Remdesivir, vacinas ARN e "obsolescência programada" das
moléculas: o capitalismo é um travão para a
ciência
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"O Capital tem horror à ausência de lucros. Quando
fareja um benefício razoável, o Capital torna-se ousado. A
20% fica
entusiasmado. A 50% é temerário. A 100% espezinha
todas as leis humanas e a 300% não recua perante nenhum crime".
Karl Marx,
O Capital,
Livro 1, capítulo 22.
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Uma análise marxista pode ser tudo exceto "conspirativa"
Identificar os conflitos de interesse e os tráficos de influência
que atravessam uma qualquer crise, quer seja sanitária,
económica, geoestratégica ou ambiental, não é cair
na "conspiração". Não é preciso imaginar
a criação deliberada de um vírus sintético para
explicar que a Big Pharma gera mais-valias excecionais ou que os estados
capitalistas reduzem drasticamente os nossos direitos democráticos.
Pelo contrário, reconhecer que todos os "acidentes" da
História podem ser para a cadeia imperialista mundial agonizante a
oportunidade duma ressurreição, duma caça ao lucro
máximo inesperado, é articular o "acaso e a
necessidade" na muito sinuosa luta de classes internacional. É
retomar uma visão dialética e materialista da História,
que tanto tem sido menosprezada.
O capital não orquestrou na sombra a crise de 1929 para submeter uma boa
parte dos povos europeus ao fascismo nos anos 30. Foi atingido por uma crise
congénita, que surgiu tão inevitavelmente como um tremor de terra
iminente numa região sísmica há muito adormecida, mas
sempre no momento em que menos se esperava
Depois da crise de 1929, o
capital adaptou-se, procurando que os trabalhadores paguem a crise, qualquer
que fosse o custo social. O fascismo é a forma terrorista que o capital
assume, quando, ferido de morte, fica assustado e dissimula o seu desespero
estratégico (intimamente ligado à anarquia da
produção que o sustenta) sob uma política de
violência social em todas as direções.
Baralhar as cartas é um "jogo" permanente do processo
capitalista e não podemos espantar-nos ingenuamente por, paralelamente a
uma queda evidente do PIB e a um salto prodigioso da dívida
pública, o CAC40
[NT]
francês, por exemplo, ter assistido em novembro a uma subida recorde
desde 1988. Os gigantes da distribuição decuplicam os seus lucros
enquanto assistimos à exterminação sistemática do
pequeno comércio pelos
ukases
[NT]
tão injustos como incoerentes. Uma comparação entre o
confinamento da primavera e o do outono permite perceber como, com base numa
necessidade sanitária (que pode ser tratada de mil maneiras, conforme os
países), passámos duma paragem brutal, sem
preparação, até certo ponto suicidária e
forçosamente temporária da economia, para um estranho
"semiconfinamento" durante o qual apenas o artesanato, o pequeno
comércio e o setor cultural são sacrificados enquanto que o
conjunto dos superlucros dos grandes setores industriais e financeiros se
mantêm no mesmo ritmo. As escolas não foram fechadas, os
transportes públicos não sofreram diminuição de
frequência, os supermercados nunca estiveram tão apinhados, a
uberização
[NT]
de setores inteiros da economia, como a generalização da venda
por correspondência, são a partir de agora "setores de
ponta". Em suma: As formas mais residuais do capitalismo
pré-imperialista foram progressivamente erradicadas enquanto todos os
locais de contaminação se mantêm deliberadamente
abertos
para que as "grandes empresas" funcionem.
Cabe ao povo realizar o máximo esforço e sofrer todas as
restrições: nada de saídas, nada de tempos livres, nada de
laços sociais, nada de ajuntamentos
Que boas notícias para
as burguesias ocidentais desesperadas, que não conseguem rivalizar com
os países emergentes senão ao preço da submissão
brutal das suas classes trabalhadoras. Neste processo, têm subsistido
contradições entre a ideologia "liberal" das
últimas décadas e as tentações fascistas de
determinados Estados, se bem que uma gera sempre potencialmente a outra, com
algumas hesitações e em condições bem determinadas.
A desconfiança mais ou menos profunda das populações para
com os seus Estados determinou o grau de recuo dos direitos democráticos
efetuado. O
ausweiss
[cartão de identificação, NT] de saída em
França durante os confinamentos, um raro exemplo do género, foi
uma ilustração disso, assim como a negação total
dos problemas psíquicos gerados pelos "conselhos de guerra"
sanitários: vaga de suicídios, aumento de ansiolíticos e
antidepressivos, aumento das violências vulgares, da delinquência,
ou mesmo dos atentados terroristas.
Trata-se de uma contingência de dimensão mundial (uma pandemia,
como houve na Idade Média, com a Peste ou, mais recentemente, no
início do século XX, com a gripe espanhola que, é bom
reconhecê-lo, teve uma virulência muito maior do que a de hoje),
progressivamente incorporada no processo geral da crise do capitalismo
imperialista. Tal como uma fome de origem climática revelou o rosto da
monarquia feudal na véspera da revolução francesa, tal
como a ocupação alemã mostrou o grau de
traição do segundo Império na véspera da Comuna de
Paris, tal como a carnificina da "Grande Guerra" industrial
desmascarou o horror do imperialismo predador na véspera da
revolução de outubro de 1917, assim é cada vez mais
evidente que esta crise sanitária já abalou o mundo atual e as
relações geoestratégicas que organizaram a hegemonia
americana pós-soviética
reveladora duma incapacidade do
capitalismo agonizante para gerar as catástrofes, para o pior
ou
para o melhor.
