Acerca do referendo-relâmpago
por Dimitris Koutsoumbas
[*]
Saudamos as milhares de pessoas que seguiram o apelo do KKE a não ceder
à chantagem. Saudamos em particular as eleitoras e eleitores que
inseriram o boletim do KKE com a sua proposta de formulação da
pergunta para o referendo feita no Parlamento mas bloqueada pelo governo. Com
isso, o povo foi privado do direito de votar sobre esta proposta, foi-lhe
retirada a possibilidade de poder escolher entre várias propostas.
Face à pergunta parcelar e contraditória do
referendo-relâmpago, parte da população conseguiu
evitar a confusão, dar uma primeira resposta com boletins nulos ou
brancos, ao passo que um grande número de pessoas ficaram à
margem deste voto, quanto mais não fosse por causa de dificuldades
financeiras e dos custos demasiado elevados dos transportes para se deslocaram
aos locais de votação.
Desde a decisão tomada de organizar o referendo, constatámos, com
razão, que independentemente da questão do voto, não pode
haver soluções alternativas, verdadeiramente positivas para o
povo, no quadro da UE, das vias capitalistas, do reconhecimento das
dívidas. Todas as outras forças políticas, tanto no campo
do NÃO como no do SIM apresentam soluções incluídas
neste quadro. Elas encontram-se todas a defender a necessidade de se conformar
às regras da UE, a defender os interesses das partes do capital que elas
representam respectivamente.
Dirigimo-nos particularmente às eleitoras e eleitores que hoje votaram
pelo NÃO e acreditaram que poderiam assim ser posto um fim à
política de austeridade, que poderiam resistir eficazmente às
medidas mais duras e ao memorando. Apelamos a todos aqueles que hoje se sentem
reforçados pela vitória do NÃO a não permanecerem
passivos e a não validar a tentativa do governo de transformar este
NÃO num SIM para novos acordos anti-populares. Nós lhes
estendemos a mão para os combates que hão de vir contra o
agravamento das suas condições de vida.
Paralelamente, dirigimo-nos também às eleitoras e aos eleitores
que votaram SIM sob a pressão do seu empregador, sob o medo do
encerramento dos bancos, com a ideia de proteger seu salário,
pensão e algumas economias. Apelamos a que reflicta de novo no seu voto,
a resistir a partir de hoje às chantagens, a não deslizar para
direcções conservadoras e reaccionárias, a não
trazer água ao moinho dos partidos anteriormente no governo.
O governo de coligação SYRIZA-ANEL não deve poder ousar
utilizar o resultado do referendo para infligir ao nosso povo novos e pesados
sacrifícios, novos memorandos válidos duradouros. Os acordos que
o Sr. Tsipras prometeu assinar, na base da sua proposta de três dias
atrás às "três instituições", ou
seja, à Troika, conduzem, com uma precisão matemática, a
um novo memorando ainda pior. Ele legitima assim os memorandos anteriores,
inclusive as leis que os puseram em aplicação e, ainda mais
grave: não hesita em conduzir o povo para uma verdadeira falência.
A outra alternativa possível, de que a Troika falou, ou seja um caminho
de saída do euro, representa igualmente uma opção que
atingiria somente a classe operária e as outras camadas populares.
É mais urgente e necessário que o movimento e o povo retomem
maciçamente a proposta do KKE de saída da crise. As
condições prévias: a socialização dos
monopólios, o desligamento da UE, a denúncia unilateral da
dívida, o estabelecimento de uma planificação central
científica para o desenvolvimento da sociedade, para o povo, com o povo
realmente no poder. O KKE estará na primeira fila de todos os combates
do nosso povo no período que está para vir. Continuaremos a
reforçar o carácter anti-monopolista e anti-capitalista da luta,
sua junção com o KKE.
Organizemos e preparemos a resistência, a disposição para
resistir na eventualidade de novos desenvolvimentos negativos. Apoiemos os mais
fracos, os desprezados. Organizemos iniciativas para ajudar as famílias
das camadas populares a sobreviver, com comités de acção
nos lugares de trabalho, nas empresas, nos hospitais, nos supermercados, nos
escritórios, com comités populares nos bairros, com grupos de
solidariedade e de entre-ajuda, com grupos e comités de controle.
Nossa resposta à tentativa de polarização e divisão
do povo reside na unidade da classe operária, na difusão das
posições de classe no movimento, no reforço da
força popular. A proposta do KKE reúne a maioria do povo no
presente e para o futuro, contra o verdadeiro inimigo, a UE, o capital e sua
dominação.
Atenas, 5 de Julho de 2015
Resultados finais do referendo
:
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NÃO:
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61,31% dos votos válidos
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SIM:
|
38,69% dos votos válidos
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Nulos:
|
5,046%
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Brancos:
|
0,75%
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taxa de participação:
|
62,5%
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[*]
Secretário-geral do CC do KKE.
A versão em francês encontra-se em
www.solidarite-internationale-pcf.fr/...
Esta declaração encontra-se em
http://resistir.info/
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