A pressa em descartar hidroxicloroquina com base em dados defeituosos da Surgisphere revela falhas fundamentais da "ciência" médica baseada no lucro

por Helen Buyniski [*]

'. Quando a OMS e a prestigiosa revista médica The Lancet recuaram em relação aos dados duvidosos fornecidos pela empresa de análise de saúde Surgisphere, as segundas intenções da pressa para demonizar a hidroxicloroquina tornam-se claras.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) na quarta-feira retomou envergonhadamente os testes do medicamento contra a malária hidroxicloroquina – livre de patentes – em pacientes com coronavírus. A retomada verificou-se após uma suspensão do seu ensaio clínico 'Solidarity' com base em dados que pareciam mostrar que o medicamento contribuía para maiores taxas de mortalidade entre os sujeitos do teste. Aqueles dados, verificou-se vieram de uma minúscula de empresa de análise de cuidados de saúde dos EUA chamada Surgisphere – e chamá-la de defeituosa seria excessivamente caridoso.

A PORNO-MEDICINA DA SURGISPHERE

Esta Surgisphere não é apenas uma empresa a que faltam conhecimentos médicos – seus empregados incluíam um artista "adulto" e um escritor de ficção científica. O seu próprio presidente (CEO), Sapan Desai, foi co-autor de dois dos estudos condenatórios que utilizavam os dados da empresa a fim de enlamear a hidroxicloroquina, já completamente demonizada nos media graças à sua promoção pelo presidente dos EUA, Donald Trump, como uma assassina. Todos os dados tinham como fonte um banco de dados proprietário o qual supostamente contém um verdadeiro oceano de informações pormenorizadas e em tempo real de pacientes, mas que curiosamente está ausente da literatura médica existente.

O estudo contaminado da Surgisphere parecia mostrar um risco agravado de mortes hospitalares e problemas cardíacos sem benefícios no combate à doenças, o que confirma as suspeitas de objectores da indústria médica já inclinados a odiar o medicamento livre de patente devido à falta de potencial de lucro e à incessante promoção de Trump. A Itália, França e Alemanha apressaram-se a proibir a hidroxicloroquina, mencionando "um risco agravado de reacções adversas com pouco ou nenhum benefício".

Mas um assassinato de carácter tão descarado efectuado contra um medicamento potencialmente salvador de vidas – especialmente um que tem um histórico de décadas de segurança em pacientes com malária, lúpus e artrite e que foi altamente recomendado por alguns dos mais eminentes especialistas do mundo, incluindo o francês Didier Raoult – só poderia ser realizado com a ajuda dos preconceitos da indústria. Foi necessário ignorar numerosos estudos existentes mostrando que a hidroxicloroquina era benéfica no tratamento de pacientes com Covid-19 em estágio inicial, assim como relatos de milhares de médicos que a utilizaram com êxito.

Também foi necessário confiar numa empresa vigarista (fly-by-night) com pouca presença na Internet ou nos media para tomar decisões que poderiam afectar a vida de milhões de pessoas. Não que não houvesse sinais de alerta de que esta Surgisphere era algo diferente da empresa de análise médica de alto nível como se apresentava. Esta empresa começou a trabalhar como editora de livros didácticos em 2008 e contratou a maior parte dos seus 11 empregados há dois meses, segundo uma investigação do Guardian, mas ela apregoou ser proprietária de uma enorme base de dados internacional de 96 mil pacientes em 1.200 hospitais de todo o mundo. Um perito entrevistado pelo jornal disse que seria difícil até mesmo para uma agência nacional de estatística fazer em anos aquilo que o Surgisphere supostamente teria feito em semanas, chamando a base de dados de "quase certamente uma vigarice". Mas ninguém, nem no Lancet nem na OMS, pensou em olhar para os dentes do cavalo dado – nem mesmo quando esta dádiva cravava uma estaca no coração da hidroxicloroquina como tratamento da Covid-19.