A fascização passa também, no plano ideológico, por
uma sábia ditadura do medo, com argumentos de autoridade que mascaram a
sua "união sagrada" antiparlamentar com um "consenso
científico" fraudulento, reconhecidamente eficaz para condicionar
uma população que ignora os desafios da
investigação científica. Na Assembleia Nacional, o
ministro da Saúde, Olivier Véran, berrou aos deputados hostis a
determinados aspetos do protocolo sanitário: "Se não querem
ouvir, saiam daqui!" (4/novembro/2020).
O "conselho científico" de Emmanuel Macron, conselho que
alardeou a inutilidade das máscaras e dos testes quando a França
não os tinha em
stock,
país que, para um dos confinamentos mais rigorosos da Europa,
apresenta a mortalidade mais elevada (mais elevada mesmo do que a da
Suécia que, no entanto, não confinou!), país que decretou
a proibição governamental da hidroxicloroquina no dia a seguir
à famosa publicação da [revista]
Lancet
(que acabou por ser desmentida), que afirmou até dezembro que o
vírus não sofreria nenhuma mutação, nunca deixou de
mentir
mas continua a pregar impunemente, tapando com um verniz
pseudo-científico os decretos do regime. Quem apontar as mentiras deles,
é apelidado de conspirador.
Toda a dissonância no seio da comunidade científica assume aspetos
de debate nacional e aqueles que, em Marselha, registaram a mortalidade mais
baixa da França para as grandes metrópoles, passam a ser quase
criminosos, por intermédio de um trabalho
político-mediático de grande fôlego. Nesta inversão
acusadora especialmente suspeita, é conveniente voltar aos factos. E
antes dos escândalos quanto à questão dos tratamentos, a
polémica em torno da "segunda vaga" é muito instrutiva
neste aspeto.
"Segunda vaga" de um vírus que não sofre
mutação, ou sazonalidade?
Aquando do primeiro desconfinamento, na primavera passada, procurou-se assustar
a população com a iminência duma segunda vaga. Esta
ameaça durou até ao outono, vigiando-se ao microscópio
todos os sobressaltos da epidemia mesmo quando os serviços de
reanimação se mantinham vazios. No entanto, a curva dos testes
positivos tinha baixado continuamente, tanto antes como depois da data do
desconfinamento, como se essa baixa inexorável respondesse a uma
lógica interna independente de todas as medidas sanitárias,
depois de passado o pico. Com efeito, nesse verão não houve
"segunda vaga" (como as "bossas de camelo").
Persistiu um ruído de fundo no que se refere a casos positivos, como
para muitas epidemias "clássicas" dos coronavírus.
Observaram-se aumentos relativos nomeadamente nas datas de reabertura das
fronteiras na Europa Ocidental (junho), depois dos desconfinamentos, ou aquando
do regresso de residentes que tinham contraído o vírus fora do
país (ou a entrada de doentes de dupla nacionalidade regressados a
França para serem legitimamente tratados). Mas tudo isso nunca
constituiu uma vaga epidémica.
Em contrapartida, a partir de junho, Didier Raoult, que afirmara que não
se previa nenhuma "segunda vaga", falou pela primeira vez da
possibilidade duma mutação que tornava o vírus sazonal e,
portanto, de um possível regresso no outono. Em perfeita
contradição com as ameaças do conselho científico,
eis o que Didier Raoult dizia em junho passado: "É uma epidemia
tradicional em curva. Mas o futuro a Deus pertence. Entre os
coronavírus, alguns desaparecem pura e simplesmente. Outros assumem um
ritmo sazonal: é o caso de quatro coronavírus endémicos.
Ninguém pode prever isso, tal como não pudemos prever o resto.
(
) Os coronavírus endémicos acabam por se instalar,
é o que acontece geralmente. Determinados parâmetros
permitirão saber se a doença regressa ou não. Se passar a
ser uma doença sazonal, há uma hipótese de vê-lo no
hemisfério sul antes de voltar a vê-lo aqui, porque o inverno
começa agora no hemisfério sul. (
) Se formos inteligentes,
observamos o que se passa no outro hemisfério para saber se
voltará para aqui". (D. Raoult, "Finalement la
chloroquine", VIDEO IHU Méditerranée, 13jun2020). Com
efeito, a partir do fim do mês de junho, uma forte vaga epidémica
atravessava a Austrália, por exemplo (que, aliás, não
conhece hoje nenhuma vaga em novembro/dezembro, ou seja, no verão no
hemisfério sul).
