Recessão temporária ou o fim do crescimento?
Todos concordam: a nossa economia está doente. Os sintomas
inescapáveis incluem declínios nos gastos e na confiança
do consumidor, juntamente com uma contracção do comércio
internacional e do crédito disponível. Acrescente-se um colapso
nos valores imobiliários e uma carnificina nas indústrias
automobilísticas e dos transportes aéreos e o quadro parece
realmente sombrio.
Mas e se tanto a economia dos EUA como a economia global mais vasta estiverem
enfermas? Entre os media de referência, os líderes mundiais e os
economistas-chefe da América (o secretário do Tesouro Geithner e
o presidente do Federal Reserve, Bernanke) há quase unanimidade de
opinião: estas perturbações recentes são devidas
primariamente a uma combinação de maus empréstimos
imobiliários e fraca regulação de derivativos financeiros.
Isto é o Diagnóstico Convencional. Se ele estiver correcto,
então o tratamento para a nossa doença económica pode
logicamente incluir doses pesadas de salvamento monetário para
instituições financeiras problemáticas, prestamistas de
hipotecas e companhias de automóveis; melhor regulação de
derivativos e de mercados futuros; e programas de estímulo para
relançar o gasto do consumidor.
Mas e se este diagnóstico estiver fundamentalmente defeituoso? A
metáfora não precisa de mais explicações: todos
nós sabemos que tragédia pode resultar de um leitura incorrecta
dos sintomas por parte do médico, confundindo uma doença com
outra.
Algo semelhante verifica-se quanto à nossa enfermidade nacional e
global. Se não entendermos porque o metabolismo industrial e financeiro
do mundo foi apanhado, é improvável que apliquemos os
remédios correctos e poderíamos acabar por tornar as coisas muito
piores do que seria normal.
Temos de admitir que o Diagnóstico Convencional é pelo menos
parcialmente correcto. A conexão causal entre empréstimos
hipotecários subprime e as crises da Fannie Mae, Freddie Mac e Lehman
Brothers foram exploradas extensamente e são bem conhecidas. Claramente,
ao longo dos últimos anos, bolhas especulativas no imobiliário e
na indústria financeira foram inchadas para dimensões colossais e
a sua explosão era inevitável. É difícil discordar
das palavras do primeiro-ministro australiano Kevin Rudd, no seu ensaio de 25
de Julho no
Sydney Morning Herald:
"As raízes da crise jazem na década anterior de excessos.
Nela o mundo desfrutou de um boom extraordinário... Contudo, como
aprendemos posteriormente, o boom global estava construído em grande
parte sobre um ... castelo de cartas. Primeiro, em muitos países
ocidentais o boom foi criado sobre uma pilha de dívidas detidas por
consumidores, corporações e alguns governos. Como colocou o
financeiro global George Soros: 'Durante 25 anos [o ocidente] tem estado a
consumir mais do que temos estado a produzir ... a viver para além dos
nossos meios' ".
[1]
Mas será suficiente vermos isto para chegar à raiz do progressivo
colapso económico global?
Pode-se argumentar que os terríficos eventos relacionados com o
imobiliário, os mercados derivativos e as industrias
automobilística e aérea foram em si mesmos meramente sintomas de
uma disfunção ainda mais profunda, sistémica, que marca o
fim do crescimento económico tal como o conhecemos.
Em suma, estou a sugerir um Diagnóstico Alternativo. Esta
explicação para a crise económica não é para
os coração fraco porque, se for correcta, ela implica que o
paciente está muito mais doente do que mesmo os economistas mais
pessimistas estão a dizer-nos. Mas se for correcta, então ao
ignorá-la arriscamo-nos a ainda maiores perigos.
Crescimento económico, a crise financeira e o Pico Petrolífero
Durante vários anos uma vasta subcultura de comentadores (os quais
incluem o presente autor) esteve a prever um crash financeiro, baseando este
prognóstico na avaliação de que a produção
global de petróleo estava próxima do pico.
[2]
O nosso raciocínio era este:
Crescimentos contínuos da população e do consumo
não podem continuar para sempre num planeta finito. Isto é uma
observação axiomática com a qual qualquer pessoa familiar
com a matemática do crescimento aritmético composto deve
concordar, mesmo que eles limitem o seu acordo com vagas referências
à "substituibilidade" e "transições
demográficas".
[3]
Este limite axiomático do crescimento significa que a expansão
rápida tanto da população como do consumo per capita de
recursos que se verificou ao longo dos últimos um ou dois séculos
deve cessar em algum momento. Mas quanto é provável que isto se
verifique?
O injustamente vilipendiado
Limits to Growth,
estudo publicado em 1972 com actualizações periódicas
desde então, tentaram responder à pergunta com análises da
disponibilidade de recursos e do seu esgotamento, bem como múltiplos
cenários quanto ao crescimento da população futura e das
taxas de consumo. O cenário mais pessimista em 1972 sugeria um fim do
crescimento económico do mundo por volta de 2015.
[4]
Mas pode haver um meio mais simples de prever o fim do crescimento.
A energia é o possibilitador final do crescimento (mais uma vez, isto
é axiomático: tanto a física como a biologia dizem-nos que
sem energia nada acontece). A expansão industrial ao longo dos
últimos dois séculos foi sempre baseada no consumo acrescido de
energia.
[5]
Mais especificamente, o industrialismo foi inextricavelmente ligado à
disponibilidade e consumo de energia barata do carvão e do
petróleo (e mais recentemente do gás natural). Contudo,
combustíveis fósseis estão pela sua própria
natureza a esgotar-se, são recursos não renováveis.
Portanto (de acordo com a tese do Pico Petrolífero), a eventual
incapacidade para continuar a aumentar o abastecimento de energia fóssil
barata provavelmente levará à cessação do
crescimento económico em geral, a menos que fontes de energia
alternativa e a eficiência da utilização da energia possam
ser posicionadas rapidamente e num grau suficiente.
[6]
Dos três combustíveis fósseis, o petróleo é
comprovadamente o mais economicamente vital, uma vez que abastece 95 por cento
de toda a energia para transportes. Além disso, o petróleo
é o combustível com que nos depararemos com problemas de
abastecimento mais cedo, porque as descobertas de petróleo global
têm estado a declinar durante décadas e a maior parte dos
países produtores de petróleo já estão a assistir a
declínios de produção.
[7]
Assim, por esta lógica, o fim do crescimento económico (como
é definido convencionalmente) é inevitável e o Pico
Petrolífero será provavelmente o seu disparador.
Por que o Pico Petrolífero nos conduziria não apenas a problemas
na indústria do transporte e sim a uma crise económica e
financeira mais geral? Durante o último século o crescimento
tornou-se institucionalizado em motores do nosso sistema económico. Toda
cidade e negócio quer crescer. Isto é compreensível
simplesmente em termos de natureza humana: quase toda a gente quer uma vantagem
competitiva sobre alguém alhures e o crescimento proporciona a
oportunidade de chegar a isso. Mas há também um motivo de
sobrevivência financeira a actuar: sem crescimento, negócios e
governos são incapazes de servir a sua dívida. E a dívida
tornou-se endémica ao sistema industrial. Durante o último par de
décadas, a indústria dos serviços financeiros cresceu mais
rapidamente do que qualquer outro sector da economia americana, ultrapassando
mesmo a ascensão das despesas com cuidados de saúde,
representando um terço de todo o crescimento da economia dos EUA. Desde
1990 até o presente, o rácio dívida/PIB expandiu-se de 165
por cento para mais de 350 por cento. No essencial, o actual bem-estar da
economia repousa sobre dívida e o colateral daquela dívida
consiste numa aposta de que os níveis de produção e
consumo do próximo ano serão sempre mais altos do que os do ano
anterior.
Uma vez que o crescimento não pode continuar num planeta finito, esta
aposta, e a sua corporificação nas instituições
financeiras, pode ser considerada como o maior esquema de Ponzi da
história. Justificámos a actual tomada de empréstimos com
a crença irracional de que o crescimento perpétuo é
possível, necessário e inevitável. De facto tomámos
emprestado de gerações futuras de modo a que hoje
pudéssemos dissipar no jogo o seu capital.
