Os princípios do poskeynesianismo
Tal como a economia marxista ou a convencional, a economia keynesiana tem
várias correntes. Há
uma economia keynesiana vista dentro dos parâmetros da economia de equilíbrio geral
, onde as mudanças nos rendimentos e gastos, o consumo e o investimento,
as taxas de juro e o emprego tenderão a um equilíbrio entre o
emprego e a inflação,
desde que não existam "choques" exógenos que afectem a economia de mercado
.
Isto é o que
Joan Robinson, seguidora de Keynes
, chamou "keynesianismo bastardo". Uma corrente que elimina todas as
características radicais da economia keynesiana que, para Robinson,
politicamente uma quase maoista, partia de que não se podia conseguir
automaticamente o pleno emprego nas economias "de mercado" modernas.
É mais provável que haja um equilíbrio de subemprego; e
que isto se deva à
incerteza
sobre o futuro dos capitalistas na hora de tomar decisões de
investimento e à
irracionalidade
de "agentes" económicos como os consumidores e os
capitalistas.
Esta visão radical da economia keynesiana chegou a denominar-se
pós-keynesianismo (PK) e os principais proponentes foram
contemporâneos de Keynes como Robinson e
Michal Kalecki, o marxista-keynesiano
, e mais tarde
Hyman Minsky, o socialista-keynesiano
. Agora há toda uma escola de
teoria económica pós-keynesiana
, com revistas, conferências e
think-tanks
.
A economia PK domina e influi nas opiniões e políticas da
esquerda nos movimentos laborais das principais economias (Corbynomics,
Sanders, etc). É a ala radical da teoria económica keynesiana em
geral que, por sua vez, dominou o movimento operário desde Keynes (excepto
em períodos posteriores à década de 1980, quando as
teorias neoliberais do "mercado livre" da corrente ortodoxa
influíram nos líderes sindicais durante algumas décadas).
No meu blogue tenho gasto muita tinta
a explicar
em que a teoria económica marxista difere da teoria económica keynesiana em todos os seus aspectos
. Para mim,
um enfoque marxista da teoria e da política explica melhor a natureza do capitalismo
e quais são as políticas correctas que deve adoptar o movimento
operário na sua luta contra o capital e por uma sociedade melhor para
todos. De facto, creio que a economia keynesiana é um obstáculo
para alcançá-la, principalmente porque a sua análise do
capitalismo é incorrecta. Além disso,
sua conclusão política é que o capitalismo se pode reformar ou gerir de maneira que funcione para todos com uns poucos ajustes políticos inteligentes
.
A teoria PK, porque parece muito mais radical (no sentido de que considera que
o capitalismo não pode ser gerido facilmente para benefício de
todos) e porque muitos dos seus expoentes se consideram socialistas (inclusive
marxistas), é ainda mais enganosa uma vez que se baseia numa
visão radical do keynesianismo e, contudo,
Keynes não era tão radical como os seguidores do PK acreditam que fosse
.
Permitam-me, mais uma vez, examinar as ideias básicas da economia
pós-keynesiana.
Para isso, tomarei como base um
artigo recente intitulado "A visão pós-keynesiana do mundo em cinco princípios"
, baseado numa
palestra em zoom dada por um tal "Alex" no Instituto Berggruen.
Alex fala-nos primeiramente da crescente popularidade do
"pós-keynesianismo" depois da crise financeira mundial e da
crise do COVID. Alex reconhece que se tornou popular porque "encanta os
mercados financeiros, porque explica bem como funciona a economia, o que
é útil se o teu salário depende de compreender como
funciona a economia".
Não estou seguro de que seja uma boa razão o facto de os
analistas financeiros aparentemente ficarem "encantados" por estarem
de acordo com o PK. Mas Alex continua a explicar que o PK "proporciona uma
boa heurística causal para compreender o impacto dos fluxos financeiros
na produção e na economia em geral. Também aconselha
realismo na hora do impacto das políticas públicas nos resultados
económicos. A dívida pública e a dívida privada
são diferentes, a oferta monetária não causa
inflação, a dívida privada finalmente tem de ser saldada e
terá um impacto real se assim não se fizer".