Será que a vaga que surgiu em outubro é uma vaga sazonal e
não o resultado da nossa "falta de civismo", denunciada com
zelo de junho a setembro? Mesmo assim, é preciso olhar de perto para os
números e para as curvas. O "ruído de fundo" dos
contágios em agosto e em setembro permitiu alimentar o medo e sobretudo
atribuir aos comportamentos individuais o inquietante recrudescimento. Ora, a
vaga outonal instalou-se na Europa com um sincronismo incrível. O
aumento exponencial dos casos declarou-se ao mesmo tempo em todos os
países na primeira semana de outubro, qualquer que fosse a
situação de cada um deles. Em certos países uma
maré de subida lenta podia levar a crer na iminência de um limiar
ou de um salto qualitativo (Itália, Alemanha), mas esse salto
declarou-se ao mesmo tempo noutros países em que o número de
casos se mantinha estável sem subir (França, Reino Unido), ou
mesmo baixava nitidamente já há quinze dias (Espanha, Dinamarca)!
Como cereja em cima do bolo, na Itália, citada diariamente nos meios de
comunicação francesa pelo seu comportamento exemplar no respeito
pelo protocolo sanitário, a vaga acabou por ser idêntica (e
sincronizada) com todas as outras vagas da Europa ocidental
Só por uma simplificação extrema e injusta se pôde
acusar o professor Raoult de falsas previsões quanto à segunda
vaga. Na realidade, ele apenas previu a ausência de um "salto"
no verão, e a possibilidade de uma mutação tornar este
vírus sazonal
Ora, mesmo a possibilidade duma
mutação do vírus, apesar de demonstrada pelos genomas
realizados periodicamente no IHU Méditerranée, foi rejeitada,
inclusivamente durante a vaga outonal. Como, na cabeça das pessoas, uma
mutação significa renunciar à esperança de uma
vacina milagrosa, e sobretudo porque se escapa às lógicas
acusadoras e punitivas quanto à origem das vagas epidémicas, o
governo, o conselho científico, os
media
ridicularizaram essa possibilidade e acusaram Didier Raoult de charlatanismo
quando ele o demonstrou cientificamente a partir do mês de setembro,
apoiado pelos genomas.
Segundo a mesma lógica, escondeu-se que a baixa desta vaga outonal
não estava ligada ao confinamento (visto que este só foi posto em
prática depois do pico epidémico, quando o refluxo
começava a medir-se pelas águas usadas das grandes cidades).
Tratava-se visivelmente duma variante sazonal que evoluía numa
"curva em sino" (as variantes formam picos sucessivos que se
sobrepõem uns aos outros). Didier Raoult explicou em outubro: "Os
vírus estão sempre em mutação, mas sofrem
mutações duma forma mais ou menos brutal. As duas que são
frequentes atualmente [vaga outonal] são 'Marselha 4' e 'Marselha 5'.
Para o 'Marselha 4', vemos um salto que corresponde a toda uma
acumulação de mutações. Ocorreu um salto que
explica que já não se trata de uma simples mutação,
mas duma variante diferente. É esta variante que está
epidémica atualmente e que provoca 75% dos casos em Marselha. (
)
Os coronavírus são conhecidos, como os rinovírus [as duas
famílias são responsáveis por numerosas rinites sazonais.
Ndla], por se recombinarem entre vírus. São muito próximos
e, portanto, é possível que se façam
recombinações com esses rinovírus". (D. Raoult,
"Mutations, variants, ce que les génomes nous apprennent",
VIDEO IHU Méditerranée, 27/outubro/2020).
É desconcertante ler, no mesmo período, no INSERM
[NT]
, que "os coronavírus, que são vírus com ARN,
são mais estáveis porque produzem uma enzima que corrige erros,
chamada 'exoribonuclease'. O SARS-Cov-2 sofreria mudanças duas vezes
menos rapidamente que os vírus gripais"
("Mutações que tornam o SARS-CoV-2 mais perigoso,
realmente?" Presse.inserm.fr, 12 outubro 2020). Sem, evidentemente,
pôr em causa a existência de uma tal resistência às
mutações, é forçoso constatar que, apesar disso,
surgiram variantes
dado que isso é hoje afirmado muito claramente
por ocasião da "terceira vaga".
Evidentemente. Esta terceira vaga de inverno surge em pleno protocolo
sanitário, simultaneamente em todos os países europeus (com um
certo avanço nos países setentrionais, onde parece ter nascido
esta variante) e dificilmente se pode imputar à falta de civismo das
massas
. É preciso pois aceitar a existência duma nova
variante
embora ela tenha sido rejeitada quando Didier Raoult falou disso
durante a vaga outonal!
O discurso científico não se tornou mais acessível ao
grande público neste ano de 2020. Pelo contrário, foi
obscurecido, aquando de mais esta pandemia, por um pensamento oficial de ordem
essencialmente política. É esse pensamento único,
rejeitado incessantemente pelos factos, que embaciou a imagem da ciência
aos olhos das pessoas, e não os discursos dissonantes como o de Didier
Raoult e da sua equipa. Em que campo se situam então os verdadeiros
defensores da ciência? Do lado da ilusão ingénua de um
consenso científico (que nunca existiu na História das
ciências) contra o qual qualquer desvio seria uma prova de charlatanismo?
Ou do lado de determinadas dissonâncias, quando elas são
cientificamente apoiadas e até certo ponto dignas de confiança
dado que estão isentas das influências devastadoras da Big Pharma?
