O esforço de vendas e o capital monopolista
por Robert W. McChesney, John Bellamy Foster,
Inger L. Stole e Hannah Holleman
[*]
No 80.º aniversário do
crash
bolsista de 1929 que levou à Grande Depressão, os Estados Unidos
foram novamente apanhados numa grande crise financeira e num declínio
profundo, só comparável aos anos 1930. No centro desta crise
está uma queda do consumo causada pela destruição das
finanças familiares, resultante de décadas de
estagnação salarial e de acumulação de
dívida
[1]
. O consumo na economia actual, dominada pelas grandes empresas, está
significativamente dependente do esforço de vendas, ou seja, do
marketing
como um todo, sendo a publicidade a sua forma mais comum. Mas o esforço
de vendas está também em refluxo na crise, contribuindo para o
declínio geral. O esforço de vendas é tão
importante para o regime do capital monopolista que não conseguimos
compreender um sem o outro.
O nosso objectivo é proporcionar uma abordagem introdutória ao
tema do esforço de vendas sob o capital monopolista (e, mais
especificamente, o capital monopolista-financeiro dos dias de hoje), com base
no que acreditamos ser o primeiro trabalho mais completo sobre a publicidade
contemporânea:
Monopoly Capital
[Capital monopolista], de Paul Baran e Paul Sweezy. Esse trabalho apoiou-se no
saber económico pioneiro do segundo terço do século XX
[2]
. Entre as questões que queremos tratar estão:
(1) a conexão histórica entre a emergência da publicidade e
a
ascensão do capital monopolista;
(2) a importância do esforço de vendas na
sustentação de uma economia com predisposição para
a estagnação, que resulta da diminuição da procura
efectiva;
(3) o papel do sistema publicitário na criação das
empresas de
media
dominantes e na formatação do jornalismo moderno;
(4) os custos sociais do
marketing
; e
(5) as lutas políticas para deter o comercialismo.
A nossa análise concentra-se fundamentalmente na publicidade como a
forma mais transparente do esforço de vendas. Diferentemente da maioria
das análises sobre publicidade, não nos ocupamos aqui das
técnicas, mas das suas funções económicas e sociais.
Muito mudou desde que
Monopoly Capital
foi publicado, na década de 1960, ainda que a obra continue a ser o
ponto de partida para qualquer esforço de compreensão dos
contornos e do significado da publicidade. Desde meados do século
passado, com apenas algumas excepções, à medida que a
publicidade foi consolidando o seu papel na economia política, os
economistas ortodoxos foram mostrando pouco interesse em aprofundar o assunto
[3]
. Como observaram Baran e Sweezy, "A economia moderna reconciliou-se com
as coisas como elas são, não tem batalhas ideológicas ou
políticas para disputar, não quer confrontar-se com a realidade
recorrendo a argumentos"
[4]
. Nas últimas décadas, o que a pouca investigação
tem vindo a fazer é trivial e baseia-se na ideia de que se uma
indústria está a fazer lucros, é,
ipso facto,
uma indústria socialmente útil e está para lá do
alcance da economia para questionar a sua legitimidade. A publicidade é
simplesmente aceite como um dado, um pouco como a cordilheira das Montanhas
Rochosas, uma instituição neutra que existe para ligar os
negócios aos consumidores com a informação de que precisam
para decidirem o que comprar.
Começamos com dois pontos simples. Primeiro: qualquer economia
avançada e complexa precisa de um sistema de informação
para alocar os bens e os serviços com eficácia. A publicidade
contemporânea não é o resultado da
disponibilização deste serviço necessário se
fosse, a informação aos consumidores seria bem mais útil e
inteligível que o que acontece com a publicidade. Ao invés, a
publicidade tem com objectivo principal responder às necessidades de
lucro dos próprios anunciantes. Por conseguinte, a publicidade reflecte
o equilíbrio de forças na economia capitalista monopolista. Como
referiu James Rorty, é, no que diz respeito ao poder dos
negócios, "a voz do nosso mestre"
[5]
. Essa voz é mais poderosa nos Estados Unidos, onde o poder do capital
em relação ao trabalho é mais forte do que sucede noutras
economias avançadas. Não foi coincidência, como veremos
adiante, que quando o trabalho foi mais forte na história dos Estados
Unidos, a "voz do mestre" enfrentou o seu mais sério desafio.
Segundo: a publicidade tal como a conhecemos, ou o esforço de vendas em
geral, não é o resultado de mercados livres, da "livre
empresa" ou do capitalismo de
per si;
é o resultado de um certo tipo de capitalismo, melhor exemplificado
pelos Estados Unidos, tipificado pela competição de grandes
empresas nos mercados oligopolistas. Na verdade, mesmo a economia
mainstream
relaciona a publicidade com o que se chama "competição
monopolista"
[6]
.
A publicidade e o capital monopolista
Num capitalismo livremente competitivo, dominado maioritariamente por pequenas
empresas familiares e mercados competitivos, como o que existia nos Estados
Unidos em grande parte do século XIX, a publicidade desempenhava um
papel muito menor. A publicidade que existia nesse tempo era motivada
essencialmente para oferecer informação sobre os preços de
retalho e os produtos a futuros clientes. Nessas condições, havia
incontáveis empresas a competir na economia e em cada mercado
determinado. Assim, a empresa típica dessa economia competitiva era
incapaz de exercer um controlo significativo sobre os preços, os
resultados ou os níveis de investimento impostos pelo mercado como um
todo. A competição dos preços era a forma principal de
competição, os resultados eram normalmente maximizados e o
excedente económico gerado na produção tendia a ser
automaticamente reinvestido, visto que os canais de investimento não
eram um problema.
Os principais constrangimentos que as empresas enfrentavam em
relação ao crescimento nessas circunstâncias estavam do
lado do fornecimento (custos), e não no da procura (vendas). A
publicidade, que tem como objectivo expandir a procura efectiva, fazia pouco
sentido nesse quadro e era mantida num nível mínimo. Dito de
outra forma, no capitalismo livremente competitivo, os resultados de capacidade
plena eram a tendência e os preços caíam para o ponto em
que o mercado se esgotava, ou seja, todos os bens eram vendidos. Assim, havia
pouco lugar para a gestão do consumo através da publicidade.
Consequentemente, durante o século XIX, as despesas totais em
publicidade eram uma fracção do que viriam a ser com a
ascensão dos grandes negócios do século XX.
Pelo contrário, com o capitalismo monopolista do século XX e de
hoje, a unidade económica típica não é a pequena
empresa conduzida pelo proprietário, mas a empresa gigante. Aqui, o
campo de actuação não é maioritariamente o mercado
local e nacional das incontáveis pequenas empresas, mas um mercado
nacional ou global oligopólico, onde um punhado de empresas dominantes
controla a produção e as barreiras a nova
competição. Neste contexto, a empresa gigante não é
um aceitante de preços, mas um definidor de preços. Os
preços da indústria tendem a gravitar para o ponto óptimo
de rentabilidade, mais perto do que encontraríamos num monopólio
do que num mercado competitivo. Como todos os principais agentes são
grandes e não querem colocar em risco os seus grandes investimentos, uma
competição séria de preços com o objectivo de
afastar competidores do negócio é irracional e raramente é
levada a cabo.