Então, segundo Alex, o PK explica melhor como funciona a economia
moderna e porque a dívida (particularmente a dívida privada)
é importante. Um ramo do PK, a Moderna teoria monetária (MTM),
iluminou-nos recentemente sobre o funcionamento do dinheiro no capitalismo,
reconhece Alex e, como disse, "a MTM surgiu originalmente da agenda de
investigação pós-keynesiana e grande parte do seu modelo
económico subjacente é ainda muito pós-keynesiano na sua
estrutura".
Portanto, minha crítica da MTM também se aplica ao PK
.
Alex faz depois uma declaração interessante. "Numa economia
capitalista, a produção realiza-se com fins de lucro e não
de uso. Como tal, o valor geralmente é medido utilizando a
convenção social da contabilidade. A produção
ocorre antecipando-se aos fluxos de dinheiro, tal como o investimento e o
consumo. A partir deste ponto de vista, as coisas valem o seu valor
contabilístico, mais ou menos, e os actores económicos actual na
base destes valores contabilísticos. O que pensam os
pós-keynesianos é que isto representa um bom ponto de partida
para a teorização económica, para utilizar as quantidades
que utilizam os próprios actores".
O que significa isto? Alex parece adoptar o ponto básico da lei do valor
de Marx: a saber, que a produção capitalista tem o lucro como
finalidade, não a utilização social. E deveríamos
medir o valor em termos monetários como fazem os capitalistas. Isso soa
prometedor. Mas a seguir Alex passa directamente a falar de fluxos de dinheiro
e de investimento e consumo. Não se menciona mais o papel do lucro,
depois de nos haver dito que a produção capitalista tem o lucro
como finalidade, não o investimento ou o consumo. Na minha
opinião isto é típico dos seguidores do PK. Muito
rapidamente prescindem do lucro nas suas explicações
teóricas, como veremos mais adiante.
Tendo prescindido do papel dos lucros, Alex nos diz que, em contrapartida,
deveríamos considerar as economias modernas a partir de uma
"visão da economia no seu conjunto baseada no balanço. Os
actores individuais têm activos e passivos, rendimentos e gastos. O
activo de alguém é a responsabilidade de outro e vice-versa. Tudo
está inter-relacionado mediante o uso destas
convenções".
Assim passamos do motor subjacente da economia capitalista: o lucro e o que
acontece com os lucros e a rentabilidade para "estudar o fluxo de
pagamentos e a acumulação de activos, não a
distribuição de recursos escassos para suas finalidades mais
eficientes. Um dos principais benefícios desta abordagem é que
descarta alguns resultados impossíveis: nem todos podem ter um
superávite comercial, se há um défice comercial, ou o
sector privado ou o sector público têm que incidir num
défice para financiá-lo".
Desse modo somos reduzidos rapidamente a macro-identidades ao analisar
economias, isto é, Rendimento = Despesa; défices e
superávites dos sectores público e privado; balanças
comerciais, etc. Mas nada sobre o lucro ou as origens dos lucros.
"Nosso princípio seguinte é que tudo é
expectativa". Alex nos diz que um princípio chave do PK é
analisar as "expectativas". "As expectativas informam as
acções e estas acções, por sua vez, criam
realidade. Talvez o modelo mais simples do ciclo causal keynesiano seja dizer
que a procura esperada impulsiona o investimento, o investimento impulsiona o
emprego, o emprego impulsiona os salários, os salários
impulsionam o consumo, o consumo impulsiona a procura e a procura valida o
investimento. A procura esperada impulsiona o investimento, porque as empresas
só investem em capacidade adicional ou em contratar mais trabalhadores
quando pensam que mais pessoas desejarão comprar seu produto no futuro
do que no momento presente. Se esperassem a mesma procura, ou menos, não
haveria de todo necessidade de investir. Poderiam continuar a utilizar o mesmo
equipamento".
Assim, estamos nisto. O investimento sob o capitalismo não é de
todo impulsionado pelo lucro ou pela rentabilidade, mas sim pelas
"expectativas" e nem sequer pelo lucro futuro e sim pela
"procura esperada". Isto impulsiona o investimento que, por sua vez,
gera emprego e salários.
Mas será esta a sequência causal na produção e
acumulação capitalistas? Em muitas publicações
anteriores destaquei as
macro-equação chave nas identidades pós-keynesianas
. Ei-las aqui, mais uma vez.
