A agenda real B3W-NATO
A B3W pretende descarrilar a BRI,
flexionar os músculos da NATO e assediar a China ininterruptamente
The West is the best
The West is the best
Get here and we'll do the rest
Jim Morrison,
The End
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O Ocidente é o melhor
O Ocidente é o melhor
Chegue aqui e faremos o resto
Jim Morrison,
O Fim
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Para aqueles que se querem poupar à provação de vasculhar o
comunicado da cimeira da NATO
, aqui está o resumo conciso: A Rússia é uma
"ameaça aguda" e a China é um "desafio
sistémico".
A NATO, claro, é apenas um bando de garotos inocentes a construir
castelos numa caixa de areia.
Outrora, na sua época, Lord Hastings Lionel Ismay, o
primeiro secretário-geral da NATO
, cunhou o objectivo transatlântico: "manter a União
Soviética fora, os americanos dentro e os alemães em baixo".
Com a refundição dos Furiosos anos vinte (
Raging Twenties
), a frase passa a ler-se assim: como "manter os americanos dentro,
a UE em baixo e a Rússia-China contidas".
Assim, a organização do
Atlântico Norte
(itálicos meus) agora relocalizou-se por toda a Eurásia, a
combater o que descreve como "ameaças do Leste". Bem, isso
é um passo para além do Afeganistão a
intersecção da Ásia Central e do Sul onde sem
cerimónias a NATO foi humilhada por um bando de Pashtuns com
Kalashnikovs.
A Rússia continua a ser a ameaça principal mencionada 63
vezes no comunicado. O actual chefe da NATO, o caniche Jens Stoltenberg, diz
que a NATO não se limitará a "reflectir" a
Rússia: irá de facto superá-la e cercá-la com
múltiplas formações de batalha, pois
"implementámos agora os maiores reforços da nossa defesa
colectiva desde o fim da Guerra Fria".
O comunicado é categórico: o único caminho para gastos
militares é o da subida. Contexto: o orçamento total da
"defesa" dos 30 membros da NATO crescerá 4,1% em 2021,
atingindo um estarrecedor montante de 1,049 milhão de milhões
(trillion)
de dólares (US$726 mil milhões dos EUA, US$323 mil
milhões de aliados diversos).
Afinal de contas, as "ameaças do Leste" abundam. Da
Rússia, há todas aquelas armas hipersónicas que
desconcertam os generais da NATO; aqueles exercícios em grande escala
perto das fronteiras dos membros da NATO; constantes violações do
espaço aéreo; integração militar com aquele
"ditador" na Bielorrússia.
Quanto às ameaças da China Mar do Sul da China, Formosa, o
Indo-Pacífico em geral coube ao G7 sair-se com um plano.
Este pinta-se de "verde" com o "inclusivo"
Build Back Better World (B3W)
, apregoado como a "alternativa" ocidental à Belt and Road
Initiative (BRI). O B3W respeita "os nossos valores" o qual o
cómico britânico Boris Johnson descreveu como
construção de infraestrutura de um género mais
"neutro" ou "feminino" e que, no futuro,
removerá bens produzidos com trabalho forçado (código para
Xinjiang) das cadeias de abastecimento.
A Casa Branca tem a sua própria
ênfase quanto ao B3W
: trata-se de uma "parceria de infra-estruturas orientada por
valores, de alto padrão e transparente" a qual estará a
"mobilizar
capital do sector privado em quatro áreas de enfoque clima,
saúde e segurança sanitária, tecnologia digital, e
igualdade de género com investimentos catalíticos das
nossas respectivas instituições de desenvolvimento".
Os tais "investimentos catalíticos" iniciais para o BW3 foram
estimados em US$100 mil milhões. Ninguém sabe como estes fundos
virão das "instituições de desenvolvimento".
Observadores da Seasoned Global South já apostam que eles serão
fornecidos essencialmente por empréstimos "verdes" do
FMI/Banco Mundial ligados ao sector privado de investimento em mercados
emergentes seleccionados, com olho no lucro.