A obsolescência programada das moléculas, vitória do
capital sobre a investigação
Didier Raoult não é marxista nem profeta. Pode ter errado na sua
carreira como qualquer outro investigador, mesmo entre os mais
"reconhecidos" (de que faz parte). Pode ter-se enganado,
inclusivamente no início desta pandemia. No entanto, é evidente
que as suas comunicações mostraram, em retrospetiva, ser mais
sérias no plano científico, do que as comunicações
político-sanitárias oficiais e mediáticas e não
é por acaso que uma boa parte da população, sem
obrigatoriamente conhecer os problemas da investigação nem a
História das ciências, aderiu a ele e à sua equipa, com os
possíveis exageros conspiratórios que conhecemos (e o desprezo
burguês pelo povo expresso em nome duma luta contra o "populismo
científico"). Mas não se avalia uma análise
científica pelo auditório que ela atrai, sem cair num
"moralismo" popperiano totalmente idealista.
Também não são as ideias políticas do
epidemiologista que nos interessam aqui e, por uma questão de
objetividade, quase poderíamos dizer que dar razão a Raoult,
conhecido
gaulliste,
é uma prova de imparcialidade, contrariamente a todos aqueles,
inclusive na comunidade científica
[1]
, que enfileiraram resolutamente a partir de março, no combate
ad hominem
contra o "charlatão" e a "lamentável imagem da
ciência que ele dá"
insistindo na sua arrogância
ou na sua atitude desagradável para com os seus empregados.
Mas, para lá das querelas pessoais entre investigadores que se conhecem
ou se detestam há muito, a realidade da luta que se trava no mundo da
investigação, um mundo custoso que depende de financiamentos
públicos e privados colossais e opacos, é a das "novas
moléculas"
muito caras (como o remdesivir da gigantesca farmacêutica americana
Gilead), contra as moléculas genéricas "reposicionadas"
(medicamentos já existentes e conhecidos há muito tempo, como a
hidroxicloroquina). Num plano teórico, que permite compreender o que
está em jogo atualmente e no futuro, incluindo a questão das
vacinas, é uma investigação que se apoia na
estimulação do sistema imunitário (reposicionando
frequentemente), contra a alta tecnologia molecular substitutiva de
obsolescência programada ("novas moléculas"). Sejamos
mais precisos: de um lado as moléculas de "grande espetro",
que reforçam o nosso sistema imunitário contra uma
infeção, do outro lado as moléculas específicas,
pontuais, que rejeitam as reações e a evolução
natural do agente infeccioso contra o qual elas atuam.
Houve claramente uma frente comum entre os detratores de Raoult no seio da
comunidade científica e os lobistas mais ou menos dissimulados da
Gilead, e de outros gigantes da indústria farmacêutica. Uns,
frequentemente estatísticos afastados do terreno ou físicos,
químicos mais ou menos mediáticos, exprimiam com isso a sua
adesão ao ideal de uma ciência "pura",
"moral", incorruptível por definição. Por outras
palavras, exprimiam o seu "cientismo" ou o seu "formalismo"
epistemológico. Os outros, muito mais discretos, financiaram
maciçamente o descrédito do "tratamento Raoult", quer
através de estudos "metodologicamente" válidos, mas
baseados em protocolos manipulados, quer através de estudos baseados em
dados reais mas construídos sobre comparações apressadas e
amálgamas.
[2]
Esta frente comum aguentou-se, apesar do escândalo do
"Lancetgate"
ou seja, a amplidão do ódio
acumulado contra o epidemiologista marselhês. Melhor ainda: os
"honestos" sábios anti-Raoult chegaram a afirmar que o
desmentido do famoso estudo publicado pela
Lancet
(sem investigação séria nem processo contra os autores
financiados pela Gilead) era uma prova de cientificidade! Que teriam dito se
uma publicação assim tivesse sido realizada pelo IHU a favor da
hidroxicloroquina?
Hoje, o conjunto dos estudos realizados em torno deste tratamento mostra que o
medicamento funciona. Não é um "remédio
milagre", coisa que ninguém apregoou. Mas como a sua inocuidade
já é reconhecida (sem ter ocorrido nenhum escândalo sobre
as proibições governamentais do verão!), a questão
da sua eficácia já não é polémica para quem
se informar com dados atualizados.
[3]
Para acalmar uma vaga epidémica num período de urgência
é necessário utilizar todos os meios e, portanto, deve ser
utilizado um tratamento acessível, pouco custoso, suscetível de
reduzir tendencialmente o período de incubação e de
contágio e de limitar as complicações nos doentes
vulneráveis (e, portanto, a mortalidade). É o caso em numerosos
países, como outros tratamentos antivirais, em especial nos
países emergentes e do hemisfério sul.
Curiosamente, a estratégia político-mediática
anti-cloroquina conheceu duas fases contraditórias: a primeira, na
primavera, consistiu em justapor todos os estudos (na altura pouco numerosos)
para mostrar que havia mais provas de falta de eficácia do que de
eficácia. Evidentemente, calavam-se as evidências: essa
justaposição misturava as sobredoses tóxicas e os
tratamentos tardios, ou mesmo em reanimação e o tratamento
precoce a 400/600 mg preconizado pelo IHU Méditerranée. O
argumento era pois puramente formalista. A segunda estratégia, este
inverno, face a uma justaposição muito mais completa (incluindo
sempre as sobredoses e os tratamentos tardios) que passa a mostrar a
eficácia do tratamento, recua no modo da lógica formal: "com
o tempo, se isto funcionasse, já o saberíamos!" ou "de
qualquer modo, não se pode demonstrar nada com um tratamento
precoce!" E se tivessem deixado os médicos receitarem?
