Recessão temporária ou o fim do crescimento?

por Richard Heinberg [*]

. Todos concordam: a nossa economia está doente. Os sintomas inescapáveis incluem declínios nos gastos e na confiança do consumidor, juntamente com uma contracção do comércio internacional e do crédito disponível. Acrescente-se um colapso nos valores imobiliários e uma carnificina nas indústrias automobilísticas e dos transportes aéreos e o quadro parece realmente sombrio.

Mas e se tanto a economia dos EUA como a economia global mais vasta estiverem enfermas? Entre os media de referência, os líderes mundiais e os economistas-chefe da América (o secretário do Tesouro Geithner e o presidente do Federal Reserve, Bernanke) há quase unanimidade de opinião: estas perturbações recentes são devidas primariamente a uma combinação de maus empréstimos imobiliários e fraca regulação de derivativos financeiros.

Isto é o Diagnóstico Convencional. Se ele estiver correcto, então o tratamento para a nossa doença económica pode logicamente incluir doses pesadas de salvamento monetário para instituições financeiras problemáticas, prestamistas de hipotecas e companhias de automóveis; melhor regulação de derivativos e de mercados futuros; e programas de estímulo para relançar o gasto do consumidor.

Mas e se este diagnóstico estiver fundamentalmente defeituoso? A metáfora não precisa de mais explicações: todos nós sabemos que tragédia pode resultar de um leitura incorrecta dos sintomas por parte do médico, confundindo uma doença com outra.

Algo semelhante verifica-se quanto à nossa enfermidade nacional e global. Se não entendermos porque o metabolismo industrial e financeiro do mundo foi apanhado, é improvável que apliquemos os remédios correctos e poderíamos acabar por tornar as coisas muito piores do que seria normal.

Temos de admitir que o Diagnóstico Convencional é pelo menos parcialmente correcto. A conexão causal entre empréstimos hipotecários subprime e as crises da Fannie Mae, Freddie Mac e Lehman Brothers foram exploradas extensamente e são bem conhecidas. Claramente, ao longo dos últimos anos, bolhas especulativas no imobiliário e na indústria financeira foram inchadas para dimensões colossais e a sua explosão era inevitável. É difícil discordar das palavras do primeiro-ministro australiano Kevin Rudd, no seu ensaio de 25 de Julho no Sydney Morning Herald: "As raízes da crise jazem na década anterior de excessos. Nela o mundo desfrutou de um boom extraordinário... Contudo, como aprendemos posteriormente, o boom global estava construído em grande parte sobre um ... castelo de cartas. Primeiro, em muitos países ocidentais o boom foi criado sobre uma pilha de dívidas detidas por consumidores, corporações e alguns governos. Como colocou o financeiro global George Soros: 'Durante 25 anos [o ocidente] tem estado a consumir mais do que temos estado a produzir ... a viver para além dos nossos meios' ". [1]

Mas será suficiente vermos isto para chegar à raiz do progressivo colapso económico global?

Pode-se argumentar que os terríficos eventos relacionados com o imobiliário, os mercados derivativos e as industrias automobilística e aérea foram em si mesmos meramente sintomas de uma disfunção ainda mais profunda, sistémica, que marca o fim do crescimento económico tal como o conhecemos.

Em suma, estou a sugerir um Diagnóstico Alternativo. Esta explicação para a crise económica não é para os coração fraco porque, se for correcta, ela implica que o paciente está muito mais doente do que mesmo os economistas mais pessimistas estão a dizer-nos. Mas se for correcta, então ao ignorá-la arriscamo-nos a ainda maiores perigos.

Crescimento económico, a crise financeira e o Pico Petrolífero

Durante vários anos uma vasta subcultura de comentadores (os quais incluem o presente autor) esteve a prever um crash financeiro, baseando este prognóstico na avaliação de que a produção global de petróleo estava próxima do pico. [2] O nosso raciocínio era este:

Crescimentos contínuos da população e do consumo não podem continuar para sempre num planeta finito. Isto é uma observação axiomática com a qual qualquer pessoa familiar com a matemática do crescimento aritmético composto deve concordar, mesmo que eles limitem o seu acordo com vagas referências à "substituibilidade" e "transições demográficas". [3]

Este limite axiomático do crescimento significa que a expansão rápida tanto da população como do consumo per capita de recursos que se verificou ao longo dos últimos um ou dois séculos deve cessar em algum momento. Mas quanto é provável que isto se verifique?

O injustamente vilipendiado Limits to Growth, estudo publicado em 1972 com actualizações periódicas desde então, tentaram responder à pergunta com análises da disponibilidade de recursos e do seu esgotamento, bem como múltiplos cenários quanto ao crescimento da população futura e das taxas de consumo. O cenário mais pessimista em 1972 sugeria um fim do crescimento económico do mundo por volta de 2015. [4]

Mas pode haver um meio mais simples de prever o fim do crescimento.

A energia é o possibilitador final do crescimento (mais uma vez, isto é axiomático: tanto a física como a biologia dizem-nos que sem energia nada acontece). A expansão industrial ao longo dos últimos dois séculos foi sempre baseada no consumo acrescido de energia. [5] Mais especificamente, o industrialismo foi inextricavelmente ligado à disponibilidade e consumo de energia barata do carvão e do petróleo (e mais recentemente do gás natural). Contudo, combustíveis fósseis estão pela sua própria natureza a esgotar-se, são recursos não renováveis. Portanto (de acordo com a tese do Pico Petrolífero), a eventual incapacidade para continuar a aumentar o abastecimento de energia fóssil barata provavelmente levará à cessação do crescimento económico em geral, a menos que fontes de energia alternativa e a eficiência da utilização da energia possam ser posicionadas rapidamente e num grau suficiente. [6]

Dos três combustíveis fósseis, o petróleo é comprovadamente o mais economicamente vital, uma vez que abastece 95 por cento de toda a energia para transportes. Além disso, o petróleo é o combustível com que nos depararemos com problemas de abastecimento mais cedo, porque as descobertas de petróleo global têm estado a declinar durante décadas e a maior parte dos países produtores de petróleo já estão a assistir a declínios de produção. [7]

Assim, por esta lógica, o fim do crescimento económico (como é definido convencionalmente) é inevitável e o Pico Petrolífero será provavelmente o seu disparador.

Por que o Pico Petrolífero nos conduziria não apenas a problemas na indústria do transporte e sim a uma crise económica e financeira mais geral? Durante o último século o crescimento tornou-se institucionalizado em motores do nosso sistema económico. Toda cidade e negócio quer crescer. Isto é compreensível simplesmente em termos de natureza humana: quase toda a gente quer uma vantagem competitiva sobre alguém alhures e o crescimento proporciona a oportunidade de chegar a isso. Mas há também um motivo de sobrevivência financeira a actuar: sem crescimento, negócios e governos são incapazes de servir a sua dívida. E a dívida tornou-se endémica ao sistema industrial. Durante o último par de décadas, a indústria dos serviços financeiros cresceu mais rapidamente do que qualquer outro sector da economia americana, ultrapassando mesmo a ascensão das despesas com cuidados de saúde, representando um terço de todo o crescimento da economia dos EUA. Desde 1990 até o presente, o rácio dívida/PIB expandiu-se de 165 por cento para mais de 350 por cento. No essencial, o actual bem-estar da economia repousa sobre dívida e o colateral daquela dívida consiste numa aposta de que os níveis de produção e consumo do próximo ano serão sempre mais altos do que os do ano anterior.

Uma vez que o crescimento não pode continuar num planeta finito, esta aposta, e a sua corporificação nas instituições financeiras, pode ser considerada como o maior esquema de Ponzi da história. Justificámos a actual tomada de empréstimos com a crença irracional de que o crescimento perpétuo é possível, necessário e inevitável. De facto tomámos emprestado de gerações futuras de modo a que hoje pudéssemos dissipar no jogo o seu capital.