Durante a transição para o regime dos grandes negócios,
nas primeiras décadas do século XX, percebeu-se que a
maximização do lucro era mais facilmente atingida pelo conluio
indirecto, pelo que as empresas muitas vezes seguindo um líder de
preços, geralmente a maior empresa no mercado aumentavam os
preços umas a seguir às outras. A competição entre
empresas permaneceu sempre intensa, mas moveu-se da competição de
preços, efectivamente banida, para a competição sobre os
custos e a partilha do mercado
[7]
. A economia tendeu a ficar constrangida pelo lado da procura, incapaz de
absorver todo o excedente gerado. Ficou, portanto, atingida por um problema
crónico de procura efectiva, em que o papel da publicidade na
promoção da procura se tornou crucial, quer para as empresas
individuais quer para a economia como um todo.
No capitalismo monopolista, a publicidade (e, em geral, o "esforço
de vendas") colocou-se num lugar de destaque como uma das principais
formas utilizadas pelas empresas para a competição. A publicidade
permitiu às grandes empresas, em especial, expandirem a sua parcela do
mercado sem entrarem numa competição dos preços destrutiva
[9]
. Permitiu às empresas construírem identidade e fidelidade
às marcas. O Quadro 1 ilustra como a publicidade ganhou
proeminência entre 1865 e 1929, o período em que a
competição abriu caminho ao oligopólio em muitas
indústrias. O quadro mede (em dólares constantes, 1929) as
despesas
per capita
em publicidade em jornais e revistas, os
media
predominantes desse período.
Para ilustrar com um exemplo simples por que é que a publicidade se
tornou tão importante na era do monopólio, consideremos uma
empresa e uma marca hipotética, a Acme Hammer. Nesta narrativa
ficcional, a Acme é uma empresa de martelos do final do século
XIX, gerida pelo proprietário, baseada em Exploit, no Michigan. A Acme
Hammer fazia pouca publicidade, e a que fazia era pensada sobretudo para
informar futuros clientes de que era uma empresa de "martelos todos em
aço". A Acme enfrentava um mercado altamente competitivo e tinha as
suas fábricas de martelos todas a funcionar em pleno, 24 horas por dia e
sete dias por semana. Mas, em conjunto com as outras muitas pequenas empresas
de martelos, acabou por produzir tantos martelos que o mercado ficou inundado e
os preços desceram. Para vender todos os seus martelos, a Acme foi
forçada a entrar numa competição de preços feroz
com as outras empresas. O preço dos martelos desceu a um tal ponto que
se tornou comum dizer que "os martelos estão tão baratos
quanto os pregos". Os custos do trabalho e outros custos não
caíram ao mesmo nível, de modo que as margens de lucro
simplesmente desapareceram.
No final, a maioria das pequenas empresas de martelos definhou ou, como
aconteceu com a Acme, foi absorvida por empresas de ferramentas de maior
dimensão, como a National Tool Company, uma nova empresa
oligopólica que cresceu através da compra de empresas mais
pequenas. A National Tool, que passou a enfrentar três outras empresas de
ferramentas similares (American Tool, General Tool e United Tool), não
teve que envolver-se em competição de preços e conluiava
com as suas principais rivais para gerar preços mais elevados e margens
de lucro maiores. As quatro maiores empresas de ferramentas utilizaram algum do
seu excedente económico bruto cada vez maior para competir umas contra
as outras pela partilha do mercado através de grandes orçamentos
publicitários, que se tornaram rapidamente um custo obrigatório
para cada empresa. A marca mais conhecida da National Tool era a Acme Hammer
que, dizia-se, "nunca falha o seu prego".
Obviamente, nenhum exemplo ficcional consegue captar a actual complexidade
histórica do desenvolvimento do monopólio e do esforço de
vendas na transição para o capitalismo monopolista. A
própria publicidade é apenas uma componente do esforço de
vendas mais amplo, que se tornou parte do ADN do sistema, desde o nível
empresarial até à economia como um todo. Hoje, as empresas
planeiam e desenvolvem novos produtos para preencher os critérios do
mercado. A diferenciação de um produto face às restantes
marcas é inerente a todo o processo, da produção às
vendas. Por isso, é muito mais difícil determinar a totalidade
dos custos do
marketing,
ao contrário das despesas com publicidade, muito mais transparentes.
Seguindo a abordagem brilhante de Thorstein Veblen sobre publicidade e
marketing
no seu livro de 1923,
Absentee Ownership
[Propriedade absentista], Baran e Sweezy argumentaram que o esforço de
vendas penetra frequentemente no processo de produção, com
grandes custos de embalagem, alterações cosméticas nos
produtos, novos modelos e estilos, obsolescência de marcas e produtos
tudo para criar no consumidor a propensão para comprar um
determinado produto. Como o próprio Veblen escreveu, "muito do que
surge nos livros como custos de produção deve ser considerado
como produção de aparências vendáveis"
[10]
. O
marketing
foi integrado em todos os produtos, compreendendo muitas vezes "custos de
produção" muito substanciais, por vezes a maior parcela. A
publicidade (em conjunto com a promoção de vendas e o
marketing
directo) é, por conseguinte, a secção comercial e de
propaganda final de um sistema de venda de mercadorias que gere todos os
aspectos da produção e do consumo. O esforço de vendas
é um custo necessário para uma empresa no capitalismo
monopolista, embora, como veremos, duvidoso do ponto de vista da sociedade.
Quanto do preço dos produtos finais é considerado publicidade?
É extremamente difícil responder a esta questão. Essa
informação é vista como segredo de negócio e
reservada cuidadosamente pelas empresas. No entanto, damos uma perspectiva
geral na Tabela 1, baseada em aproximações para alguns produtos
comuns de retalho.
Note-se que essas estimativas só especificam a
publicidade
por unidade vendida. Se utilizássemos a categoria mais ampla do
marketing (que também inclui despesas com definição de
objectivos, pesquisa de motivação, gestão de produto,
promoção de vendas e
marketing
directo), o valor por unidade seria substancialmente mais elevado. Não
medida em que é notoriamente mais difícil determinar os custos de
marketing,
limitamo-nos à mais conservadora, mas reconhecida, medida da
publicidade. As nossas estimativas para a publicidade por mercadoria sugerem
que a parte da publicidade nos preços de venda para diversos bens, do
detergente e da pasta de dentes aos
jeans
e aos carros, são porções significativas do todo,
variando de cerca de 4 por cento das vendas no caso da
pick-up
GMC Sierra até 12 por cento das vendas para certas marcas de
detergente. A publicidade em percentagem das vendas rivaliza, portanto, com os
lucros em percentagem das vendas. (Será desnecessário dizer que
os custos de publicidade como parte das vendas unitárias são
sensíveis às alterações de preços, de tal
forma que, com um determinado nível de despesas publicitárias, a
parte da publicidade nas vendas diminui quando os preços sobem e sobe
quando os preços caem.)
As principais contradições da publicidade e da
diferenciação de produtos (marca), bem como a sua maior
estupidez, estão encapsuladas em dois paradoxos. Em primeiro lugar,
diz-se que quanto mais os produtos são parecidos, mais os preços
são semelhantes e mais as empresas publicitam para convencer as pessoas
que eles são diferentes. Rosser Reeves, o lendário
publicitário, considerado uma inspiração para a popular
série televisiva
Madmen,
que vê a vida a partir de uma agência de publicidade nos anos
1960, ganhou a reputação de ter repetido a mesma
apresentação durante anos aos novos redactores de publicidade
contratados na sua agência, Ted Bates. Ele pegava em duas pequenas moedas
de dólar idênticas, uma em cada mão, e dizia a
audiência: "nunca se esqueçam que o vosso trabalho é
muito simples. É fazer as pessoas pensarem que a moeda da minha
mão esquerda é muito mais desejável que a moeda da minha
mão direita"
[11]
.