Rendimento Nacional = Despesa Nacional
Rendimento Nacional = Lucros + Salários
Despesa Nacional = Investimento + Consumo.
Assim, Lucros + Salários = Investimento + Consumo
Se assumirmos que os trabalhadores gastam todo o seu salário em consumo
e os capitalistas investem todos os seus lucros, obtemos:
Lucros = Investimento
Segundo a teoria PK, é o investimento que gera os lucros, não o
invés. E a "procura esperada" impulsiona o investimento (diz
Alex) e o investimento impulsiona os salários e os lucros.
Ou como disse Michel Kalecki,
cuja equação é esta
: "os trabalhadores gastam (Consumo) o que recebem (Salários); e os
capitalistas recebem (Lucros) o que gastam (Investimento)".
Na minha opinião, esta é uma visão manifestamente
errónea sobre a economia capitalista. Em vez de o investimento
impulsionar os lucros como foi indicado anteriormente, a realidade é que
os lucros impulsionam o investimento. Portanto, o investimento capitalistas
não é o resultado do nível de "procurada
esperada", ou de uma visão psicológica completamente
subjectiva dos investidores que têm o que Keynes chamou
"espíritos animais", e sim o resultado de uma medida objectiva
da rentabilidade prévia (e provável) do investimento. Mas tal
como Keynes, a PK não quer por os lucros na frente e sim reduzi-los a
uma consequência do investimento (ou, na realidade, ocultá-los
completamente da análise). Para mais informação,
leia o excelente capítulo 3 de José Tapia
em
World in Crisis
.
Alex refere-se ao trabalho de Hyman Minsky, um teórico PK que em grande
medida se baseou nas "expectativas" para explicar as decisões
de investimento. "Hyman Minsky fala disto extensamente: se acredita que o
preço de um activo será disparado, comece a comprá-lo para
obter lucros. Pode inclusive pedir dinheiro emprestado e usá-lo para
comprar mais. A medida que aumenta o preço, também aumenta a
quantidade contra a qual pode pedir emprestado e o preço começa a
voar. Todo o episódio do Gamestop do mês passado foi uma
versão disto que utilizou opções de compra
(call options)
ao invés de empréstimos de margem, mas o princípio
é semelhante. O problema para Minsky surge quando se cortam os
empréstimos: não há nada que sustente os preços e
tudo desmorona. Por vezes, a operação de expectativas extremas
pode criar loucura nos mercados financeiros que podem ter consequências
terríveis para a economia em geral".
Então, segundo Alex (e Minsky), as "expectativas extremas"
criam uma "loucura nos mercados financeiros" que faz com que toda a
economia desmorone como no colapso financeiro global de 2008. Mas por que tudo
desmorona depois de ter ido tão bem, graças às
"expectativas extremas"? Mas a resposta só coloca a pergunta
de
por que
as expectativas são boas num momento e a seguir "extremas" em
outro? O que as torna extremas?
Sem dúvida, os minkistas citarão a famosa frase de Minsky de que
"a estabilidade gera instabilidade"
. Mas mais uma vez, está é apenas um frase inteligente para
cobrir o facto de que a teoria PK não tem uma teoria das crises
financeiras, excepto que ocorrem quando as coisas se põem
"extremas".
Na minha opinião, a teoria económica marxista tem uma resposta.
Baseia-se numa visão objectiva das leis do movimento sob o capitalismo,
em concreto as mudanças na rentabilidade do capital produtivo (gerador
de valor). Se a rentabilidade for baixa nos sectores produtivos, os
capitalistas tentam contrapor-se a isto de várias formas, uma das quais
é investir no que Marx chamou de capital fictício. Mas os lucros
financeiros ainda dependem da rentabilidade dos sectores produtivos e se a
rentabilidade cair até o ponto em que caia a massa de lucros ou o novo
valor (salários e lucros), produz-se uma crise no sector produtivo que
se estende ao sector financeiro.
Eu e outros académicos marxistas temos proporcionado muita evidência empírica para explicar as recessões
e, em particular, o colapso financeiro mundial e a consequente Grande
Recessão, não como um "momento Minsky" no qual a
estabilidade financeira converte-se repentinamente em instabilidade e sim como
um "momento Marx", quando os lucros caem até o ponto em que o
valor dos meios de produção e o trabalho devem desvalorizar-se,
incluídos os activos fictícios.