Porque é que a hidroxicloroquina "desagradou" tanto? Sabe-se:
porque é um tratamento antigo, inicialmente prescrito contra o paludismo
e o lúpus e que foi "reposicionado" como antiviral. Na
realidade, este problema do "reposicionamento" das moléculas
amplamente experimentadas ultrapassou a cloroquina enquanto tal. Ninguém
deu sequência às esperanças fornecidas pelo
reposicionamento do
interferon
2B que os investigadores cubanos propuseram (moléculas que estimulam ou
modulam, como a hidroxicloroquina (HCQ), as defesas imunitárias do
doente contra o agente infeccioso). A mesma experiência feita pelo
Instituto Pasteur em França, que depositava esperanças num
reposicionamento (a que não deu publicidade com medo de voltar a cair no
cenário polémico da cloroquina) para o qual os financiamentos
acabaram por não ser suficientes.
Conhece-se agora muito bem o impasse que constitui a
sistematização dos antibióticos contra as doenças
bacterianas. Os micróbios defendem-se evoluindo, armados de
funcionalidades infinitamente complexas que lhes permitem escapar às
moléculas tóxicas por meio de um reforço da sua capacidade
de mutação e do efeito duma seleção natural
proporcional à intensidade da sua exposição. De certa
forma, quando a luta contra as bactérias patogénicas optou pela
química dos antibióticos (a industrialização e a
produção maciça) depois da descoberta de Fleming nos anos
20, preferida até certo ponto à luta biológica dos
soviéticos na mesma época com a fagoterapia
[4]
(utilização de vírus antibacterianos, capazes de evoluir
por si mesmos) a partir das descobertas de Felix D'Herelles, abriu-se uma nova
era na química dos antibióticos para a "obsolescência
programada", de que obviamente não negamos os imensos
benefícios no decurso do século XX.
Quanto aos antivirais, que não são antibióticos, a
questão é mais complexa. Mas entre a hidroxicloroquina, cujos
efeitos no organismo são mais gerais, mais moderados e multiformes e o
remdesivir, "nova molécula" cuja ineficácia recente
contra o vírus Ébola comprometeu as finanças do grupo
Gilead, mas que se mostrou "promissor" contra o Sars-CoV-2, a batalha
foi infinitamente mais mediática do que o escândalo que se seguiu.
Na realidade, submeteu-se o remdesivir aos mesmos testes que os da HCQ durante
vários meses. A grande diferença entre os dois tratamentos era
sobretudo a toxicidade do remdesivir (embora já conhecida há
muito) a nível renal. Isso não impediu a Gilead de o vender a
preço de ouro à União Europeia no outono, por
várias centenas de milhões de dólares, enquanto a OMS
declarava, ao fim de meses de tergiversações e anúncios
favoráveis, que o medicamento já não é
recomendável. A mentira manteve-se imperturbável até se
passar à fase das vacinas, altura em que os tratamentos antivirais
regressam a um segundo plano na imprensa.
De certa forma, o remdesivir podia aparecer, como a "nova
molécula" de síntese produzida por um gigante da
indústria farmacêutica, como um "remédio
milagre", específico a esta estirpe viral (que ataca diretamente, e
independentemente do sistema imunitário do doente, como um
antibiótico ataca as bactérias) enquanto que a hidroxicloroquina,
um medicamento genérico produzido maciçamente no
hemisfério sul a um custo baixo, só podia fazer o papel de
"muleta", na falta de melhor. Num contexto de intensa propaganda
anti-chinesa, dificilmente podemos deixar de incluir este assunto naquilo a que
o grande epistemólogo Paul Feyerabend chamava, para a história a
longo prazo, o "chauvinismo científico ocidental".
É forçoso compreender o que uma crítica deste
género pode significar para lá do campo estritamente
científico. Na realidade, toda a análise marxista tem em conta o
facto de que o capitalismo não consegue impedir o progresso
científico, técnico ou médico, mas pode refreá-lo,
por vezes consideravelmente. Isto pode parecer paradoxal se preferirmos as
"novas moléculas" aos "remédios antigos" mas,
num período, o do início do século XXI, em que
caíram todos os dogmas da genética molecular e em que a
epigenética obriga a ter em consideração todas as
epidemias numa base ecossistémica, é posta em causa a
questão do "mecanicismo" reducionista permanente, a das
"moléculas milagrosas".
O único baluarte suficientemente "evoluído" para uma
infeção viral envolvida em metabolismos altamente complexos
é o sistema imunitário humano, um sistema que resulta de
milhões de anos de evolução e que é preciso ter em
conta seriamente para o apoiar com hipóteses de eficácia.