O segundo paradoxo da publicidade é que quanto mais as empresas
publicitam para se distinguirem na sua competição, maior é
a "confusão" comercial nos
media
e na cultura. Consequentemente, as empresas são forçadas a
aumentar a sua publicidade, de modo a sobressair nessa confusão e a
atingir o público. O comercialismo, nesse sentido, não é
diferente de um furacão que ganha velocidade à medida que
atravessa as águas salgadas quentes no final do Verão. O capital
monopolista gera publicidade, gera hipercomercialismo.
Com a consolidação do sistema publicitário sob o
capitalismo monopolista no início do século XX, o sistema das
agências publicitárias (abreviando, a Madison Avenue),
desenvolveu-se. Por volta de 1920, a publicidade contava pouco mais de 2 por
cento no Produto Interno Bruto e assim se mantém hoje, crescendo em
tandem com a economia total. A parte média anual da publicidade no PIB
de 1920 a 2007 foi de 2,2 por cento. Como afirmaram Baran e Sweezy, a
publicidade torna-se "uma parte integral do sistema tanto quanto a
própria empresa gigante"
[12]
.
Estagnação e o esforço de vendas
Se o papel microeconómico da publicidade foi tornado claro pela
necessidade económica transparente das firmas oligopolistas, as
restantes funções principais da publicidade ao nível
macroeconómico sob o capital monopolista, descrito por Baran e Sweezy,
é menos óbvio. O problema central que enfrenta o capitalismo
monopolista nos Estados Unidos é que tem uma forte tendência para a
estagnação. Ao contrário dos economistas
neoclássicos ortodoxos, que vêem o pleno emprego como normal e a
estagnação como a excepção, Baran e Sweezy
sustentavam que a estagnação é a tendência normal do
capitalismo norte-americano contemporâneo. As excepções que
têm que ser explicadas são os períodos de crescimento (e
não os de rebentamento). O sistema tem a capacidade de produzir mais
excedente bruto (ou poupanças brutas) do que o que pode ser absorvido
pelos gastos de investimento. Se esses excedentes não encontram canais
de escoamento, a produção é forçada a parar, com o
crescimento do desemprego e a crise geral. Deste ponto de vista, muita da
política económica das últimas seis décadas tem
sido baseada na procura de formas de absorção do excedente
económico, bem como de estímulo da economia, e depois de tratar
os efeitos secundários e as consequências de tais políticas.
Baran e Sweezy não estavam sozinhos entre os economistas de meados do
século XX, especialmente os conhecedores de Keynes, na
argumentação de que a publicidade era uma arma importante no
combate à estagnação. Como explicou K. W. Rothschild no
The Economic Journal,
em 1942, a publicidade não só estimulou a procura efectiva,
proporcionando emprego adicional e aumentando a "propensão para
consumir de
todos
os receptores de rendimento", como também tinha uma vantagem sobre
a maioria das restantes formas de despesa: aumentava a "procura efectiva
sem aumentar o fornecimento de bens". Nesse contexto, Rothschild comparava
a publicidade com a famosa tese de Keynes de que mesmo cavar buracos no
chão poderia ajudar a economia com capacidade em excesso substancial e
com trabalho desempregado. De modo semelhante, o economista Nicholas Kaldor
observou, discutindo "The Economic Aspects of Advertising" [Os
aspectos económicos da publicidade], que numa economia com subemprego
crónico, "o "desperdício" [como a publicidade]
é económico", visto que eleva a propensão para o
consumo, retardando a poupança e propulsionando a procura efectiva
[15]
.
Assim, como escreveram Baran e Sweezy, "a função da
publicidade, talvez a sua função dominante hoje, é a da
aposta a favor dos produtores e dos vendedores de bens de consumo, uma guerra
implacável contra a poupança e pelo consumo. E os principais
meios de levar por diante essa tarefa passam por induzir mudanças no
estilo, criar novos desejos, estabelecer novos padrões de estatuto,
reforçar novas normas de propriedade"
[16]
. Eles observavam a publicidade como um "sucesso não
questionado" na luta do capital monopolista contra a sua tendência
para a estagnação.
Dito isso, sendo que a publicidade pode limitar as tendências
estagnacionistas, ela não pode eliminá-las. O crescimento da
publicidade ajuda a elevar a propensão para o consumo e mesmo para a
obtenção de crédito, mas os limites do consumo são
definidos noutros planos, em factores como os salários reais, o
rendimento e a dívida das famílias.
É há muito sabido que apesar de a publicidade servir para elevar
a propensão para o consumo, e, desse modo, para fazer disparar a procura
efectiva em toda a economia, ela move-se, quase invariavelmente, na
direcção da actividade económica total. Portanto, tende a
pressionar a procura para cima na retoma e para baixo no declínio,
não conseguindo, assim, amortecer a economia numa queda. Como notou
Rothschild em 1942, "os hábitos publicitários do mundo dos
negócios tendem a acentuar os movimentos do ciclo de negócios
[
] Em geral, os homens de negócios preferem reduzir a sua
publicidade numa crise". Da mesma forma, Neil H. Borden assinalou no seu
monumental estudo de 1942,
The Economic Effects of Advertising
[Os efeitos económicos da publicidade], que a publicidade "tendeu
a acentuar as flutuações, porque as despesas com publicidade
variaram directamente com a actividade dos negócios [
] Como
estimulante da procura por produtos e serviços, foi mais extensivamente
utilizada em tempos de crescimento e menos utilizada em depressões"
[17]
. Essa tendência da publicidade para se mover na mesma
direcção que a actividade dos negócios em geral pode ser
observada no Quadro 2. Note-se que as despesas de publicidade diminuíram
em todos os ciclos económicos descendentes desde a Grande
Depressão. Nesse sentido, a publicidade, em vez de actuar como uma
força contracíclica, segue os movimentos cíclicos.
Espera-se que a publicidade tenha em 2009 a maior diminuição
desde os anos 1930, acentuando, desse modo, o declínio geral
[18]
.
Nas últimas três décadas numa época de
mudanças tão grandes que assistiu à evolução
do capital monopolista para capital monopolista-financeiro (a fase tardia do
primeiro) , o sistema respondeu à estagnação
profunda pela expansão dramática da dívida em
relação à economia real de bens e serviços. A
economia assistiu, portanto, a um crescimento agudo na dimensão e no
significado do sector FIRE, reflectindo a financeirização da
economia (a passagem do centro de gravidade da economia da
produção para a finança). A publicidade, pela sua
lógica, encaixa bem neste
éthos
da dívida: "compre agora, pague depois". O que é
igualmente notável é a forma como a publicidade foi utilizada
para fazer crescer a propensão para o crédito e, desse modo, para
a dívida familiar.
O Quadro 3 coloca em evidência esses desenvolvimentos. O que é
significativo é que a grande parte do crescimento do sector FIRE se
deveu, efectivamente, ao aumento rápido da publicidade das empresas
financeiras em percentagem da publicidade total. A publicidade do sector FIRE
era de 2 por cento das despesas publicitárias totais em 1945, 6 por
cento em 1965 e 12 por cento em 2005. Esta tendência de subida abrupta na
publicidade das instituições financeiras disfarça uma
diferença considerável nos objectivos dessa publicidade durante
esse período. Na década de 1950 e no início da seguinte,
num tempo de elevada liquidez de consumo, o objectivo era promover a
poupança; dos anos 1980 em diante, num período de dívida
de consumo cada vez maior, o objectivo passou a ser acelerar a dívida.