De facto,
como demonstrou G. Carchedi
(ver gráfico), quando tanto os lucros financeiros como os lucros do
sector produtivo começam a cair, produz-se uma recessão
económica. Essa é a evidência das recessões do
pós-guerra nos Estados Unidos.
Mas uma crise financeira por si só (medida pela queda dos lucros financeiros) não conduz a uma recessão se os lucros do sector produtivo continuarem a aumentar
. Ver Carchedi, pgs. 59-62, Capítulo 2 de
World in Crisis
.
Apesar disso, Alex continua a defender a opinião PK de que "a
procura cria oferta, impulsionando o investimento. Assim, o investimento cria
tanto as poupanças como o capital social, ao passo que o capital social,
por sua vez, cria recursos". Novamente, não há
explicação de porque a procura desacelera ou cai, o que leva a um
colapso do investimento. "O consumo não é poupança,
impulsiona o investimento e ajuda a sociedade a preparar-se para o
futuro", diz Alex. Mas a evidência empírica é
exactamente o contrário. Em quase todas as recessões nos EUA
desde 1945 foi o investimento que afundou antes, ao passo que o consumo apenas
diminuiu. E, de maneira decisiva, são os lucros que levam o investimento
a afundar e a sair do fundo, não o inverso.
Alex cita: "Na
Teoria geral
Keynes menciona, como é bem sabido, a 'Fábula das abelhas'.
Resumindo rapidamente, a fábula conta a história de uma
comunidade que proíbe o luxo e fica muito mais pobre quando todos os que
costumavam trabalhar na produção de luxo ficam sem
trabalho". Este é o argumento absurdo apresentado por Keynes e,
antes dele, em princípios do século XIX pelo pároco
reaccionário Thomas Malthus, de que sem gente rica que gaste havia uma
"falta de procura" e as economias entrariam em depressão.
Trata-se de palavras tranquilizadoras para os ouvidos dos
multimilionários que possuem as FAANG
[NT]
(além de serem empiricamente incorrectas, pois muitos estudos mostram
que os ricos tendem a poupar mais que os pobres, como o fizeram durante a crise
do COVID).
Segundo Alex, o equívoco das teorias alternativas da crise é que
assumem que o investimento deve provir da poupança, pelo que o consumo
deve ser reduzido para permitir o investimento. "Na versão
ricardiana, que ainda hoje utilizam os marxistas e austríacos, o
principal fundo de investimento é a poupança. A
suposição é que a economia tem uma capacidade
máxima de poupança e que poupa tudo o que não consome num
período determinado. Para investir, as poupanças devem vir
primeiro, pelo que ipso facto deve reduzir-se o consumo a fim de aumentar o
investimento".
Alex acredita que Keynes destroçou este ponto de vista com a sua ideia
do paradoxo da poupança. "Se todos tentarem aumentar a sua taxa de
poupança, isso significa que estão reduzindo a sua taxa de
consumo. Se a sua taxa de consumo diminui, os rendimentos das pessoas que
vendem coisas para consumir diminuem. O problema é que a
produção total está determinada pelo consumo e pelo
investimento. Se o investimento se mantém constante e o consumo cai, a
produção total cai. A taxa de poupança aumenta, mas
só porque agora todos estão a poupar a mesma quantidade em termos
dólares com um rendimento mais baixo em dólares".
Como diz Alex, o PK de Kalecki "examina a mesma ideia do lado da empresa,
ao invés do lado da família. Se os empregadores minimizam os
custos ao minimizar salários no seu conjunto, acabam por canibalizar a
base de consumo da economia como um todo, o que afecta os lucros. Se se for
pelo outro lado e deixar os salários aumentarem, as taxas de lucro
aumentam ao mesmo tempo.
Aqui há duas coisas. Pode ser que a escola austríaca acredite que
as poupanças são necessárias para o investimento, mas
não a teoria económica marxista. Não são as
"poupanças" que são requeridas para o investimento e
sim os lucros ou as poupanças capitalistas. Não se requer a
poupança das famílias para iniciar o processo de
acumulação capitalista. O que se segue é que as
poupanças conduzem ao investimento que por sua vez conduz ao emprego,
rendimentos e finalmente ao consumo o contrário da visão
PK. Qual é a correcta? Já citei a evidência.
