Resposta às declarações de Obama em 27/Fevereiro/2009
quanto ao fim da ocupação do Iraque

por Rafidan - Comité Político Bagdad

Cartoon de Latuff. Boa Noite,

Em relação às declarações do Presidente Barak Hussain Obama, presidente dos Estados Unidos da América, o Comité Político de várias facções da Resistência Iraquiana, em particular aquelas mais activas na nossa frente, responde com o nosso ponto de vista acerca dos conteúdos desse discurso.

Ao longo dos últimos quarto meses, enquanto a batalha do nosso povo continua a libertar o Iraque de toda a ocupação estrangeira, temos estudado os movimentos em marcha assim como analisado dados de modo a avaliar a próxima estratégia que a administração dos EUA seguirá sob a liderança da nova presidência.

Havíamos formulado o nosso próprio plano de acção baseado no acima mencionado, mas escolhemos dar ao novo presidente tempo suficiente para ponderar e avaliar uma quantidade suficiente de relatórios e briefings que lhe dessem uma imagem real dos desenvolvimentos diários no terreno.

Presidente Obama, depois de ouvirmos o seu discurso a 27 de Fevereiro de 2009, no qual declarou o seu conhecimento geral e público da corrente Guerra contra o nosso povo, e deu ao seus militares e ao honrado povo dos Estados Unidos breves ideias acerca das suas intenções quanto ao nosso país, sentimos o espírito do discurso de um dos seus antecessores, o presidente JFK, a 20 de Janeiro de 1961, na sua tomada de posse. Naquele discurso, ele oferecia a um mundo turbulento uma saída para as tensões e pagou com o seu próprio sangue por desafiar os interesses daqueles que nos vossos sucessivos governos tomam as verdadeiras rédeas do poder. Aqueles que farão tudo para preservar os seus interesses, riqueza e poder para criar guerras e conflitos.

Mencionamo-lo honestamente, tendo em vista espalhar a consciência e memória que um novo César pode ser traído pelos seus, se escolher um caminho diferente. Acreditamos, por outro lado, que o espírito do discurso foi bem escolhido.

Ouvimos e tomámos nota dos planos económicos para o vosso país, divulgados ainda antes do seu discurso, e embora possam parecer ambiciosos, acreditamos que se as intenções forem genuínas no vosso Congresso, um número considerável de objectivos que procura alcançar serão eventualmente atingidos, mas no caso de falha, os republicanos procurarão um bode expiatório. Neste caso seria a sua administração. Isso garantir-lhes-ia um rápido regresso ao poder.

Herdou uma nação em guerra, uma economia fracassada e um povo desesperado que está a pagar o grosso da crise económica para a qual não contribuiu, assim com milhares de jovens mortos e mutilados.

Nós herdámos uma ocupação estrangeira, inúmeros inocentes mortos, feridos e mutilados, milhões de refugiados, em essência, Sr. Presidente, a desintegração completa e planeada da nossa nação e do nosso povo.

Acreditamos que os fundos desperdiçados nesta guerra teriam sido mais úteis se tivessem sido gastos em pesquisa para desenvolver fontes energéticas alternativas, que sem dúvida contribuiriam para reduzir conflitos energéticos e curas para o cancro, soluções agrícolas para prevenir a pobreza no mundo, avanços para desenvolver a África, onde as pessoas ainda morrem de fome e de negligência intencional. Incontáveis causas, todas com necessidade de atenção imediata.

Pela vontade de Deus todo-poderoso, a resiliência dos nossos homens e a paciência do nosso humilde povo, conseguimos até agora paralisar e inutilizar todas as agendas imperialistas preparadas para o Iraque e para a região como um todo. Tudo isso simplesmente escolhendo resistir à ocupação, um direito garantido primeiro por Deus e também pelas convenções internacionais para todos os homens. Um direito que as políticas do seu país continuam a desrespeitar e a desonrar, num claro exemplo de Terrorismo de Estado.