Para a agroecologia que concentra as suas forças a reforçar as
defesas naturais altamente complexas (e ainda muito imperfeitamente conhecidas
pela investigação reducionista), o objetivo é aumentar a
fertilidade dum solo sem as "substituir" pura e simplesmente por
contributos agroquímicos resultantes da agricultura intensiva. É
este o futuro da investigação altamente complexa da agronomia
moderna, perante a qual a agroquímica do século XX parece
obsoleta e simplista. Do mesmo modo, a ideia de que podemos lutar por um veneno
molecular milagroso contra um agente infeccioso formado por milhões de
anos de seleção natural é obsoleta face a uma
investigação abrangente que tenha em conta o sistema
imunitário humano em vez de entrar em concorrência com ele.
Esquecemo-nos frequentemente que todos os agentes infecciosos dispõem de
meios ilimitados para resistir às moléculas prejudiciais,
enquanto que o sistema imunitário consegue quase sempre, visto que
evolui e também se aperfeiçoa ao longo da vida para destrui-lo. A
este título, a vacinação é uma estratégia
muito mais "moderna" do que todos os supletivos medicamentosos
[5]
, apesar de a investigação ser sem dúvida mais
empírica e balbuciante.
Vacinas ocidentais "futuristas" contra as vacinas "à moda
antiga" chinesa e cubana?
É com efeito o que sugerem as autoridades sanitárias dos Estados
Unidos
[6]
a propósito das vacinas "clássicas", nomeadamente a
chinesa, desconfiando da inexperiência dos investigadores chineses, ou
mesmo subentendendo que os protocolos experimentais são
fraudulentos
perante o "futuro" que as "vacinas por ARN
mensageiro" representam.
É uma forma muito perturbadora de simplificar o problema porque se,
evidentemente, não se trata de contestar o imenso progresso que as
vacinas de ácidos nucleicos constituem, o seu uso apressado em milhares
de milhões de indivíduos, coberto por uma propaganda
mediática claramente favorável às vacinas ocidentais e
hostil às vacinas russas e chinesas, supõe uma confiança
que muitos perderam (ou nunca tiveram).
As vacinas russas, cubanas e chinesas baseiam-se em técnicas claramente
provadas desde há muito: uma delas resulta duma
modificação genética de um adenovírus inofensivo
utilizado como "veículo" injetável. As outras, cubanas
e chinesas, são vacinas ainda mais clássicas, fundadas na
atenuação do próprio vírus, na
tradição pasteuriana mais pura. A novidade é contudo
importante: sua engenharia genética pode passar a produzir os
vírus atenuados
in vitro
de modo extremamente rápido e maciço.
Do lado ocidental, as vacinas Pfizer e Moderna, para citar as mais conhecidas,
constituem claramente uma nova geração de vacinas que nunca foi
utilizada a esta escala. As vacinas por ARN mensageiro apresentam evidentemente
vantagens muito grandes, sendo a primeira a vantagem económica.
Não precisam de adjuvantes dispendiosos (e frequentemente
responsáveis potenciais de efeitos secundários) e são
suscetíveis de ser produzidas maciçamente e a baixo custo (apesar
de o condicionamento e as condições de injeção, que
os Estados financiarão, ou seja, os impostos, serem em contrapartida
vinculativos, dado que o ARN é muito frágil, contrariamente
às proteínas). Outra vantagem importante: se o vírus
sofrer uma mutação numa sequência genética
fundamental determinando as suas proteínas de ancoragem às
células humanas, é possível "reescrever"
rapidamente o ARN da vacina em consequência, sem novas
experimentações e de forma muito simples.
Digamos desde já que esta última modalidade coloca mais um
problema de dependência económica do que um problema
sanitário. Se o vírus sofrer uma mutação (e isso
já aconteceu várias vezes), a Big Pharma poderá afirmar
sempre, com razão ou sem ela, que, apesar da venda ultra-lucrativa de
stocks
duma primeira versão aos Estados, dispõe duma versão
"melhor" já atualizada, que será necessário
comprar de novo, e por aí fora. A inovação
científica ainda se combina aqui com a possibilidade duma forma de
"obsolescência programada" muito lucrativa.
A Big Pharma possui a partir de agora a quase totalidade das revistas
médicas outrora respeitáveis, as que publicam os artigos
após serem revistos. Possuem os grandes laboratórios
estratégicos de biotecnologia (a não ser nos países
sobreviventes do campo socialista como a China ou Cuba). Também
têm, claro, a cumplicidade dos governos
[7]
que farão as encomendas! A luta contra os "antivax" torna-se
extremamente delicada num contexto de suspeição como este,
bastante justificado, digamos de passagem. Parece hoje, sem surpresa, que os
que defendiam ardentemente o remdesivir ou a ausência de tratamento
contra a hidroxicloroquina, em 2020, são os mesmos que defendem em 2021
as vacinas ocidentais contra as vacinas russas, cubanas ou chinesas
Não é por acaso. O mercado é "livre, não
é falseado"
até certo ponto, evidentemente.
O principal problema ligado ao uso das vacinas por ARN mensageiro inscreve-se
num contexto teórico raramente abordado, para lá das
lógicas estritamente especulativas e que explica talvez porque é
que os grandes laboratórios reputados do "Sul", na China ou em
Cuba, preferem hoje fabricar vacinas "clássicas" em vez de
vacinas por ARN mensageiro, apesar de estas serem mais "modernas"
(vacinas que eles seriam capazes de produzir). Mas para falar disto são
necessárias algumas noções técnicas sobre as
modalidades de umas e de outras.