A Casa Branca é categórica em que "o B3W terá um
âmbito global, desde a América Latina e Caraíbas até
a África e ao Indo-Pacífico". Note-se a flagrante tentativa
de igualar o alcance do BRI.
Todos estes recursos "verdes" e novas cadeias logísticas
serão financiadas por uma variante da chuva dinheiro despejada de
helicópteros dos Bancos Centrais, a qual acabaria por beneficiar os
membros do G7, mas certamente não a China.
E o "protector" destes novos corredores geoestratégicos
"verdes" será quem mais? a NATO. Essa é a
consequência natural do "alcance global" enfatizado na agenda
NATO 2030
.
A NATO como protectora de investimentos
Esquemas de infraestrutura "alternativa" já proliferam,
destinados a conter a "intimidação russa" e a
"intromissão chinesa" afastadas da UE. Este é o caso da
Iniciativa dos Três Mares (
Three Seas Initiative
), onde se supõe que 12 estados-membros da Europa do Leste interconectem
melhor os Mares Adriático, Báltico e Negro.
Esta iniciativa é uma cópia pálida do mecanismo 17+1 da
China de integração da Europa do Leste como parte do BRI
neste caso forçando-os a construir uma infraestrutura muito dispendiosa
para receber importações também muito dispendiosas de
energia americana.
A ofensiva contra as "ameaças do Leste" está destinada
a falhar.
Dmitry Orlov
pormenorizou
como "a Rússia é campeã na construção
e operação de enormes sistemas de energia, transportes e
produção de materiais" e, em paralelo, como "a
tecnosfera... tem-se tranquilamente relocalizado e está agora ocupada em
tele-trabalho entre Moscovo e Pequim".
Como sabe todo iniciado em computação, a China está
à frente no 5G e é o principal mercado do mundo para chips. E
agora a Lei de Sanções Anti-Estrangeiro significativamente
aprovada exactamente antes do G7 na Cornualha
"salvaguardará" companhias chinesas de medidas
"unilaterais e discriminatórias impostas por países
estrangeiros" e da "jurisdição de braço
longo" dos EUA, forçando portanto o capital atlanticista a
fazer uma escolha
.
Foi a China como potência global em ascensão que de facto
propôs em primeiro lugar uma "alternativa" para o Sul Global,
um contragolpe para a infindável armadilha da dívida do FMI/Banco
Mundial das últimas décadas. O BRI é uma estratégia
de investimento/desenvolvimento sustentável altamente complexa com o
potencial para integrar vastas extensões do Sul Global.
Trata-se de uma conexão directa à famosa teoria do Presidente Mao
sobre a
divisão dos Três Mundos
; a ênfase de então no Movimento Não Alinhado
pós-colonial, do qual a China era um apoiante firme, agora abrange todo o
Sul Global. No fim, trata-se sempre de soberania contra neocolonialismo.
O B3W é a reacção ocidental, essencialmente americana, ao
BRI: tentar escamotear o maior número possível de projectos
enquanto assedia a China ininterruptamente.
Ao contrário da China ou da Alemanha, os EUA dificilmente fabricam
produtos que o Sul Global queira comprar. A manufactura representa apenas 5% de
uma economia estado-unidense movida essencialmente pelo dólar americano
como divisa de reserva e pelo minguante Império de Bases
do Pentágono.
A China produz dez engenheiros de topo para cada "perito financeiro"
estado-unidense. A China aperfeiçoou o que é conhecido entre os
técnicos bilingues como um sistema eficaz para fazer planos de
desenvolvimento SMART
(specific, measurable, achievable, relevant and time-bound)
[NT]
e implementá-los.
A noção de que o Sul Global será convencido a privilegiar
o B3W um golpe oco de relações públicas, na melhor
das hipóteses em relação ao BRI é
ridícula. No entanto, a OTAN será arregimentada para proteger
activamente aqueles investimentos que seguem "os nossos valores". Uma
coisa é certa: haverá sangue.
16/Junho/2021
[NT] Específicos, mensuráveis, exequíveis, relevantes e
calendarizados.
O original encontra-se no
Asia Times
e em
thesaker.is/the-real-b3w-nato-agenda/
Este artigo encontra-se em
https://resistir.info/
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