'Freedom Next Time',
novo livro de John Pilger
por Stephen Lendman
John Pilger é um jornalista galardoado, realizador de
documentários e um dos realmente grandes da nossa época. Durante
quase 50 anos tem feito, corajosa e brilhantemente, o que muitos poucos da sua
profissão fazem de facto o seu trabalho. John também foi
correspondente de guerra, escreveu 10 livros e é mais conhecido no seu
país de adopção, a Inglaterra, pelos seus
documentários de investigação em que denuncia os crimes do
imperialismo americano e ocidental.
'Freedom Next Time'
é o último livro de John e o quinto dele que
já li. Os anteriores são magníficos. Assim, quando soube
que estava para sair um novo livro, fiquei ansioso por o ler pois sabia que
seria de óptima qualidade e que não o podia perder. Não
fiquei desiludido e agrada-me partilhar com os leitores o seu conteúdo.
Como diz o próprio John no parágrafo de abertura: "Este
livro é sobre o império, as suas fachadas e a luta prolongada dos
povos pela sua liberdade. Ele proporciona um antídoto às
versões autorizadas da história contemporânea que censuram
por omissão e impõem padrões duplos". De facto
consegue e nele John denuncia os crimes do império em cinco
países. Vou tratar de cada um deles em secções separadas.
Introdução Uma explicação do desígnio
imperialista
Na introdução, John explica como a noção
imperialista de "pressupostos colonialistas não se alterou", e
como, para mante-la, a grande maioria dos povos por toda o mundo
"permanece invisível e supérflua". Relata
dramaticamente que, enquanto no 11 de Setembro de 2001 morreram tragicamente em
Nova Iorque e Washington alguns milhares de pessoas, a
Organização Alimentar e Agrícola das Nações
Unidas reportou a taxa de mortalidade diária de 36 615 crianças
apenas por efeitos da extrema pobreza. Mas não apareceu nos
noticiários nenhuma palavra sobre isso, nem nesse dia nem nos dias
seguintes. Nem houve qualquer explicação da razão porque
essas pessoas não tiveram direito ao mínimo essencial para
sobreviver num mundo que tem capacidade para proporcioná-lo. A estes e
aos outros mortos diariamente no Iraque, e não só, John chama as
"vítimas sem valor" a fim de as distinguir daquelas "com
valor" nos EUA do 11/Setembro e na Londres de 7 de Julho de 2005, mortas
num atentado "bombista". Os únicos crimes que reconhecemos
são os praticados pelos outros a que chamamos
"terroristas" ou etiquetamos de inimigos, e nunca os praticados por
nós. Harold Pinter, prémio Nobel, refere-se a isto como "uma
grande teia de mentiras, de que nos alimentamos". Sabemos apenas o que os
nossos dirigentes e os media seus cúmplices (BBC, NPR e PBS
incluídos) resolvem contar-nos, e nunca temos direito à verdade
ou à informação completa. O que eles escondem é
muito mais importante do que o que eles noticiam.
Até à queda da União Soviética, a
noção de imperialismo nos EUA era de que se tratava de uma
tradição europeia, não americana. Não era verdade,
claro, mas uma educação apropriada nos EUA, como a que recebi,
nunca deixava que isso transparecesse. Ela escondia a verdadeira
história do meu país que desde a sua origem praticou uma
política de expansão imperialista para oeste e para sul e, para a
tornar possível, se embrenhou no saque e no genocídio contra os
habitantes originais que ali viviam. George Washington foi o primeiro a
praticá-la, referindo-se à nova nação como um
"império nascente". Ajudou a construí-lo, afastando e
exterminando os seus índios nativos, para que a expansão pudesse
continuar conforme os desejos dos Pais Fundadores e daqueles que os seguiram.
Washington achava que os povos índios eram sub-humanos (não muito
diferente da forma como encaramos hoje os iraquianos) e comparava-os a lobos e
"predadores" que tinham de ser destruídos. E a nossa sagrada
Declaração de Independência continha a linguagem de
"cruéis índios selvagens" que não deixava margem
para a sua independência nem para qualquer justiça.
A tradição iniciada no nascimento da república nunca se
alterou mas até ao fim da "guerra fria" foi bem escondida por
trás de uma respeitável fachada democrática e ainda assim
continua na sua maior parte. Nunca se ensinou qualquer noção de
imperialismo na escola qualquer que fosse o nível, nunca foi discutida
na sociedade polida ou reconhecida publicamente. Mas tudo isto mudou nos anos
90 depois da queda da União Soviética. O que anteriormente nunca
poderia ser admitido começou agora a ser encarado como algo
respeitável e até mesmo uma questão de orgulho nacional. E
com a chegada da administração Bush, o domínio e a
expansão imperialista começaram a ser retratados como uma coisa
positiva e que contribui para o avanço da civilização.
Até que ponto descemos para chegar tão longe.
