por
Strategic Culture Foundation
Várias nações participaram esta semana do Fórum
Económico Oriental
(Eastern Economic Forum, EEF)
anual, em Vladivostok. O encontro mostra o poder da diplomacia e da parceria
para o desenvolvimento multilateral. Seria desejável que as
potências ocidentais pudessem aprender.
Com mais razão porque muitas das nações participantes do
EEF tiveram disputas desde longa data: Rússia-Japão, Coreia do
Sul-Coreia do Norte, China-Índia, Mongólia-Japão, entre
outras. Mas a disposição desses países de se empenharem e
promoverem o desenvolvimento mútuo é um indicador claro dos
benefícios da diplomacia e do multilateralismo.
O principal objectivo do EEF agora no seu quinto ano é
trazer investimento e desenvolvimento para o extremo oriente da Rússia.
Mas o ambicioso plano regional, além disso, contém grandes
promessas para toda a região hemisférica. Como afirmou o
ex-embaixador de Singapura na Rússia, Michael Tay, nesta semana: "O
extremo oriente russo é uma das oportunidades menos conhecidas para a
maioria dos empresários".
Nesta semana, o presidente russo Vladimir Putin assinou duas parcerias
estratégicas abrangentes com seus colegas indianos e mongóis.
Tanto Narendra Modi da Índia como Khaltmaagiin Battulga da
Mongólia comentaram que "as relações com a
Rússia estavam no seu nível mais alto".
Putin também recebeu o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe,
durante uma visita de três dias à Rússia, que incluiu a sua
participação no fórum de Vladivostok.
Os líderes russos e japoneses disseram que esperavam avançar nas
negociações sobre a longa disputa territorial acerca das ilhas
Curilas.
A Índia e a Coreia do Sul também anunciaram que estavam a formar
uma grande parceria entre suas respectivas armadas.
Evidentemente, as relações multilaterais florescem com
desenvolvimento mútuo e cooperação pacífica quando
as nações se envolvem em diplomacia e respeito recíproco.
Milhares de milhões de pessoas se beneficiam do
pool
de recursos para elevar materialmente suas vidas diárias, bem como, em
última análise, do afastamento de possíveis conflitos.
Todas as nações que esta semana participaram do EEF estiveram
envolvidas em condutas combativas, incluindo guerras desastrosas. No entanto,
hoje é aparente, e de facto realmente esperançoso, que o
multilateralismo pode superar a divisão e a hostilidade.
Uma observação notável desta semana foi a escassez de
reportagens dos media ocidentais acerca da conferência de Vladivostok,
embora delegados ao fórum incluíssem investidores europeus. Um
evento de tamanha importância, que envolveu importantes líderes
mundiais, ser tão amplamente ignorado pela media ocidental constitui
inequivocamente uma negligência. Os consumidores de tais media
dificilmente podem apreciar a realidade de um mundo multilateral a tomar forma.
Em segundo lugar, mais cinicamente, se os media ocidentais dessem qualquer
cobertura normal ao EEF isso inevitavelmente perturbaria seu retrato
estereotipado da Rússia como um poder isolado e maligno.
Outra observação notável é o agudo contraste entre
o multilateralismo exibido em Vladivostok e o unilateralismo polarizador dos
Estados Unidos. Mal se passa uma semana sem que Washington emita mais
sanções contra uma nação ou outra. Nesta semana, o
governo Trump impôs novas sanções ao Irão numa
flagrante tentativa de encerrar a indústria vital de
exportação de petróleo daquele país. Washington
chegou a utilizar subornos e chantagens numa tentativa de confiscar um
petroleiro que transportava exportações iranianas.
Não é exagero dizer que o antagonismo temerário dos EUA em
relação ao Irão, China, Rússia e outros
países é uma conduta mais afim à de um sindicato da
máfia do que a um suposto Estado democrático, pouco importando ao
tão louvado "líder do mundo livre".
Sanções, agressão,
bullying
e desprezo às normas internacionais básicas de diplomacia
tornaram-se a marca registada nos EUA. Mesmo em relação aos
supostos aliados europeus, Washington recorreu descaradamente a pancadas para
colocá-los na linha. O governo Trump rejeitou uma proposta francesa de
estender uma linha de crédito de US$15 mil milhões ao
Irão, o que é mais um golpe americano no acordo nuclear
internacional. A Alemanha foi advertida esta semana pelo senador
norte-americano Ted Cruz que seria atingida com sanções devido ao
projecto do gasoduto Nord Stream 2 com a Rússia.
Se alguma evidência adicional fosse necessária para demonstrar
quanto desprezo os EUA têm pelos "aliados" europeus, esta
semana houve uma multidão delas.
No entanto, os europeus mostram uma deferência estranha e
contraditória em relação a Washington. A União
Europeia esta semana prolongou sanções contra a Rússia
sanções essas que estão a prejudicar a economia
vacilante da Europa; sanções que foram motivadas primariamente
pelos EUA.
Uma nova era de multilateralismo e desenvolvimento multipolar está a
desenrolar-se diante de nós, quer os media ocidentais reconheçam
ou não. Essa nova era é sintetizada pela reunião
bem-sucedida de nações do Leste Asiático em Vladivostok
nesta semana.
O que também fica muito claro é que a era da hegemonia e de
tratar os outros como vassalos está a chegar ao fim. É
inviável, insustentável e indigna. O mundo não pode arcar
com o unilateralismo briguento dos EUA e dos seus subordinados europeus.
06/Setembro/2019
O original encontra-se em
www.strategic-culture.org/...
Este editorial encontra-se em
http://resistir.info/
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