Até recentemente, o argumento do Pico Petrolífero foi estruturado como uma previsão: o declínio inevitável da produção mundial de petróleo, não importa quando isto se verificasse. Mas é agora que a previsão se torna diagnóstico: durante o período de 2005 para 2008, a energia produzida cessou de crescer e os preços do petróleo ascenderam a níveis recorde. Em Julho de 2008, o preço de um barril de petróleo rondava próximo dos US$150 — 50 por cento mais alto do que qualquer preço anterior do petróleo em termos de inflação corrigida — e a economia global começava a ruir. As indústrias automobilísticas e aéreas estremeceram, os consumidores comuns tiveram dificuldades para comprar gasolina para as suas deslocações ao trabalho enquanto ainda estavam a pagar as suas hipotecas. Os gastos do consumidor começaram a declinar. Em Setembro a crise económica era também uma crise financeira, pois bancos estremeceram e implodiram. [8]

Considerando tudo quanto está em risco, é importante avaliar os dois diagnósticos na base de factos, não de preconceitos.

É desnecessário examinar provas que confirmem ou refutem o Diagnóstico Convencional, porque a sua validade não está em dúvida — como uma explicação parcial para o que está a ocorrer. A questão é se é uma explicação suficiente e portanto uma base adequada para conceber uma resposta com êxito.

Qual é a evidência que favorece a Alternativa? Um bom lugar para começar é com um documento recente do economista James Hamilton da Universidade da Califórnia – San Diego, intitulado "Causes and Consequences of the Oil Shock of 2007-08", o qual discute preços do petróleo e impactos económicos com clareza, lógica e números, explicando como e porque o crash económico está relacionado com o choque do preço do petróleo de 2008. [9]

Hamilton começa por citar estudos anteriores que mostram uma estreita correlação entre disparos de preço do petróleo e recessões. Na base desta correlação, todo economista atento deveria ter previsto uma recessão aguda para 2008. "Na verdade", escreve Hamilton, "a relação poderia explicar toda a baixa de 2007-08... Se alguém pudesse ter sabido antecipadamente o que aconteceu aos preços do petróleo durante 2007-08, e se alguém houvesse utilizado a relação estimada historicamente [entre ascensão do preço e impacto económico]... esse alguém teria sido capaz de prever com bastante precisão o nível de PIB real para o terceiro e quarto trimestres de 2008".

Mais uma vez, isto não é ignorar o papel dos sectores financeiro e imobiliário no andamento do colapso económico global. Mas no Diagnóstico Alternativo o colapso da habitação e dos mercados derivativos é visto como ampliando um sinal que em última análise provém de um fracasso em aumentar a taxa de fornecimento de recursos em esgotamento. Hamilton outra vez: "No mínimo é claro que alguma outra coisa além da habitação deteriorou-se para transformar o crescimento lento numa recessão. Esta alguma coisa, na minha consciência, inclui o colapso em compras de automóveis, baixa geral nos gastos de consumo e deterioração do sentimento do consumidor, no qual o choque petrolífero foi indiscutivelmente um factor contribuidor".

Além disso, Hamilton observa que houve "um efeito de interacção entre o choque petrolífero e os problemas na habitação". Isto é, em muitas áreas metropolitanas os preços das casas em 2007 ainda estavam a ascender nos códigos postais mais próximos dos centros urbanos mas já em queda rápida nos códigos postos em que as deslocações eram longas. [10]

Por que o preço do petróleo disparou?

Aqueles que adoptam o Diagnóstico Convencional para o nosso colapso económico em curso podem concordar em que houve algum elemento de correlação causal entre o disparo do preço do petróleo e a recessão, mas eles negariam que o próprio disparo tivesse alguma coisa a ver com limites de recursos, porque (dizem eles) foi provocado principalmente pela especulação nos mercados de petróleo futuros e tinha pouco a ver com as questões fundamentais da oferta e da procura.

Nisto, o Diagnóstico Convencional tem de novo alguma base na realidade. A especulação no mercado de futuros de petróleo durante o período em causa quase certamente ajudou a conduzir os preços para níveis mais altos do que se justificava no fundamental. Mas por que os investidores estavam a comprar petróleo no mercado de futuros? Será que a mania por contratos de petróleo era apenas uma outra bolha, como as frenéticas acções dot.com do fim da década de 90 ou o boom imobiliário de 2003 a 2006?

Durante o período de 2005 a meados de 2008 a procura por petróleo estava a crescer, especialmente na China (a qual deixou de ser auto-suficiente em petróleo em 1995 e passou a ser o segundo maior importador mundial, após os EUA, em 2006). Mas a oferta global de petróleo estava basicamente estagnada: os números da produção de petróleo bruto oscilavam dentro de uma faixa razoavelmente estreita entre os 72 e os 75 milhões de barris por dia. Quando os preços subiram, os números da produção mal se moveram em resposta. Havia todas as indicações de que os produtores de petróleo estavam a bombear o mais rápido possível: mesmo os sauditas pareciam estar a correr a fim de capitalizar os bons preços.

Portanto pode-se muito bem argumentar que a especulação no mercado de futuros do petróleo estavam simplesmente a exagerar movimentos de preços que eram inevitáveis com base nos fundamentos da oferta e da procura. James Hamilton (na sua publicação citada anteriormente) coloca isto assim: "Em retrospectiva, é difícil negar que o preço elevou-se demasiado em Julho de 2008 e que este erro de cálculo foi influenciado em parte pelo fluxo de investimentos em contratos de futuros desta commodity. Convém enfatizar, entretanto, que os dois ingredientes chave necessários para tornar coerente uma tal história — uma baixa elasticidade-preço da procura e a falha da produção física em aumentar — são os mesmos elementos chave de uma explicação baseada nos fundamentais do mesmo fenómeno. Concluo portanto que estes dois factores, ao invés da especulação per se, deveriam ser interpretados como a causa primária do choque petrolífero de 2007-08".

Consequências do Pico

Também há controvérsia sobre em que grau as perturbações nas indústrias automóvel, camionagem e transporte aéreo deveriam ser atribuídas à disparada do preço do petróleo ou ao crash económico. Naturalmente, se o Diagnóstico Alternativo for correcto, os últimos dois eventos estão causalmente relacionados em qualquer caso. Entretanto, pode ser útil examinar a situação.

Toda a gente sabe que a GM e a Chrysler foram à bancarrota este ano porque as vendas de carros nos EUA afundaram. A previsão actual é de vendas de cerca de 10,3 milhões de veículos nos EUA em 2009, abaixo dos 13,2 milhões do ano passado e dos 16,1 milhões de 2007. As vendas de carros estado-unidenses não eram tão baixas desde a década de 1970. As vendas de camiões ligeiros, os veículos mais lucrativos, tiveram a maior pancada durante 2008, quando os preços do combustível ascenderam e os compradores de carros evitaram os beberrões de gasolina. Foi neste ponto que as companhias de automóveis começaram realmente a sentir o sofrimento.

Os males das companhias de aviação são resumidos num recente documento do General Accounting Office (GAO): "Após dois anos de lucros, a indústria estado-unidense de transporte aéreo de passageiros perdeu US$4,3 mil milhões nos primeiros três trimestres de 2008 [quando os preços do jet fuel escalaram]. Colectivamente, as linhas aéreas dos EUA reduziram a capacidade interna, medida pelo número de poltronas, em cerca de 9 por cento entre o quarto trimestre de 2007 e o quarto trimestre de 2008... Para reduzir a capacidade, as linhas aéreas reduziram o número geral de aviões activos nas suas frotas em 18 por cento... As linhas aéreas também reduziram colectivamente as suas forças de trabalho em cerca de 28 mil postos, ou aproximadamente 7 por cento, desde o fim de 2007 até o fim de 2008... A contracção da indústria estado-unidense de companhias de aviação em 2008 reduzir receitas de aeroportos, o acesso de passageiros ao sistema nacional de aviação e as receitas para o Trust Fund". [11]

Na indústria da camionagem, o combustível representa aproximadamente 40 por cento dos custos operacionais totais. Em 2007, quando os preços do gasóleo ascenderam, os transportadores começaram a perder dinheiro e acrescentaram acréscimos pelo preço do combustível; enquanto isso o volume de fretes começou a cair. Depois de Julho de 2008, quando os preços do petróleo explodiram, a tonelagem continuava a declinar. No todo, a diminuição acumulada em cargas para camiões-plataforma, camiões cisterna e camiões fechados foi de 15 a 20 por cento apenas no período de Junho a Dezembro de 2008. [12]

Este último conjunto de estatística levanta um par de questões cruciais para entender o Diagnóstico Alternativo. Por que, se a produção global de petróleo havia acabado de atingir o pico, os seus preços caíram nos últimos cinco meses de 2008? E, se os preços do petróleo eram um factor importante na crise económica, por que a economia não começou a dar meia volta depois de os preços terem abrandado?

