa menos vestígios do que
um cassetete, provoca sofrimentos agudos e será susceptível de
ser utilizado para intimidar, humilhar ou fazer falar suspeitos, detidos,
prisioneiros ou simples cidadãos. Nestas condições, esta
pistola parece uma arma de tortura no sentido da Convenção das
Nações Unidas contra a tortura, de 1984. A França, tendo
ratificado este instrumento em 1986, está na obrigação de
prevenir todo acto de tortura que poderia ser cometido sobre o seu solo. Ao
dotar forças policiais, em constante contacto com a
população, de pistolas de electrochoques paralisantes, nossas
autoridades tornam-se culpáveis de falta de vigilância e
expõem a população francesa a sofrimentos extremos e
injustificados.
O RAIDH pretende continuar a denunciar os riscos que a difusão de tais
pistolas na nossa sociedade faz correr a toda a população. O
RAIDH apela a todos os cidadãos a aderirem à
mobilização para que todos sejam informados dos perigos que
representam estas armas, as quais são entregues àqueles que tem a
obrigação primária de nos proteger.
A
petição Taser
do RAIDH já conta com mais de 1500 signatários.
Não deixaremos que as últimas agressões à
polícia e o "aniversário" dos tumultos sirvam de
pretexto fácil para uma utilização generalizada do Taser.
PS: Para ver as perguntas e respostas dos parlamentares
tecle "taser" na seguinte URL da Assembleia Nacional:
http://questions.assemblee-nationale.fr/questions.asp
ou mais simplesmente teclar "taser" no formulário de questões
do Senado:
http://www.senat.fr/basile/rechercheQuestion.do?
18/Outubro/2006
Relatório completo do RAIDH sobre o Taser em
http://www.raidh.org/taserraidhweb.pdf
(2706 kB)
O original encontra-se em
http://www.raidh.org/
Esta notícia encontra-se em
http://resistir.info/
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