O rodopio da morte
por Imad Khadduri
"Uma companhia dos Marine Reserve que era conhecida como
'Lucky Lima'
antes de sofrer pesadas baixas no mês de Maio foi atingida quarta-feira
pela mais mortal armadilha de estrada da guerra do Iraque, uma explosão
maciça que matou 14 Marines e o iraquiano intérprete da unidade,
segundo testemunhas e porta-vozes militares" (Washington Post,
14 Marines Die in Huge Explosion in Western Iraq
, 04/Agosto/2005)
Dê uma olhadela à dimensão de um Armored Assault Amphibious
Vehicle (
Amtrac
):
Será que nele podem caber 14 pessoas?
Então, o que foi que realmente aconteceu aos 14 Marines americanos (e um
intérprete iraquiano) mortos? Como é que desta vez o
verdadeiro número
de soldados americanos mortos é anunciado pelo
Departamento da Defesa?
Esta é a versão da Resistência Iraquiana acerca do que
aconteceu a estes soldados:
"Hoje, oficiais do Pentágono concluíram que foi uma bomba
maciça à beira da estrada que matou 14 Marines na cidade
ocidental de Haditha! Algumas pessoas ficaram espantadas e surpresas com o
anúncio desta notícia. Muitos de nós multiplicámos
este número por 4. Todas as pessoas tinham razão quanto à
sua surpresa e expectativa. Mas onde está a verdade? Por que a
administração americana e os oficiais do Pentágono se
pronunciam agora e reconhecem a grande perda numa operação? O
que se segue a esta declaração que desapontou a opinião
pública americana incluindo aqueles eram pro-Bush e estavam a rufar os
tambores de guerra?
A resposta chave a estas questões está no povo de Haditha, que
testemunhou todo o acontecimento ou pelo menos uma parte dele. Aqui
está o que eles disseram ontem. E as suas histórias foram
confirmadas hoje pelo pronunciamento americano.
A seguir à retirada das tropas americanas de Haditha e Haglania, em
resultado de um fogo maciça e corajoso assalto das forças de
resistência iraquiana, os Marines americanos sequestram alguns homens
idosos, um garota e alguns homens que estavam a orar em mesquitas das
proximidades e mantiveram-nos como refens. Os americanos também
observaram a retirada e redisposição da resistência
combatente em torno das cidades e por trás das linhas inimigas. Os
Marines derrotados haviam tentado no dia anterior capturar combatentes da
resistência em emboscadas. Contudo, eles não sabiam que estavam a
ser observados permanentemente desde que entraram na área pelo
reconhecimento da resistência. Os combatentes da resistência
atacaram então os Marines, mataram três e tomaram dez deles como
prisioneiros de guerra, cinco dos quais eram oficiais de engenharia. Os
combatentes da resistência libertaram um soldado Marine ferido a fim de
deixá-lo ir e informar os seus comandantes que estavam na
área vizinha de que os combatentes estavam prontos a negociar a
libertação dos americanos se estes estivessem dispostos a
libertar os idosos e a garota de Haditha que haviam sido tomadas como
reféns pelos Marines em retirada.
Os criminosos Marines responderam à resistência combatente com um
novo ataque, utilizando todas as espécies de armas incluindo
helicópteros e canhoneiras
(cannon boats)
numa tentativa de cercar os combatentes da liberdade. Os bravos combatentes
da liberdade iraquianos responderam aos ataques e perderam quatro dos seus
camaradas. Eles então retiraram-se e levaram consigo os dez
prisioneiros americanos. Os combatentes da liberdade perceberam que as
forças americanas não respeitavam ou mesmo tentavam preservar as
almas dos melhores dos seus oficiais e soldados. Eles também recordaram
os crimes cometidos pelas forças americanas e pela inteligência
contra prisioneiros de guerra iraquianos poucos meses atrás.
Nomeadamente, os americanos torturaram e mataram a sangue frio alguns
combatentes da resistência iraquiana capturados em combate e
lançaram-nos no rio sobre a Ponte Haditha-Haglania, que agora é
chamada a ponte dos mártires. Os combatentes iraquianos pela liberdade
não tiveram então outra escolha senão matar os
prisioneiros de guerra americanos e lançá-los ao rio do mesmo
modo que os americanos haviam feito anteriormente da mesma ponte
só para recordá-los dos crimes que haviam cometido contra os
prisioneiros de guerra iraquianos e deixá-los assumir a responsabilidade
pelas perdas de vida dos seus camaradas em resultado da sua recusa em negociar
os termos para a sua libertação segura.
Agora, o que estão as fazer as forças americanas quando a maior
parte dos seus oficiais já foi informada acerca do que aconteceu? A
morte dos dez oficiais americanas que eram considerados serem dos
melhores , podia ter sido impedida. Como a administração
americana pararia ou impediria a difusão deste escândalo entre as
suas forças? Como encobriria a morte de dez dos seus melhores oficiais
a qual havia ocorrido diante dos olhos de centenas de Marines e habitantes de
Haditha e Haglania? Eles não eram mercenários da América
Latina, Sudeste Asiático ou África, eles eram americanos! Assim,
a criminosa administração americana preferiu anunciar a sua morte
hoje, 36 horas após as suas mortes! A estória falsificada acerca
das suas mortes por uma bomba à beira da estrada foi concebida para
encobrir o fracasso para poupar as suas vidas. O próximo passo que se
espera ser tomado pela força de ocupação americana a
seguir a este anúncio é o afã por um novo crime de guerra
contra os civis inocentes em Haditha e Haglania, como um acto de
vingança covarde a fim de desviar a atenção dos mass media
para longe do seu fracasso e indisponibilidade para resgatarem seu
colegas".
The True Story behind the Killing of 14 U.S. Marines in Haditha
, 04Agosto/2005.
05/Ago/05
O original encontra-se em
http://abutamam.blogspot.com/2005/08/spinning-death.html
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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