John explica como as prioridades fraudulentas e perigosas de Bush se baseiam
nos seus documentos políticos e em especial num concebido alguns anos
antes de ele chegar ao poder. Começou com uma "teoria de
conspiração messiânica" de 1997, chamada Projecto
para o Novo Século Americano
(Project for the New American Century, PNAC)
,
escrito por muitos dos ideólogos neo-conservadores de extrema direita
que estão hoje no poder. Este documento é um plano imperialista
para o domínio global dos EUA que se estende bem para o futuro e deve
ser imposto com poder militar incontestável. Foi um programa para a
actual "guerra contra o terrorismo" (a que John chama uma
"guerra de terrorismo") e para a "guerra preventiva" que
começou a seguir ao 11/Set e está hoje em curso no Iraque e no
Afeganistão com outros prováveis conflitos em
preparação. O Pentágono vai ainda mais longe na sua
Visão 2020 que traça um objectivo a que chama o
"domínio de espectro total". Com isto, quer significar o
controlo total, incontestado, de todo o território, mar, ar e
espaço e o direito auto-assumido de o impor através do uso de
armas nucleares ou de qualquer outro tipo.
O governo britânico de Tony Blair faz parte do mesmo esquema como
parceiro cúmplice júnior. Considera ser do seu interesse estar
aliado aos EUA e à administração Bush e apoia a sua
política imperialista. Em consequência, explica John, não
é de admirar que o sr. Blair tenha levado o seu país à
guerra mais vezes do que qualquer primeiro-ministro britânico nos tempos
modernos. Para ele e para George Bush, o direito internacional, as normas e
qualquer sentido de moral são irrelevantes e não podem
interpor-se no caminho da sua violência política sem limites
apresentada como tendo um rosto e um objectivo democráticos.
'Freedom Next Time'
denuncia esta hipocrisia mostrando que o "imperialismo, qualquer que seja
o seu disfarce, é a antítese da "bondade e da moral".
Examina a história e os acontecimentos em cinco países que John
conhece bem como jornalista e realizador de filmes.
Antes de começar, na introdução, John trata do presente.
Cita os que vêem as sementes do fascismo e as semelhanças
perturbantes entre os EUA (e Inglaterra) de hoje e a Alemanha nazi e o apelo
demoníaco de Hitler para a sua missão divina como o salvador
daquele país, apelo que impingiu ao seu povo em termos religiosos
cristãos. Fê-lo num país que era o orgulho da
civilização ocidental e um verdadeiro modelo de democracia. Se
isso pôde acontecer ali, pode acontecer noutro sítio qualquer e
assim acontecerá a menos que haja gente suficiente empenhada em
impedi-lo. Mas John sublinha que não escreveu um livro pessimista. Cita
as sementes alternativas de esperança, de renascimento da democracia e
da igualdade social na América Latina em especial na Venezuela de
Hugo Chavez e na nação mais pobre de todo o continente, na
Bolívia de Evo Morales. Considera essas forças como fazendo parte
de um "movimento à escala mundial contra a pobreza, a guerra e a
desinformação que se ergueu em menos de uma década, e
é mais diferente, empreendedor, internacionalista e tolerante das
diferenças do que qualquer outra coisa em toda a minha vida". John
conclui a sua mensagem de esperança dizendo que os "mais
sábios... sabem que, tal como a conquista do Iraque não tem
futuro, também todo um sistema de domínio e de empobrecimento
pode não o ter".
O livro de John está dividido em cinco capítulos, um para cada
nação que trata. Quatro delas são bem conhecidas, mas
talvez poucos leitores conheçam a primeira analisada discutida, no
arquipélago de Chagos, ou nem sequer saibam onde fica.
Capítulo Um: A expoliação de uma nação
chamada Diego Garcia
Diego Garcia é uma pequena ilha de 217 km quadrados controlada pelos
britânicos no arquipélago de Chagos no Oceano Índico
(oficialmente conhecido como Território Britânico do Oceano
Índico) que está situada estrategicamente a meio caminho entre a
Ásia e a África. Foi outrora o lar de 2 000 pessoas,
"simpáticas crioulas". São cidadãos
britânicos mas, entre 1967 e 1973, foram enganadas e expulsas pelo
governo inglês para que a sua ilha natal passasse a ser uma base militar
dos EUA. Foram enviadas para o exílio para um novo lar inóspito
nas Ilhas Maurícias onde sete governos britânicos observaram os
seus cidadãos deslocados a sofrer e a perecer nas palhotas em que foram
forçados a viver e a pobreza desesperada que foram forçados a
suportar.
Este "acto de deportação em massa" foi tão
perturbante e desonesto que foi executado em segredo, e durante quase uma
década foi escondido do Parlamento e do Congresso americano. Os
chagossianos foram tratados com desprezo pois não só perderam a
sua terra natal, como foram tratados "como se não existissem".