Por que os preços do petróleo caíram? E por que preços mais baixos não levaram a uma recuperação rápida?

A tese do Pico Petrolífero prevê que quando a produção mundial de petróleo atinge o seu nível máximo e começa a declinar, o seu preço elevar-se-á dramaticamente. Mas ela também prevê um aumento dramático na volatilidade dos preços.

O raciocínio é como se segue: Quando o petróleo se torna escasso, o seu preço elevar-se-á até que comece a minar a actividade económica geral. A contracção económica resultará então em procura substancialmente reduzida por petróleo, o que por sua vez provocará a queda temporária do seu preço. Então uma de duas coisas acontecerá: ou (a) a economia começará a recuperar, levando a procura renovada por petróleo, levando mais uma vez a preços altos os quais minarão outra vez a actividade económica; ou (b), se a economia não recupera rapidamente, a produção de petróleo cairá gradualmente devido ao esgotamento até que a capacidade de produção de reserva (criada pela procura mais baixa) seja eliminada, levando outra vez a preços mais altos e a ainda mais contracção económica. Em ambos os casos, os preços do petróleo permanecem voláteis e a economia contrai-se. [13]

Este cenário corresponde muito de perto à realidade que se está a desdobrar, embora esteja para ser visto se resultará na situação (a) ou (b).

Ao longo dos últimos três anos, os preços ascenderam e caíram mais dramaticamente do que teria sido o caso se não tivesse havido especulação generalizada nos mercados futuros de petróleo. No entanto, a direcção geral dos preços — a subir, a descer, a recuperar — está totalmente em consonância com a tese do Pico Petrolífero e com o Diagnóstico Alternativo.

Por que é que a economia não se recuperou rapidamente, uma vez que os preços do petróleo agora estão a apenas a metade do que estavam em Julho de 2008? Mais uma vez, o Pico Petrolífero não é a única causa da actual crise económica. Bolhas enormes no sectores das finanças e do imobiliário constituíam acidentes à espera de acontecerem e a implosão daquelas bolhas criou uma grave crise de crédito (bem como crises de solvência e crise de divisas que se preparam) que provavelmente levará vários anos para resolver mesmo que os abastecimentos de energia não apresentassem um problema.

Mas agora o potencial para renovados preços altos do petróleo actua como um tecto para a recuperação económica. Todas as vezes em que a economia pareça mostrar sinais renovados de vida (como aconteceu em Maio-Julho deste ano, com valores das acções a recuperarem e o ritmo geral da contracção económica a diminuir um pouco), os preços do petróleo subirão outra vez pois os especuladores anteciparão uma recuperação da procura. Na verdade, os preços do petróleo recuperaram dos US$30 em Janeiro para aproximadamente US$70 actualmente, provocando preocupação generalizada de que altos preços de energia possam estragar a recuperação na origem. [14]

Um barril de petróleo proveniente de fontes recém desenvolvidas custa em torno de US$60 para produzir, agora que todas as perspectivas do mais barato foram exploradas: descobrir novos campos de petróleo hoje significa habitualmente furar quilómetros de água do oceano, ou em países politicamente instáveis onde equipamento e pessoal estão em alto risco. [15] Assim, tão logo os consumidores procurem mais petróleo, o preço terá de permanecer visivelmente acima daquele número a fim de proporcionar o incentivo para os produtores perfurarem.

Preços voláteis agridem ao subirem, mas também agridem ao descerem. O colapso do preço de Agosto-Dezembro de 2008, mais a pioria da crise de crédito, provocou uma contracção dramática no investimento da indústria, levando ao cancelamento de um valor da ordem dos US$150 mil milhões de novos projectos de produção — cujo potencial de capacidade produtiva será exigido para compensar declínios nos campos petrolíferos existentes se a produção mundial permanecer estável. [16] Isto significa que mesmo que a procura permaneça baixa, a capacidade de produção quase certamente declinará para atender aqueles níveis de procura, fazendo com que os preços do petróleo ascendam outra vez em termos reais em algum momento, talvez dentro de dois ou três anos. Os preços voláteis do petróleo também agridem o desenvolvimento de energias alternativas, como se verificou durante os últimos poucos meses quando a queda dos preços do petróleo levou os fabricantes de etanol a perturbações financeiras. [17]

De um modo ou de outro, o crescimento será altamente problemático se não inexequível.

Diagnóstico do grande quadro: Seguir a trilha da lógica

Neste ponto da discussão muitos leitores estarão a perguntar-se porque fontes de energia alternativa e medidas de eficiência não podem ser aplicadas para resolver a crise do Pico Petrolífero. Afinal de contas, quando o petróleo se torna mais caro, o etanol, o biodiesel e os carros eléctricos começarão a parecer mais atraentes tanto para os produtores como para os consumidores. Será que a mágica do mercado não intervirá para tornar a escassez de petróleo irrelevante para o crescimento futuro?

É impossível no contexto desta discussão apresentar uma explicação pormenorizada da razão porque o mercado provavelmente não pode resolver o problema do Pico Petrolífero. Tal explicação exige uma discussão do critério de avaliação da energia e uma análise de muitas alternativas energéticas individuais com base naquele critério. Já apresentei anteriormente breves visões gerais acerca deste assunto e uma muito mais longa está em impressão. [18]

Minhas conclusões sumárias a este respeito são o que se segue.

Cerca de 85 por cento da energia actual é derivada de três fontes primárias — petróleo, gás natural e carvão — que são não-renováveis, cujo preço é provável que tenda a tornar-se agudamente mais alto ao longo dos próximos anos e décadas levando a carências graves e cujos impactos ambientais são inaceitáveis. Se bem que estas fontes historicamente tiveram valor económico muito alto, não podemos confiar nelas no futuro; na verdade, quanto mais a transição para fontes de energia alternativa for atrasada, mais difícil será aquela transição a menos que alguma composição prática de sistemas de energia alternativa possa ser identificado que venha a ter características económicas e ambientais superiores.

Mas identificar tal composição é mais difícil que se possa pensar à partida. Cada fonte de energia tem características altamente específicas. De facto, tem sido as características das nossas actuais fontes de energia (principalmente petróleo, carvão e gás natural) que possibilitou a edificação de uma sociedade urbanizada com alta mobilidade, grande população e altas taxas de crescimento económico. Ao examinar as fontes de energia alternativa disponíveis de acordo com critérios tais como densidade de energia, impactos ambientais, confiança quanto ao esgotamento de matérias-primas, intermitência versus constância da oferta e a percentagem de energia retornda sobre a energia investida na produção de energia, nenhuma actual parece capaz de perpetuar esta espécie de sociedade.

Além disso, sistema nacionais de energia são caros e de desenvolvimento lento. A eficiência energética exige igualmente investimento e novos investimentos incrementais em eficiência tendem a proporcionar retornos decrescentes ao longo do tempo, uma vez que é impossível efectuar trabalho com input zero de energia. Onde esta a vontade ou a capacidade para reunir suficiente capital de investimento para a instalação de fontes de energia alternativas e medidas de eficiência na escala necessária?