A fase final da financeirização da economia norte-americana nos
tempos mais recentes assentou na destruição das finanças
familiares de grande parte da população, que tentava
desesperadamente manter os seus padrões de vida apesar dos
salários estagnados, cujo pico fora atingido no início dos anos
1970. A publicidade e o
marketing
em geral (particularmente, o
marketing
directo) foram utilizados para aumentar não só a
propensão para o consumo, mas também a propensão para
pedir crédito. Como escreveu o antropólogo Brett Williams, autor
de
Debt for Sale
[Dívida para venda], acerca do rebentamento da bolha do
subprime
e dos chamados "excessos" dos pobres,
quando a bolha rebentou, como sempre acontece com as bolhas, nós
estávamos cercados de mentiras, maioritariamente para o efeito de que os
emprestadores haviam relaxado demasiado os seus critérios e que quem
pedia emprestado tinha ultrapassado irreflectidamente os seus limites [
]
Mas a verdade é que esta indústria [serviços financeiros]
tinha que ter crescido para procurar mais devedores potenciais e
vulneráveis, para procurar os que não seriam capazes de pagar
plenamente os seus empréstimos. A procura da acumulação de
capital, a necessidade de crescer e eliminar competidores nesta
indústria intensa e muito lucrativa incita esforços persistentes
para obter mais devedores, para vender mais dívida [
]
Também temos que saber mais acerca da forma como o bombardeamento em
massa pelos emprestadores predatórios afectou as opções e
as estratégias dos pobres, como a onda de falências deixará
desperdício nos lugares onde os bufarinheiros dos empréstimos
estiveram particularmente activos e como esses processos foram racializados.
[19]
É indubitável que a venda de empréstimos
subprime
se baseou num conjunto de dados de
marketing
que foram colectados na população e que a mensagem foi difundida
através de uma massa de publicidade e, mais importante ainda, de
campanhas de contacto directo. As empresas de cartões de crédito
e os seus bancos associados foram pioneiros na recolha de
informações de crédito detalhadas e outras que puderam
depois ser utilizadas para seguir e visar segmentos da população
e mesmo indivíduos. A propensão para pedir emprestado no topo da
propensão para consumir foi, por conseguinte, embutida na forma de vida
de uma população cada vez mais sitiada
[20]
.
A publicidade e os
media
A manifestação mais visível da publicidade está no
sistema dos
media.
Por um lado, a própria publicidade é uma das principais formas
de conteúdos dos
media.
É ubíquo. Por outro lado, é o principal meio de suporte
para muitos dos
media
comerciais, e quase todos os
media
noticiosos, a tal ponto que a imprensa pode ser vista como uma parte
necessária da indústria mais ampla da publicidade. Sejamos
claros: os
media
ter-se-iam tornado uma das maiores indústrias nos Estados Unidos mesmo
sem o contributo da publicidade; vem-nos à ideia as indústrias do
cinema, da edição de música e da publicação
de livros. No século XIX, os
media
capitalistas já existiam, mas eram um elemento relativamente pequeno da
produção cultural. Com o regime dos grandes negócios e da
publicidade, o império da comunicação floresceu, primeiro
com as grandes cadeias de jornais, depois com as amplas redes e, no fim de
contas, com os conglomerados transnacionais dos
media
contemporâneos. Alimentado pela publicidade, o sector dos
media
tornou-se uma grande área de actividade económica e uma fonte de
rentabilidade tremenda.
Os defensores do sistema dos
media
comerciais aplaudem a publicidade por esta permitir que o sistema prospere sem
o apoio directo do Estado e sem independência política. Por
detrás da capa da "liberdade de imprensa", porém,
está o facto de que a propriedade capitalista e o suporte
publicitário tornaram o sistema mediático norte-americano (e a
sociedade norte-americana como um todo) decididamente menos democrático
do que seria sob outras estruturas institucionais. De acordo com Baran e
Sweezy, "o argumento muitas vezes avançado a favor da publicidade
de que ela permite aos
media
financiarem a produção de programas de elevada qualidade musical
e literária, está ao nível de incendiar a casa para assar
o porco"
[21]
.
No caso do jornalismo, as implicações da publicidade no
conteúdo foram amplamente entendidas como cancerosas quase desde o
início da era do capital monopolista. Se os proprietários dos
jornais recebessem os seus rendimentos dos anunciantes, teriam um tremendo
incentivo para manipularem as notícias para satisfação dos
seus benfeitores, em detrimento do público. É esta uma das
principais razões por que o jornalismo profissional emergiu na primeira
metade do século XX como uma "solução" para o
problema dos
media
capitalistas suportados por publicidade. O princípio do jornalismo
profissional era a elevação de uma "Muralha da China"
entre os editores e repórteres, por um lado, e os proprietários e
anunciantes, por outro. Nesse sentido, o público poderia confiar no
conteúdo das notícias e não se preocupar com a propriedade
monopolista ou com a publicidade omnipresente nos
media.
Embora o jornalismo profissional tenha os seus méritos, tem cumprido
mal o seu papel de neutralidade política. Tem, pelo contrário,
tendido a internalizar os valores dominantes e a tornar os jornalistas
inconscientes disso à medida que esses valores se entranham no seu
trabalho. Nos
media
, como em todo o lado, não obstante a aura de profissionalismo, quem
pode, pode
[22]
.
Em nenhum outro lugar as contradições do jornalismo suportado
pela publicidade são mais perniciosas que na cobertura da economia e do
capitalismo. Como os
media
noticiosos assentam largamente na publicidade para obter retorno e como os
anunciantes estão interessados acima de tudo na afluência dos
consumidores, o jornalismo gravitou para uma atitude de convivência com o
capitalismo, sem uma espinha crítica à sua existência. Os
pobres só têm algum significado nas notícias quando se
parecem com os ricos.
O problema só se agravou com o tempo. Em 1950, havia centenas de
repórteres e editores especializados em trabalho nos jornais
diários norte-americanos; no final do século XX, não havia
praticamente nenhum. Concorrentemente, a "informação
económica" foi a área que cresceu mais rapidamente no sector.
A informação económica tem sido uma autêntica farsa
na área do jornalismo. Os nossos
media
noticiosos ignoraram completamente os escândalos das empresas, apoiando
as bolhas da dívida no meio da sua louca adoração da
riqueza. Hoje, a maioria está a dormir perante as
maquinações do capital financeiro para arrecadar nos seus cofres
os fundos do Tesouro e da Reserva Federal, enquanto as histórias
triviais obtém a grande parte da atenção. A
lição é clara: um sistema mediático de propriedade
privada e apoiado na publicidade é estruturalmente incapaz de oferecer
uma imagem honesta da economia e, portanto, é inadequado para uma
sociedade democrática.
Na actual depressão, e com a emergência da Internet, os
media
empresariais, e em especial os
media
noticiosos, procuram desesperadamente manter-se, à medida que as
receitas de publicidade estão em retracção aguda.
Há razões para acreditar que a publicidade não
regressará aos "velhos
media
". Não é clara a forma como a publicidade vai adaptar-se
à Internet; há, no presente, poucas razões para acreditar
que o dinheiro publicitário vá alguma vez circular no
ciberespaço numa quantidade próxima do que aconteceu com os
jornais, revistas, rádio e televisão. Para alguns observadores, o
modelo de vendas tradicional já não funciona e será
abandonado. Iremos para um modelo de mercado mais limpo e eficiente para a
informação ao consumidor. Adeus Rosser Reeves.
Esta perspectiva, do nosso ponto de vista, é irracional. As empresas
nunca foram, em si, talhadas para a publicidade; simplesmente, tratou-se da
forma economicamente mais eficaz para ter sucesso no esforço de vendas.