Foram os EUA que fizeram as exigências e estabeleceram as
condições do acordo. Washington queria que toda a
população fosse expulsa e todo o negócio sujo ficasse
encoberto. Então, tal como agora, a Inglaterra alinhou no
horrível esquema. As pessoas não tiveram direito a falar, e aos
que se recusaram, mentiram-lhes e disseram-lhes que não tinham outra
opção porque "a sua deslocação era 'legal' de
acordo com as regras da colónia".
No seu novo lar, a vida tornou-se um inferno vivo. Os chagossianos
encontraram-se numa sociedade estranha à sua forma de vida simples, e
não foram capazes de se adaptar. Em Diego Garcia tinham a sua casa,
cultivavam a sua comida, pescavam e trabalhavam numa plantação.
Nas Ilhas Maurícias tiveram que procurar trabalho para sobreviver e a
maior parte deles não teve qualquer hipótese. O resultado foi
que, em meados dos anos 70, a maior parte dos exilados estava desempregada,
empobrecida e começou a morrer. O Foreign Office britânico e a
Alta Comissão ignoraram desdenhosamente a sua aflição
dizendo que os chagossianos deviam resolver o seu problema com o governo de
Maurício. Não contou para nada o facto de aquelas pessoas serem
cidadãos britânicos e terem os mesmos direitos de todos os outros
britânicos. Tudo o que obtiveram em compensação foi 1 000
libras (cerca de 1500 euros) em troca de concordarem em renunciar ao seu
direito de voltarem para a sua terra natal, fazendo-o num documento que
não sabiam ler.
A história deste desgraçado episódio ficou bem escondida
até aos anos 90 quando foi encontrado nos Arquivos Nacionais de Kew, em
Londres um "conjunto precioso de documentos que deixaram de ser
confidenciais". Comprovou-se que havia uma conspiração entre
dois governos a que o Artigo 7 do estatuto do Tribunal Criminal Internacional
se refere como uma "deportação ou transferência
forçada duma população (e) um crime contra a
humanidade". Também violou o Artigo 73 da Carta da ONU que obriga
um governo colonialista como a Inglaterra a respeitar a sua
"confiança sagrada" de proteger os direitos humanos do seu
povo. Vergonhosamente, a Inglaterra não fez nada disso e pelo
contrário curvou-se obedientemente aos desejos de Washington e obedeceu
às suas ordens tal como ainda o faz hoje. Os dois países
também se comprometeram num encobrimento enorme durante uma
década que chegou ao mais alto nível de ambos os governos,
esperando evitar que a verdade alguma vez viesse a ser conhecida. Os envolvidos
incluíram o primeiro-ministro Harold Wilson, a Rainha Isabel e os
presidentes Johnson e Nixon, entre outros. Ocultaram tudo, inclusive um suborno
financeiro secreto que Washington fez, que foi também escondido do
Congresso dos EUA e do Parlamento britânico.
Mas logo que a verdade começou a aparecer, as coisas mudaram. Em 3 de
Novembro de 2000, o Supremo Tribunal britânico abalou o governo, citando
a Magna Carta e anulou a ordem de deportação inicial. Ou seja,
que as pessoas tinham direito a passaportes britânicos e tinham o direito
de voltar para casa. Mas foi uma vitória de Pirro de vida breve porque
um ano depois os chagossianos voltaram ao Supremo Tribunal à procura
duma compensação para a sua desgraça. Desta vez
enfrentaram um juiz hostil que considerou o caso deles como "não
merecedor" e recusou as suas reclamações. Três meses
depois, o ministro do Foreign Office responsável por Chagos enviou
à rainha uma "ordem do conselho" para que ela aprovasse
"de cruz", a qual inverteu a vitória do Supremo Tribunal de
2000 e impediu os ilhéus de regressarem a casa. Quando John se
encontrava a escrever este livro, registou que os chagossianos tinham voltado a
Londres para um último recurso judicial perante o Supremo Tribunal para
anulação da recusa do governo do seu direito de voltar à
terra natal. Mesmo após estes anos todos, este povo corajoso estava e
está ainda firmemente determinado a alcançar a justiça que
merece de pleno direito.
Esta chegou por fim a 11 de Maio de 2006 (depois de o livro de John estar
finalizado), num veredito condenatório do Supremo Tribunal que
considerou "repugnante" a decisão de afastar os chagossianos
por insistência dos EUA. A "ordem do conselho" do governo de
Blair referida anteriormente foi anulada. O Foreign Office tem agora que
decidir se vai apelar do veredito e pode ser pressionado a fazê-lo pelos
EUA. Mas, mesmo que o litígio acabe favoravelmente para os chagossianos,
não é líquido que alguma vez sejam autorizados a regressar
enquanto Diego Garcia se mantiver como importante base militar americana. A
administração Bush não respeita a lei, vai provavelmente
ignorá-la e a nova administração americana que vier a ser
eleita em 2008 pode vir a fazer o mesmo. Fica assim para se ver se alguma vez
será feita justiça nesta tragédia tão antiga. No
entanto, é provável que os chagossianos nunca deixem de a
procurar.