Até recentemente, o argumento do Pico Petrolífero foi estruturado
como uma previsão: o declínio inevitável da
produção mundial de petróleo, não importa quando
isto se verificasse. Mas é agora que a previsão se torna
diagnóstico: durante o período de 2005 para 2008, a energia
produzida
cessou de crescer e os preços do petróleo ascenderam a
níveis recorde. Em Julho de 2008, o preço de um barril de
petróleo rondava próximo dos US$150 50 por cento mais alto
do que qualquer preço anterior do petróleo em termos de
inflação corrigida e a economia global começava a
ruir. As indústrias automobilísticas e aéreas
estremeceram, os consumidores comuns tiveram dificuldades para comprar gasolina
para as suas deslocações ao trabalho enquanto ainda estavam a
pagar as suas hipotecas. Os gastos do consumidor começaram a declinar.
Em Setembro a crise económica era também uma crise financeira,
pois bancos estremeceram e implodiram.
[8]
Considerando tudo quanto está em risco, é importante avaliar os
dois diagnósticos na base de factos, não de preconceitos.
É desnecessário examinar provas que confirmem ou refutem o
Diagnóstico Convencional, porque a sua validade não está
em dúvida como uma explicação parcial para o que
está a ocorrer. A questão é se é uma
explicação suficiente e portanto uma base adequada para conceber
uma resposta com êxito.
Qual é a evidência que favorece a Alternativa? Um bom lugar para
começar é com um documento recente do economista James Hamilton
da Universidade da Califórnia San Diego, intitulado "Causes
and Consequences of the Oil Shock of 2007-08", o qual discute
preços do petróleo e impactos económicos com clareza,
lógica e números, explicando como e porque o crash
económico está relacionado com o choque do preço do
petróleo de 2008.
[9]
Hamilton começa por citar estudos anteriores que mostram uma estreita
correlação entre disparos de preço do petróleo e
recessões. Na base desta correlação, todo economista
atento deveria ter previsto uma recessão aguda para 2008. "Na
verdade", escreve Hamilton, "a relação poderia explicar
toda a baixa de 2007-08... Se alguém pudesse ter sabido antecipadamente
o que aconteceu aos preços do petróleo durante 2007-08, e se
alguém houvesse utilizado a relação estimada
historicamente [entre ascensão do preço e impacto
económico]... esse alguém teria sido capaz de prever com bastante
precisão o nível de PIB real para o terceiro e quarto trimestres
de 2008".
Mais uma vez, isto não é ignorar o papel dos sectores financeiro
e imobiliário no andamento do colapso económico global. Mas no
Diagnóstico Alternativo o colapso da habitação e dos
mercados derivativos é visto como ampliando um sinal que em
última análise provém de um fracasso em aumentar a taxa de
fornecimento de recursos em esgotamento. Hamilton outra vez: "No
mínimo é claro que alguma outra coisa além da
habitação deteriorou-se para transformar o crescimento lento numa
recessão. Esta alguma coisa, na minha consciência, inclui o
colapso em compras de automóveis, baixa geral nos gastos de consumo e
deterioração do sentimento do consumidor, no qual o choque
petrolífero foi indiscutivelmente um factor contribuidor".
Além disso, Hamilton observa que houve "um efeito de
interacção entre o choque petrolífero e os problemas na
habitação". Isto é, em muitas áreas
metropolitanas os preços das casas em 2007 ainda estavam a ascender nos
códigos postais mais próximos dos centros urbanos mas já
em queda rápida nos códigos postos em que as
deslocações eram longas.
[10]
Por que o preço do petróleo disparou?
Aqueles que adoptam o Diagnóstico Convencional para o nosso colapso
económico em curso podem concordar em que houve algum elemento de
correlação causal entre o disparo do preço do
petróleo e a recessão, mas eles negariam que o próprio
disparo tivesse alguma coisa a ver com limites de recursos, porque (dizem eles)
foi provocado principalmente pela especulação nos mercados de
petróleo futuros e tinha pouco a ver com as questões fundamentais
da oferta e da procura.
Nisto, o Diagnóstico Convencional tem de novo alguma base na realidade.
A especulação no mercado de futuros de petróleo durante o
período em causa quase certamente ajudou a conduzir os preços
para níveis mais altos do que se justificava no fundamental. Mas por que
os investidores estavam a comprar petróleo no mercado de futuros?
Será que a mania por contratos de petróleo era apenas uma outra
bolha, como as frenéticas acções dot.com do fim da
década de 90 ou o boom imobiliário de 2003 a 2006?
Durante o período de 2005 a meados de 2008 a procura por petróleo
estava a crescer, especialmente na China (a qual deixou de ser auto-suficiente
em petróleo em 1995 e passou a ser o segundo maior importador mundial,
após os EUA, em 2006). Mas a oferta global de petróleo estava
basicamente estagnada: os números da produção de
petróleo bruto oscilavam dentro de uma faixa razoavelmente estreita
entre os 72 e os 75 milhões de barris por dia. Quando os preços
subiram, os números da produção mal se moveram em
resposta. Havia todas as indicações de que os produtores de
petróleo estavam a bombear o mais rápido possível: mesmo
os sauditas pareciam estar a correr a fim de capitalizar os bons preços.
Portanto pode-se muito bem argumentar que a especulação no
mercado de futuros do petróleo estavam simplesmente a exagerar
movimentos de preços que eram inevitáveis com base nos
fundamentos da oferta e da procura. James Hamilton (na sua
publicação citada anteriormente) coloca isto assim: "Em
retrospectiva, é difícil negar que o preço elevou-se
demasiado em Julho de 2008 e que este erro de cálculo foi influenciado
em parte pelo fluxo de investimentos em contratos de futuros desta commodity.
Convém enfatizar, entretanto, que os dois ingredientes chave
necessários para tornar coerente uma tal história uma
baixa elasticidade-preço da procura e a falha da produção
física em aumentar são os mesmos elementos chave de uma
explicação baseada nos fundamentais do mesmo fenómeno.
Concluo portanto que estes dois factores, ao invés da
especulação per se, deveriam ser interpretados como a causa
primária do choque petrolífero de 2007-08".
Consequências do Pico
Também há controvérsia sobre em que grau as
perturbações nas indústrias automóvel, camionagem e
transporte aéreo deveriam ser atribuídas à disparada do
preço do petróleo ou ao crash económico. Naturalmente, se
o Diagnóstico Alternativo for correcto, os últimos dois eventos
estão causalmente relacionados em qualquer caso. Entretanto, pode ser
útil examinar a situação.
Toda a gente sabe que a GM e a Chrysler foram à bancarrota este ano
porque as vendas de carros nos EUA afundaram. A previsão actual é
de vendas de cerca de 10,3 milhões de veículos nos EUA em 2009,
abaixo dos 13,2 milhões do ano passado e dos 16,1 milhões de
2007. As vendas de carros estado-unidenses não eram tão baixas
desde a década de 1970. As vendas de camiões ligeiros, os
veículos mais lucrativos, tiveram a maior pancada durante 2008, quando
os preços do combustível ascenderam e os compradores de carros
evitaram os beberrões de gasolina. Foi neste ponto que as companhias de
automóveis começaram realmente a sentir o sofrimento.
Os males das companhias de aviação são resumidos num
recente documento do General Accounting Office (GAO): "Após dois
anos de lucros, a indústria estado-unidense de transporte aéreo
de passageiros perdeu US$4,3 mil milhões nos primeiros três
trimestres de 2008 [quando os preços do jet fuel escalaram].
Colectivamente, as linhas aéreas dos EUA reduziram a capacidade interna,
medida pelo número de poltronas, em cerca de 9 por cento entre o quarto
trimestre de 2007 e o quarto trimestre de 2008... Para reduzir a capacidade, as
linhas aéreas reduziram o número geral de aviões activos
nas suas frotas em 18 por cento... As linhas aéreas também
reduziram colectivamente as suas forças de trabalho em cerca de 28 mil
postos, ou aproximadamente 7 por cento, desde o fim de 2007 até o fim de
2008... A contracção da indústria estado-unidense de
companhias de aviação em 2008 reduzir receitas de aeroportos, o
acesso de passageiros ao sistema nacional de aviação e as
receitas para o Trust Fund".
[11]
Na indústria da camionagem, o combustível representa
aproximadamente 40 por cento dos custos operacionais totais. Em 2007, quando os
preços do gasóleo ascenderam, os transportadores começaram
a perder dinheiro e acrescentaram acréscimos pelo preço do
combustível; enquanto isso o volume de fretes começou a cair.