Um vírus é uma partícula mais simples que uma
célula e muito mais pequena. Contém alguns genes, inertes, que
depois de entrarem na célula alvo, vão exprimir-se para
reproduzir todos os componentes moleculares que permitem a
formação de milhões de cópias virais (que
sairão depois matando a célula alvo).
A vacina clássica consiste em fazer absorver, às
"células apresentadoras" do sistema imunitário do
hospedeiro, moléculas escolhidas do próprio vírus, a que
chamamos "antigenes" (moléculas "estrangeiras" que
desencadeiam por exemplo a produção de anticorpos
específicos, para os neutralizar). Consegue-se estimular o sistema
imunitário de boa forma, incluindo na vacina a(s) boa(s)
molécula(s), apresentadas de forma pertinente (quase sempre a face
exposta duma molécula viral da membrana de adesão às
células parasitárias, no caso do Sars-Cov-2, a famosa
proteína "Spike"). De certo modo, a vacina não
apresenta nenhuma diferença com a instalação real de um
agente infeccioso no organismo: é "digerida" por
células apresentadoras que, a seguir, o expõem na
superfície dos "pedaços" antigénicos estimulando
uma resposta imunitária especificamente dirigida.
A vacina por ARN mensageiro atinge o mesmo objetivo, mas por uma via
completamente diferente. Com efeito, contém pelo menos um gene viral
(não tóxico, visto que está sozinho e não consegue
reproduzir todo o vírus) que entra nas células apresentadoras,
é expresso por elas, o que cria uma produção maciça
de proteínas virais (inúteis e não tóxicas,
falsamente endógenas) suscetíveis de serem depois expostas de
forma clássica. Em geral, pensa-se reproduzir por esta via o processo
natural de reprodução viral, mas através de uma
única molécula e não do conjunto do genoma.
O problema reside na abordagem muito reducionista, muito mecanicista desse
processo, extremamente complexo. Já descrevemos e percebemos uma grande
parte dos mecanismos do ciclo de reprodução viral no seio da
célula hospedeira, mas será que dominamos a totalidade dos
processos metabólicos afetados por este ciclo? A questão pode
parecer fácil, mas a genética molecular (muito mecanicista e
reducionista, ou mesmo "química", para ilustrar a falta de
abordagem ecossistémica) outrora triunfante, é hoje profundamente
abalada por uma revolução epigenética que aboliu todos os
seus dogmas. A epigenética é o reconhecimento de processos
extremamente complexos de interações entre os genes e o seu
ambiente na célula. Há muito desapareceu o famoso "dogma
central da genética molecular" que postulava que os genes agiam
exprimindo-se no meio ambiente, mas que esse meio não podia afetar os
genes, e sabemos nomeadamente que não basta introduzir genes no
citoplasma duma célula, mesmo que sejam de ARN, para garantir a
proteção dos genes dessa célula (no seu núcleo). Um
grande número de reguladores naturais de ARN está permanentemente
a ser derramado no sangue por todo o organismo, no citoplasma de todas as
nossas células, nos núcleos delas, implicando uma infinidade de
interações reguladoras com os nossos genes.
Claro que um vírus também injeta os seus genes na célula
alvo para que eles se exprimam. Mas é um genoma inteiro que é
injetado e existem potencialmente regulações entre o novo
coronavírus e o material genético da célula hospedeira,
dois parceiros já muito complexos (e ainda não totalmente
conhecidos, tanto mais que se trata de um novo coronavírus).
Há portanto uma grande diferença entre as situações
"naturais" (estas são experimentadas e selecionadas há
milhões de anos) de digestão de um vírus inteiro por uma
célula que tem essa vocação, ou a
incorporação de um genoma viral completo numa célula
infetada, e a obriga a "imitar" esse processo em miniatura, com um
único gene que, por sua vez, está equipado com genes reguladores
adicionados pelo génio genético (para multiplicar o ARN na
célula, por exemplo, e aumentar a exposição das
moléculas na membrana).
Será que há a certeza de que a manipulação do
vírus por um gene genético de tecnicidade muito alta, mas que se
apoia numa abordagem teórica já "ultrapassada",
não coloca problemas sanitários futuros, perfeitamente
insuspeitos atualmente?