Apesar de haver muitas instalações produtoras de energia alternativa com êxito por todo o mundo (que vão desde pequenos sistemas fotovoltaicos em escala doméstica a grandes parques de turbinas eólicas de três megawatts), há muito poucos países industriais modernos que agora obtenham o grosso da sua energia a partir de outras fontes além do petróleo, carvão e gás natural. Um exemplo é a Suécia, a qual obtém a maior parte da sua energia do nuclear e da hidroelectricidade. Um outro é a Islândia, a qual beneficia-se de recursos geotérmicos internos extraordinariamente grandes não encontráveis na maior parte dos outros países. Mesmos para estes dois países, a situação é complexa: a construção da infraestrutura para as suas centrais eléctricos repousou principalmente nos combustíveis fósseis para a mineração do ferro e das matérias-primas, para o processamento de materiais, para o transporte, para a fabricação de componentes, para a mineração do urânio, para a construção e assim por diante. Portanto uma transição energética significativa que se afaste dos combustíveis fósseis ainda é uma questão de teoria e de ilusão, não realidade.

A minha conclusão a partir de uma cuidadosa investigação das energias alternativas é, então, de que há pouca probabilidade de que se possa contar tanto com combustíveis fósseis convencionais ou com fontes de energia alternativa para fornecer a quantidade e qualidade de energia que será necessária a fim de sustentar o crescimento económico — ou mesmo os níveis actuais de actividade económica — durante o resto deste século. [19]

Mas o problema estende-se para além do petróleo e dos outros combustíveis fósseis: a produção dos recursos de água do mundo está constrangida ao ponto de milhares de milhões de pessoas podem em breve encontrar-se apenas com acesso precário a água para beber e para irrigação. A biodiversidade está a declinar rapidamente. Estamos a perder 24 mil milhões de toneladas de camadas superficiais do solo a cada ano devido à erosão. E muitos minerais economicamente significativos — desde o antimónio ao zinco — estão a esgotar-se rapidamente, exigindo a extracção de minérios com teores cada vez mais baixos em localizações cada vez mais remotas. Portanto a crise do Pico Petrolífero é realmente apenas o aspecto visível de um dilema mais vasto: o Pico de Tudo.

Em suma, a humanidade enfrenta um perigo total previsível: a nossa população cresceu dramaticamente durante os últimos 200 anos (expandindo-se de menos de mil milhões para aproximadamente sete mil milhões), enquanto o nosso consumo per capital de recursos também cresceu. Para quaisquer espécies, isto é virtualmente a definição de êxito biológico. E tudo isto aconteceu no contexto de um planeta finito com reservas fixas de recursos não renováveis (combustíveis fósseis e minerais), uma capacidade limitada para regenerar recursos renováveis (florestas, peixe, água doce e solo arável) e uma capacidade limitada para absorver resíduos industriais (incluindo dióxido de carbono). Se dermos um passo atrás e olharmos para o período industrial de uma perspectiva histórica vasta que seja informada por uma apreciação dos limites ecológicos, é difícil evitar a conclusão de que estamos hoje a viver o fim de um impulso relativamente breve — uma rápida fase expansionista de 200 anos permitida por um subsídio temporário de energia (na forma de combustíveis fósseis baratos) que inevitavelmente será seguido por uma contracção ainda mais rápida e dramática quando aqueles combustíveis se esgotarem.

A desaceleração e travagem deste impulso histórico de crescimento-contracção não significa necessariamente o fim do mundo, mas significa o fim de uma certa espécie de economia. De um modo ou de outro, a humanidade deve retornar a um padrão mais normal de existência caracterizado pela dependência do rendimento solar imediato (via colheitas, vento ou a conversão directa da luz solar em electricidade) ao invés daquela antiga luz solar armazenada.

Isto não quer dizer que o resto do século XXI deva consistir de um colapso do industrialismo, de uma extinção (die-off) da maior parte da população humana e de um retorno do sobreviventes a um modo de vida essencialmente idêntico àquele dos camponeses do século XVI ou de indígenas caçadores-colectores. É possível ao invés disso imaginar modos aceitáveis e mesmo convidativos nos quais a humanidade poderia adaptar-se a limites ecológicos enquanto desenvolve novas riquezas culturais, entendimento científico e qualidade de vida (mais acerca disto abaixo).

Contudo isto é negociado, a transição marca um fim do crescimento económico no sentido convencional. E esta transição parece ter começado.

Como saber qual diagnóstico é correcto?

Se o paciente é um indivíduo humano e a causa do sofrimento é a incerteza, mais testes de diagnóstico podem ser prescritos. Mas a que espécie de testes de sangue, raios X e varreduras de TAC podemos nós sujeitar a economia nacional ou global?

Num certo sentido, os testes já foram efectuados. Durante as últimas poucas décadas milhares de inquéritos científicos sobre recursos naturais, biodiversidade e ecosistemas mostraram taxas de crescentes de esgotamento e declínio. [20] O aumento contínuo da população humana, da poluição e do consumo estão igualmente bem documentados. Esta informação constituiu a base para o estudo Limits to Growth, anteriormente mencionado, o qual utiliza modelação computacional para mostrar como as tendências actuais provavelmente terminam — e a maior parte dos cenários resultantes mostra-os conduzindo a um fim do crescimento económico e a um colapso do produto industrial em algum momento no princípio do século XXI.

Por que os resultados de tais testes de diagnóstico não são universalmente aceites como um desafio às expectativas de desenvolvimento contínuo? Primariamente porque a sua conclusão vai contra as crenças e proclamações da maior parte dos economistas, os quais sustentam que não há limites práticos para o crescimento. Eles negam que constrangimentos de recursos apresentem um eventual tecto para a produção e o consumo. E assim os seus esforços de diagnóstico tendem a ignorar factores ambientes em favor de características da economia humana facilmente mensuráveis tais como oferta de dinheiro, confiança do consumidor, taxas de juro e índices de preços.

O ecologista Charles Hall, dentre muitos outros, argumentou que a disciplina das Ciências Económicas, tal como actualmente praticada, não constitui uma ciência, uma vez que progride primariamente na base da lógica mutuamente relacionado ao invés da construção de conhecimento por um processo contínuo e rigoroso de propor e testar hipóteses. [21] Enquanto a teoria económica utiliza terminologia complexa e matemática, tal como faz a ciência, as suas afirmações básicas acerca do mundo — tal como o princípio da substituibilidade infinita, o qual sustenta que para qualquer recurso que se torne escasso o mercado encontrará um substituto — não são sujeitas a exame experimental cuidadoso. (Vale notar que Hall e outros têm feito esforços para lançarem os fundamentos conceptuais de uma nova teoria económica baseado em princípios e métodos científicos, os quais eles denominam "teoria económica biofísica". [22]

Além disso, os economistas da corrente dominante fracassaram como um todo na previsão do actual crash. Não houve esforço consistente ou concertado da parte dos secretários do Tesouro, do presidente do Federal Reserve ou de economistas vencedores do prémio "Nobel" para advertir decisores políticos ou o público geral que em algum momento no princípio do século XXI a economia global começaria a arrebentar pelas costuras. [23] Alguém pode pensar que este fracasso profético — a incapacidade de prever um evento tão historicamente significativo como a contracção rápida de quase toda a economia global, implicando a falência de alguns dos maiores bancos do mundo e de companhias manufactureiras — faria com que economistas da corrente dominante parassem e reexaminassem as suas premissas fundamentais. Mas há pouco evidência a sugerir que isso esteja a acontecer.

Correndo o risco da repetição: cientistas físicos de várias disciplinas na verdade previram um fim do crescimento económico no princípio do século XXI e advertiram os decisores políticos e o público em geral em muitas ocasiões.

Em quem deveríamos acreditar?

Os pormenores do Diagnóstico Alternativo são falsificáveis. Se a actividade económica recuperasse acima dos níveis de 2007, ou se a produção de petróleo ascendesse acima do nível de Julho de 2008, então a atribuição da actual crise económica aos limites de crescimento restringidos pelos recursos pode ser considerada pelo menos parcialmente refutada. Contudo, mesmo se estas coisas se verificassem, o raciocínio subjacente por trás do Diagnóstico Alternativo ainda pode estar correcto. Se o pico da produção mundial de petróleo for atrasada até, digamos, 2015 ou 2020, o resultado final será essencialmente o mesmo. Mas se, entretanto, o Diagnóstico Alternativo fosse considerado seriamente e se actuasse de acordo com o mesmo, as consequências de fazer isso seriam benéficas: uma década teria sido gasta a preparar para o acontecimento.