Depois de Julho de 2008, quando os preços do petróleo explodiram,
a tonelagem continuava a declinar. No todo, a diminuição
acumulada em cargas para camiões-plataforma, camiões cisterna e
camiões fechados foi de 15 a 20 por cento apenas no período de
Junho a Dezembro de 2008.
[12]
Este último conjunto de estatística levanta um par de
questões cruciais para entender o Diagnóstico Alternativo. Por
que, se a produção global de petróleo havia acabado de
atingir o pico, os seus preços caíram nos últimos cinco
meses de 2008? E, se os preços do petróleo eram um factor
importante na crise económica, por que a economia não
começou a dar meia volta depois de os preços terem abrandado?
Por que os preços do petróleo caíram? E por que
preços mais baixos não levaram a uma recuperação
rápida?
A tese do Pico Petrolífero prevê que quando a
produção mundial de petróleo atinge o seu nível
máximo e começa a declinar, o seu preço elevar-se-á
dramaticamente. Mas ela também prevê um aumento dramático
na volatilidade dos preços.
O raciocínio é como se segue: Quando o petróleo se torna
escasso, o seu preço elevar-se-á até que comece a minar a
actividade económica geral. A contracção económica
resultará então em procura substancialmente reduzida por
petróleo, o que por sua vez provocará a queda temporária
do seu preço. Então uma de duas coisas acontecerá: ou (a)
a economia começará a recuperar, levando a procura renovada por
petróleo, levando mais uma vez a preços altos os quais
minarão outra vez a actividade económica; ou (b), se a economia
não recupera rapidamente, a produção de petróleo
cairá gradualmente devido ao esgotamento até que a capacidade de
produção de reserva (criada pela procura mais baixa) seja
eliminada, levando outra vez a preços mais altos e a ainda mais
contracção económica. Em ambos os casos, os preços
do petróleo permanecem voláteis e a economia contrai-se.
[13]
Este cenário corresponde muito de perto à realidade que
se está a desdobrar, embora esteja para ser visto se resultará na
situação (a) ou (b).
Ao longo dos últimos três anos, os preços ascenderam e
caíram mais dramaticamente do que teria sido o caso se não
tivesse havido especulação generalizada nos mercados futuros de
petróleo. No entanto, a direcção geral dos preços
a subir, a descer, a recuperar está totalmente em
consonância com a tese do Pico Petrolífero e com o
Diagnóstico Alternativo.
Por que é que a economia não se recuperou rapidamente, uma vez
que os preços do petróleo agora estão a apenas a metade do
que estavam em Julho de 2008? Mais uma vez, o Pico Petrolífero
não é a única causa da actual crise económica.
Bolhas enormes no sectores das finanças e do imobiliário
constituíam acidentes à espera de acontecerem e a implosão
daquelas bolhas criou uma grave crise de crédito (bem como crises de
solvência e crise de divisas que se preparam) que provavelmente
levará vários anos para resolver mesmo que os abastecimentos de
energia não apresentassem um problema.
Mas agora o potencial para renovados preços altos do petróleo
actua como um tecto para a recuperação económica. Todas as
vezes em que a economia pareça mostrar sinais renovados de vida (como
aconteceu em Maio-Julho deste ano, com valores das acções a
recuperarem e o ritmo geral da contracção económica a
diminuir um pouco), os preços do petróleo subirão outra
vez pois os especuladores anteciparão uma recuperação da
procura. Na verdade, os preços do petróleo recuperaram dos US$30
em Janeiro para aproximadamente US$70 actualmente, provocando
preocupação generalizada de que altos preços de energia
possam estragar a recuperação na origem.
[14]
Um barril de petróleo proveniente de fontes recém desenvolvidas
custa em torno de US$60 para produzir, agora que todas as perspectivas do mais
barato foram exploradas: descobrir novos campos de petróleo hoje
significa habitualmente furar quilómetros de água do oceano, ou
em países politicamente instáveis onde equipamento e pessoal
estão em alto risco.
[15]
Assim, tão logo os consumidores procurem mais petróleo, o
preço terá de permanecer visivelmente acima daquele número
a fim de proporcionar o incentivo para os produtores perfurarem.
Preços voláteis agridem ao subirem, mas também agridem ao
descerem. O colapso do preço de Agosto-Dezembro de 2008, mais a pioria
da crise de crédito, provocou uma contracção
dramática no investimento da indústria, levando ao cancelamento
de um valor da ordem dos US$150 mil milhões de novos projectos de
produção cujo potencial de capacidade produtiva
será exigido para compensar declínios nos campos
petrolíferos existentes se a produção mundial permanecer
estável.
[16]
Isto significa que mesmo que a procura permaneça baixa, a capacidade de
produção quase certamente declinará para atender aqueles
níveis de procura, fazendo com que os preços do petróleo
ascendam outra vez em termos reais em algum momento, talvez dentro de dois ou
três anos. Os preços voláteis do petróleo
também agridem o desenvolvimento de energias alternativas, como se
verificou durante os últimos poucos meses quando a queda dos
preços do petróleo levou os fabricantes de etanol a
perturbações financeiras.
[17]
De um modo ou de outro, o crescimento será altamente problemático
se não inexequível.
Diagnóstico do grande quadro: Seguir a trilha da lógica
Neste ponto da discussão muitos leitores estarão a perguntar-se
porque fontes de energia alternativa e medidas de eficiência não
podem ser aplicadas para resolver a crise do Pico Petrolífero. Afinal de
contas, quando o petróleo se torna mais caro, o etanol, o biodiesel e os
carros eléctricos começarão a parecer mais atraentes tanto
para os produtores como para os consumidores. Será que a mágica
do mercado não intervirá para tornar a escassez de
petróleo irrelevante para o crescimento futuro?
É impossível no contexto desta discussão apresentar uma
explicação pormenorizada da razão porque o mercado
provavelmente não pode resolver o problema do Pico Petrolífero.
Tal explicação exige uma discussão do critério de
avaliação da energia e uma análise de muitas alternativas
energéticas individuais com base naquele critério. Já
apresentei anteriormente breves visões gerais acerca deste assunto e uma
muito mais longa está em impressão.
[18]
Minhas conclusões sumárias a este respeito são o que se
segue.
Cerca de 85 por cento da energia actual é derivada de três fontes
primárias petróleo, gás natural e carvão
que são não-renováveis, cujo preço é
provável que tenda a tornar-se agudamente mais alto ao longo dos
próximos anos e décadas levando a carências graves e cujos
impactos ambientais são inaceitáveis. Se bem que estas fontes
historicamente tiveram valor económico muito alto, não podemos
confiar nelas no futuro; na verdade, quanto mais a transição para
fontes de energia alternativa for atrasada, mais difícil será
aquela transição a menos que alguma composição
prática de sistemas de energia alternativa possa ser identificado que
venha a ter características económicas e ambientais superiores.
Mas identificar tal composição é mais difícil que
se possa pensar à partida. Cada fonte de energia tem
características altamente específicas. De facto, tem sido as
características das nossas actuais fontes de energia (principalmente
petróleo, carvão e gás natural) que possibilitou a
edificação de uma sociedade urbanizada com alta mobilidade,
grande população e altas taxas de crescimento económico.
Ao examinar as fontes de energia alternativa disponíveis de acordo com
critérios tais como densidade de energia, impactos ambientais,
confiança quanto ao esgotamento de matérias-primas,
intermitência versus constância da oferta e a percentagem de
energia retornda sobre a energia investida na produção de
energia, nenhuma actual parece capaz de perpetuar esta espécie de
sociedade.
Além disso, sistema nacionais de energia são caros e de
desenvolvimento lento. A eficiência energética exige igualmente
investimento e novos investimentos incrementais em eficiência tendem a
proporcionar retornos decrescentes ao longo do tempo, uma vez que é
impossível efectuar trabalho com input zero de energia. Onde esta a
vontade ou a capacidade para reunir suficiente capital de investimento para a
instalação de fontes de energia alternativas e medidas de
eficiência na escala necessária?