Apesar de investigadores australianos terem encontrado falhas nos dados da Surgisphere apenas alguns dias após a publicação do estudo pela Lancet em 22 de Maio, notando que o número de mortes por Covid-19 citado pelo estudo como proveniente de cinco hospitais excedia a totalidade das mortes por Covid-19 registadas naquele momento, na Austrália, a Lancet – ao invés de investigar quem realmente era essa empresa Surgisphere e por que cometera um erro tão flagrante – apenas publicou uma pequena retratação relativa aos dados australianos e pôs a controvérsia a adormecer.

Ao invés disso permitiu que o ataque frontal e total à hidroxicloroquina continuasse sem controle nos meios de comunicação, pois os principais meios de comunicação concentraram suas energias em agitar o Remdesivir – um medicamento caro e não testado produzido pela fabricante de medicamentos Gilead e que até agora produziu resultados medíocres em ensaios clínicos – e com pretensões a uma eventual vacina. O status da hidroxicloroquina livre de patentes significava que era um beco sem saída para os lucros, ao passo que o Remdesivir e qualquer vacina que tivesse finalmente sinal verde faria com que muitas pessoas ficassem muito ricas. Talvez na esperança de afastar o público da verdadeira razão do seu ódio à hidroxicloroquina, vários meios de comunicação sugeriram que Trump estava a preparar-se para ganhar dinheiro com a droga (a qual custa cerca de 60 centavos de dólar por comprimido) – mas mesmo Snopes, que não é fã do "Homem de cabelo laranja", teve que despejar água fria nessa especulação.

O Lancet e o New England Journal of Medicine publicaram – tardiamente – notas de preocupação acerca do estudo da hidroxicloroquina feito pela Surgisphere e uma auditoria independente está a ser efectuada. Mas é improvável que o problema de autoridades de saúde tendenciosas abraçarem selectivamente alguns resultados de ensaios e rejeitarem outros seja travado aqui.

O estudo do Lancet dificilmente é o único a mostrar falta de eficácia à hidroxicloroquina no tratamento do Covid-19. Estudos múltiplos conduzidos pelo Instituto Nacional de Saúde dos EUA em pacientes hospitalizados com coronavírus (ou seja, gravemente enfermos) produziram resultados fracos, mas mesmo os evangelistas mais fervorosos do medicamento reconhecem que ela não ajuda pacientes em estágio terminal ou aqueles muito doentes. Raoult chegou a afirmar que a França baniu o uso do medicamento em todos os pacientes, excepto nos mais graves, a fim de desacreditá-lo como tratamento. Já em 2005 os Institutos Nacionais de Saúde dos EUA estavam publicando estudos na sua revista Virology, louvando a cloroquina como "um potente inibidor da infecção por coronavírus SARS", mas Anthony Fauci, czar de coronavírus, lança sombras sobre o medicamento sempre que tem oportunidade.

A BIG PHARMA SÓ QUER TRATAMENTOS QUE ENGORDEM LUCROS

Na medida em que doenças mortais como o Covid-19 são encaradas primeiro como fontes de lucro e as questões de direitos humanos em segundo (ou terceiro, ou décimo lugar...), tratamentos que não são lucrativos sempre serão sempre marginalizados em favor de produtos farmacêuticos caros e frequentemente menos eficazes. Os lucros da indústria da droga já mataram centenas de milhares de pessoas – senão milhões – só nos EUA. Retirar a motivação do lucro dos cuidados de saúde pode ajudar a garantir que a sua contagem de corpos permaneça tão baixa quanto possível.

04/Junho/2020

Ver também:
  • Russia WILL NOT ban hydroxychloroquine, drug taken by US President Trump, for use in treating Covid-19
  • Spain WILL NOT ban hydroxychloroquine, unlike other European nations spooked by reported side effects
  • WHO says hydroxychloroquine trials for Covid-19 will RESUME as doubts emerge over side-effects research
  • en.wikipedia.org/wiki/Surgisphere
  • Coronavírus: Remdesivir não vai acabar com a pandemia apesar do alarde

    [*] Jornalista, americana. Twitter: @ velocirapture23

    O original encontra-se em www.rt.com/news/490734-hydroxychloroquine-faulty-data-science-flaw/


    Este artigo encontra-se em https://resistir.info/ .
  • 05/Jun/20