Poderia o Diagnóstico Alternativo estar totalmente errado? Isto é, poderiam os economistas convencionais estar certos ao pensar que o crescimento pode continuar para sempre? Muitas vezes se diz que tudo é possível, mas algumas coisas são claramente muito mais possíveis do que outras. O crescimento perpétuo da população humana e do consumo dentro dos limites de um planeta finito parece na verdade um tiro no escuro, especialmente a partir do momento em que sinais de advertência estão por toda a parte a mostrar que limites ecológicos já foram atingidos e ultrapassados. [24]

O que não fazer: Receitar placebos punitivos caros

Se os cientistas físicos que advertem acercam de limites para o crescimento estiverem certos, enfrentar o colapso económico global implica muito mais do que meramente por os bancos e os prestamistas hipotecários outra vez de pé. Na verdade, encaramos uma mudança fundamental na nossa economia tão significativa quanto o advento da revolução industrial. Estamos num ponto de inflexão histórico — o fim de décadas de expansão e o começo de um período inevitável de contracção que continuará até que a humanidade esteja outra vez a viver dentro dos limites dos sistemas regenerativos da Terra.

Mas há poucos sinais de que decisores políticos entendem algo disto. O seu pensamento parece ser moldado primariamente pelas garantias dos economistas da corrente principal de que o crescimento pode e deve continuar no futuro indefinido e que a contracção económica que o mundo está agora a experimentar é apenas temporária — um problema que pode e deve ser resolvido.

Ainda assim, o problema não é menor aos olhos de economistas e decisores políticos. Considere-se a dimensão gigantesca dos salvamentos do Tesouro e do Federal Reserve e os pacotes de estímulos que foram aplicados na tentativa possivelmente fútil de por fim à contracção e recomeçar o crescimento. Segundo o inspector especial geral do Troubled Asset Relief Program (TARP) do governo dos EUA, em observações submetidas em 21 de Julho ao Comité Parlamentar sobre Supervisão e Reforma do Governo, US$23,7 milhões de milhões (trillions) foram comprometidos em "apoio total potencial do governo federal". Isto é um remédio na verdade dispendioso. Custa uns momentos para começar mesmo a compreender a enormidade do número. Ele representa cerca da metade do PIB anual mundial e é mais de três vezes a quantia total gasta pelo governo dos EUA, em dólares corrigidos de inflação, em todas as guerras somadas, desde 1776 até o presente. É aproximadamente cinquenta vezes o custo do New Deal.

Outros países, incluindo a Grã-Bretanha, China e Alemanha comprometeram-se a pagar por pacotes de estímulos e salvamentos que, se bem que muito mais pequenos em termos absolutos, representam uma impressionante (ou deveríamos dizer aterrorizadora?) fatia do PIB nacional.

Se o Diagnóstico Alternativo for válido, nada disto funcionará no final das contas, porque as instituições financeiras existentes — com suas bases em dívida e juro e suas exigências de expansão constante — não podem ser feitas para funcionar num contexto em que constrangimentos de energia e recursos impões tectos efectivos à manufactura e ao transporte.

Estarão os salvamentos e pacotes de estímulo a funcionar? Há muita evidência a sugerir que não estão, excepto de formas limitadas. Nos EUA, o desemprego continua a aumentar, ao passo que os valores imobiliários continuam a cair. E a maior parte dos reputados "rebentos verdes" na economia tão difíceis de ver equivalem meramente a um declínio comprovadamente temporário na taxa de contracção. Por exemplo: o índice de preços de casas divulgado em 28 de Julho deste ano mostrava que em Maio os preços sazonalmente ajustados caíram apenas 0,16 por cento em relação ao mês anterior. Isto representa uma taxa anual de declínio um pouco abaixo dos 2 por cento, o que é uma melhoria substancial sobre a taxa anualizada de mais de 20 por cento que prevaleceu de Setembro de 2008 até Março de 2009. Muitos comentadores agarraram estas notícias como um sinal de viragem iminente. No entanto, as vendas de novas casas estão abaixo dos 1,4 milhão por ano de 2005 tendo passado hoje a 350 mil por ano, e o preços habitacionais 50 por cento abaixo do pico da bolha e ainda a declinar na maior parte dos lugares. Além disso, a manufactura ainda está contraída, os pequenos negócios estão em perturbação, ainda há sinais significativos de perigo no horizonte, incluindo uma nova rodada de devoluções hipotecárias, um provável afundamento nos valores do imobiliário comercial e o surgimento da realidade de que os activos tóxicos no centro da crise bancária ainda têm de ser tratados. [25]

O presidente Obama argumentou que os salvamentos são justificados para estabilizar o sistema o tempo suficiente para que os líderes possam fazer mudanças fundamentais em instituições e regulamentações, possibilitando que a economia avance de modo mais saudável e mais imune a crises semelhantes no futuro. Mas há pouco para sugerir que as espécies de mudanças sistémicas que são realmente necessárias (aquelas que permitiriam à economia funcionar durante um período prolongado de contracção) estejam a caminho ou sejam mesmo contempladas. Enquanto isso, como instituições baseadas no crescimento estão temporariamente escoradas, a escala final dos danos só pode aumentar: quando o colapso inevitável daquelas instituições verificar-se, as consequências provavelmente serão ainda piores porque demasiado capital terá sido dissipado na tentativa de salvá-las.

Ao consumir recursos não renováveis como metais, minerais e combustíveis fósseis, roubámos das gerações futuras. Agora com efeito estamos a roubar daquelas gerações os recursos financeiros que poderiam ter sido utilizados para construir uma ponte para uma economia sustentável. A construção de uma infraestrutura de energia renovável (incluindo não apenas capacidade de geração como também distribuição e sistemas de armazenagem, bem como transportes pós-petróleo e sistemas agrícolas) exigirá enormes investimentos e décadas de trabalho. De onde virá o capital de investimento se os governos já se enterram em dívida? Se comprometemos aproximadamente US$24 milhões de milhões para escorar uma velha economia sem quaisquer perspectivas de sobrevivência real, o que é deixado para financiar a nova?

Se a actual receita para a nossa maleita económica vai na direcção errada, o mesmo é verdade das muitas curas propostas para os nossos problemas de energia. Segundo o Diagnóstico Convencional, os altos preços do petróleo de hoje são devidos à especulação; a cura deve portanto repousar em regulamentação mais dura da comercialização de petróleo no mercado de futuros (o que pode ser uma boa ideia, embora não vá ao coração do problema), enquanto proporciona muitas oportunidades para companhias de petróleo explorarem o petróleo interno (apesar de que as taxas de produção prováveis das reservas actualmente fora dos limites seriam relativamente insignificantes e teriam um efeito desprezível sobre os preços do óleo). De facto, investir mais em sistema de energia com combustíveis fósseis (incluindo tecnologia do "carvão limpo") proporcionará retornos declinantes, uma vez que os recursos de qualidade mais elevada já foram consumidos, enquanto ao assim fazer desvia o capital de investimento para longe do desenvolvimento de energia renovável, nas qual teremos de confiar cada vez mais à medida que os combustíveis fósseis se esgotam. [26]

O que é preciso mas ainda está a faltar totalmente é um reconhecimento fundamental de que as circunstâncias mudaram: o que funcionou décadas atrás já não funcionará agora.

O que fazer: Adaptar à nova realidade

Se o Diagnóstico Alternativo estiver correcto, não será fácil consertar o actual colapso económico. Algumas doenças não são curáveis; elas exigem que nós simplesmente nos adaptamos e façamos o melhor na nossa nova situação.

Se a humanidade na verdade iniciou a fase de contracção do impulso industrial, deveríamos assumir que pela nossa frente estão níveis de rendimento médio muito mais baixos (para quase todos nos países ricos e para os que têm salários altos nos países mais pobres); oportunidades de emprego diferentes (menos empregos em vendas, marketing e finanças; mais em produção básica); e energia, transportes e alimentos mais custosos. Além disso, deveríamos assumir que aspectos chave do nosso sistema económica que estão inextricavelmente ligados à necessidade de crescimento futuro cessarão de funcionar neste novo contexto.