Apesar de haver muitas instalações produtoras de energia
alternativa com êxito por todo o mundo (que vão desde pequenos
sistemas fotovoltaicos em escala doméstica a grandes parques de turbinas
eólicas de três megawatts), há muito poucos países
industriais modernos que agora obtenham o grosso da sua energia a partir de
outras fontes além do petróleo, carvão e gás
natural. Um exemplo é a Suécia, a qual obtém a maior parte
da sua energia do nuclear e da hidroelectricidade. Um outro é a
Islândia, a qual beneficia-se de recursos geotérmicos internos
extraordinariamente grandes não encontráveis na maior parte dos
outros países. Mesmos para estes dois países, a
situação é complexa: a construção da
infraestrutura para as suas centrais eléctricos repousou principalmente
nos combustíveis fósseis para a mineração do ferro
e das matérias-primas, para o processamento de materiais, para o
transporte, para a fabricação de componentes, para a
mineração do urânio, para a construção e
assim por diante. Portanto uma transição energética
significativa que se afaste dos combustíveis fósseis ainda
é uma questão de teoria e de ilusão, não realidade.
A minha conclusão a partir de uma cuidadosa investigação
das energias alternativas é, então, de que há pouca
probabilidade de que se possa contar tanto com combustíveis
fósseis convencionais ou com fontes de energia alternativa para fornecer
a quantidade e qualidade de energia que será necessária a fim de
sustentar o crescimento económico ou mesmo os níveis
actuais de actividade económica durante o resto deste
século.
[19]
Mas o problema estende-se para além do petróleo e dos outros
combustíveis fósseis: a produção dos recursos de
água do mundo está constrangida ao ponto de milhares de
milhões de pessoas podem em breve encontrar-se apenas com acesso
precário a água para beber e para irrigação. A
biodiversidade está a declinar rapidamente. Estamos a perder 24 mil
milhões de toneladas de camadas superficiais do solo a cada ano devido
à erosão. E muitos minerais economicamente significativos
desde o antimónio ao zinco estão a esgotar-se rapidamente,
exigindo a extracção de minérios com teores cada vez mais
baixos em localizações cada vez mais remotas. Portanto a crise do
Pico Petrolífero é realmente apenas o aspecto visível de
um dilema mais vasto: o Pico de Tudo.
Em suma, a humanidade enfrenta um perigo total previsível: a nossa
população cresceu dramaticamente durante os últimos 200
anos (expandindo-se de menos de mil milhões para aproximadamente sete
mil milhões), enquanto o nosso consumo per capital de recursos
também cresceu. Para quaisquer espécies, isto é
virtualmente a definição de êxito biológico. E tudo
isto aconteceu no contexto de um planeta finito com reservas fixas de recursos
não renováveis (combustíveis fósseis e minerais),
uma capacidade limitada para regenerar recursos renováveis (florestas,
peixe, água doce e solo arável) e uma capacidade limitada para
absorver resíduos industriais (incluindo dióxido de carbono). Se
dermos um passo atrás e olharmos para o período industrial de uma
perspectiva histórica vasta que seja informada por uma
apreciação dos limites ecológicos, é difícil
evitar a conclusão de que estamos hoje a viver o fim de um impulso
relativamente breve uma rápida fase expansionista de 200 anos
permitida por um subsídio temporário de energia (na forma de
combustíveis fósseis baratos) que inevitavelmente será
seguido por uma contracção ainda mais rápida e
dramática quando aqueles combustíveis se esgotarem.
A desaceleração e travagem deste impulso histórico de
crescimento-contracção não significa necessariamente o fim
do mundo, mas significa o fim de uma certa espécie de economia. De um
modo ou de outro, a humanidade deve retornar a um padrão mais normal de
existência caracterizado pela dependência do rendimento solar
imediato (via colheitas, vento ou a conversão directa da luz solar em
electricidade) ao invés daquela antiga luz solar armazenada.
Isto não quer dizer que o resto do século XXI deva consistir de
um colapso do industrialismo, de uma extinção
(die-off)
da maior parte da população humana e de um retorno do
sobreviventes a um modo de vida essencialmente idêntico àquele dos
camponeses do século XVI ou de indígenas
caçadores-colectores. É possível ao invés disso
imaginar modos aceitáveis e mesmo convidativos nos quais a humanidade
poderia adaptar-se a limites ecológicos enquanto desenvolve novas
riquezas culturais, entendimento científico e qualidade de vida (mais
acerca disto abaixo).
Contudo isto é negociado, a transição marca um fim do
crescimento económico no sentido convencional. E esta
transição parece ter começado.
Como saber qual diagnóstico é correcto?
Se o paciente é um indivíduo humano e a causa do sofrimento
é a incerteza, mais testes de diagnóstico podem ser prescritos.
Mas a que espécie de testes de sangue, raios X e varreduras de TAC
podemos nós sujeitar a economia nacional ou global?
Num certo sentido, os testes já foram efectuados. Durante as
últimas poucas décadas milhares de inquéritos
científicos sobre recursos naturais, biodiversidade e ecosistemas
mostraram taxas de crescentes de esgotamento e declínio.
[20]
O aumento contínuo da população humana, da
poluição e do consumo estão igualmente bem documentados.
Esta informação constituiu a base para o estudo
Limits to Growth,
anteriormente mencionado, o qual utiliza modelação computacional
para mostrar como as tendências actuais provavelmente terminam e a
maior parte dos cenários resultantes mostra-os conduzindo a um fim do
crescimento económico e a um colapso do produto industrial em algum
momento no princípio do século XXI.
Por que os resultados de tais testes de diagnóstico não
são universalmente aceites como um desafio às expectativas de
desenvolvimento contínuo? Primariamente porque a sua conclusão
vai contra as crenças e proclamações da maior parte dos
economistas, os quais sustentam que não há limites
práticos para o crescimento. Eles negam que constrangimentos de recursos
apresentem um eventual tecto para a produção e o consumo. E assim
os seus esforços de diagnóstico tendem a ignorar factores
ambientes em favor de características da economia humana facilmente
mensuráveis tais como oferta de dinheiro, confiança do
consumidor, taxas de juro e índices de preços.
O ecologista Charles Hall, dentre muitos outros, argumentou que a disciplina
das Ciências Económicas, tal como actualmente praticada,
não constitui uma ciência, uma vez que progride primariamente na
base da lógica mutuamente relacionado ao invés da
construção de conhecimento por um processo contínuo e
rigoroso de propor e testar hipóteses.
[21]
Enquanto a teoria económica utiliza terminologia complexa e
matemática, tal como faz a ciência, as suas
afirmações básicas acerca do mundo tal como o
princípio da substituibilidade infinita, o qual sustenta que para
qualquer recurso que se torne escasso o mercado encontrará um substituto
não são sujeitas a exame experimental cuidadoso. (Vale
notar que Hall e outros têm feito esforços para lançarem os
fundamentos conceptuais de uma nova teoria económica baseado em
princípios e métodos científicos, os quais eles denominam
"teoria económica biofísica".
[22]
Além disso, os economistas da corrente dominante fracassaram como um
todo na previsão do actual crash. Não houve esforço
consistente ou concertado da parte dos secretários do Tesouro, do
presidente do Federal Reserve ou de economistas vencedores do prémio
"Nobel" para advertir decisores políticos ou o público
geral que em algum momento no princípio do século XXI a economia
global começaria a arrebentar pelas costuras.
[23]
Alguém pode pensar que este fracasso profético a
incapacidade de prever um evento tão historicamente significativo como a
contracção rápida de quase toda a economia global,
implicando a falência de alguns dos maiores bancos do mundo e de
companhias manufactureiras faria com que economistas da corrente
dominante parassem e reexaminassem as suas premissas fundamentais. Mas
há pouco evidência a sugerir que isso esteja a acontecer.
Correndo o risco da repetição: cientistas físicos de
várias disciplinas na verdade previram um fim do crescimento
económico no princípio do século XXI e advertiram os
decisores políticos e o público em geral em muitas
ocasiões.
Em quem deveríamos acreditar?
Os pormenores do Diagnóstico Alternativo são
falsificáveis. Se a actividade económica recuperasse acima dos
níveis de 2007, ou se a produção de petróleo
ascendesse acima do nível de Julho de 2008, então a
atribuição da actual crise económica aos limites de
crescimento restringidos pelos recursos pode ser considerada pelo menos
parcialmente refutada. Contudo, mesmo se estas coisas se verificassem, o
raciocínio subjacente por trás do Diagnóstico Alternativo
ainda pode estar correcto. Se o pico da produção mundial de
petróleo for atrasada até, digamos, 2015 ou 2020, o resultado
final será essencialmente o mesmo. Mas se, entretanto, o
Diagnóstico Alternativo fosse considerado seriamente e se actuasse de
acordo com o mesmo, as consequências de fazer isso seriam
benéficas: uma década teria sido gasta a preparar para o
acontecimento.