Com o declínio do modelo tradicional de publicidade nos
media,
as necessidades do esforço de vendas mantêm-se como antes,
apenas assumem novas formas. É provável que aquilo a que
Thorstein Veblen chamou a "desfocagem" progressiva da
relação "entre a arte de fazer e a arte de vender",
característica do capitalismo monopolista, venha a estar ainda mais nas
comunicações à medida que a publicidade tradicional declina
[23]
. A principal tendência nos
media,
tradicionais e digitais, tem sido orientada para a eliminação
das antigas barreiras entre os conteúdos editoriais e a publicidade. Os
dois domínios estão cada vez mais misturados, com
implicações ignominiosas para os conteúdos dos
media
[24]
.
O "infomercial" é um exemplo obsceno, tal como o é o
patrocínio hoje comum de actividades outrora não comerciais por
empresas. Mas os mais recentes desenvolvimentos são ainda mais
sofisticados. É a completa eliminação da barreira entre a
publicidade e a venda propriamente dita. O fundador da CBS William Paley disse
uma vez que a televisão era o veículo ideal para as vendas.
Deslocado para a Madison Avenue, o mundo digital interactivo será o meio
ideal para fechar negócios. À medida que os
media,
os digitais e os outros, procuram receitas dos interesses comerciais,
adaptar-se-ão a quaisquer padrões que gerem o máximo de
lucros. Tudo aponta para que os padrões da integridade editorial venham
a ser baixos.
Uma outra tendência relacionada tem sido a publicidade explícita
tornar-se uma porção mais pequena do esforço de vendas em
relação ao que sucedia no passado. Como as despesas de
marketing
não publicitário não são estatisticamente
observáveis a partir de um padrão uniforme e são
frequentemente ocultadas noutras categorias, é difícil fazer esta
discussão com a precisão necessária. Mas tudo indica que o
esforço de vendas continua a crescer, ao passo que a publicidade
tradicional desempenha um papel mais modesto. A publicidade cresceu, mas, de
acordo com as estimativas mais credíveis, hoje pesa no máximo 30
por cento no
marketing
, e essa parcela está a diminuir
[25]
. Essas estimativas, além do mais, consideram apenas a publicidade, a
promoção de vendas e o
marketing
directo, não abarcam a totalidade das despesas de marketing
[26]
.
O que mais cresceu foi o
marketing
directo. A categoria inclui o
telemarketing
, o
marketing
por e-mail, a publicidade por correio não solicitada e diversos outros
métodos para vender sem recorrer a conteúdos de qualquer
género nos
media
não comerciais. Aos valores actuais, o
marketing
directo, que era minúsculo em comparação com a
publicidade há apenas duas décadas atrás, pesará
mais nos custos das empresas que a publicidade dentro de poucos anos.
Se os cálculos das pesquisas industriais mais recentes estiverem
correctos e se a publicidade atingir hoje, no máximo, 30 por cento do
marketing
total, a quantidade de
marketing
na economia terá pesado cerca de 5,5 por cento do PIB em 2007
[27]
. Como o presente ensaio utiliza apenas categorias quantificáveis e
não inclui as despesas de
marketing
ligadas à produção ou outras categorias, aquela
parece-nos uma estimativa bastante conservadora.
Nesse sentido, dificilmente estamos a entrar numa era em que as
contradições do esforço de vendas estejam em
declínio ou redução, mas, pelo contrário, numa em
que estão a espalhar-se com um vírus. Se tanto, o esforço
de vendas está cada vez mais desesperado para se afirmar nos nossos
cérebros e quaisquer padrões éticos estão numa
batalha árdua pela sobrevivência. É espantoso como entre os
sectores que cresceram mais rapidamente no
marketing
nas últimas três décadas estejam o
marketing
à prescrição de medicamentos e o
marketing
para crianças. Na indústria farmacêutica, os gastos anuais
com publicidade directa ao consumidor e com promoções para
profissionais de saúde (incluindo amostras gratuitas) cresceram de 14,2
por cento das vendas totais em 1996 para 18,2 por cento em 2005. Os gastos
reais com
marketing
directo ao consumidor na indústria farmacêutica cresceram nesse
período cerca de 330 por cento
[28]
. Em 1983, as empresas gastavam 100 milhões de dólares anuais em
marketing
para crianças. Em 2007, essa cifra subiu para perto de 17 mil
milhões de dólares
[29]
.
Essas duas áreas foram, durante décadas, consideradas mais ou
menos fora dos limites da publicidade, ou pelo menos cuidadosamente reguladas.
A noção de que os produtos farmacêuticos seriam promovidos
por campanhas de publicidade persuasivas ou de que uma avalanche de publicidade
viria a ser direccionada para as crianças foi, noutras alturas,
considerada duvidosa, se não mesmo obscena. Hoje, faz parte do
business as usual.
A publicidade e os custos sociais
É aqui que nos viramos para o que se considera as
"externalidades" da publicidade, ou seja, os custos sociais da
publicidade não reflectidos na transacção comercial feita
pelo anunciante ou pelo consumidor quando compra o produto publicitado. O que
acontece, por exemplo, a uma geração de crianças marinada
na publicidade e no comercialismo desde os seus primeiros anos? Não
sabemos com exactidão, visto que se trata de um território por
cartografar, mas as evidências sugerem uma gama de resultados
negativos, incluindo problemas como a contribuição para a
obesidade infantil epidémica. E sabemos que os anunciantes envolvidos
nestas práticas não se preocupam, visto que só pensam em
maximizar o lucro imediato. É por isso que se trata de uma
"externalidade".
Que outros custos sociais externalizados estão associados ao
esforço de vendas? Um grande problema compreendido, antes de
mais, pelo feminismo é que para convencer as pessoas a comprar um
produto, um anunciante tem que estabelecer que há um problema que
só a compra do produto publicitado poderá resolver. Quando os
problemas sérios que podem ser efectivamente satisfeitos pelos produtos
publicitados têm pouca oferta, isso exige prontidão para criar uma
nova realidade. A publicidade transforma-se numa voz omnipresente e
perpétua que diz às pessoas: "você tem problemas,
muitos problemas, e pode comprar a solução aqui". É,
na melhor das hipóteses, meia verdade, muitas vezes uma mentira, e, em
todos os casos, como sublinharam Baran e Sweezy, "essencialmente
subliminar"
[30]
.
A publicidade contribui, portanto, para duas grandes crises do nosso tempo: a
crise ambiental, visto que encoraja um desleixo arbitrário com a
utilização sustentável dos recursos; e a crise de
felicidade, porque os estudos mostram que mesmo as pessoas que são bem
sucedidas na nossa sociedade comercial não estão especialmente
felizes ou satisfeitas com as suas vidas
[31]
. As mercadorias materiais, depois de certos desejos humanos essenciais estarem
saciados, têm uma relação decrescente com a nossa
felicidade, especialmente quando são vendidas como meios para uma vida
mais preenchida.
Além disso, para satisfazer as necessidades da publicidade, algumas das
mentes mais brilhantes e talentosas da nossa nação dedicam as
suas vidas à função de convencer as pessoas a comprarem
uma determinada cerveja ou um analgésico; isso é uma
utilização irracional do talento humano num mundo onde ele
é bastante necessário. Como escreveram Baran e Sweezy,
O
maior
estrago provocado pela publicidade é precisamente que ela expõe
cada vez mais a prostituição dos homens e das mulheres que
emprestam os seus intelectos, as suas vozes, as suas capacidades
artísticas para propósitos em que eles próprios não
acreditam e que ela ensina "o vazio essencial de todas as
criações da mente: palavras, imagens e ideias". O verdadeiro
perigo da publicidade é que ela ajuda a estilhaçar e, em
última análise, a destruir as nossas mais preciosas faculdades
não-materiais: a confiança na existência de
propósitos com significado da actividade humana e o respeito pela
integridade do homem.