Capítulo Dois: O último tabu Cinco décadas e meia
de encobrimento da opressão de Israel sobre os palestinos
John foi buscar o título deste capítulo a um ensaio com o mesmo
título escrito pelo eminente e corajoso escritor, académico e
activista palestino, Edward Said pouco antes da sua morte em Setembro de 2003.
Said foi um homem brilhante e um lutador apaixonado pela justiça para o
seu povo. No seu ensaio escreveu: "Pode ser reconhecido o
extermínio dos americanos nativos, atacada a moralidade de Hiroshima,
publicamente queimada a bandeira nacional (dos Estados Unidos). Mas a
continuação sistemática da opressão de 52 anos de
Israel e os actos de crueldade contra os palestinos são praticamente
silenciados, uma narrativa que não tem autorização para
aparecer".
Mas ela aparece, ousada e corajosamente, no capítulo de John quando ele
relata o ódio inexplicável e irracional que a maior parte dos
israelenses tem pelos palestinos, um povo cujo país roubaram e que
têm cruelmente oprimido durante várias décadas. Explica
como é a vida para este povo indefeso sob um cruel poder de
ocupação nos campos de refugiados das duas maiores prisões
mundiais ao ar livre: Gaza e a Margem Ocidental. Conta como pessoas vulgares,
que apenas querem viver em paz e terem uma vida normal, são privadas das
suas liberdades pessoais, económicas e políticas mais
elementares, da dignidade e de qualquer forma de justiça. Mostra como os
israelenses, com total apoio financeiro e político dos EUA e do
ocidente, têm aterrorizado o povo palestino com impunidade, e quando as
vítimas ousam defender-se ou resistir lhes chamam
"terroristas".
Também eu já escrevi sobre os crimes israelenses contra o povo
palestino num artigo recente a que chamei 'A Vida na Palestina Ocupada'. O que
John documentou no local sobre as pessoas que sofrem este brutal ataque
diário, resumi eu em poucos parágrafos que gostaria de apresentar
aqui. Escrevi o seguinte:
Tentem imaginar a vida diária nas seguintes condições:
Vivemos numa prisão num país ocupado por um exército
estrangeiro opressor e num sistema de racismo institucionalizado e codificado.
Não temos uma nação reconhecida, nem direito de cidadania,
nem poder sobre a nossa vida diária. Vivemos num permanente estado de
medo. O ocupante impõem um estrangulamento económico e uma
punição colectiva restringindo a liberdade de movimentos;
cercando centros populacionais; fechando as fronteiras; impedindo a maior parte
do nosso povo de trabalhar dentro das suas fronteiras; impondo recolheres
obrigatórios regulares, barreiras nas estradas, pontos de controlo,
vedações eléctricas e muros de separação e
continua a construir novos colonatos nos nossos Territórios Ocupados (na
nossa terra, no nosso país) violando as Convenções de
Genebra que proÍbem um ocupante de instalar a sua
população em terra conquistada.
O ocupante nega ao nosso povo os seus direitos humanos básicos incluindo
os referidos na Quarta Convenção de Genebra que regula o
tratamento de civis durante a guerra e sob ocupação. Há
149 artigos nesta Convenção. O governo do ocupante viola quase
todos eles e ao fazê-lo está a cometer crimes de guerra segundo a
lei internacional. A Comissão dos Direitos Humanos da ONU determinou que
também está a cometer "crimes contra a humanidade"
contra o nosso povo. Este conceito tem origem na Carta de Nuremberga de 1945
redigida pelos EUA para julgar os criminosos de guerra nazis. A
noção internacional de um "crime contra a humanidade"
foi instituído para definir o que Hitler fez aos judeus. A CDHNU
estabeleceu que é isto o que o ocupante está a fazer ao nosso
povo, e que este acto é o precursor histórico e legal do crime
internacional de genocídio tal como definido na Convenção
sobre Prevenção e Punição do Crime de
Genocídio de 1948.
O ocupante também envia tropas, tanques e armamento pesado para as
vizinhanças conforme quer, para pilhar e destruir. Ataca quando lhe
apetece, pelo ar, com sofisticados helicópteros de ataque que
lançam mísseis e com F-16s e provoca deliberadamente
ruídos sónicos que rebentam os tímpamos e aterrorizam. E
dá aos seus militares o direito de molestar, prender ou matar
livremente, sem julgamento, qualquer um do nosso povo homem, mulher ou
criança, sob qualquer pretexto, com total impunidade. Arrasa casas com
as pessoas lá dentro se elas não conseguirem fugir a tempo
(normalmente a meio da noite e sem aviso ou anúncio) como castigo ou por
não terem autorização de construir no seu próprio
território, no seu próprio país ou por qualquer outra
razão. Rouba terras cruelmente na esperança de um dia ficar com
todas ou pelo menos com a parte que lhe interessa. Detém, aprisiona e
tortura milhares de pessoas pelo crime real ou suspeito de lutar pela nossa
própria liberdade contra um ocupante opressor.