Poderia o Diagnóstico Alternativo estar totalmente errado? Isto
é, poderiam os economistas convencionais estar certos ao pensar que o
crescimento pode continuar para sempre? Muitas vezes se diz que tudo é
possível, mas algumas coisas são claramente muito mais
possíveis do que outras. O crescimento perpétuo da
população humana e do consumo dentro dos limites de um planeta
finito parece na verdade um tiro no escuro, especialmente a partir do momento
em que sinais de advertência estão por toda a parte a mostrar que
limites ecológicos já foram atingidos e ultrapassados.
[24]
O que não fazer: Receitar placebos punitivos caros
Se os cientistas físicos que advertem acercam de limites para o
crescimento estiverem certos, enfrentar o colapso económico global
implica muito mais do que meramente por os bancos e os prestamistas
hipotecários outra vez de pé. Na verdade, encaramos uma
mudança fundamental na nossa economia tão significativa quanto o
advento da revolução industrial. Estamos num ponto de
inflexão histórico o fim de décadas de
expansão e o começo de um período inevitável de
contracção que continuará até que a humanidade
esteja outra vez a viver dentro dos limites dos sistemas regenerativos da Terra.
Mas há poucos sinais de que decisores políticos entendem algo
disto. O seu pensamento parece ser moldado primariamente pelas garantias dos
economistas da corrente principal de que o crescimento pode e deve continuar no
futuro indefinido e que a contracção económica que o mundo
está agora a experimentar é apenas temporária um
problema que pode e deve ser resolvido.
Ainda assim, o problema não é menor aos olhos de economistas e
decisores políticos. Considere-se a dimensão gigantesca dos
salvamentos do Tesouro e do Federal Reserve e os pacotes de estímulos
que foram aplicados na tentativa possivelmente fútil de por fim à
contracção e recomeçar o crescimento. Segundo o inspector
especial geral do Troubled Asset Relief Program (TARP) do governo dos EUA, em
observações submetidas em 21 de Julho ao Comité
Parlamentar sobre Supervisão e Reforma do Governo, US$23,7
milhões de milhões
(trillions)
foram comprometidos em "apoio total potencial do governo federal".
Isto é um remédio na verdade dispendioso. Custa uns momentos para
começar mesmo a compreender a enormidade do número. Ele
representa cerca da metade do PIB anual mundial e é mais de três
vezes a quantia total gasta pelo governo dos EUA, em dólares corrigidos
de inflação, em todas as guerras somadas, desde 1776 até o
presente. É aproximadamente cinquenta vezes o custo do New Deal.
Outros países, incluindo a Grã-Bretanha, China e Alemanha
comprometeram-se a pagar por pacotes de estímulos e salvamentos que, se
bem que muito mais pequenos em termos absolutos, representam uma impressionante
(ou deveríamos dizer aterrorizadora?) fatia do PIB nacional.
Se o Diagnóstico Alternativo for válido, nada disto
funcionará no final das contas, porque as instituições
financeiras existentes com suas bases em dívida e juro e suas
exigências de expansão constante não podem ser
feitas para funcionar num contexto em que constrangimentos de energia e
recursos impões tectos efectivos à manufactura e ao transporte.
Estarão os salvamentos e pacotes de estímulo a funcionar?
Há muita evidência a sugerir que não estão, excepto
de formas limitadas. Nos EUA, o desemprego continua a aumentar, ao passo que os
valores imobiliários continuam a cair. E a maior parte dos reputados
"rebentos verdes" na economia tão difíceis de ver
equivalem meramente a um declínio comprovadamente temporário na
taxa de contracção. Por exemplo: o índice de preços
de casas divulgado em 28 de Julho deste ano mostrava que em Maio os
preços sazonalmente ajustados caíram apenas 0,16 por cento em
relação ao mês anterior. Isto representa uma taxa anual de
declínio um pouco abaixo dos 2 por cento, o que é uma melhoria
substancial sobre a taxa anualizada de mais de 20 por cento que prevaleceu de
Setembro de 2008 até Março de 2009. Muitos comentadores agarraram
estas notícias como um sinal de viragem iminente. No entanto, as vendas
de novas casas estão abaixo dos 1,4 milhão por ano de 2005 tendo
passado hoje a 350 mil por ano, e o preços habitacionais 50 por cento
abaixo do pico da bolha e ainda a declinar na maior parte dos lugares.
Além disso, a manufactura ainda está contraída, os
pequenos negócios estão em perturbação, ainda
há sinais significativos de perigo no horizonte, incluindo uma nova
rodada de devoluções hipotecárias, um provável
afundamento nos valores do imobiliário comercial e o surgimento da
realidade de que os activos tóxicos no centro da crise bancária
ainda têm de ser tratados.
[25]
O presidente Obama argumentou que os salvamentos são justificados para
estabilizar o sistema o tempo suficiente para que os líderes possam
fazer mudanças fundamentais em instituições e
regulamentações, possibilitando que a economia avance de modo
mais saudável e mais imune a crises semelhantes no futuro. Mas há
pouco para sugerir que as espécies de mudanças sistémicas
que são realmente necessárias (aquelas que permitiriam à
economia funcionar durante um período prolongado de
contracção) estejam a caminho ou sejam mesmo contempladas.
Enquanto isso, como instituições baseadas no crescimento
estão temporariamente escoradas, a escala final dos danos só pode
aumentar: quando o colapso inevitável daquelas
instituições verificar-se, as consequências provavelmente
serão ainda piores porque demasiado capital terá sido dissipado
na tentativa de salvá-las.
Ao consumir recursos não renováveis como metais, minerais e
combustíveis fósseis, roubámos das gerações
futuras. Agora com efeito estamos a roubar daquelas gerações os
recursos financeiros que poderiam ter sido utilizados para construir uma ponte
para uma economia sustentável. A construção de uma
infraestrutura de energia renovável (incluindo não apenas
capacidade de geração como também
distribuição e sistemas de armazenagem, bem como transportes
pós-petróleo e sistemas agrícolas) exigirá enormes
investimentos e décadas de trabalho. De onde virá o capital de
investimento se os governos já se enterram em dívida? Se
comprometemos aproximadamente US$24 milhões de milhões para
escorar uma velha economia sem quaisquer perspectivas de sobrevivência
real, o que é deixado para financiar a nova?
Se a actual receita para a nossa maleita económica vai na
direcção errada, o mesmo é verdade das muitas curas
propostas para os nossos problemas de energia. Segundo o Diagnóstico
Convencional, os altos preços do petróleo de hoje são
devidos à especulação; a cura deve portanto repousar em
regulamentação mais dura da comercialização de
petróleo no mercado de futuros (o que pode ser uma boa ideia, embora
não vá ao coração do problema), enquanto
proporciona muitas oportunidades para companhias de petróleo explorarem
o petróleo interno (apesar de que as taxas de produção
prováveis das reservas actualmente fora dos limites seriam relativamente
insignificantes e teriam um efeito desprezível sobre os preços do
óleo). De facto, investir mais em sistema de energia com
combustíveis fósseis (incluindo tecnologia do "carvão
limpo") proporcionará retornos declinantes, uma vez que os recursos
de qualidade mais elevada já foram consumidos, enquanto ao assim fazer
desvia o capital de investimento para longe do desenvolvimento de energia
renovável, nas qual teremos de confiar cada vez mais à medida que
os combustíveis fósseis se esgotam.
[26]
O que é preciso mas ainda está a faltar totalmente é um
reconhecimento fundamental de que as circunstâncias mudaram: o que
funcionou décadas atrás já não funcionará
agora.
O que fazer: Adaptar à nova realidade
Se o Diagnóstico Alternativo estiver correcto, não será
fácil consertar o actual colapso económico. Algumas
doenças não são curáveis; elas exigem que
nós simplesmente nos adaptamos e façamos o melhor na nossa nova
situação.
Se a humanidade na verdade iniciou a fase de contracção do
impulso industrial, deveríamos assumir que pela nossa frente
estão níveis de rendimento médio muito mais baixos (para
quase todos nos países ricos e para os que têm salários
altos nos países mais pobres); oportunidades de emprego diferentes
(menos empregos em vendas, marketing e finanças; mais em
produção básica); e energia, transportes e alimentos mais
custosos. Além disso, deveríamos assumir que aspectos chave do
nosso sistema económica que estão inextricavelmente ligados
à necessidade de crescimento futuro cessarão de funcionar neste
novo contexto.