O que podemos fazer para adaptação mais rápida e com êxito?

Ao invés de tentar escorar bancos e companhias de seguros com milhões de milhões em salvamentos, provavelmente seria melhor simplesmente deixá-las cair, por mais desagradáveis que fossem as consequências a curto prazo, uma vez eles irão falir mais cedo ou mais tarde. Quanto mais cedo forem substituídos por instituições que desempenhem funções essenciais dentro de uma economia em contracção, tanto melhor. [27]

Enquanto isso o líderes pensantes da sociedade, especialmente o presidente, devem começar a difundir a notícia — de maneira compreensível e em termos medidos — de que crescimento não é retorno e que o mundo entrou numa fase económica nova e sem precedentes, mas que podemos todos sobreviver e prosperar neste desafiante período transicional se nos esforçarmos e trabalharmos em conjunto. No cerne desta reeducação geral deve estar um reconhecimento público e institucional de três regras básicas de sustentabilidade: o crescimento em população não pode ser sustentado; a extracção em curso de recursos não renováveis não pode ser sustentada; e a utilização de recursos renováveis é sustentável apenas se prosseguir a taxas abaixo daquelas de reposição natural.

Sem energia barata, o comércio global não pode aumentar. Isto não significa que o comércio venha a desaparecer, apenas que os incentivos económicos inexoravelmente mudarão quando os custos de transportes ascenderem, favorecendo a produção local para consumo local. Mas isto pode ser um lindo modo de apresentar isto: se e quando a escassez de combustível surgir, frágeis sistema de aprovisionamento de âmbito global poderiam ser interrompidos, com terríveis efeitos para consumidores cortados de fontes de produtos necessários. Portanto deve ser dada uma alta prioridade à construção de comunidades resilientes através da aquisição preferencial local de necessidades e a manutenção de stocks regionais maiores — especialmente alimentos e combustível. [28]

Actualmente é preciso uma média de 8,5 calorias de energia do petróleo e do gás natural para produzir cada caloria de energia alimentar. Sem combustível barato para a agricultura, a produção agrícola cairá a pique e os agricultores irão à bancarrota — a menos que esforços pró-activos sejam empreendidos para reformar a agricultura e reduzir a sua dependência de combustíveis fósseis. [29]

Obviamente, fontes de energia alternativa e estratégias de eficiência energética devem ter alta prioridade e devem ser sujeitas a investigação intensa utilizando um espectro de critérios cuidadosamente escolhido. Os melhores candidatos terão de ser financiados fortemente mesmo enquanto os combustíveis fósseis ainda estão relativamente baratos: o tempo de preparação (build-out) para a infraestrutura de energia renovável inevitavelmente será medido em décadas e assim devemos começar o processo agora ao invés de esperar por forças de mercado para levar a este caminho.

Face às crises de credito e (potencialmente) da divisa, novos meios de financiar tais projectos serão necessários. Uma vez que os nossos actuais sistemas monetário e financeiros são fundamentados na necessidade de crescimento, precisaremos de novos meios de criar dinheiro e novos meios de emitir crédito. Um esforços considerável de pensamento tem de ser dirigido para encontrar soluções para este problema e algumas comunidades já estão a experimentar, com cooperativas locais, divisas alternativas e bancos sem juros. [30]

Com o petróleo a tornar-se cada vez mais caro em termos reais, precisaremos de meios mais eficientes de transportar pessoas e bens. A nossa primeira prioridade a este respeito deve ser reduzir a necessidade de transporte com melhor planeamento urbano e sistemas de produção relocalizados. Mas onde o transporte for necessário, os carris e os carris ligeiros provavelmente serão preferíveis aos carros e camiões. [31]

Também precisaremos de uma revolução no ambiente construído para minimizar a exigência de aquecimento, arrefecimento e iluminação artificial em todas as nossas casas e edifícios públicos. Esta revolução já está a caminho, mas actualmente está a mover-se mais lentamente devido à inércia de interesses estabelecidos na indústria da construção. [32]

Este projectos precisarão mais do que crédito e dinheiro local; eles também exigirão trabalhadores qualificados. Aqui pode haver um apelo não apenas a instaladores de painéis solares e isolamento de casas: milhões de novos produtores de alimentos e construtores de infraestrutura de baixa energia serão também necessários. Um vasto leque de novas oportunidades poderia abrir-se para substituir empregos em desaparecimento no marketing e nas finanças — se houver um treino barato disponível em escolas das comunidades locais.

Vale a pena notar que os US$23,7 milhões de milhões comprometidos nos salvamentos e garantias de empréstimos dos EUA representam cerca de US$80 mil para cada homem, mulher e criança na América. Um nível de investimento igual a uma fracção substancial desta dimensão poderia pagar toda a necessidade de treino enquanto asseguraria o fornecimento universal de necessidades básicas durante a transição. O que seria obtido com o nosso dinheiro? Um sentimento colectivo de que, num tempo de crise, ninguém está a ser deixado para trás. Sem o sentimento de cooperativo de adesão que uma tal rede de segurança ajudaria a produzir, semelhante ao que foi alcançado com o New Deal mas numa escala ainda mais ampla, a contracção económica poderia degenerar num horrendo combate sobre as sucatas do período industrial em declínio.

Ainda que controversa, a questão da população deve ser enfrentada. Todos os problemas que têm a ver com recursos são mais difíceis de resolver quando há mais pessoas a precisarem destes recursos. Os EUA devem encorajar famílias mais pequenas e devem estabelecer uma política de imigração consistente com um objectivo de não crescimento populacional. Isto tem implicações de política externa: devemos ajudar outros países a terem êxito com suas próprias transições económicas de modo a que os seus cidadãos não tenham de emigrar para sobreviver. [33]

Se o crescimento económico deixar de ser um objectivo atingível, a sociedade terá de encontrar melhores meios para medir o êxito. Os economistas devem deixar de avaliar o bem estar com instrumento grosseiro do PIB e começar a prestar mais atenção a índices de capital social e humano em áreas tais como educação, saúde e feitos culturais. Esta redefinição de crescimento e progresso já começou em locais, mas para a maior parte ainda tem de ser avançada pelos governos. [34]

Pode-se argumentar que depois de tudo isto ser feito o resultado final será um modo de vida mais satisfatório para a vasta maioria do cidadãos — proporcionando mais sentido de comunidade, mais conexão com o mundo natural, mais trabalho satisfatório e um ambiente mais saudável. Estudos mostraram reiteradamente que níveis mais altos de consumo não se traduzem por níveis elevados de satisfação com a vida. [35] Isto significa que se o "progresso" puder ser pensado em termos de felicidade, ao invés de um processo de aceleração constante da extracção de matérias-primas e sua transformação em produtos que rapidamente se tornarão resíduos, então o progresso pode certamente continuar. Em qualquer caso, "vender" este projecto enorme e sem precedentes ao público geral exigirá enfatizar os seus benefícios. Várias organizações já estão a explorar a mensagem e os aspectos de relações públicas da transição. [36] Mas os seus responsáveis precisam entender que olhar o lado brilhante não significa prometer o que não pode ser entregue — tal como um retorno aos dias de crescimento e consumo rápido.

Podemos? Conseguiremos?

É importante declarar as implicações de tudo isto tão claramente quanto possível. Se o Diagnóstico Alternativo estiver correcto, não haverá plena "recuperação" económica — nem este ano, ou no próximo ou daqui a cinco ou dez anos. Pode haver retomadas temporárias que nos levarão de volta a alguma fracção da actividade económico do pico, mas isto serão apenas breves pausas.

Entrámos numa nova era económica na qual as antigas regras já não se aplicam mais. Taxas de juro baixas e gastos governamentais já não se traduzem mais em incentivos para contrair empréstimos e produção de empregos. A energia barata não aparecerá mais só porque há procura por ela. Substitutos para recursos essenciais em muitos casos não serão encontrados. Acima de tudo, a economia continuará a contrair-se de modo intermitente enquanto puder ser mantida pela energia e recursos materiais que a Terra pode fornecer em base permanente.

