O embuste do NAL em Alcochete
por António Maria Cerveira Pinto
Augusto Mateus publicou em tempos um estudo onde se pode ler que Beja iria ser
um "centro de exportação de peixe". Está
lá escrito. [O aeroporto de] Beja está, como todos sabemos,
às moscas há dois anos e 32 milhões de euros depois de o
governo de
Sócrates ter comprado as ideias do genial Mateus. Nenhum avião
utiliza o aeroporto de Beja!
Entretanto o mesmo Mateus, desta vez com a
DHV
, pariram mais um estudo
enviesado para tentar justificar a destruição da Portela.
Porquê?
Porque para financiar a construção do Novo Aeroporto de Lisboa em
Alcochete (NAL) são necessárias duas receitas:
-
A receita da privatização da ANA
-
E a receita dos terrenos da Portela
As receitas geradas pelos terrenos da Portela serão sempre muito maiores
do que as da privatização da ANA. Ou seja, sem destruir o actual
aeroporto da Portela não haverá NAL em Alcochete nas
próximas décadas. Isto apesar de o aeroporto da Portela ser um
dos mais seguros do mundo, contra toda a aparência e
especulação alarmista montada desde as afirmações
bombásticas do ex-ministro João Cravinho, o tal que inventou as
SCUTS que levarão Portugal à falência (entre outras
barbaridades do género.)
A empresa ANA gera mais ou menos 50 milhões de euros de lucro por ano.
Assim sendo, os 40 anos de concessão previstos para o NAL nunca
chegariam para pagar o novo aeroporto. É por isso que o boy do PS
Augusto Mateus quer vender os terrenos da Portela à filha do
senhor Stanley Ho, ou quaisquer outros especuladores imobiliários,
certamente secundados pelas Ordens dos Arquitectos e dos Engenheiros.
O modelo é o mesmo utilizado para construir a EXPO'98.
Neste caso o neutralizado Porto de Lisboa foi forçado a doar à
Parque Expo 5 milhões de metros quadrados. A Parque Expo recebeu
terrenos a custo zero que mais tarde vendeu por milhares de milhões de
euros à especulação imobiliária, deixando a
Câmara de Lisboa a arder em dívidas!
Se a Parque EXPO tivesse tido que pagar aqueles terrenos, o valor poderia ter
chegado aos 7,5 mil milhões de euros. É o que dá
multiplicar 5 milhões de metros quadrados por 1500 euros (preço
médio por metro quadrado dos terrenos para construção.)
Ora bem, 40 anos de receitas da ANA, sem contar com a inflação
(que é diminuta, pois entrámos num longa época de
deflação), daria qualquer coisa como 2 mil milhões de
euros. O que obviamente seria insuficiente para pagar a nova infraestrutura
O dito estudo do genial boy Mateus e da DHV está pois viciado, partindo
aliás de um pressuposto falso e usado sistematicamente para efeitos de
contra-informação e propaganda: a saturação da
Portela e a incapacidade de esta se transformar num hub aeroportuário.
Na realidade a TAP pode ficar na Portela e montar aí o seu hub, ao mesmo
tempo que as Low Cost, como a Ryanair e a easyJet, poderiam ir para o Montijo,
na medida em que os voos Low Cost são deslocações destino
a destino.
A operação de propaganda do genial boy Mateus e da DHV, paga a
peso de ouro, como é costume, omite de forma fraudulenta um dado
crucial: a esmagadora maioria do tráfego aéreo de Lisboa, 82%,
é realizado entre Lisboa e a União Europeia
(Portugal+Ilhas+Europa.)
Apenas 18% se destina às Américas, a África e ao resto do
mundo!
Do Brasil apenas 50% dos voos são de transferência, e de
África nem chegam a 25%...
Ou seja, no total estamos a falar de 750 mil passageiros em transferência
(500 mil do Brasil + 250 mil de África) por ano. Estas
operações podem ter perfeitamente lugar na Portela, pois
já existem mangas suficientes para o efeito, que a TAP,
inacreditavelmente, na maior parte das vezes, para poupar custos (estando-se
nas tintas para os passageiros), nem sequer utiliza!
Como se isto não bastasse para desmontar a propaganda sobre a
saturação da Portela, veja-se o que sucede na recém
alargada
(et pour cause)
placa de estacionamento da Portela: ocupada permanentemente por aviões
da TAP. Ou seja, a TAP tem há vários meses aviões a mais
para as encomendas.
Por fim, ao adiar a transferência das Low Cost para o Montijo, a ANA tem
vindo a empurrar mais rapidamente do que seria de esperar a TAP para a
irremediável falência. Esta tem vindo assim a perder continuamente
quota de mercado dos voos europeus para Ryanair e para a easyJet em
Faro, no Porto e em Lisboa!
A teimosia da Ota, ou de Alcochete, apenas serve dois amos: a
especulação imobiliária e a corrupção
partidária que alimenta uma democracia que é cada menos nossa e
cada vez mais dos partidos.
A menos que os chineses, os brasileiros e os angolanos comprem a TAP e apostem
na criação duma plataforma estratégica conjunta em
Alcochete, não vejo nenhum argumento racional válido para dar
crédito aos estudos enviesados, para não dizer idiotas, do boy
Mateus.
16/Agosto/2010
Referências
Diagrama do Aeroporto da Portela com as novas mangas (21)
Reportagem TVI sobre a vigarice em volta da suposta saturação do Aeroporto da Portela
Outros artigos sobre o NAL em resistir.info:
Novo aeroporto: O falso problema e o verdadeiro
, de Jorge Figueiredo
Peak Oil: A crise global que se aproxima e o declínio da aviação
, de Alex Kuhlman.
O Novo Aeroporto de Lisboa e a escassez de petróleo
, de Demétrio Carlos Alves.
A produção de jet fuel e a dispensabilidade de novos aeroportos
, de John Busby.
Esgotamento do petróleo, tráfego aéreo e construção de novos aeroportos
, de John Busby.
O "Pico da Aviação": Combustível aeronáutico e cenários da futura produção de petróleo
, de Kjell Aleklett
"Estamos perante a urgente necessidade de reavaliar a decisão sobre a construção de um novo aeroporto"
, de Luis Queiros
A quem lucram os grandes projectos?
, de Luís Vicente
Beja e a campanha anti-Portela
, de J. Martins Pereira Coutinho
Leia assine a petição para impedir a construção de
qualquer novo aeroporto em Portugal:
http://www.PetitionOnline.com/naoaerop/petition.html
O original encontra-se em
http://o-antonio-maria.blogspot.com/...
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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