O que podemos fazer para adaptação mais rápida e com
êxito?
Ao invés de tentar escorar bancos e companhias de seguros com
milhões de milhões em salvamentos, provavelmente seria melhor
simplesmente deixá-las cair, por mais desagradáveis que fossem as
consequências a curto prazo, uma vez eles irão falir mais cedo ou
mais tarde. Quanto mais cedo forem substituídos por
instituições que desempenhem funções essenciais
dentro de uma economia em contracção, tanto melhor.
[27]
Enquanto isso o líderes pensantes da sociedade, especialmente o
presidente, devem começar a difundir a notícia de maneira
compreensível e em termos medidos de que crescimento não
é retorno e que o mundo entrou numa fase económica nova e sem
precedentes, mas que podemos todos sobreviver e prosperar neste desafiante
período transicional se nos esforçarmos e trabalharmos em
conjunto. No cerne desta reeducação geral deve estar um
reconhecimento público e institucional de três regras
básicas de sustentabilidade: o crescimento em população
não pode ser sustentado; a extracção em curso de recursos
não renováveis não pode ser sustentada; e a
utilização de recursos renováveis é
sustentável apenas se prosseguir a taxas abaixo daquelas de
reposição natural.
Sem energia barata, o comércio global não pode aumentar. Isto
não significa que o comércio venha a desaparecer, apenas que os
incentivos económicos inexoravelmente mudarão quando os custos de
transportes ascenderem, favorecendo a produção local para consumo
local. Mas isto pode ser um lindo modo de apresentar isto: se e quando a
escassez de combustível surgir, frágeis sistema de
aprovisionamento de âmbito global poderiam ser interrompidos, com
terríveis efeitos para consumidores cortados de fontes de produtos
necessários. Portanto deve ser dada uma alta prioridade à
construção de comunidades resilientes através da
aquisição preferencial local de necessidades e a
manutenção de stocks regionais maiores especialmente
alimentos e combustível.
[28]
Actualmente é preciso uma média de 8,5 calorias de energia do
petróleo e do gás natural para produzir cada caloria de energia
alimentar. Sem combustível barato para a agricultura, a
produção agrícola cairá a pique e os agricultores
irão à bancarrota a menos que esforços
pró-activos sejam empreendidos para reformar a agricultura e reduzir a
sua dependência de combustíveis fósseis.
[29]
Obviamente, fontes de energia alternativa e estratégias de
eficiência energética devem ter alta prioridade e devem ser
sujeitas a investigação intensa utilizando um espectro de
critérios cuidadosamente escolhido. Os melhores candidatos terão
de ser financiados fortemente mesmo enquanto os combustíveis
fósseis ainda estão relativamente baratos: o tempo de
preparação
(build-out)
para a infraestrutura de energia renovável inevitavelmente será
medido em décadas e assim devemos começar o processo agora ao
invés de esperar por forças de mercado para levar a este caminho.
Face às crises de credito e (potencialmente) da divisa, novos meios de
financiar tais projectos serão necessários. Uma vez que os nossos
actuais sistemas monetário e financeiros são fundamentados na
necessidade de crescimento, precisaremos de novos meios de criar dinheiro e
novos meios de emitir crédito. Um esforços considerável de
pensamento tem de ser dirigido para encontrar soluções para este
problema e algumas comunidades já estão a experimentar, com
cooperativas locais, divisas alternativas e bancos sem juros.
[30]
Com o petróleo a tornar-se cada vez mais caro em termos reais,
precisaremos de meios mais eficientes de transportar pessoas e bens. A nossa
primeira prioridade a este respeito deve ser reduzir a necessidade de
transporte com melhor planeamento urbano e sistemas de produção
relocalizados. Mas onde o transporte for necessário, os carris e os
carris ligeiros provavelmente serão preferíveis aos carros e
camiões.
[31]
Também precisaremos de uma revolução no ambiente
construído para minimizar a exigência de aquecimento,
arrefecimento e iluminação artificial em todas as nossas casas e
edifícios públicos. Esta revolução já
está a caminho, mas actualmente está a mover-se mais lentamente
devido à inércia de interesses estabelecidos na indústria
da construção.
[32]
Este projectos precisarão mais do que crédito e dinheiro local;
eles também exigirão trabalhadores qualificados. Aqui pode haver
um apelo não apenas a instaladores de painéis solares e
isolamento de casas: milhões de novos produtores de alimentos e
construtores de infraestrutura de baixa energia serão também
necessários. Um vasto leque de novas oportunidades poderia abrir-se para
substituir empregos em desaparecimento no marketing e nas finanças
se houver um treino barato disponível em escolas das comunidades
locais.
Vale a pena notar que os US$23,7 milhões de milhões comprometidos
nos salvamentos e garantias de empréstimos dos EUA representam cerca de
US$80 mil para cada homem, mulher e criança na América. Um
nível de investimento igual a uma fracção substancial
desta dimensão poderia pagar toda a necessidade de treino enquanto
asseguraria o fornecimento universal de necessidades básicas durante a
transição. O que seria obtido com o nosso dinheiro? Um sentimento
colectivo de que, num tempo de crise, ninguém está a ser deixado
para trás. Sem o sentimento de cooperativo de adesão que uma tal
rede de segurança ajudaria a produzir, semelhante ao que foi
alcançado com o New Deal mas numa escala ainda mais ampla, a
contracção económica poderia degenerar num horrendo
combate sobre as sucatas do período industrial em declínio.
Ainda que controversa, a questão da população deve ser
enfrentada. Todos os problemas que têm a ver com recursos são mais
difíceis de resolver quando há mais pessoas a precisarem destes
recursos. Os EUA devem encorajar famílias mais pequenas e devem
estabelecer uma política de imigração consistente com um
objectivo de não crescimento populacional. Isto tem
implicações de política externa: devemos ajudar outros
países a terem êxito com suas próprias
transições económicas de modo a que os seus
cidadãos não tenham de emigrar para sobreviver.
[33]
Se o crescimento económico deixar de ser um objectivo atingível,
a sociedade terá de encontrar melhores meios para medir o êxito.
Os economistas devem deixar de avaliar o bem estar com instrumento grosseiro do
PIB e começar a prestar mais atenção a índices de
capital social e humano em áreas tais como educação,
saúde e feitos culturais. Esta redefinição de crescimento
e progresso já começou em locais, mas para a maior parte ainda
tem de ser avançada pelos governos.
[34]
Pode-se argumentar que depois de tudo isto ser feito o resultado final
será um modo de vida mais satisfatório para a vasta maioria do
cidadãos proporcionando mais sentido de comunidade, mais
conexão com o mundo natural, mais trabalho satisfatório e um
ambiente mais saudável. Estudos mostraram reiteradamente que
níveis mais altos de consumo não se traduzem por níveis
elevados de satisfação com a vida.
[35]
Isto significa que se o "progresso" puder ser pensado em termos de
felicidade, ao invés de um processo de aceleração
constante da extracção de matérias-primas e sua
transformação em produtos que rapidamente se tornarão
resíduos, então o progresso pode certamente continuar. Em
qualquer caso, "vender" este projecto enorme e sem precedentes ao
público geral exigirá enfatizar os seus benefícios.
Várias organizações já estão a explorar a
mensagem e os aspectos de relações públicas da
transição.
[36]
Mas os seus responsáveis precisam entender que olhar o lado brilhante
não significa prometer o que não pode ser entregue tal
como um retorno aos dias de crescimento e consumo rápido.
Podemos? Conseguiremos?
É importante declarar as implicações de tudo isto
tão claramente quanto possível. Se o Diagnóstico
Alternativo estiver correcto, não haverá plena
"recuperação" económica nem este ano, ou
no próximo ou daqui a cinco ou dez anos. Pode haver retomadas
temporárias que nos levarão de volta a alguma
fracção da actividade económico do pico, mas isto
serão apenas breves pausas.
Entrámos numa nova era económica na qual as antigas regras
já não se aplicam mais. Taxas de juro baixas e gastos
governamentais já não se traduzem mais em incentivos para
contrair empréstimos e produção de empregos. A energia
barata não aparecerá mais só porque há procura por
ela. Substitutos para recursos essenciais em muitos casos não
serão encontrados. Acima de tudo, a economia continuará a
contrair-se de modo intermitente enquanto puder ser mantida pela energia e
recursos materiais que a Terra pode fornecer em base permanente.