[32]
Resumindo, o esforço de vendas é um empreendimento profundamente
dúbio que inflige um grande prejuízo na nossa sociedade.
Há perto de 50 anos, Baran e Sweezy observavam que "O problema
é que a publicidade da necessidade promove o conformismo a normas
que, por qualquer padrão racional, são inúteis ou
humanamente destrutivas"
[33]
.
Há um outro aspecto da publicidade e da cultura que é raramente
focado, apesar da sua importância. A publicidade não é uma
forma neutra de comunicação, ocupada por quase toda a gente com
propósitos idênticos; é uma comunicação cara
e privilegiada, conduzida sobretudo por um pequeno número de empresas
para alterar o comportamento da vasta maioria da população. A
publicidade é, na sua essência, propaganda comercial, e foi
compreendida assim pelos seus pioneiros. Em 1933, a publicação
comercial
Printers' Ink
escrevia: "Em tudo o que Hitler fez, ele esteve dependente quase
inteiramente de
slogans
tornados eficazes pela reiteração, tornados gerais pelos
métodos publicitários norte-americanos". E escreveu mais:
"Hitler e o seu homem da publicidade, Goebbels, lançaram
slogans
que as massas podiam assimilar com a sua inteligência limitada [
]
Adolf teve alguns bons
slogans,
aplicados hoje pelos publicitários norte-americanos"
[34]
.
Com o tempo, aprendemos que a propaganda comercial pouco excede o poder da
propaganda de Estado. Como referiu Walton Hamilton: "Os negócios
têm mais sucesso que o Estado a impor constrangimentos aos
indivíduos porque os seus imperativos são disfarçados de
escolhas"
[35]
.
A avaliação de Baran e Sweezy do esforço de vendas
reconhecia que "o volume prodigioso de recursos absorvido em todas estas
actividades constitui, de facto, um custo necessário da
produção capitalista". Eles não tiveram receio de
desenhar a conclusão lógica das suas análises: "O que
deveria ser cristalinamente claro é que um sistema económico em
que
tais
custos são socialmente necessários deixou há muito de ser
um sistema económico socialmente necessário"
[36]
.
A publicidade e a política
A publicidade tem sido uma questão politicamente contenciosa desde a
emergência do capitalismo monopolista. Como escreveu Inger Stole, o
movimento do consumidor dos anos 1930 e início dos anos 1940
galvanizou-se em torno da questão de eliminar ou reformar dramaticamente
a publicidade. O movimento do consumidor queria ver reforçados os
padrões dos produtos de consumo que tornassem irrelevantes a
diferenciação das marcas e uma publicidade mais persuasiva.
Queria regulação estrita do conteúdo da publicidade, de
tal forma que os anúncios teriam que ser verificados antes de serem
publicados ou transmitidos. O movimento era uma ameaça ao
modus operandi
do capitalismo monopolista; a primeira investigação do grupo,
que viria a ser a Comissão das Actividades Não-Americanas do
Senado (HUAC), em 1939, tinha influências comunistas na União dos
Consumidores. Subsequentemente, a União dos Consumidores deslocou-se das
suas origens radicais e tornou-se uma organização mais
respeitável, enfatizando o teste de produtos
[37]
.
Nos anos 1960 e 1970, o activismo dos consumidores em torno da publicidade
regressou, embora menos radical na sua orientação. A grande
vitória foi a interdição da publicidade televisiva aos
cigarros. As grandes derrotas foram os esforços falhados, nos anos 1970,
para banir a publicidade televisiva para crianças e a publicidade a
produtos farmacêuticos. Em geral, os consumidores activistas em todos os
períodos descobriram que os seus adversários não eram
simplesmente os anunciantes, ou os grandes negócios, mas também
os
media
noticiosos comerciais, que estavam dependentes das receitas
publicitárias. Essa circunstância tornou o trabalho de
organização do apoio de massas mais difícil.
Nos anos 1970, a indústria da publicidade tinha encontrado uma mina de
ouro de relações públicas: declarava que a
publicidade, ou
o "discurso comercial", estava coberta pela protecção
da Primeira Emenda da Constituição. Esta noção
bizarra, rejeitada categoricamente pelo Supremo Tribunal dos Estados Unidos
quando avaliou pela primeira vez a questão em 1942, foi em parte aceite
pelos tribunais e largamente abraçada pelos liberais. A lógica
desta adaptação da Primeira Emenda foi um reconhecimento claro do
triunfo da publicidade: se a Primeira Emenda não protegia as
actividades
comerciais, não haveria muito mais a proteger. Se a publicidade
conseguisse tornar-se parte da Constituição, seria muito mais
difícil desafiá-la.
As principais batalhas políticas em torno da publicidade centraram-se na
política dos
media.
Um dos principais objectivos dos activistas pela reforma dos
media
tem sido limitar o papel da publicidade no sistema mediático. Nas
décadas de 1920 e 1930, essa era a luta para assegurar um sector de
radiodifusão não comercial que fosse o elemento dominante da
radiodifusão norte-americana. Essa era uma exigência popular, mas
o processo político corrupto desenvolveu-se a favor do comercialismo.
Sem qualquer ironia, o governo determinou que só a radiodifusão
apoiada na publicidade não seria "propagandística".
Qualquer outro tipo de estação de rádio teria interesses
particulares a defender e na medida em que não houvesse
estações de rádio suficientes para os defender, todo o
sistema deveria ser suportado pela publicidade. Nos anos 1940, a ideia de que a
liberdade de imprensa era equivalente a
media
capitalistas e apoiados na publicidade era uma verdadeira religião
civil. Os activistas dos
media
lutaram subsequentemente para estabelecer nichos não comerciais nas
margens, mas, ao fazê-lo, tenderam a conceder que o sistema
mediático central norte-americano estava talhado para satisfazer as
necessidades da Wall Street e da Madison Avenue
[38]
.
Nos próximos anos, à medida que o jornalismo continua a
desintegrar-se e o hipercomercialismo a alargar-se, o activismo pela reforma
dos
media
manterá a sua pressão e, esperamos, radicalizará as suas
exigências para colocar os
media
não lucrativos e não comerciais no centro do sistema
mediático. Concorrentemente, os consumidores activistas têm que
pressionar para abolir a publicidade para crianças e de produtos
perigosos. Os activistas dos
media
e consumidores precisarão de batalhar em conjunto para limitar o
comercialismo e proteger a privacidade nos
media
digitais. O movimento dos consumidores, em última análise,
precisa regressar às suas raízes e imaginar os meios para alargar
a necessária informação sobre os produtos que sirva, e
não confunda, os consumidores e torne a produção eficiente
e menos cara. Esses dois movimentos precisam gerar alianças com
forças progressistas em toda a sociedade para ganharem eficiência.
Eles contam-se entre os movimentos necessários da próxima
geração e muito depende do seu sucesso.
O que continua por apurar é que espaço têm os activistas
para a reforma da publicidade no contexto do capitalismo monopolista. Os
Estados Unidos gastam consideravelmente mais dinheiro na publicidade em
percentagem do PIB do que qualquer das restantes economias do G-7
[39]
. (Muitas dessas nações, por exemplo, proíbem a
publicidade para crianças.) Isso indica que os Estados Unidos podem
limitar o seu comercialismo até certo ponto sem comprometer o sistema. A
refutar esse argumento está o facto de que essas outras
nações têm vindo a deslocar-se em direcção
aos níveis norte-americanos de hipercomercialismo, nas últimas
décadas. O mundo está muito mais comercial hoje do que há
uma geração atrás. Além disso, mesmo que as taxas
de crescimento da publicidade explícita nos
media
estabilizem ou até se reduzam, há poucas razões para
duvidar de que a ampla área do
marketing
continuará a desempenhar o seu papel histórico no capitalismo
monopolista, muito possivelmente de uma forma ainda mais destrutiva.