Isto naturalmente é uma notícia muito difícil. É análogo ao nosso médico dizer-nos que contraímos uma doença sistémica, potencialmente fatal, que não pode ser curada, mas apenas administrada. E administração significa que devemos fazer mudanças profundas no estilo de vida.

Alguns leitores podem notar que a alteração climática não figurou de modo destacado nesta discussão. Ela é claramente, afinal de contas, a pior catástrofe ambiental da história humana. [NR] Na verdade, as suas consequências poderiam ser muito piores do que a mera destruição de economias nacionais: centenas de milhões de pessoas e milhões de outras espécies poderiam ser postas em perigo. A razão para a discussão relativamente limitada do clima aqui é que (assumindo que o Diagnóstico Alternativo esteja correcto) não é a alteração climática que demonstrou ser o limite mais imediato para o crescimento económico, mas sim o esgotamento de recursos. Contudo, se bem que ainda não haja um acordo geral quanto a este ponto, a própria alteração climática e os passos necessários para minimizá-la constituem limites ao crescimento, assim como o esgotamento de recursos. Além disso, se fracassarmos em administrar com êxito o inevitável processo de contracção económica que caracterizará as próximas décadas, não haverá esperança de montar uma resposta organizada e coerente à alteração climática — uma resposta consistente de esforços tanto para reduzir impactos climáticos como para adaptar-se a eles. É importante notar, embora, que as medidas advogadas aqui (incluindo o desenvolvimento de fontes de energia renováveis e eficiência energética, uma rápida redução da dependência de combustíveis fósseis nos transporte e na agricultura e a estabilização dos níveis de população) estão entre os passos que mais ajudarão a reduzir emissões de carbono.

Será provável que este ensaio mude o pensamento e as acções de decisores políticos? Infelizmente, isto é improvável. A sua crença na possibilidade e necessidade do crescimento contínuo é omnipresente e a noção de que o crescimento pode não ser mais possível é impensável. Mas o Diagnóstico Alternativo deve ser uma matéria de registo. Este ensaio, redigido por um mero jornalista, sob muitos aspectos representa o pensamento de milhares de cientistas físicos que trabalharam ao longo das últimas várias décadas sobre questões que têm a ver com população, recursos, poluição e biodiversidade. Ignorar o próprio diagnóstico — quer como articulado aqui ou como implícito em dezenas de milhares de documentos científicos — pode inutilizar a nossa última oportunidade para impedir um colapso completo, não apenas da economia mas da civilização e da existência humana organizada. Pode levar ao risco de uma descontinuidade histórica com antecedentes qualitativos na queda das civilizações romana e maia. [37] Mas não há verdadeiro precedente para o que pode estar reservado. A civilização de hoje é global e o seu destino, o destino da Terra e o destino da humanidade, estão inextricavelmente ligados.

Mas mesmo que os decisores políticos continuem a ignorar advertências tais como esta, indivíduos e comunidades podem tomar cuidado e começar o processo de construir resiliência, e de afastarem-se da dependência de combustíveis fósseis e de instituições que estão inextricavelmente ligada ao crescimento perpétuo da máquina. Não podemos sentar passivamente quando líderes mundiais desperdiçam oportunidades de despertar e adaptar aos limites do crescimento. Podemos fazer mudanças nas nossas próprias vidas e podemos associar-nos aos nossos vizinhos. E podemos fazer saber aos decisores políticos que desaprovamos a sua fidelidade ao status quo e que há outras opções.

Será demasiado tarde para começar uma transição administrada para uma sociedade pós combustíveis fósseis? Talvez. Mas não saberemos a menos que tenhamos tentado. E se vamos fazer este esforço, devemos começar por reconhecer uma realidade simples e rematada: o crescimento tal como temos conhecido não pode ser mais o nosso objectivo.