Isto naturalmente é uma notícia muito difícil. É
análogo ao nosso médico dizer-nos que contraímos uma
doença sistémica, potencialmente fatal, que não pode ser
curada, mas apenas administrada. E administração significa que
devemos fazer mudanças profundas no estilo de vida.
Alguns leitores podem notar que a alteração climática
não figurou de modo destacado nesta discussão. Ela é
claramente, afinal de contas, a pior catástrofe ambiental da
história humana.
[NR]
Na verdade, as suas consequências poderiam ser muito piores do que a
mera destruição de economias nacionais: centenas de
milhões de pessoas e milhões de outras espécies poderiam
ser postas em perigo. A razão para a discussão relativamente
limitada do clima aqui é que (assumindo que o Diagnóstico
Alternativo esteja correcto) não é a alteração
climática que demonstrou ser o limite mais imediato para o crescimento
económico, mas sim o esgotamento de recursos. Contudo, se bem que ainda
não haja um acordo geral quanto a este ponto, a própria
alteração climática e os passos necessários para
minimizá-la constituem limites ao crescimento, assim como o esgotamento
de recursos. Além disso, se fracassarmos em administrar com êxito
o inevitável processo de contracção económica que
caracterizará as próximas décadas, não
haverá esperança de montar uma resposta organizada e coerente
à alteração climática uma resposta
consistente de esforços tanto para reduzir impactos climáticos
como para adaptar-se a eles. É importante notar, embora, que as medidas
advogadas aqui (incluindo o desenvolvimento de fontes de energia
renováveis e eficiência energética, uma rápida
redução da dependência de combustíveis
fósseis nos transporte e na agricultura e a estabilização
dos níveis de população) estão entre os passos que
mais ajudarão a reduzir emissões de carbono.
Será provável que este ensaio mude o pensamento e as
acções de decisores políticos? Infelizmente, isto é
improvável. A sua crença na possibilidade e necessidade do
crescimento contínuo é omnipresente e a noção de
que o crescimento pode não ser mais possível é
impensável. Mas o Diagnóstico Alternativo deve ser uma
matéria de registo. Este ensaio, redigido por um mero jornalista, sob
muitos aspectos representa o pensamento de milhares de cientistas
físicos que trabalharam ao longo das últimas várias
décadas sobre questões que têm a ver com
população, recursos, poluição e biodiversidade.
Ignorar o próprio diagnóstico quer como articulado aqui
ou como implícito em dezenas de milhares de documentos
científicos pode inutilizar a nossa última oportunidade
para impedir um colapso completo, não apenas da economia mas da
civilização e da existência humana organizada. Pode levar
ao risco de uma descontinuidade histórica com antecedentes qualitativos
na queda das civilizações romana e maia.
[37]
Mas não há verdadeiro precedente para o que pode estar
reservado. A civilização de hoje é global e o seu destino,
o destino da Terra e o destino da humanidade, estão inextricavelmente
ligados.
Mas mesmo que os decisores políticos continuem a ignorar
advertências tais como esta, indivíduos e comunidades podem tomar
cuidado e começar o processo de construir resiliência, e de
afastarem-se da dependência de combustíveis fósseis e de
instituições que estão inextricavelmente ligada ao
crescimento perpétuo da máquina. Não podemos sentar
passivamente quando líderes mundiais desperdiçam oportunidades de
despertar e adaptar aos limites do crescimento. Podemos fazer mudanças
nas nossas próprias vidas e podemos associar-nos aos nossos vizinhos. E
podemos fazer saber aos decisores políticos que desaprovamos a sua
fidelidade ao status quo e que há outras opções.
Será demasiado tarde para começar uma transição
administrada para uma sociedade pós combustíveis fósseis?
Talvez. Mas não saberemos a menos que tenhamos tentado. E se vamos fazer
este esforço, devemos começar por reconhecer uma realidade
simples e rematada: o crescimento tal como temos conhecido não pode ser
mais o nosso objectivo.
08/Agosto/2009
Notas
1. "Pain on the Road to Recovery"
(http://www.smh.com.au/national/pain-on-the-road-to-recovery-20090724-dw6...).
2. Here, for example, are a few relevant excerpts from the present author's
book The Party's Over: Oil, War and the Fate of Industrial Societies (Gabriola
Island, BC: New Society, 2003): "Our current financial system was designed
during a period of consistent growth in available energy, with its designers
operating under the assumption that continued economic growth was both
inevitable and desirable. This ideology of growth has become embodied in
systemic financial structures requiring growth
. Until now, this loose
linkage between a financial system predicated upon the perpetual growth of the
money supply, and an economy growing year by year because of an increasing
availability of energy and other resources, has worked reasonably
wellwith a few notable exceptions, such as the Great Depression
.
However, [when global oil production peaks] the financial system may not
respond so rationally
. This might predictably trigger a financial
crisis
."
3. See Albert Bartlett, "Arithmetic, Population and Energy" (lecture
transcript), (http://www.globalpublicmedia.com/transcripts/645).
4. Donella H. Meadows, Dennis L. Meadows, Jorgen Randers, and William W.
Behrens III, Limits to Growth (New York: Universe Books, 1972); Donella H.
Meadows, Dennis L. Meadows, and Jorgen Randers, Beyond the Limits (Post Mills,
VT: Chelsea Green, 1992); Donella H. Meadows, Dennis L. Meadows, and Jorgen
Randers, Limits to Growth: The 30 Year Update (White River Junction, VT:
Chelsea Green, 2003). See also the recent CSIRO study, "A Comparison of
the Limits to Growth with Thirty Years of Reality" (2009)
(www.csiro.au/files/files/plje.pdf).
5. See, for example, Robert U. Ayers and Benjamin Warr, The Economic Growth
Engine: How Energy and Work Drive Material Prosperity (Cambridge, UK: Edward
Elgar Publishing, 2005); and Robert Barro and Xavier Sala-i-Martin, Economic
Growth (Cambridge, MA: MIT Press, 2003)
(http://www.bookrags.com/research/economic-growth-and-energy-consumpt-mee...).
6. See Richard Heinberg, The Party's Over: Oil, War and the Fate of Industrial
Societies (2003, 2005); Powerdown: Options and Actions for a PostCarbon World
(2004); and The Oil Depletion Protocol: A Plan to Avert Oil Wars, Terrorism,
and Economic Collapse (2006); as well as books by Kenneth Deffeyes, Colin
Campbell, and Matthew Simmons; and websites www.theoildrum.com and
www.energybulletin.net. The Association for the Study of Peak Oil organizes
international conferences to study issues related to oil and gas depletion
(www.peakoil.net and www.aspo-usa.com), and the U.S. chapter of ASPO publishes
a weekly survey of relevant news, "Peak Oil Review," compiled by
former CIA analyst Tom Whipple. At the annual Association for the Study of Peak
Oil conference in Cork, Ireland, in September 2007, former U.S. Energy
Secretary, James Schlesinger, said: "Conceptually the battle is over. The
peakists have won. We're all peakists now." See also Steve Connor,
"Warning: Oil supplies are running out fast," The Independent, August
3, 2009
(http://www.independent.co.uk/news/science/warning-oil-supplies-are-runni...).
7. The declining rate of discovery of new oilfields, and the list of past-peak
oil producing countries, are widely documented; e.g.: Roger D. Blanchard, The
Future of Global Oil Production: Facts, Figures, Trends and Projections by
Region (Jefferson, NC: McFarlane and Co., 2005).
8. A May 4, 2009 report from Raymond James Associates ("Stat of the
Week") argued that world oil production peaked in July 2008
(http://blogs.wsj.com/environmentalcapital/2009/05/04/peak-oil-global-oil...).
In a subsequent interview, Marshall Adkins, author of the report, suggested
that most knowledgeable players within the petroleum industry now accept the
Peak Oil thesis in some form, whether or not they acknowledge it publicly
(www.aspousa.org/index.php/2009/07/interview-with-marshall-adkins/).
9. Brookings Papers on Economic Activity, March 2009.
www.brookings.edu/economics/bpea/~/media/Files/Programs/ES/BPEA/2009_spr...
10. See Joe Cortright, "Driven to the Brink: How the Gas Price Spike
Popped the Housing Bubble and Devalued the Suburbs," Discussion paper,
CEOs for Cities, 2008 (http://www.ceosforcities.org).