A lógica, nesta matéria, é inescapável. O capital
monopolista e o esforço de vendas são inseparáveis. Para
falar de um é necessário falar de outro.
Apêndice. Métodos de cálculo para a Tabela 1 e fontes dos
dados
Método:
1. A publicidade em percentagem de vendas brutas (ou receita) foi calculada com
recurso a dados disponíveis nos registos SEC e nos relatórios 10K
das empresas grossistas. Esta informação está
disponível em
http://www.sec.gov/edgar.shtml
.
2. A publicidade em percentagem de vendas para as lojas de retalho por tipo
genérico foi registada a partir da
Ad Age,
utilizando os números do relatório de 2007
Advertising to Sales Ratios by Industry
. Esta informação está disponível em
http://adage.com/datacenter
.
3. A publicidade em relação a percentagens de vendas para
grossistas e retalhistas foi acrescentada para obter a publicidade em
percentagem de vendas combinadas.
4. Os números resultantes servem como aproximação à
publicidade em percentagem do preço de venda unitário. Utilizando
esta percentagem, os gastos hipotéticos com publicidade por unidade
vendida são calculados para cada item.
5. Os preços foram obtidos indo directamente onde as pessoas compram
habitualmente estes produtos (por exemplo, os preços do detergente, dos
produtos de higiene pessoal e dos alimentos foram encontrados numa mercearia
local Safeway, o preço dos
jeans
foram verificados numa loja Macy e os brinquedos e artigos electrónicos
foram retirados dos sítios Internet da Toys "R" Us e da Best
Buy).
Explicação:
Os dados da publicidade e do
marketing
para produtos particulares são tratados pelas empresas como dados
reservados e são bem guardados, exigindo estimativas separadas baseadas
nos dados publicamente disponíveis.
Principais limitações dos dados:
1. Os dados da publicidade em percentagem de vendas para produtos individuais e
campanhas associadas não são tornados públicos pelas
empresas. Assim, utilizamos a publicidade total em percentagem de vendas
publicada pelas empresas para perceber a relação entre o
preço por unidade e o custo da publicidade por unidade dos produtos que
vendem.
2. A publicidade em percentagem de vendas para lojas de retalho é uma
média reportada pela
Ad Age
por tipo genérico de loja.
3. Os dados para a publicidade em percentagem de vendas referem-se a 2007,
apesar de os preços serem correntes (Fevereiro de 2009). Assume-se que a
relação da publicidade com as vendas é estável.
4. Como os gastos com publicidade são uma percentagem decrescente dos
gastos totais com
marketing,
a verdadeira magnitude dos custos associados com os produtos de
marketing
não podem ser aqui representados.
Notas:
1. Para uma análise da actual crise financeira e económica, cf.
John Bellamy Foster e Fred Magdoff,
The Great Financial Crisis: Causes and Consequences
, Monthly Review Press, Nova Iorque, 2009.
2. Cf., por exemplo, John Kenneth Galbraith,
The Affluent Society,
Houghton-Mifflin, Boston, 1958, capítulos 10 e 11. Galbraith promoveu
nesta obra e noutros trabalhos a ideia do "efeito de
dependência", afirmando que o que consumimos depende da
produção e é determinado sobretudo pelas grandes empresas.
Ele substituiu a noção de "soberania do consumidor"
pela de "soberania do produtor" e sustentou que "as necessidades
são agora definidas pela publicidade feita pelas empresas de
produção que fornecem produtos e serviços". John
Kenneth Galbraith,
Economics, Peace, and Laughter,
New American Library, Nova Iorque, 1971, pp. 60-87 e
Economics in Perspective,
Houghton Mifflin, Boston, 1987, p. 290.
3. Em geral, os economistas retraem-se a analisar os custos gerais na
contabilidade dos negócios, de que a publicidade é uma parte. Os
custos gerais abarcam todos os custos envolvidos na manutenção do
sistema, incluindo os gastos com gestão e as formas ocultas de
rendimentos e benefícios. Sob o capitalismo monopolista, os custos
gerais da empresa são grandemente expandidos com o excedente
económico. Para uma crítica radical mais antiga dos custos gerais
no capitalismo moderno, cf. Scott Nearing,
The Economics of the Power Age,
World Events Publishing, East Palatka, Florida, 1952, pp. 102-18.
4. Baran e Sweezy,
Monopoly Capital,
Monthly Review Press, Nova Iorque, 1966, p. 134.
5. James Rorty,
Our Master's Voice: Advertising,
The John Day Company, Nova Iorque, 1934.
6. Edward Chamberlin,
The Theory of Monopolistic Competition,
Harvard University Press, Cambridge, Massachusetts, 1933.
7. Deve notar-se que, sob o capitalismo monopolista ou oligopolista, a
competição de preços deve manter-se intensa nas novas
indústrias emergentes, como as da tecnologia digital/informática
nos anos recentes, onde um processo de extorsão, resultante da
dominação de umas poucas empresas, não ocorreu ainda.
8. Neil H. Borden,
The Economic Effects of Advertising,
Richard D. Irwin, Chicago, 1942, p. 53.
9. No final dos anos 1940, Nicholas Kaldor analisou, num grande estudo sobre
publicidade, a relação estreita entre o oligopólio e a
publicidade, argumentando que "há uma presunção
[
] de que em negócios em que a publicidade em larga escala
está dividida entre poucas empresas, é também
provável um elevado grau de concentração no resultado da
mercadoria". Nicholas Kaldor,
A Statistical Analysis of Advertising Expenditure and of the Revenue of the
Press,
Cambridge University Press, Cambridge, 1948, p. 35.
10. Thorstein Veblen,
Absentee Ownership,
Augustus M. Kelley, Nova Iorque, 1923, p. 300; Baran e Sweezy,
Monopoly Capital
, pp. 131-34. A análise de Veblen do esforço de vendas estava
integrada com a sua crítica clássica do consumo conspícuo,
conforme apresentou em
The Theory of the Leisure Class,
Modern Library, Nova Iorque, 1934.
11. Esta história foi contada a um de nós por um antigo
profissional da publicidade na agência de Reeve, a Ted Bates. Para
versões algo diferentes da história, cf. Reed Hundt, presidente
da Comissão Federal de Comunicações, "The Children's
Emmy: An Award Worth Winning", 19 de Novembro de 1996,
http://www.fcc.gov/Speeches/Hundt/spreh650.txt
; e Richard S. Tedlow,
The Watson Dynasty,
HarperBusiness, Nova Iorque, 2003, p. 118. Reeves foi um adepto desses
estratagemas publicitários ilusórios para apresentar como novo e
singular o que, na verdade, era velho e vulgar num dado produto. Cf. a
discussão em Baran e Sweezy,
Monopoly Capital,
p. 129.
12. Baran e Sweezy,
Monopoly Capital,
pp. 122 e 141.
13. Borden,
The Economic Effects of Advertising,
p. 53.
