Envio de tropas para o Afeganistão e colaboração com a NATO
O enfeudamento de Portugal
Recentemente, numa reunião de Presidentes da UE, em Nápoles,
Cavaco Silva Presidente da República Portuguesa declarou
que "
se há um falhanço da NATO no Afeganistão,
isso não pode deixar de ter efeitos com alguma gravidade na nova
administração norte-americana e também na União
Europeia" e defendeu "cooperação estreita" da UE
com os EUA, não só na guerra contra o Afeganistão, mas
também "nalguns conflitos", referindo-se ao Iraque e
Irão.
Já no dia 12, véspera da reunião de Nápoles, Nuno
Severiano Teixeira, ministro da Defesa do Governo Português, afirmara no
final de uma reunião da NATO em Bruxelas, que Portugal "estava a
ponderar várias soluções" para "reforçar
de forma significativa a sua presença no Afeganistão",
respondendo assim ao esforço pedido pelos EUA aos seus aliados na
Aliança Atlântica.
Estas afirmações, além de intrigantes são
preocupantes.
A NATO é uma aliança militar liderada política e
militarmente pelos EUA. Fundada em 1949, tendo como um dos membros fundadores o
Portugal fascista e colonialista de Salazar. Muito embora criada sob a capa de
aliança defensiva para os seus membros nunca na sua história teve
que os defender de qualquer ataque, mas, por outro lado, já promoveu
agressões e ocupações de países independentes e
soberanos como sejam os casos da Jugoslávia e Afeganistão.
Em Março de 1999 a NATO bombardeou a Jugoslávia e com ela o
Direito Internacional e a Carta da ONU. Entretanto, a Jugoslávia foi
destroçada, foi criado o Estado do Kosovo à revelia de todos os
compromissos, Tratados e Direito Internacional, e
os EUA
construíram a maior base militar do mundo, Camp Bondsteel, em
território jugoslavo .
A Jugoslávia não agredira nenhum país, não cometera
nenhum crime contra a humanidade nem contra o Direito Internacional nem contra
a Carta das Nações Unidas
A Europa ficou a dever à NATO ter novamente guerra após 54 anos
de equilíbrio.
Em Outubro de 2001 os EUA, sob o pretexto de "guerra ao terrorismo" e
dos atentados de 11 de Setembro em Washington, bombardeiam e invadem o
Afeganistão. Até este momento nem apanharam os
"presumíveis mentores" dos atentados nem provaram de maneira
inequívoca a sua culpabilidade. O bombardeamento e invasão foram
da responsabilidade dos EUA embora com a conivência de alguns
países membros da NATO. Já em Março de 2003 esta
Aliança Militar assume o comando e responsabilidade da
ocupação, deixando clara a sua função de guarda
pretoriana do imperialismo dos EUA e assim passando para outros países o
ónus político, militar e financeiro desta aventura
neocolonialista. O caso afegão, tal e qual o do Iraque e da
Jugoslávia, configura crimes contra o Direito Internacional e a
Humanidade. Não colhem os argumentos que serviram de capa para o seu
desencadear.
A Assembleia Geral da ONU é o único fórum representativo
da comunidade internacional. Qualquer Aliança, Tratados ou Grupos (seja
de 8, seja de 20), não podem legitimamente sobrepor-se, nem falar em nome
da comunidade internacional. Assim como nenhum Estado, ou grupo restrito deles,
pode arvorar-se em polícia, em tribunal e verdugo, invocando
princípios de paz e solidariedade, ao mesmo tempo que atropela a letra e
espírito da Carta das Nações Unidas.
A NATO é uma Aliança Militar que tem mísseis,
bombardeiros, bombas de fragmentação, etc. como instrumentos, e
se tem caracterizado unicamente por uma política expansionista e
agressiva. Ninguém pode invocá-la para defender a Paz, enquanto
se ignora a ONU.
O artigo 7º da Constituição da República Portuguesa
preconiza expressamente o fim dos blocos militares e do colonialismo e
preceitua que Portugal segue uma política de paz e respeito para com os
outros povos.
O artigo 8º diz que Portugal se rege pelo Direito Internacional.
Portugal é membro da Organização das Nações
Unidas. E tem uma Constituição Política. Todas as
instituições políticas portuguesas têm
obrigação de respeitar os seus compromissos internacionais e a
Constituição da República Portuguesa. Não têm
o direito de arrastar Portugal para os caminhos da guerra e agressão a
outros povos.
Sucessiva e progressivamente Portugal tem-se enfeudado aos interesses
militaristas e imperialistas.
Foi assim com o envio de militares portugueses para o Kosovo, foi no triste
incidente da "cimeira da guerra" nos Açores, está a
ser, de maneira mais ostensiva com o esforço de guerra no
Afeganistão, onde todos dias se cometem crimes contra a respectiva
população civil.
Daí considerarmos intrigantes e preocupantes as afirmações
do ministro da Defesa e do Presidente da República.
Mais consideramos, isso sim, um grande falhanço para a soberania e
dignidade nacionais este caminho de agressão e guerra para onde
estão empurrando os portugueses.
Viva a Solidariedade e Cooperação com os Povos. Viva a Paz.
25/Junho/2009/Lisboa
[*]
Conselho Português para a Paz e a Cooperação
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