11. U.S. Government Accountability Office, "Commercial Aviation: Airline
Industry Contraction Due to Volatile Fuel Prices and Falling Demand Affects
Airports, Passengers, and Federal Government Revenues ," April 21, 2009
(www.gao.gov/products/GAO-09-393). For a detailed discussion of the likely
future impacts of high oil prices and oil shortages on the airline industry,
see Charles Schlumberger, "The Oil Price Spike of 2008: The Result of
Speculation or an Early Indicator of a Major and Growing Future Challenge to
the Airline Industry?" Annals of Air and Space Law, Vol. XXXIV, [2009],
McGill University
(http://www.globalpublicmedia.com/the_oil_price_spike_of_2008).
12. American Trucking Association (www.truckline.com/Pages/Home.aspx).
13. This scenario is implied in Robert L. Hirsch, Roger Bezdek, and Robert
Wendling, "Peaking of World Oil Production: Impacts, Mitigatin and Risk
Management" (U.S. Department of Energy: 2005): "As peaking is
approached, liquid fuel prices and price volatility will increase
dramatically
."
(http://www.netl.doe.gov/publications/others/pdf/Oil_Peaking_NETL.pdf).
14. See, for example, "Troubling Signs That Oil Prices Could Hamper
Recovery," Wall Street 24/7, May 8, 2009
(http://247wallst.com/2009/05/08/troubling-signs-that-oil-prices-could-ha...)
15. See, for example, James Herron, "Low Oil Prices, Credit Woes Could
Spell Trouble for UK North Sea," Rigzone, November 14, 2008
(www.rigzone.com/news/article.asp?a_id=69507).
16. Jad Mouawad, "Big Oil Projects Put in Jeopardy by Fall in
Prices," New York Times, December 15, 2008
(www.nytimes.com/2008/12/16/business/16oil.html)
17. See David R. Baker, "Low oil prices take wind out of renewable
fuels," San Francisco Chronicle, October 27, 2008
(www.sfgate.com/cgi-bin/article.cgi?f=/c/a/2008/10/26/MNSK13NNK4.DTL).
18. See The Party's Over, Chapter 4; Powerdown, Chapter 4; The Oil Depletion
Protocol, pages 23-31. A longer treatment of the subject, tentatively titled
Energy Limits to Growth, will be published by International Forum on
Globalization and Post Carbon Institute in September.
19. This conclusion is echoed in, for example, Ted Trainer, Renewable Energy
Cannot Sustain a Consumer Society (Dordrecht, The Netherlands: Springer, 2007);
and (with some reservations), David J. C. McKay, Sustainable Energy Without the
Hot Air (Cambridge, UK: UIK Cambridge, 2008), (www.withouthotair.com).
20. Just one example, from a press release April 20, 1998 describing the
results of a poll commissioned by the American Museum of Natural History:
"The American Museum of Natural History announced today results of a
nationwide survey titled Biodiversity in the Next Millennium, developed by the
Museum in conjunction with Louis Harris and Associates, Inc. The survey reveals
that seven out of ten biologists believe that we are in the midst of a mass
extinction of living things, and that this loss of species will pose a major
threat to human existence in the next century."
21. Charles A. S. Hall and Kent A. Klitgaard, "The Need for a New,
Bioplysical-Based Paradigm in Economics for the Second Half of the Age of
Oil," International Journal of Transdisciplinary Research, Vo. 1, NO. 1
(2006),
(http://74.125.155.132/search?q=cache:DtdKR2ZWgNoJ:www.peakoil.net/files/...);
Charles A. S. Hall, D. Lindenberger, R. Kummell, T. Kroeger and W. Eichorn,
"The Need to Reintegrate the Natural Sciences with Economics."
Bioscience 51:663-673, 2001.
22. Cutler J. Cleveland, "Biophysical Economics," The Encyclopedia of
Earth (www.eoearth.org/article/Biophysical_economics). See also the related
field of Ecological Economics, especially the books of Herman Daly, including
Toward a Steady State Economy (New York: Freeman, 1973); and, with Joshua
Farley, Ecological Economics: Principles and Applications (Washington: Island
Press, 2004).
23. The quotation marks around the Nobel name are justified because the Nobel
family has never acknowledged economics as a science: the so-called "Nobel
prize in economics" is awarded by a Swedish Bank.
24. See The Millennium Ecosystem Assessment
(www.millenniumassessment.org/en/index.aspx).
25. See, for example, J. S. Kim, "Irrational Exuberance of the Green
Shoots," July 24, 2009
(http://seekingalpha.com/article/151101-irrational-exuberance-of-the-gree...).
26. See Richard Heinberg, Blackout: Coal, Climate and the Last Energy Crisis
(Gabiola Island, BC: New Society, 2009), pages 137-143, 145-168.
27. The opinion that banks and insurance companies should be allowed to fail
rather than being bailed out was voiced by many knowledgeable observers
throughout late 2008 and early 2009. See for example Ambrose Evans-Pritchard,
"Let banks fail, says Nobel economist Joseph Stiglitz," London Daily
Telegraph, Feb. 2, 2009
(www.telegraph.co.uk/finance/newsbysector/banksandfinance/4424418/Let-ban...).
28. See Jeff Rubin, Why Your World Is About to Get a Whole Lot Smaller: Oil and
the End of Globalization. (New York: Random House, 2009).
29. See Richard Heinberg and Michael Bomford, "The Food and Farming
Transition" (Sebastopol, CA: Post Carbon Institute, 2009),
(http://postcarbon.org/food).
30. See Bernard Lietaer, "White Paper on All the Options for Managing a
Systemic Bank Crisis"
(www.lietaer.com/images/White_Paper_on_Systemic_Banking_Crises_final.pdf). JAK
in Sweden is a cooperative, member-owned bank that operates without interest
(http://en.wikipedia.org/wiki/JAK_members_bank).
31. See Richard Gilbert and Anthony Perl, Transport Revolutions: Moving People
and Freight Without Oil (Gabriola Island, BC: New Society, 2009).
32. The Passivhaus Institute pioneers construction methods that reduce energy
input to buildings in many cases to zero (www.passivehouse.us). Roughly 20,000
Passivhauses have been built in Europe, only about 12 in the U.S.
33. See websites of Population Media Center (www.populationmedia.org/issues/),
and SUSPS (www.susps.org/overview/immigration.html).
34. The organization Redefining Progress has developed a Genuine Progress
Indicator (GPI) that incorporates many such indices
(www.rprogress.org/sustainability_indicators/genuine_progress_indicator.htm).
35. See, for example, "Understanding Human Happiness and Well-Being,"
The Sustainable Scale Project
(http://www.sustainablescale.org/AttractiveSolutions/UnderstandingHumanHa...).
36. The burgeoning Transition Town movement (www.transitiontowns.org) proceeds
from the premise that "life can be better without fossil fuels." YES!
Magazine (www.yesmagazine.org) is a publication of the Positive Futures Network
and highlights examples of low-impact ways of living that bring personal and
social benefits. And the Simple Living Network (www.simpleliving.net) provides
"resources, tools, examples and contacts for conscious, simple, healthy
and restorative living."
37. See Jared Diamond, Collapse How Societies Choose to Fail or Succeed (New
York: Viking, 2005); Joseph Tainter, The Collapse of Complex Societies
(Cambridge, UK: Cambridge University Press, 1988); and John Michael Greer, The
Long Descent (Gabriola Island, BC: New Society, 2008).
[NR] Resistir.info não é obrigado a concordar com tudo ao
publicar um texto. Observa-se que a crença do autor no mítico
aquecimento global de origem antropogénica está em
contradição com a sua própria afirmação de
que doravante a produção de petróleo irá
reduzir-se. Assim, como ele considera maléficas as emissões de
CO2 produzidas pelo homem, deveria verificar (e alegrar-se com) o facto de que
estas irão reduzir-se na mesma proporção em que se reduzir
a produção/consumo de petróleo. Aparentemente o autor
não se deu conta de que as crenças no suposto aquecimento global
e na realidade do Pico Petrolífero são contraditórias
entre si.
[*]
Do
Post Carbon Institute
, autor de cinco livros sobre esgotamento de recursos e problemas
energéticos. Seu sítio web:
www.richardheinberg.com
O original encontra-se em
http://www.theoildrum.com/node/5638
Este ensaio encontra-se em
http://resistir.info/
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