14. Cf. também Douglas Galbi, "U.S. Annual Advertising Spending
Since 1919",
http://galbithink.org/ad-spending.htm
(acesso a 1 de Janeiro
de 2009); e Robert Sahr, "Inflation Conversion Factors for Dollars 1774 to
Estimated 2018", Oregon State University,
http://oregonstate.edu/cla/polisci/faculty-research/sahr/sahr.htm
(acesso a 27
de Fevereiro de 2009).
15. K. W. Rothschild, "A Note on Advertising",
Economic Journal
52, n.º 205, Março de 1942, p. 115; Nicholas Kaldor, "The
Economic Aspects of Advertising",
The Review of Economic Studies
18, n.º 1, 1950-51, pp. 9-10.
16. Baran e Sweezy,
Monopoly Capital,
p. 128.
17. Rothschild, "A Note on Advertising", p. 119; Borden,
The Economic Effects of Advertising,
pp. 734-35.
18. Cf. Robert Coen, "Insider's Report: Presentation on Advertising
Expenditures", Dezembro de 2008,
http://www.mccann.com
.
19. Brett Williams, "SANA Race and Justice Plenary I",
North American Observer
11, n.º 2, Outubro de 2003, p. 3. Cf. também Gregory D. Squires,
"The New Redlining",
in
Squires, ed.,
Why the Poor Pay More: How to Stop Predatory Lending,
Praeger, Westport, 2004, pp. 1-23.
20. Brett Williams,
Debt for Sale,
University of Pennsylvania Press, Filadélfia, 2004, pp. 17-18.
21. Baran e Sweezy,
Monopoly Capital,
p. 121.
22. Sobre o capitalismo monopolista, a ascensão do jornalismo
profissional e o seu subsequente declínio cf. Robert W. McChesney,
The Political Economy of the Media,
Monthly Review Press, Nova Iorque, 2008, pp. 25-66.
23. Veblen,
Absentee Ownership,
p. 300.
24 "Em "Harlem Heghts", um novo
reality show
da BET, as jovens e modernas estrelas sibilam Listerine, tratam as suas
alergias com Zyrtec e adoçam o seu café com Splenda." Assim
começa um artigo do
The New York Times
sobre a introdução cada vez mais "orgânica" de
produtos comerciais nas parangonas dos programas televisivos. Nas palavras de
Alvin Bowles, vice-presidente sénior para o
marketing
integrado da BET Networks, "Sermos capazes de utilizar
integrações de enredos e de fixar o seu produto ou mensagem no
interior do ambiente que controlamos, permite-nos oferecer uma mensagem
diferente do que conseguíamos fazer anteriormente". Essa mensagem
é, obviamente, uma mensagem comercial que gera retornos comerciais.
"Product Placements, Deftlty Woven Into the Story Line",
The New York Times,
2 de Março de 2009.
25. Jack Meyers, "Advertising's Share of Marketing Budgets Declines 12% in
Past Decade",
http://www.jackmyers.com/commentary/media-spending-forecasts/31225394.html
;
"What Happened to Advertising",
Business Week,
23 de Setembro de 1991; Naomi Klein,
No Logo,
St. Martin's Press, Nova Iorque, 1999, p. 14; Michael Dawson,
The Consumer Trap,
University of Illinois Press, Urbana, 2003, p. 175.
26. Na verdade, a publicidade é consideravelmente menos que 30 por cento
da totalidade do
marketing.
Alguns analistas de
marketing
afirmaram que só a promoção de vendas é,
provavelmente, três vezes o nível da publicidade. O
marketing
directo, por outro lado, cresceu rapidamente, com o número de
catálogos enviados a consumidores a aumentar a uma média de 16
por cento por ano entre 1980 e 1994. Dado que o
marketing
também inclui a definição de objectivos, a pesquisa de
motivação e a gestão de produto, elementos nem sequer
considerados na equação, torna-se ainda mais claro que a
publicidade é uma porção relativamente pequena e
decrescente. Uma estimativa por alto feita por um destacado analista de
marketing
colocou as despesas totais com
marketing
nos Estados Unidos no bilião de dólares em 1992, enquanto a
publicidade total representaria apenas 133,7 mi milhões. Kevin C. Clancy
e Robert S. Shulman,
Across the Board,
Outubro de 1993, p. 38; e
Marketing Myths that are Killing Business,
McGraw Hill, Nova Iorque, 1994, pp. 140, 171-72, 221.
27. Gabinete de Análise Económica, "Gross Domestic
Product", tabela 1.1.5, http://bea.gov/ ; Jack Myers, "Advertising
and Marketing Forecast, 2006-2009", Jack Myers Media Business Report
(2007),
https://www.myersreport.com/
(disponível em
www.marketingcharts.com
).
28. John M. Donohue, Marisa Cevasco e Meredith B. Rosenthal, "A Decade of
Direct-to-Consumer Advertising of Prescription Drugs",
New England Journal of Medicine
357, n.º 7, 16 de Agosto de 2007, pp. 673-81.
29. "Resources: Marketing to Kids", CBS News, 17 de Maio de 2007,
http://www.cbsnews.com/stories/2007/05/14/fyi/main2798401.shtml
; Juliet Schor,
Born to Buy,
Scribner, Nova Iorque, 2004, p. 21.
30. Baran e Sweezy,
Monopoly Capital,
p. 121.
31. Sobre a relação inversa entre os bens materiais e a felicidade
humana, cf. Sut Jhally, "Advertising at the End of the Apocalypse",
pp. 27-39
in Critical Studies in Media Commercialism,
Robin Andersen e Lance Strate, eds., Oxford University Press, Nova Iorque,
2000.
32. Baran e Sweezy, "Theses on Advertising",
in
Paul A. Baran,
The Longer View,
Monthly Review Press, Nova Iorque, 1969, p. 232 (sublinhados no original).
33. Baran e Sweezy, "Theses on Advertising", p. 233.
34 .
Printers Ink
, 20 de Julho de 1933, p. 78.
35. Hamilton citado em James Rorty,
Order on the Air!,
The John Day Co., Nova Iorque, 1934, p. 10.
36. Baran e Sweezy,
Monopoly Capital,
p. 141 (sublinhados no original).
37 Inger L. Stole,
Advertising on Trial: Consumer Activism and Corporate Public Relations in the
1930s.
University of Illinois Press, Urbana, 2006.
38. Robert W. McChesney,
Telecommunications, Mass Media, and Democracy,
Oxford University Press, Nova Iorque, 1993.
39. Centro Mundial de Estudos sobre Publicidade, "Top 10 countries by
advertising expenditure, 2007",
http://www.warc.com/LandingPages/Data/Adspend/AdspendByCountry.asp
(acesso a 26
de Janeiro de 2009).
[*]
Robert W. McChesney é professor no departamento de
Comunicação da Universidade de Illinois, em Urbana-Champaign. O
seu livro mais recente é
The Political Economy of Media: Enduring Issues, Emerging Dilemmas
(Monthly Review Press, 2008). John Bellamy Foster é editor da
Monthly Review
e professor de Sociologia na Universidade de Oregon. É co-autor, com
Fred Magdoff, de
The Great Financial Crisis: Causes and Consequences
(Monthly Review Press, Janeiro de 2009), entre numerosos trabalhos. Inger L.
Stole é professora associada de Comunicação na
Universidade de Illinois, em Urbana-Champaign. É autora de
Advertising on Trial: Consumer Activism And Corporate Public Relations in the 1930s
(University of Illinois Press, 2006). Hannah Holleman é estudante de
doutoramento na Universidade de Oregon.
O original encontra-se em
http://monthlyreview.org/090406-mcchesney-foster-stole-holleman.php
.
Tradução gentilmente cedida por
Zion Edições
.
Este ensaio encontra-se em
http://resistir.info/
.
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