A hora de Putin está próxima
por Paul Craig Roberts
Vladimir Putin é o líder mais impressionante no cenário
mundial. Ele sobreviveu e ascendeu numa Rússia corrompida por
Washington e Israel durante os anos Yeltsin e restabeleceu a Rússia como
potência mundial. Ele tratou com êxito da agressão
americana/israelense contra a Ossécia do Sul e contra a Ucrânia,
incorporando, a pedido da Crimeia, aquela província russa de volta
à Mãe Rússia. Ele tem tolerado insultos e
provocações intermináveis de Washington e do seu
império sem responder da mesma forma. Ele é
conciliatório e um pacificador a partir de uma posição de
força.
Ele sabe que o império americano, baseado na arrogância e na
mentira, está a fracassar na óptica económica, social,
política e militar. Ele entende que a guerra não serve a nenhum
interesse russo.
O assassinato de Qasem Soleimani, um grande líder iraniano, na verdade
um dos raros líderes da história mundial, empanou a
liderança de Trump e focou os holofotes sobre Putin. O cenário
está preparado para Putin e a Rússia assumirem a liderança
mundial.
O assassinato de Soleimani é um acto criminoso que poderia
começar a Terceira Guerra Mundial, tal como o assassinato sérvio
do arquiduque austríaco desencadeou a Primeira Guerra Mundial.
Só Putin e a Rússia, com a ajuda da China, podem travar esta
guerra que Washington pôs em movimento.
Putin entendeu que a desestabilização da Síria pretendida
por Washington/Israel visava a Rússia. Sem advertência
prévia a Rússia interveio, derrotou as forças por
procuração financiadas e armadas por Washington e restaurou a
estabilidade na Síria.
Derrotados, Washington e Israel decidiram ultrapassar a Síria e levar o
ataque à Rússia directamente ao Irão. A
desestabilização do Irão serve tanto a Washington quanto a
Israel. Para Israel, o fim do Irão interrompe o apoio ao Hezbollah, a
milícia libanesa que derrotou duas vezes o exército de Israel e
impediu a ocupação de Israel do sul do Líbano. Para
Washington, o fim do Irão permite que jihadistas apoiados pela CIA
tragam instabilidade à Federação Russa.
A menos que Putin se submeta à vontade americana e israelense, ele
não tem outra opção excepto bloquear qualquer ataque de
Washington/Israel ao Irão.
Para Putin, o modo mais fácil e mais limpo fazer isso é anunciar
que o Irão está sob a protecção da Rússia.
Esta protecção deveria ser formalizada num tratado de defesa
mútua entre Rússia, China e Irão, talvez com a
adição da Índia e da Turquia como membros. Isto é
difícil para Putin, porque historiadores incompetentes convenceram-no de
que as alianças são a causa da guerra. Mas uma aliança
como esta impediria a guerra. Nem mesmo o insano criminoso Netanyahu e os
enlouquecidos neoconservadores americanos, mesmo quando completamente
bêbados ou iludidos, declarariam guerra ao Irão, Rússia,
China e, se incluídos na aliança, à Índia e
Turquia. Isto significaria a morte da América, de Israel e de qualquer
país europeu suficientemente estúpido para participar.
Se Putin for incapaz de se libertar da influência de historiadores
incompetentes, que de facto estão a servir os interesses de Washington,
não da Rússia, ele tem outras opções. Ele pode
tranquilizar o Irão, oferecendo-lhe os melhores sistemas russos de
defesa aérea russa, com equipes russas para treinar os iranianos e cuja
presença serviria como uma advertência a Washington e Israel de
que um ataque às forças russas é um ataque à
Rússia.
Uma vez feito isto, Putin pode então insistir em mediar. Este é
o papel de Putin, pois não há nenhum outro com poder,
influência e objectividade para mediar.
A tarefa de Putin não é tanto resgatar o Irão, mas remover
Trump de uma guerra perdida que o destruiria. Putin poderia estabelecer seu
próprio preço. Por exemplo, este preço poderia ser o
renascimento do tratado
INF/START
, o tratado de mísseis anti-balísticos, a remoção
da NATO das fronteiras da Rússia. Na verdade, Putin está
posicionado para exigir o que quiser.
Mísseis iranianos podem afundar qualquer navio americano em qualquer
lugar próximo do Irão. Mísseis chineses podem afundar
qualquer frota americana em qualquer lugar perto da China. Mísseis
russos podem afundar frotas americanas em qualquer lugar do mundo. A
capacidade de Washington de projectar poder no Médio Oriente agora que
toda a gente, xiitas e sunitas e antigos agentes de Washington como o ISIS,
odeia os americanos com paixão é nula. O Departamento de Estado
teve de ordenar aos americanos saíssem do Médio Oriente. Como
Washingon pode contar como uma força no Médio Oriente quando
nenhum americano está seguro ali?
É claro que Washington é estúpido na sua arrogância
e Putin, China e Irão têm de considerar isso. Um governo
estúpido é capaz de arruinar não só a si
próprio como também os outros.
Assim, há riscos para Putin. Mas também há riscos para
Putin em deixar de assumir o comando. Se Washington e Israel atacarem o
Irão, o que Israel tentará provocar por algum evento de bandeira
falsa como afundamento de um navio de guerra americano para culpar o
Irão, a Rússia estará em guerra de qualquer maneira.
É melhor a iniciativa estar nas mãos de Putin. E será melhor para o
mundo e a vida sobre a Terra a Rússia estar no comando.
04/Janeiro2020
O original encontra-se em
www.paulcraigroberts.org/2020/01/04/putins-hour-is-at-hand/
Este artigo encontra-se em
https://resistir.info/
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