[8]
A modernização necessária das vacinas, sem dúvida
por esta via dos ácidos nucleicos, deverá ser acelerada desta
forma, na prática, em nome da "modernidade", enquanto existem
as vacinas clássicas, há muito experimentadas e reconhecidamente
eficazes, e que também se vão aperfeiçoando? Para a China,
parece que os avanços teóricos da genética convidam
precisamente à prudência (nós estamos apenas no
início da epigenética que permitirá dominar realmente as
vacinas por ácidos nucleicos e, além deles, toda a terapia
genética), razão pela qual, em parte sem dúvida, eles
optam pela forma clássica, pelo vírus atenuado, com a
preocupação pela saúde pública
uma
preocupação posta de lado nos países ocidentais onde se
sucedem os escândalos da Big Pharma. Nesses países que geriram
muito melhor a crise sanitária do que o ocidente capitalista e onde os
Estados conservaram manifestamente a confiança dos seus cidadãos,
a prioridade é para a gratuitidade das vacinas e para a sua
produção segura e tão maciça quanto
possível. Nos países ocidentais imperialistas, pelo
contrário, diabolizando um medicamento antidiluviano (a
hidroxicloroquina) em favor de uma "nova molécula promissora"
(mas tóxica para os rins), desenvolvendo uma técnica balbuciante,
incerta a longo prazo contra as vacinas clássicas e experimentadas
promovidas pela China, por Cuba e pela Rússia, o princípio de
precaução nunca foi posto em primeiro lugar
O ano que já terminou permite tirar alguns primeiros ensinamentos das
políticas sanitárias de uns e dos outros: a
distinção entre o ocidente imperialista e o resto do mundo salta
aos olhos e seria necessária uma lavagem ao cérebro
mediático para tentar obscurecê-la. Cuba, o Vietname, a China e a
Venezuela situam-se entre os principais atores duma gestão da crise
exemplar
a tal ponto que países ocidentais tiveram de recorrer
à sua ajuda internacionalista para se manterem à tona de
água. O mesmo em relação aos tratamentos de urgência
que constituíram uma polémica inédita e reveladora da
influência assassina da Big Pharma no mundo ocidental, pelo menos.
O próximo ano constituirá uma nova aposta de monta, especialmente
com as campanhas de vacinação. Mas será necessário
adicionar à capacidade de cada "modelo" para vencer a pandemia
a sua capacidade para resolver as consequências económicas,
sociais e mesmo psicológicas que essa pandemia continua a gerar. Esse
balanço que as forças progressistas de todo o mundo
deverão realizar e divulgar, será fundamental para as
revoluções futuras e será necessário estar à
altura das desilusões dos povos para liderar revoluções
duradouras e travar as vinganças assassinas em que o capitalismo
é costumeiro.
Notas
[1] Sobretudo estatísticos e sábios formalistas, afastados dos
meandros da prática médica, físicos, químicos
mediáticos (Etienne Klein
)
[2] Sobre este tema, ver os dois artigos seguintes:
Chloroquine: Ce sont les 'antiRaoult' qui mélangente science et politique
(maio 2020) e
L'hydroxychloroquine et les méthodologistes
(setembro 2020). Guillaume Suing, Germinallejournal.
[3] Podemos encontrar o conjunto dos estudos atuais e as suas referências
num
site,
compilando, como os detratores fizeram uns meses antes, o conjunto das
meta-análises relativas à hidroxicloroquina (HCQ) no site
hcqmeta.com: "O HCQ é eficaz para a Covid-19 quando é
utilizado precocemente: meta-análise de 185 estudos
(reactualizações regulares)
[4] Ler
Une belle histoire de virus (contre la virophobie ambiante)
Guillaume Suing, março 2020. Germinallejournal.
[5] A vacina "educa" o sistema imunitário do hospedeiro, quando
as "moléculas milagre" de obsolescência programada o
suplantam.
[6] Sobre este tema ver a entrevista do investigador belga Johan Hoebeke pelo
jornalista Michel Collon (Investig'action/Michel Midi : Le vaccin, oui ou non?)
[7] Os lobistas escondidos ou explícitos pululam nos meios de
comunicação e até nos ministérios. Macron teve de
despedir um deles, notoriamente enfeudado à Gilead, embora o tenha
designado como o seu "Senhor vacina" em dezembro, com medo de mais um
escândalo: Louis Charles Voissart.
[8] Já se suspeita da possibilidade do aumento das doenças
autoimunes com as vacinas por ARN mensageiro, o que não é para
admirar: As células apresentadoras expõem às outras
células do sistema imunitário as moléculas
"estrangeiras" que devem ser distinguidas das moléculas de
"si mesmo". O menor disfuncionamento produz uma confusão
pontual e suscita ataques imunológicos contra células do mesmo
organismo.
NT
CAC40: Cotation Assistée en Continu, índice da bolsa de valores
francesa
Ukases: é um ato normativo no direito russo e sérvio. Na
terminologia do Direito Romano, o ukaz equivaleria ao édito ou decreto.
Uberização: termo cunhado para expressar um novo formato de fazer
negócios, apoiado nas tecnologias móveis, que ligam o consumidor
ao fornecedor de produtos e serviços da forma mais direta
possível, agregando-lhe uma personalização.
IHU: Institutos hospitalo-universitários, para formação e
investigação médica.
INSERM: Institut national de la santé et de la recherche médicale
Ver também:
Principal cientista da Moderna: 'Na verdade, estamos hackeando o software da vida'
[*]
Professor agregado de Ciências da Vida e da Terra. Autor de
Evolution: La preuve par Marx
(2016),
L'Ecologie réelle, une expérience soviétique et cubaine
(2018),
L'origine de la vie: Un siècle après Oparine
(2020), éditions Delga
O original encontra-se em
germinallejournal.jimdofree.com/...
Tradução de Margarida Ferreira.
Este artigo encontra-se em
https://resistir.info/
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