Falou ao nosso povo em parte do seu discurso, e agradecemos-lhe as suas palavras. Mostrou um entendimento da nossa nação muito maior que aquele demonstrado pelo seu antecessor, que preferiu mergulhar profundamente nos oceanos da iliteracia e da ignorância. Apesar de não se ter referido à resistência iraquiana no seu discurso, tendo escolhido etiquetar-nos como terroristas juntamente com aqueles que aqui chegaram junto com as vossas tropas, poremos isso de lado por agora, apenas para mencionar alguns factos para registo.

1 – O povo do Iraque a quem se dirigiu, em todas as suas cores e religiões, recusa a vossa ocupação e aqueles que a aceitam são aqueles que beneficiam dela.

2 – Os iraquianos a quem de dirigiu, ou pelo menos esperamo-lo, não são aqueles que se banham nas riquezas da traição, atrás das vossas muralhas da zona verde, nem são aqueles como Ahmed Al Chalabi, com quem o vosso antigo governo conspirou em becos escuros nas traseiras de hotéis de 5 estrelas nos EUA e na Europa antes da vossa ocupação.

3 – O povo iraquiano a quem falou são aqueles que nunca vos convidaram à ocupação, e tentavam sobreviver o melhor possível com o que havia, sob as sanções criminosas que duraram 13 anos para apenas serem coroadas com uma ocupação estrangeira com actos criminosos sem paralelo no mundo de hoje.

Presidente Obama, o sofrimento que o nosso povo teve de aguentar está além da compreensão. E os infinitos crimes que as vossas tropas, assim como aquelas de países vizinhos, cometeram, simplesmente não podem ser desfeitas ou esquecidas, nem varridas para baixo do tapete. As vossas tropas continuam a ocupar a nossa terra e a matar inocentes. É por isso que apenas podemos dirigir-nos a si como presidente de uma nação ocupante.

O povo iraquiano está desapontado com o seu plano. O povo esperava que as vossas tropas deixassem o nosso país totalmente e não apenas em parte. O nosso povo esperava um fim completo da ocupação e não o cumprimento de um tratado estratégico que foi aprovado contra a sua vontade nos últimos dias do seu antecessor.

O nosso povo, assim como a maioria dos povos por todo o mundo, e no seu próprio país, querem ver o antigo presidente ser apresentado à frente de um tribunal internacional de crimes de guerra por todos os crimes que cometeu em nome do vosso país, apenas para benefício daqueles que o levaram ao poder.

Nunca vos convidámos a ocupar-nos, nem pedimos ao vosso país para roubar os nossos recursos para beneficiar as vossas corporações e aquelas de países vizinhos que historicamente estavam sob a vossa influência. Nunca vos pedimos o vosso sangue precioso ou o nosso. Para nós, todo o sangue é precioso, até aquele dos soldados enviados pelo vosso governo sem saberem verdadeiramente por quê estavam a lutar. Isto tem de ser dirigido ao homem que começou esta guerra e que agora está escondido no Texas, enquanto o sr. tenta desfazer os seus estragos.

Nós, Povo Iraquiano e sua resistência, exigimos o seguinte:

1- O cumprimento de todas as condições apresentadas ao vosso governo através de mediadores que enviaram em 2006.

2- A entrega de todos os traidores e colaboradores presentes na zona verde ao povo iraquiano. Serão tratados como qualquer nação trataria casos de alta traição.

3- A compensação completa e justa ao nosso povo pelas perdas que sofreu.

4- A cessação de todas as compensações pagas àqueles que se abrigam sob a vossa protecção, com recursos do nosso país.

5- A devolução de toda a terra roubada ao nosso país.

6- A partida de todas as corporações estrangeiras, em particular nos sectores da energia, comunicações e reconstrução de infraestruturas, especialmente aquelas ligadas a interesses neoconservadores. O nosso povo é mais que qualificado para reconstruir as estruturas e fazer as nossas instituições funcionarem.

