por Richard Heinberg
No dia 11 de Julho de 2008 o preço de um barril de petróleo bateu
um recorde de US$147,27 na cotação diária. Naquele mesmo
mês, a produção mundial de petróleo bruto
alcançou um recorde de 74,8 milhões de barris por dia.
Durante anos, uma crescente legião de analistas tem argumentado que a
produção mundial de petróleo atingiria o máximo em
torno do ano 2010 e começaria então a declinar por razões
que têm a ver com a geologia (nós descobrimos e já
apanhámos a "fruta pendente mais baixa" do mundo em termos de
campos petrolíferos gigantes), assim como a falta de equipamentos de
perfuração e de geólogos e engenheiros de
exploração com treino. O "Pico Petrolífero",
insistiam os analistas, marcaria o fim da fase de crescimento da
civilização industrial, porque a expansão económica
exige quantidades crescentes de energia de alta qualidade.
Durante o período 2005-2008, quando o preço do petróleo
subia firmemente, a produção permaneceu estagnada. Embora novas
fontes de petróleo começassem a produzir, elas mal compensavam os
declínios de produção devidos ao esgotamento dos campos
existentes. Em meados de 2008, quando os preços do petróleo
subiram à estratosfera, os produtores de petróleo respondeu ao
incentivo óbvio de extrair todo o barril possível. As taxas de
produção escalaram para cima durante um par de meses, mas
então tanto os preços como a produção caíram
quando a procura por petróleo entrou em colapso.
Desde então, com preços do petróleo muito mais baixos, e
com crédito escasso ou indisponível, evaporaram-se mais de US$150
mil milhões destinados ao desenvolvimento de futura capacidade de
produção de petróleo. Isto significa que se um novo
nível recorde de produção fosse alcançado, novos
declínios na produção dos campos existentes teriam de ser
ultrapassados, ou seja, que todos aqueles projectos de produção
cancelados, e muitos mais adicionalmente, teriam de ser activados rapidamente.
Pode não ser fisicamente possível ultrapassar a
situação neste ponto, dado o facto de que os novos
"jogos" são tecnicamente exigentes e portanto de
desenvolvimento caro, além de terem potencial produtivo limitado.
No dia 4 de Maio deste ano, a Raymond James Associates, um importante corrector
especializado em investimentos em energia, emitiu um relatório em que
declarava: "Com a produção de petróleo da OPEP tendo
aparentemente atingido o pico no primeiro trimestre de 2008, e o da
não-OPEP ainda mais cedo em 2008, o pico petrolífero mundial
parece ter tido lugar no princípio de 2008". Esta conclusão
é corroborada por um conjunto de outros analistas.
Talvez seja forçado dizer que o pico da produção ocorreu
num momento identificável, mas atribuí-lo ao dia em que os
preços do óleo atingiram o seu mais alto nível pode ser um
modo útil de fixar o acontecimento nas nossas mentes. Assim, sugiro que
recordemos o 11 de Julho de 2008 como o Dia do Pico Petrolífero.
Estamos a aproximar-nos do primeiro aniversário do Dia do Pico
Petrolífero. Onde estamos agora? A economia global está
estilhaços, os preços do óleo recuperaram-se um pouco
(estão agora cerca da metade do nível a que chegaram em Julho de
2008). O consumo mundial de energia está baixo, o comércio
mundial está baixo, a indústria da aviação
está a contrair-se e a maior parte dos fabricantes de automóveis
do mundo estão nas salas das urgências ligados a aparelhos.
É demasiado tarde para preparar para o Pico Petrolífero um
ano demasiado tarde, de facto. Agora o nome do jogo é
adaptação. Estamos num ambiente económico inteiramente
novo, no qual as velhas suposições acerca da inevitabilidade do
crescimento perpétuo, e a utilidade de alavancar investimentos com base
em expectativas de crescimento futuro, estão a explodir em chamas. Mesmo
que a actividade económica suba um pouco, isto ocorrerá no
contexto de uma economia significativamente mais pequena do que aquela que
existia em Julho de 2008, e a escassez de energia rapidamente levará a
que a maior parte dos rebentos verdes definhem.
É impossível dizer o que acontecerá no futuro quanto aos
preços do petróleo. Evidentemente, preços muito altos
matam a procura ao cortarem actividade económica. Portanto é
possível que o barril do preço de petróleo possa nunca
mais romper o recorde do ano passado. Por outro lado, se valor do dólar
entrar em colapso, então o céu é o limite para
preços em dólares por barril.
É mais fácil prever a tendência da oferta de
petróleo: embora no futuro possamos ver o nível de
produção elevar-se temporariamente de vez em quando, em geral ele
estará baixo, em fase descendente a partir de agora.
Muito embora o Pico Petrolífero esteja agora no passado, a sua
comemoração anual no Dia do Pico Petrolífero pode servir
à importante finalidade de recordar-nos porque a nossa economia
está a encolher e de concentrar os nossos pensamentos nos meios
destinados a facilitar a transição para um mundo pós
petróleo.
Quais são os modos apropriados de comemorar o Dia do Pico
Petrolífero? Sugiro passar algum tempo na natureza, entrar num jejum de
petróleo de 24 horas, ou organizar uma parada de bicicletas nas
vizinhanças com um cozinhado feito com forno solar.
Marque no seu calendário. O que estará você a fazer a 11 de
Julho?