Por vingança e para dar segurança aos seus colonos ilegais nos
Territórios Ocupados, restringe ou proíbe o acesso a cuidados de
saúde essenciais e de emergência, à
instrução, ao emprego, ao direito de movimentar bens e
serviços do produtor/fornecedores para o utilizador final, e até
comida e água suficientes. Criou um estado de cerco económico
colocando quase dois terços do nosso povo (segundo a ONU) abaixo do
limiar da pobreza de 1,74 euros por dia (e metade desses dois terços com
1,27 euros ou menos) e mais de metade da população activa no
desemprego (este número varia conforme a intensidade do cerco
israelense). Destrói as searas e os pomares da população
incluindo mais de um milhão de oliveiras. Lança impostos
punitivos e fornece raros serviços ou suspende-os como castigo
colectivo. Não temos poder para impedir qualquer destes abusos ou de
receber qualquer reparação nos tribunais dos ocupantes. Como
é que se pode ser muçulmano num estado racista judeu.
John explica que a Inglaterra foi o arquitecto deste desastre e esta
injustiça históricos. Em 1917, queria um estado cliente no
Médio Oriente para cuidar dos seus interesses económicos e
arranjou um com a Declaração Balfour que prometia uma "casa
nacional para o povo judeu" na Palestina. A Declaração
também fazia uma promessa sagrada aos palestinos que ali viviam
há séculos de que "nada será feito que possa
prejudicar os direitos civis e religiosos das comunidades existentes não
judaicas". Isso não aconteceu. O estado judaico apareceu em 1948 e
nasceu com o pecado original do massacre e expulsão forçada das
pessoas que ali viviam, e as coisas nunca mais foram como anteriormente. Israel
desafia sistematicamente todas as leis e normas internacionais, tem a cobertura
total e o apoio financeiro dos EUA e do ocidente, e os palestinos são
forçados a sofrer infindavelmente os abusos mais ultrajantes sem ajuda
do exterior que os faça parar.
A maioria dos ocidentais pouco sabe disto tudo porque a maioria dos media se
recusa a noticiá-lo e apenas descreve Israel como um bastião da
democracia numa região em que há muito pouco disso. É um
mito, mas um mito que está muito espalhado. Os que se atrevem a
denunciá-lo ou aos crimes israelenses são apodados de
anti-semitas ou de odiarem os judeus. Também incorrem numa
condenação extrema e até em ostracismo. Há uma
regra imperiosa tácita que ninguém se atreve a violar,
especialmente nos EUA: Israel não faz nada de mal e tem que ser apoiado
totalmente faça o que fizer. Em consequência disso, o mito do
chamado "processo de paz", que nunca existiu nem nunca
existirá, persiste tal como a falsa esperança de que os
palestinos alguma vez terão um estado mesmo seu para além dos
bantustões que os israelenses lhes destinam depois de terem sido
totalmente limpos etnicamente ou assassinados nas áreas que os
israelenses querem para eles próprios.
John também denuncia a fraude dos Acordos de Oslo e posteriores
encontros de Camp Davis promovidos por Bill Clinton onde o primeiro-ministro
israelense Ehud Barak nada ofereceu a Yasar Arafat. O público foi
informado fraudulentamente do contrário e Arafat foi censurado
injustamente por ter recusado uma proposta que nenhum dirigente mentalmente
são e responsável poderia alguma vez aceitar. Ouvimos falar dos
muitos massacres de centenas de palestinos mortos em Deir Yassin em 1948, os 18
000 chacinados quando Israel invadiu ilegalmente o Líbano em 1982,
incluindo o massacre ordenado por Ariel Sharon de mais de 3 000 homens,
mulheres e crianças indefesos nos acampamentos de Sabra e Shatila, na
violação de Jenin em Abril de 2002 quando as Forças de
Defesa Israelenses (FDI) invadiram esta cidade de 35 mil habitantes (incluindo
o seu acampamento de refugiados), a isolou de qualquer ajuda do exterior,
destruiu centenas de edifícios (muitos deles com pessoas enterradas
vivas debaixo dos escombros), cortou a energia eléctrica e o
fornecimento de comida e água do exterior, impediu ajuda exterior de
entrar na cidade e assassinou um número indeterminado de palestinos.
John abarca muito mais incluindo a matança diária de gente
indefesa, o desemprego maciço provocado pelos israelenses, a pobreza e a
provação, e a vida de desespero infindável que este povo
é obrigado a sofrer. E no entanto aguentam e continuam a agarrar-se
à esperança de que um dia o seu território roubado lhes
será devolvido e os seus direitos totalmente recuperados. Uma das muitas
histórias não contadas é que muitos israelenses judeus
horrorizados têm a mesma esperança e estão a desafiar
corajosamente o seu governo e a apoiar os palestinos para o conseguir.