7- A entrega de todos os mercenários acusados de matar civis inocentes, em particular empreiteiros de segurança da Black Water e o seu presidente para ser julgado por homicídio.

8- Todos os conselheiros estrangeiros deverão deixar o Iraque com as vossas tropas.

9- O desmantelamento de todas as milícias equipadas pelo vosso país e pelo Irão, a fim de mudar a natureza da batalha no rumo do sectarismo, de modo a permitir às vossas tropas concentrarem-se nas actividades principais da resistência na região central do Iraque.

10- A cessação de todo o apoio ao governo sectário eleito nas eleições orquestradas na zona verde.

11- A redução da influência dos seus aliados persas no Iraque, com os quais o vosso anterior governo trabalhou em contacto estreito e que continuam a financiar a Al Qaeda em nome da vossa agência de inteligência.

12- O regresso à velha constituição do Iraque unificado. A marcação de novas eleições seis meses após a resistência tomar o poder na nação. Estas serão supervisionadas por monitores internacionais credíveis e não aqueles patrocinados pela CIA.

13- As cidades e as províncias devem ser entregues uma a uma, começando com as quatro cidades principais e os aeroportos de Bagdad, Bassorá, Mossul e Kirkuk. O resto cairá imediatamente nas nossas mãos. Para as fronteiras serão tomadas outras medidas.

A lista continua, mas a intenção é dar-lhe uma ideia do que prometemos ao nosso povo alcançar. Em resposta ao cumprimento das nossas exigências, deixaremos de atacar todas as forças de ocupação a retirarem-se para o Sul e para além do posto fronteiriço de Safwan.

Sem estes movimentos claros da vossa parte, lamentamos informá-lo que a resistência do povo do Iraque continuará até que a última bota da ocupação dos EUA/Reino Unido/Pérsia seja atirada através das fronteiras do nosso país.

Se a vossa escolha é a mudança, como afirma, então já deve ter chegado à conclusão de que continuar a lidar com as mesmas pessoas que o seu antecessor nomeou para cumprir o seu trabalho sujo impedirá resultados positivos para os nossos dois povos. Não são os ladrões da zona verde que impedirão a derrota dos vossos militares.

O sr. deve procurar mais afincadamente iraquianos honestos das fileiras do nosso povo, e não colaboracionistas, a fim de alcançar uma solução justa. O sr. também pode reconhecer o direito do povo iraquiano a resistir e pedir publicamente o nosso conselho e representação. O povo iraquiano pretende ser o dono da sua própria casa, como sempre foi. Segundo o plano que declarou, o sr. ainda não entendeu plenamente o Iraque.

Há aqueles que afirmam que uma retirada rápida do Iraque levará à guerra civil, e isso é uma possibilidade, mas também gostaríamos de clarificar que as forças do governo fantoche que foram equipado para derrotar a resistência não se aguentarão, nem conseguirão bloquear os nossos esforços para libertar as nossas cidades, uma a uma, se preciso for. E todos os esforços dos vossos colaboradores de se deslocarem para o Norte e o Sul do país e ali criarem os seus próprios estados federais foram bem estudados e as suas grandes fraquezas serão expostas e esmagadas a curto prazo. Este é um cenário mais realista. É verdade que continuará a ocupação persa, que manterá o seu apoio às milícias, mas nós sabemos que os EUA não podem deixar o Sul, rico em petróleo, para ser ocupado pelo Irão, e prefeririam vê-lo cair nas nossas mãos. Não fazê-lo seria dar demasiado a um aliado que, apesar de próximo, não é de inteira confiança, e iria privar os vossos militares dos fundos necessário para apoiar uma presença de longo-prazo no Iraque e na região. São fundos com que alguns membros do vosso governo pensam ainda poder contar. Fundos que a vossa economia não mais pode suportar no meio da tempestade da economia globalizada que a vossa nação criou para controlar o mundo.