08/Agosto/2009
Notas
1. "Pain on the Road to Recovery" (http://www.smh.com.au/national/pain-on-the-road-to-recovery-20090724-dw6...).
2. Here, for example, are a few relevant excerpts from the present author's book The Party's Over: Oil, War and the Fate of Industrial Societies (Gabriola Island, BC: New Society, 2003): "Our current financial system was designed during a period of consistent growth in available energy, with its designers operating under the assumption that continued economic growth was both inevitable and desirable. This ideology of growth has become embodied in systemic financial structures requiring growth…. Until now, this loose linkage between a financial system predicated upon the perpetual growth of the money supply, and an economy growing year by year because of an increasing availability of energy and other resources, has worked reasonably well—with a few notable exceptions, such as the Great Depression…. However, [when global oil production peaks] the financial system may not respond so rationally…. This might predictably trigger a financial crisis…."
3. See Albert Bartlett, "Arithmetic, Population and Energy" (lecture transcript), (http://www.globalpublicmedia.com/transcripts/645).
4. Donella H. Meadows, Dennis L. Meadows, Jorgen Randers, and William W. Behrens III, Limits to Growth (New York: Universe Books, 1972); Donella H. Meadows, Dennis L. Meadows, and Jorgen Randers, Beyond the Limits (Post Mills, VT: Chelsea Green, 1992); Donella H. Meadows, Dennis L. Meadows, and Jorgen Randers, Limits to Growth: The 30 Year Update (White River Junction, VT: Chelsea Green, 2003). See also the recent CSIRO study, "A Comparison of the Limits to Growth with Thirty Years of Reality" (2009) (www.csiro.au/files/files/plje.pdf).
5. See, for example, Robert U. Ayers and Benjamin Warr, The Economic Growth Engine: How Energy and Work Drive Material Prosperity (Cambridge, UK: Edward Elgar Publishing, 2005); and Robert Barro and Xavier Sala-i-Martin, Economic Growth (Cambridge, MA: MIT Press, 2003) (http://www.bookrags.com/research/economic-growth-and-energy-consumpt-mee...).
6. See Richard Heinberg, The Party's Over: Oil, War and the Fate of Industrial Societies (2003, 2005); Powerdown: Options and Actions for a PostCarbon World (2004); and The Oil Depletion Protocol: A Plan to Avert Oil Wars, Terrorism, and Economic Collapse (2006); as well as books by Kenneth Deffeyes, Colin Campbell, and Matthew Simmons; and websites www.theoildrum.com and www.energybulletin.net. The Association for the Study of Peak Oil organizes international conferences to study issues related to oil and gas depletion (www.peakoil.net and www.aspo-usa.com), and the U.S. chapter of ASPO publishes a weekly survey of relevant news, "Peak Oil Review," compiled by former CIA analyst Tom Whipple. At the annual Association for the Study of Peak Oil conference in Cork, Ireland, in September 2007, former U.S. Energy Secretary, James Schlesinger, said: "Conceptually the battle is over. The peakists have won. We're all peakists now." See also Steve Connor, "Warning: Oil supplies are running out fast," The Independent, August 3, 2009 (http://www.independent.co.uk/news/science/warning-oil-supplies-are-runni...).
7. The declining rate of discovery of new oilfields, and the list of past-peak oil producing countries, are widely documented; e.g.: Roger D. Blanchard, The Future of Global Oil Production: Facts, Figures, Trends and Projections by Region (Jefferson, NC: McFarlane and Co., 2005).
8. A May 4, 2009 report from Raymond James Associates ("Stat of the Week") argued that world oil production peaked in July 2008 (http://blogs.wsj.com/environmentalcapital/2009/05/04/peak-oil-global-oil...). In a subsequent interview, Marshall Adkins, author of the report, suggested that most knowledgeable players within the petroleum industry now accept the Peak Oil thesis in some form, whether or not they acknowledge it publicly (www.aspousa.org/index.php/2009/07/interview-with-marshall-adkins/).
9. Brookings Papers on Economic Activity, March 2009. www.brookings.edu/economics/bpea/~/media/Files/Programs/ES/BPEA/2009_spr...
10. See Joe Cortright, "Driven to the Brink: How the Gas Price Spike Popped the Housing Bubble and Devalued the Suburbs," Discussion paper, CEOs for Cities, 2008 (http://www.ceosforcities.org).
11. U.S. Government Accountability Office, "Commercial Aviation: Airline Industry Contraction Due to Volatile Fuel Prices and Falling Demand Affects Airports, Passengers, and Federal Government Revenues ," April 21, 2009 (www.gao.gov/products/GAO-09-393). For a detailed discussion of the likely future impacts of high oil prices and oil shortages on the airline industry, see Charles Schlumberger, "The Oil Price Spike of 2008: The Result of Speculation or an Early Indicator of a Major and Growing Future Challenge to the Airline Industry?" Annals of Air and Space Law, Vol. XXXIV, [2009], McGill University (http://www.globalpublicmedia.com/the_oil_price_spike_of_2008).
12. American Trucking Association (www.truckline.com/Pages/Home.aspx).
13. This scenario is implied in Robert L. Hirsch, Roger Bezdek, and Robert Wendling, "Peaking of World Oil Production: Impacts, Mitigatin and Risk Management" (U.S. Department of Energy: 2005): "As peaking is approached, liquid fuel prices and price volatility will increase dramatically…." (http://www.netl.doe.gov/publications/others/pdf/Oil_Peaking_NETL.pdf).
14. See, for example, "Troubling Signs That Oil Prices Could Hamper Recovery," Wall Street 24/7, May 8, 2009 (http://247wallst.com/2009/05/08/troubling-signs-that-oil-prices-could-ha...)
15. See, for example, James Herron, "Low Oil Prices, Credit Woes Could Spell Trouble for UK North Sea," Rigzone, November 14, 2008 (www.rigzone.com/news/article.asp?a_id=69507).
16. Jad Mouawad, "Big Oil Projects Put in Jeopardy by Fall in Prices," New York Times, December 15, 2008 (www.nytimes.com/2008/12/16/business/16oil.html)
17. See David R. Baker, "Low oil prices take wind out of renewable fuels," San Francisco Chronicle, October 27, 2008 (www.sfgate.com/cgi-bin/article.cgi?f=/c/a/2008/10/26/MNSK13NNK4.DTL).
18. See The Party's Over, Chapter 4; Powerdown, Chapter 4; The Oil Depletion Protocol, pages 23-31. A longer treatment of the subject, tentatively titled Energy Limits to Growth, will be published by International Forum on Globalization and Post Carbon Institute in September.
19. This conclusion is echoed in, for example, Ted Trainer, Renewable Energy Cannot Sustain a Consumer Society (Dordrecht, The Netherlands: Springer, 2007); and (with some reservations), David J. C. McKay, Sustainable Energy Without the Hot Air (Cambridge, UK: UIK Cambridge, 2008), (www.withouthotair.com).
20. Just one example, from a press release April 20, 1998 describing the results of a poll commissioned by the American Museum of Natural History: "The American Museum of Natural History announced today results of a nationwide survey titled Biodiversity in the Next Millennium, developed by the Museum in conjunction with Louis Harris and Associates, Inc. The survey reveals that seven out of ten biologists believe that we are in the midst of a mass extinction of living things, and that this loss of species will pose a major threat to human existence in the next century."
21. Charles A. S. Hall and Kent A. Klitgaard, "The Need for a New, Bioplysical-Based Paradigm in Economics for the Second Half of the Age of Oil," International Journal of Transdisciplinary Research, Vo. 1, NO. 1 (2006), (http://74.125.155.132/search?q=cache:DtdKR2ZWgNoJ:www.peakoil.net/files/...); Charles A. S. Hall, D. Lindenberger, R. Kummell, T. Kroeger and W. Eichorn, "The Need to Reintegrate the Natural Sciences with Economics." Bioscience 51:663-673, 2001.
22. Cutler J. Cleveland, "Biophysical Economics," The Encyclopedia of Earth (www.eoearth.org/article/Biophysical_economics). See also the related field of Ecological Economics, especially the books of Herman Daly, including Toward a Steady State Economy (New York: Freeman, 1973); and, with Joshua Farley, Ecological Economics: Principles and Applications (Washington: Island Press, 2004).
23. The quotation marks around the Nobel name are justified because the Nobel family has never acknowledged economics as a science: the so-called "Nobel prize in economics" is awarded by a Swedish Bank.
24. See The Millennium Ecosystem Assessment (www.millenniumassessment.org/en/index.aspx).
25. See, for example, J. S. Kim, "Irrational Exuberance of the Green Shoots," July 24, 2009 (http://seekingalpha.com/article/151101-irrational-exuberance-of-the-gree...).
26. See Richard Heinberg, Blackout: Coal, Climate and the Last Energy Crisis (Gabiola Island, BC: New Society, 2009), pages 137-143, 145-168.
27. The opinion that banks and insurance companies should be allowed to fail rather than being bailed out was voiced by many knowledgeable observers throughout late 2008 and early 2009. See for example Ambrose Evans-Pritchard, "Let banks fail, says Nobel economist Joseph Stiglitz," London Daily Telegraph, Feb. 2, 2009 (www.telegraph.co.uk/finance/newsbysector/banksandfinance/4424418/Let-ban...).
28. See Jeff Rubin, Why Your World Is About to Get a Whole Lot Smaller: Oil and the End of Globalization. (New York: Random House, 2009).
29. See Richard Heinberg and Michael Bomford, "The Food and Farming Transition" (Sebastopol, CA: Post Carbon Institute, 2009), (http://postcarbon.org/food).
30. See Bernard Lietaer, "White Paper on All the Options for Managing a Systemic Bank Crisis" (www.lietaer.com/images/White_Paper_on_Systemic_Banking_Crises_final.pdf). JAK in Sweden is a cooperative, member-owned bank that operates without interest (http://en.wikipedia.org/wiki/JAK_members_bank).
31. See Richard Gilbert and Anthony Perl, Transport Revolutions: Moving People and Freight Without Oil (Gabriola Island, BC: New Society, 2009).
32. The Passivhaus Institute pioneers construction methods that reduce energy input to buildings in many cases to zero (www.passivehouse.us). Roughly 20,000 Passivhauses have been built in Europe, only about 12 in the U.S.
33. See websites of Population Media Center (www.populationmedia.org/issues/), and SUSPS (www.susps.org/overview/immigration.html).
34. The organization Redefining Progress has developed a Genuine Progress Indicator (GPI) that incorporates many such indices (www.rprogress.org/sustainability_indicators/genuine_progress_indicator.htm).
35. See, for example, "Understanding Human Happiness and Well-Being," The Sustainable Scale Project (http://www.sustainablescale.org/AttractiveSolutions/UnderstandingHumanHa...).
36. The burgeoning Transition Town movement (www.transitiontowns.org) proceeds from the premise that "life can be better without fossil fuels." YES! Magazine (www.yesmagazine.org) is a publication of the Positive Futures Network and highlights examples of low-impact ways of living that bring personal and social benefits. And the Simple Living Network (www.simpleliving.net) provides "resources, tools, examples and contacts for conscious, simple, healthy and restorative living."
37. See Jared Diamond, Collapse How Societies Choose to Fail or Succeed (New York: Viking, 2005); Joseph Tainter, The Collapse of Complex Societies (Cambridge, UK: Cambridge University Press, 1988); and John Michael Greer, The Long Descent (Gabriola Island, BC: New Society, 2008).

[NR] Resistir.info não é obrigado a concordar com tudo ao publicar um texto. Observa-se que a crença do autor no mítico aquecimento global de origem antropogénica está em contradição com a sua própria afirmação de que doravante a produção de petróleo irá reduzir-se. Assim, como ele considera maléficas as emissões de CO2 produzidas pelo homem, deveria verificar (e alegrar-se com) o facto de que estas irão reduzir-se na mesma proporção em que se reduzir a produção/consumo de petróleo. Aparentemente o autor não se deu conta de que as crenças no suposto aquecimento global e na realidade do Pico Petrolífero são contraditórias entre si.


[*] Do Post Carbon Institute , autor de cinco livros sobre esgotamento de recursos e problemas energéticos. Seu sítio web: www.richardheinberg.com

O original encontra-se em http://www.theoildrum.com/node/5638


Este ensaio encontra-se em http://resistir.info/ .
10/Ago/09