Capítulo Três: A Índia brilhante A falsa fachada de
uma nação onde um terço da população vive
numa pobreza desesperada
John explica como a Índia é uma nação de profundos
contrastes, e a cidade mais rica do país, Bombaim, é a melhor
amostra disso. Num extremo há uma próspera comunidade de
negócios de comércio marítimo, bancos comerciais e duas
bolsas de valores. No outro há uma cidade de 2,5 milhões de
pessoas por km
2
e tipificadas pelo distrito de "caminhos de ferro" que os
estrangeiros e pessoas de fora não conhecem de todo. Transborda de gente
desesperada que vive em condições "indescritíveis
um caixote de papelão como casa com o esgoto a encher e a vazar
conforme a monção". John pergunta como é
possível que uma nação com tradições de
"grande luta popular" e democracia permita isto. A resposta é
que os seus dirigentes optaram por vender a sua soberania ao modelo neoliberal
de uma economia global dominada pelas gigantescas corporações
transnacionais, principalmente as dos EUA.
A subida ao poder do governo liderado pelo BJP nacionalista hindu
(proto-fascista) nos anos 60 acelerou o processo. Aboliu as barreiras
existentes que protegiam a indústria indiana e abriu o país
à invasão das corporações predatórias
estrangeiras que tiraram daí todas as vantagens. O resultado é
uma nação que pode ser um exemplo de como um modelo
económico adoptado deu para o torto e provocou a miséria humana
em massa. Tem-se assistido ao aumento da "pobreza extrema" para mais
de um terço da população ou seja cerca de 364
milhões de pessoas. John explica que embora a taxa de crescimento da
Índia seja alta, "isso diz respeito ao capital, não à
força de trabalho, diz respeito aos lucros produzidos, não
às pessoas". Também denuncia o mito de a Índia ser
uma força avassaladora da alta tecnologia. Embora a nação
tenha atingido uma "superioridade" em computadores e outras
tecnologias, a nova "classe tecnocrata" é minúscula. E
também que a chamada explosão do consumo beneficiou quando muito
cerca de 15% da população.
Mais de dois terços da população vivem em aldeias rurais e
dependem da agricultura de pequena escala para o seu sustento e
sobrevivência. Estas pessoas foram destruídas pela adesão
da nação ao modelo económico ocidental. Provocou uma
epidemia oculta de suicídios entre eles porque não conseguem
competir com a indústria agrícola. Os que optaram por uma
solução menos drástica são forçados a
abandonar as suas terras numa tentativa vã de procurar refúgio
entre as massas pululantes nas cidades. O resultado é uma pobreza
crescente, privações e extrema miséria humana a uma escala
maciça. Dada a sua enorme população de mais de mil
milhões, a Índia aparece como um alerta sobre o tipo de futuro
que as pessoas em toda a parte enfrentarão se não se encontrar
forma de inverter um modelo económico falhado que enriquece uns poucos,
destrói a maioria e estrangula a capacidade do planeta para continuar a
aguentar os abusos que lhe infligem.
Capítulo Quatro: O apartheid não morreu O capitalismo
predatório tornou-o pior
O odiado apartheid pode ter acabado na África do Sul há cerca de
16 anos, mas o novo Consenso de Washington neoliberal foi ainda pior. A
obsessão da raça numa sociedade de supremacia branca foi
substituída pelo domínio e pela procura da riqueza permitidas
apenas a uma minoria privilegiada à custa da grande maioria quase toda
negra. O resultado é que enquanto o rendimento familiar médio
subiu para cerca de 15% da população (incluindo alguns negros), o
rendimento familiar da maioria negra caiu cerca de 20% tornando as
condições de vida hoje muito piores do que no tempo do apartheid.
A nova África do Sul com o seu heróico novo presidente Nelson
Mandela optou por aderir ao modelo económico ocidental. Mandela aceitou
um "acordo tácito" que permitia que a elite branca mantivesse
o controlo económico em troca de um governo de maioria negra que iria
ser subserviente para com o anterior governo branco. O actual presidente Thabo
Mbeki reforçou o acordo quando encabeçou um grupo de
funcionários da ANC em reuniões secretas em Londres entre 1987 e
1990. Concordaram essencialmente em trair o seu povo e a sua luta de 40 anos
pela liberdade agora perdida. O Banco Mundial e o FMI ditaram
privatizações em massa e ajustamentos estruturais para cortar
serviços sociais essenciais em troca de ajuda financeira. Isto provocou
um nível de endividamento opressivo, desemprego de cerca de 38%, uma
taxa de infecção de SIDA de cerca de 20%, 40% de escolas sem
electricidade, 25% de pessoas sem acesso a água potável e a
maioria das que têm acesso sem possibilidade de a pagar, 60% com
saneamento deficiente e 40% sem telefone. O resultado é um apartheid
económico que substitui o legal estando hoje a maioria da
população negra pior do que sob a opressão política
do passado. É uma história perturbante do que tem ocorrido em
todos os países que concordaram com o Consenso de Washington pelo qual
venderam a sua soberania aos interesses do capital. A diferença na
África do Sul é que o homem que os negros oprimidos julgavam que
lhes iria conquistar a liberdade, na realidade vendeu-os.