A resistência iraquiana entende bem que os EUA não podiam continuar a vender petróleo ao preço elevado de US$120/barril para cobrir os gastos da sua guerra, uma vez que assim fortalece velhos adversários. Era apenas uma questão de tempo até que a sua táctica fizesse ricochete na política externa. Entende ainda que os EUA não podem continuar a pagar uma ocupação sem depender dos recursos e ganhos locais para cobrir as despesas. Esta é a verdadeira causa da mudança de “Estratégia”, como lhe chamou, Presidente Obama.

Com os preços do petróleo a caírem para valores de mercado realistas e o ocaso das economias de consumo, os preços do petróleo deverão cair para os US$30 por barril, o que também estará a afectar as economias locais dos vossos aliados na região. Como qualquer coisa abaixo dos US$55 por barril torna-se um fardo para estas economias, elas não mais poderão continuar a ajudar-vos, financiando e apoiando a agressão do vosso país na região.

O declínio dos lucros do petróleo, que lhe agradecemos ter mencionado no seu discurso, fará com que seja mais difícil financiar as operações militares no Iraque e é por isso que o número das vossas tropas serão reduzidos. Para alcançar os ganhos previstos anteriormente existem os projectos petrolíferos patrocinados pelas vossas corporações no Sul e as operações de roubo de petróleo dirigidas pelo vosso agente Hamid Jaffar no Norte em colaboração com ONGs de petróleo da Noruega – é isto que os vossos estrategas pensam ainda conseguir.

Sim, Presidente Obama, concordamos consigo que os EUA precisam de uma abordagem mais inteligente, mais sustentável e abrangente, mas tenha a certeza de que os objectivos que o seu antecessor não conseguiu atingir com toda a força bruta militar que empregou, o sr. não atingirá com a mão suave do partido Democrata.

De facto, é mais lógico e prático seguir os programas de energia alternativa que sabiamente lançou, para assegurar a independência da vossa economia do petróleo, assim como a utilização dos avanços em pesquisa e desenvolvimento para empregar os desempregados e apoiar um novo e jovem mercado para uma mudança na dependência energética, acabando por sua vez com a monopolização da energia praticada pelas corporações que controlam e que controlam a estabilidade política e social do mundo, em vez de meramente sonhar que o povo iraquiano lhe entregará de mão beijada os seus recursos.

Por nossa parte, pretendemos nacionalizar e usar os nossos recursos para criar uma base energética diferente e oferecer ao nosso povo uma vida de prosperidade e estabilidade, apoiando ainda a transição energética de outras nações que são dependentes do petróleo, uma missão que cremos ser nobre e válida.

A Resistência Iraquiana não aceitará quaisquer contratos energéticos, de curto ou longo prazo, com os EUA enquanto estes não assegurarem que os direitos do nosso povo são devidamente acautelados. Tudo segundo parâmetros que se baseiem primeiramente em respeito mútuo e só depois em interesses mútuos.

Presidente Obama, é altura de as pessoas em Washington entenderem que não há interesse comum entre um tirano ocupador e uma vítima oprimida de ocupação.

O vosso governo ficaria para sempre no Iraque se os traidores que conspiraram com as vossas sucessivas administrações levassem a sua avante, esfomeando o povo iraquiano até à submissão e forçando-o a receber as vossas tropas ocupantes com flores, como Chalabi vos prometeu. Mas após três guerras e mais de uma década de sanções, houve homens honestos suficientes para derrotarem o exército mais poderoso do mundo e desempenhar um papel relevante na destruição de economia globalizada mais imperialista de sempre desenvolvida pelo capitalismo expansionista.

É com este tipo de gente que está falando, Sr. Obama. E se não lhe foi apresentada esta realidade ao longo dos vários briefings a que assistiu e se não entendeu a verdadeira escala do desastre económico com todas as implicações sociais e geopolíticas da vossa derrota militar no Iraque, então por favor deixe-nos mencionar apenas algumas das maiores realizações que a Resistência Iraquiana prometeu ao seu povo e aos povos livres do mundo e que cumpriu:

1- Prometemos atolar as vossas tropas no Iraque e exaurir a vossa economia até que admitissem a derrota e retirassem as vossas tropas. Isto foi cumprido.