De facto, não existe tanto um "paradoxo da frugalidade" no
estilo keynesiano em um
"paradoxo da rentabilidade"
, ou seja, à medida que os capitalistas se esforçam por aumentar
a sua rentabilidade individual através de investimentos em meios de
produção e livrar-se mão-de-obra, na realidade reduzem a
rentabilidade global da economia capitalista e finalmente provocam uma crise.
O segundo ponto é que a teoria de Kalecki conduz a uma visão
eclética da crise. Por vezes elas são "impulsionadas pelos
salários", ou seja, os salários e o consumo são
demasiado baixos para sustentar o crescimento. E por vezes elas são
"impulsionadas pelos lucros", ou seja, os salários são
demasiado altos e os lucros demasiado baixos para sustentar o crescimento. Mas
nem uma nem outra deverão encontrar-se. Não existe uma teoria
coerente das causas das crises regulares e recorrentes a cada 8-10 anos; por
vezes é uma coisa e por vezes a outra.
Isso me leva às conclusões de política económica do
PK, segundo Alex. Ele não vê a necessidade de acabar com o sistema
de mercado de produção e investimento. Em contrapartida, a tarefa
do estado é regular e neutralizar as falhas e desigualdades da economia
capitalista. Como diz Alex, "isto é um desenvolvimento da
posição de John Kenneth Galbraith, de que o estado está
destinado a ser um 'poder compensatório' das empresas no mercado. Se aos
estados não lhe agrada o impacto social da forma como os actores
privados governam os mercados, são mais ou menos capazes de intervir e
mudar as coisas. É impossível dizer que isto não é
legítimo, porque o Estado é um dos muitos actores do mercado, mas
tão pouco é particularmente radical dizer que é
legítimo". Sim, naturalmente não é muito radical.
Para Alex e o PK, "um mercado é só uma tecnologia
administrativa que concede aos actores um lugar para coordenarem-se. Um
preço é só um dos muitos sinais que se obtém num
mercado que funcione bem". O que é isso de um mercado que
"funciona bem"? Dificilmente se supõe que isso seja o ponto de
vista do PK, não é? Ou talvez seja.
Alex continua a sua explicação lançando no lixo uma teoria
de classe para o capitalismo moderno. "A ideia de que existe uma
lógica global para todas as estruturas de governação do
mercado associada às que se chegou através dos processos
anteriores acaba por condenar não só a maioria das
análises convencionais, como também a maioria das análises
marxistas. Não existe uma "lógica" unificada subjacente
do capitalismo, só uma série de estruturas de governo
interactivas e em competição. Nenhum comportamento individual ou
grupal está realmente de acordo com o comportamento estrutural
emergente".
Alex quer descartar a ideia marxista de que existem estruturas sociais
específicas baseadas em diferentes modos de produção e
classes baseadas nesses modos e estrutura. Para ele, a teoria económica
não é economia política e sim como estabelecer uma
"tecnologia administrativa" para fazer com que o capitalismo funcione
para todos.
Assim, quando chegamos ao fim da análise teórica também
acabamos com a mesma visão pró-capitalista do "keynesianismo
bastardo" ou mesmo da teoria económica neoclássica
dominante. O objectivo da política económica PK é regular
o sistema capitalista e utilizar o estado para "compensar" suas falha
a fim de produzir um "mercado que funcione melhor". Mas até
Alex tem de admitir, no fim da sua explicação dos
"princípios" do PK, que "nenhum sistema
regulatório é realmente definitivo e que o capitalismo nunca
é realmente consertado, o objectivo único é passar para o
cenário seguinte". Com efeito.
[NT] FAANG: grupo de empresas constituído por Facebook, Amazon, Apple,
Netflix e Google, cinco companhias que dominam o mercado da tecnologia e
consideradas como representantes de um novo cenário económico e
de novas relações de consumo e comportamento social globalizado.
[*]
Economista.
O original encontra-se em
thenextrecession.wordpress.com/2021/04/26/post-keynesianism-the-principles/
e a versão em castelhano em
cubayeconomia.blogspot.com/2021/05/los-principios-del-poskeynesianismo.html
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