John voltou à África do Sul após uma ausência de 30
anos, desde a sua expulsão pelo governo do apartheid que ele abominava.
Entrevistou Mandela já retirado e é praticamente o único a
explicar a "ambiguidade" do primeiro presidente da ANC. Colocou
questões difíceis perguntando como era possível que a ANC,
que lutou durante tanto tempo pela liberdade, tivesse abraçado o
"Thatcherismo". Porque é que ele permitira que o seu povo, que
sofrera durante tanto tempo, viesse a sofrer um mal pior ainda com um sistema
em que praticamente tudo, incluindo os serviços essenciais, está
privatizado e a falta de regulamentação permite aos grandes
negócios reinarem livremente para obter lucros à custa do
interesse público. Mandela respondeu que "Pode pôr a etiqueta
que quiser; pode chamar-lhe thatcherite mas, para este país, a
privatização é a política fundamental". Uma
resposta lamentável de um homem que sabe mais do que isto. John
também confrontou Mandela sobre porque é que ele apoiou e mostrou
deferência por governos opressores na Indonésia, Burma,
Argélia, Colômbia e Peru e ordenou mesmo uma invasão
sangrenta do pequeno vizinho Lesotho. De novo a resposta que recebeu foi pouco
impressiva vinda de um homem que foi outrora, e ainda é em aspectos
importantes, um gigante na luta pela igualdade social e pela justiça.
Mais uma vez John mostra como descobriu nesta sua nova visita que o
espírito de resistência sobrevive. Encontrou-o entre os numerosos
"movimentos sociais" e organizações aliadas a que
chamou as mais "sofisticadas e dinâmicas do mundo". Forjaram
elos com movimentos internacionais de direitos humanos e anti-capitalistas
assim como com sindicalistas independentes. Disse que o que a África do
Sul tem em abundância é uma força chamada
"ubuntu" "um humanismo que nunca está quieto... um
conceito subtil... que diz que a humanidade duma pessoa se exprime
através da empatia e da solidariedade com o próximo;
através da comunidade e da reunião". Aquilo a que Steve Biko
chamava "autêntica comunidade negra". É nesse
espírito que John tem esperança que resida o futuro da
África do Sul.
Capítulo Cinco: A libertação do Afeganistão
os EUA infligiram um pesadelo a outro povo sofredor
John começa por descrever o Afeganistão como se fosse mais uma
paisagem lunar e não um país em funcionamento as ruas de
Cabul com "contornos de escombros em vez de ruas, onde as pessoas vivem em
edifícios em ruínas, como vítimas de um tremor de terra
à espera de salvamento... sem luz nem aquecimento". É uma
história velha para este povo cercado de tropas que tiveram uma longa
história de conflitos e de sofrimento sempre com pouco alívio.
Durante quase um século o país foi vítima do "Grande
Jogo" de competição entre o império britânico
frente à Rússia czarista pelo controlo desta parte do mundo. Na
história mais recente, pagou caro de novo nos anos 80 quando um
exército de guerrilha mujahedin recrutado pelos EUA lutou contra a
ocupação soviética. Forçou os ocupantes a sair mas
à custa de um país devastado que não se recuperou durante
os anos 90 visto que um conflito brutal sucedeu à retirada dos
soviéticos. Depois aconteceu o 11/Setembro e os EUA infligiram um
pesadelo que continua até hoje sem final à vista.
John explica que o Afeganistao hoje é o que a CIA chamava durante a
guerra do Vietname "a grande ilusão da causa americana".
Embora Cabul tenha algumas liberdades que os Talibans recusavam, o resto do
país não tem praticamente nenhumas. No lugar dos Talibans, que
iniciaram um renascimento, estão os brutais "comandantes
militares" regionais que os grupos dos direitos humanos dizem ter
"essencialmente posto o país como refém". A
nação é uma zona de guerra e um narco-estado falhado com
"comandantes militares" regionais e chefes de drogas a controlar tudo
para além da capital. Hamid Karrzai (um antigo activo da CIA), o
presidente nominal do país, seleccionado pelos EUA, é uma
caricatura de um homem e um fantoche subserviente que pouco mais é do
que o mayor de Cabul. Não tem mandato nem apoio e não duraria um
dia por si próprio sem a pesada protecção que lhe é
dispensada 24 horas por dia pelos militares americanos.