2- Prometemos paralisar totalmente o plano dos EUA para o Médio Oriente, prevenindo a perda de outras vidas inocentes nos nossos países vizinhos, o que foi cumprido.

3- Abraçámos esta guerra e continuamos a lutar em nome do mundo oprimido, que não só ficou parado a assistir ao massacre do nosso povo e à ocupação ilegal da nossa nação, como muitos dos seus líderes participaram e continuam a violentar o nosso povo de fora e de dentro do Iraque, ajudando ao saque dos nossos recursos. Isto, além do apoio das pessoas honestas por todo o mundo.

4- Dentre as pessoas honestas incluem-se cidadãos do seu país, que marcharam dia e noite em apoio ao direito do Iraque de se defender, em marchas que desafiaram intempéries e a atitude criminosa e ignorante dos políticos mundiais. Estaremos para sempre gratos e em dívida para com esses manifestantes. Que deus abençoe essas pessoas, onde quer que estejam. Isto foi cumprido e continua a sê-lo.

5- Entendemos a natureza dos equilíbrios internacionais de poder e, mais importante, previmos a mentalidade primitiva da ocupação, tendo desempenhado um papel importante ao forçar os EUA a aumentarem os preços do petróleo no seu desespero por dinheiro. Com esta acção permitimos que outras potências começassem a levantar-se. Os números nunca mentiram – também isto cumprimos.

6- O povo iraquiano escreveu um novo capítulo em guerra urbana e inventou a arte do combate remoto, dando ao mundo lições e estabelecendo novos métodos para derrotar o exército mais poderoso do mundo. Ao fazê-lo, nisto que é o mais perigoso avanço para a influência global dos EUA, permitiu a todos os povos oprimidos do mundo, que sofrem a influência negativa dos EUA, usarem esta experiência para se libertarem também. Também isto cumprimos.

7- A Resistência já elaborou os seus planos de 2, 5 e 10 anos para os programas de reconstrução do Iraque, que estabelecerão um novo padrão para o desenvolvimento na região e que restabelecerão o Iraque no seu merecido lugar na política mundial e no desenvolvimento humano positivo. Tudo isto mantendo o isolamento dos países vizinhos mais perigosos. Estes planos foram preparados e redigidos nos primeiros meses de 2007 e estão prontos a implementar assim que cesse a ocupação.

8- A Resistência criou um novo campo de batalha, utilizando todas as ferramentas disponíveis para se libertar dos media corporativos contando, informando e educando o mundo acerca da verdadeira natureza desta luta, apresentando a todos os homens e mulheres interessados diariamente relatórios e vídeos da vossa derrota militar em todas as línguas que conseguimos. Pessoas por todo o mundo escolheram por sua própria vontade e com o seu próprio tempo, pessoas de religiões diferentes e de realidades diferentes, escolheram ser soldados nesta ciber-guerra e traduziram tudo o que tínhamos para contar, não pedindo em troca senão a verdade. As verdades da vossa guerra ainda estão por declarar (referimo-nos aos soldados de cartão verde).

9- A Resistência despoletou não apenas o colapso da economia dos EUA, mas também provocou o efeito de dominó que destrói a delicadamente afinada economia global, forçando o regresso ao proteccionismo económico nacional, aos direitos das economias locais e regionais de crescerem e assegurarem uma vida decente, praticando também o seu direito ao desenvolvimento. Todos os vossos esforços para restaurar a economia globalizada não alcançarão o que quer que seja, e os governos fantoche que mantêm a vossa guarda sobre os recursos mundiais eventualmente cairão, um após o outro, enquanto os seus podres se tornam cada vez mais evidentes ao cidadão comum. É por isso que recebe agora relatórios diários da CIA acerca da economia mundial.

ACIMA DE TUDO, E AINDA QUE O SR. PREFIRA IGNORAR A RESISTÊNCIA DO POVO IRAQUIANO E A RESISTÊNCIA DA ALIANÇA GLOBAL DOS LIVRES, PRETENDEMOS PROPOR AO MUNDO COMO PRÓXIMA ETAPA A LIBERTAÇÃO DO PLANETA DA VOSSA DOMINAÇÃO QUANDO FOR O MOMENTO CERTO.

DITO ISTO TUDO, OS MEDIA GLOBAIS QUE VOCÊS AINDA CONTROLAM CONTINUAM A CHAMAR TERRORISTAS A PESSOAS LIVRES E A EQUIPARAR A RESISTÊNCIA À OCUPAÇÃO A ACTOS CRIMINOSOS DE ATACAR CIVIS EM EDIFÍCIOS E ATERRORIZAR A VIDA DOS INOCENTES.

REALMENTE IRÓNICO!! Não obstante, representa o verdadeiro estado de choque em que se encontram os decisores das vossas políticas. Mas tudo isso pode ser revertido se acreditar verdadeiramente em mudança, Sr. Presidente.

A resistência em conjunto com os votos das pessoas amantes da paz no seu país e no mundo levaram-no ao poder. São mais que capazes de deitá-lo abaixo e derrotar a sua nova estratégia, se escolher mentir e seguir os planos do seu antecessor.

Tem de entender que o tempo em que as vossas políticas externas praticavam o despotismo e subornavam as pessoas para submetê-las acabou, e por um tempo considerável. E os vossos políticos e estrategas têm de entender que para serem aceites como uma superpotência têm primeiro de aprender a falar ao mundo com modéstia e respeito, que outros neste planeta têm também o direito de fornecer às suas famílias uma vida decente, o direito à comida e à água, à educação e ao conhecimento, à indústria e ao emprego, livres do vosso despotismo corporativo.

Nós na resistência iraquiana renovamos o nosso voto ao nosso povo e aos nossos irmãos e irmãs na família global, de continuarmos a lutar e a debater-nos para libertar o Iraque e dar a possibilidade aos nossos aliados de seguirem o exemplo.

Enquanto esteve a preparar a vossa nova estratégia de deixar as ruas e as auto-estradas do Iraque para os vossos colaboradores, escondendo as vossas tropas atrás de muralhas de fortalezas e zonas verdes que prepararam para a vossa minimizada presença de longo-prazo, preparámo-nos para responder às vossas novas tácticas e lidaremos com elas de modo adequado.

Lembre-se que esconder-se atrás de muralhas e dentro de fortalezas já não é sustentável na guerra moderna.

As vossas melhores forças de combate, como lhes chamou, estão contra a mais inteligente, flexível, inovadora e honrada resistência auto-sustentada alguma vez vista na humanidade. Asseguramos-lhe que não estamos impressionados com o seu plano e continuaremos a monitorizar os vossos movimentos no terreno, comparando-os com as suas intenções declaradas e relatórios económicos diários. Não existem ocupações amigáveis, e aconselhamo-lo a rever os seus planos de abandonar o Iraque num período de tempo que seja adequado ao nosso povo e não aos vossos agentes na zona verde.

E se precisar falar com iraquianos honestos, sabe muito bem onde encontrá-los. John F. Kennedy também disse “Nunca negociemos por medo, mas também não tenhamos medo de negociar”.

Escolheu negociar com todos os parceiros que trabalharam com o seu antecessor e que provocaram todas estas catástrofes, decidindo ignorar os únicos que lhe podem oferecer um desfecho decente.

Boa Sorte, Presidente Obama!

Radfidan – Comité Político Baghdad, República do Iraque

28 de Fevereiro de 2009


O original encontra-se em http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=12552 .
Tradução de João Camargo (as deficiências do texto devem-se à versão em inglês do qual foi traduzido).


Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

11/Mar/09