A vida não era um mar de rosas com os Talibans. Mas apesar das suas
maneiras ultra-puritanas e do tratamento severo para com os desobedientes, pelo
menos mantinham a ordem e não toleravam o banditismo, a
violação ou o assassínio. Também acabaram
praticamente com a produção do ópio. Agora tudo isso
mudou. A invasão EUA-Inglaterra em 2001 acabou com a
proibição da produção do ópio, permitiu que
os "comandantes militares" refizessem as plantações e o
resultado é que 87% do comércio mundial desta droga provém
destes campos. Além disso, o desemprego descolou para cerca de 45%; tem
havido pouca reconstrução; a pobreza é avassaladora;
há pouca electricidade, água potável ou a maioria de
serviços essenciais; voltou a ilegalidade; foi reinstalada a lei de
Sharia; o conflito interno reacendeu-se; e ninguém está em
segurança nem os das facções guerreiras do país nem
os da força hostil de ocupação. Além disso, os
Talibans reclamaram partes do Afeganistão do sul e estão a
conquistar apoiantes entre o povo farto da miséria que lhe foi infligida
pelos EUA e pelos invasores das forças multinacionais. Pode ser mesmo
uma questão de tempo antes que a violência volte a explodir noutra
guerrilha catastrófica tal como no Iraque. Parece que já
está a começar.
Então porque é que foi a invasão e a
ocupação? Sabemos agora que estava planeada antes do 11/Setembro
e não teve nada a ver com um governo muçulmano fundamentalista
que tratava o seu povo cruelmente. Teve tudo a ver com um dirigente
afegão que não quis submeter a sua autoridade às
exigências americanas e à sua procura imperialista de dominar esta
região estrategicamente importante. Isto já havia sido explicado
pelo antigo conselheiro de Segurança Nacional, Zbigniew Brzezinski, sob
o presidente Carter no seu livro de 1997
'The Grand Chessboard'.
Referiu-se à Eurásia como o "centro do poder mundial que se
estende da Alemanha e da Polónia para leste através da
Rússia e da China até ao Pacífico e incluindo o
Médio Oriente e o subcontinente indiano. Ao dominar esta região,
os EUA assegurariam o controlo duma grande fonte de energia e de outros
recursos essenciais. O Afeganistão era uma parte importante do plano
porque era através deste país que os EUA queriam construir os
pipelines de petróleo necessários para transportar o
petróleo da bacia do Cáspio até aos portos de águas
profundas onde podia ser facilmente embarcado para todas as partes do mundo que
os EUA autorizassem a seguir.
A princípio os EUA ficaram contentes com o trabalho dos Talibans quando
estes chegaram ao poder. Enquanto se pensou que era possível um acordo
com eles, o seu extremismo religioso e as violações dos direitos
humanos não constituíram preocupação. Só
quando não se conseguiu chegar a um acordo é que foi tomada a
decisão de os afastar. E isso traz-nos de volta ao presente. O
país está em ruínas, o conflito continua sem fim à
vista, e o povo sofre mais do que nunca sem que no horizonte haja qualquer
esperança visível de alívio.
John escreveu o seu livro para documentar a história do abuso
imperialista testemunhada em primeira mão em cinco países. Mas
também quer que o mesmo seja uma mensagem da esperança de que um
dia possa vir o mesmo renascimento de democracia e justiça social que
agora emerge em locais da América Latina como a Venezuela. Encontrou
gente corajosa e dedicada em toda a parte, até no Afeganistão
onde as condições são tão más que é
difícil encontrar alguém. Disse que "Através de todas
as crises humanitárias de memória recente, nenhum país tem
sido tão violentado e tem sofrido mais, e nenhum foi menos ajudado, do
que o Afeganistão". Ainda assim se mantém e segundo parece
está ainda pior. A não ser que mude, está ainda muito
longe uma época de paz e o fim da violência e do sofrimento do
povo afegão. E no entanto, mantém-se a esperança. John
encontra-a por todo o lado nos corações das pessoas que nunca
desistirão da luta pelo mundo justo que desejam e pelo qual lutam.
Conclusão
John mais uma vez escreveu um livro brilhante e magnífico. Todos deviam
lê-lo para aprender com este grande homem o que aconteceu e está a
acontecer nestes cinco países que ele escolheu entre os muitos que
conhece bem por ter assistido a acontecimentos de todo o mundo em primeira
mão ao longo da sua carreira. Ele explica o que muito poucos se atrevem
a fazer para nos ajudar a entender como as vidas dos povos em toda a parte
têm sido afectadas pelo modelo económico americano que se baseia
no militarismo e na expansão imperialista para controlar os mercados
mundiais, os recursos essenciais e a mão-de-obra barata sem rivais que
desafiem o seu domínio. Esta é a mensagem que o livro transmite.
Mas também exala a esperança especial de que o espírito
humano é invencível e encontrará uma forma de ultrapassar
a adversidade e a opressão e será capaz de resistir. John
acredita que virá uma época de libertação porque
pessoas empenhadas em toda a parte do mundo nunca desistirão de
trabalhar por isso.
16/Junho/2006
O original encontra-se em
http://www.uruknet.info/?p=m24020&hd=0&size=1&l=e
Tradução de Margarida Ferreira.
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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