A linguagem e a propaganda
por Daniel Vaz de Carvalho
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"No meio de uma feira, uns poucos de palhaços,
Andavam a mostrar, em cima de um jumento,
Um aborto infeliz, sem mãos, sem pés nem braços,
Aborto que lhes dava um grande rendimento".
"A palavra serve para esconder o pensamento".
Charles-Maurice de Talleyrand
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1 O conteúdo ideológico da linguagem
Quando os media falam da "comunidade internacional" referem-se a
posições da NATO, seus aliados e vassalos, como se a larga
maioria da população do mundo não tivesse direito a ter e
dar a conhecer a sua opinião, sendo constituída por
"bárbaros" no sentido greco-romano ou "estados
párias" no sentido do imperialismo atual. Não se trata
apenas de uma forma de dizer, mas de uma forma de pensar: a imperialista.
Segundo o marxismo a linguagem é um fenómeno social que permite a
comunicação entre os seres humanos, o resultado de um processo
mental, a expressão real e prática da consciência. A cada
palavra, a cada expressão, corresponde uma ideia. Sendo a linguagem um
meio de expressão de ideias e comunicação, quem controla a
linguagem controla as ideias. Os interesses das diversas classes sociais
não são, pois, indiferentes ou independentes da linguagem
procurando utiliza-la em proveito próprio expondo com um léxico
próprio as suas prioridades, os seus interesses.
Controlar o sentido das palavras é portanto controlar o pensamento,
controlar a perceção das pessoas sobre a realidade, dar às
questões que se colocam na sociedade o sentido pretendido por quem a
domina. Porém, quando o sentido das palavras corresponde a ideias
falsas, as sociedades vivem numa vasta teia de ilusões e inverdades,
conduzindo a um agravamento das contradições e à sua
decadência.
A propaganda é um dos aspetos da linguagem, diz respeito à
propagação ou vulgarização de ideias que determinam
comportamentos. Propaganda é uma técnica, ao serviço de
determinadas ideias, para as divulgar e incutir, mas também impedir que
se estabeleçam outras que se lhe oponham.
Não vale a pena os puristas escandalizarem-se com a propaganda. A
propaganda é necessária a qualquer sistema de ideias
políticas, religiosas, etc. A questão é o seu
conteúdo e em que sentido se exerce: a sua verdade, a conformidade com
princípios humanistas, a legítima defesa da soberania dos povos e
dos interesses populares. Porém, aquilo a que assistimos nas nossas
sociedades é o uso da informação como propaganda
instrumentalizada pelos objetivos imperialistas e oligárquicos.
Expressões correntes, como as
"reformas estruturais",
intensamente repetidas são eufemismos que mascaram a realidade,
funcionando como fórmulas de conteúdo mágico a serem
aceites como dogmas sem que se permita o seu exame.
Assim, refere-se o "regime comunista de Havana" (o que é uma
falsidade, em termos de definição do que seja o comunismo) ou o
"regime populista de Caracas", como se cumprir promessas eleitorais
em benefício da maioria fosse
"populismo",
associando as políticas progressistas da Revolução
Bolivariana à terminologia aplicada a partidos fascizantes. Porém
o sistema capitalista nunca é referido como um regime.
Tirania, ditadura, totalitarismo, significa que, independentemente do apoio
popular, o governo não segue o "Consenso de Washington".
"Levar a liberdade e a democracia" ao Médio Oriente a
África ou a qualquer outra parte do mundo, significa que um governo que
prejudicaria os interesses das
transnacionais
está sujeito a ingerência visando o seu derrube ou foram
desencadeadas ações de guerra tornando o país um
Estado disfuncional
e caótico.
"Mais Europa" significa mais burocracia, mais austeridade, mais
desigualdades, menos
soberania.
"É preciso liberalizar os mercados de trabalho caso
contrário o desemprego não se reduzirá" ou "o
desemprego resulta de elevados custos laborais e benefícios sociais,
relativamente ao que o mercado permite". Significa que se preparam medidas
que provocarão mais desemprego e pobreza.
Na realidade, o desemprego resulta de procura insuficiente e da falta de
investimento. A falta de investimento é, designadamente,
consequência de sistemas financeiros dedicados
à especulação
e livre circulação de capitais sem tributação para
paraísos fiscais.
"É necessário desenvolver o princípio da
confiança nos negócios privados, arredando da gestão
económica o Estado intrusivo e dirigista". Significa,
privatização de serviços públicos e sectores
económicos estratégicos, criando
monopólios
privados e capital rentista, com ausência de risco e
inovação, como as "parcerias publico privadas" (PPP).
"Combater o despesismo nos serviços de saúde, na
educação, na cultura, nos transportes públicos e permitir
a liberdade de escolha". Significa, ensino, saúde, cultura, para
quem poder pagar. Contudo, o conceito de desperdício e eficiência
desaparece do discurso vulgarizado por comentadores quando o lucro privado
é garantido por benefícios fiscais, rendas pagas pelo Estado e
utilizadores.
Quanto à cultura, que deveria servir para a difusão do mais puro
humanismo, foi entregue à disseminação de subprodutos
importados das transnacionais do sector ou seus sucedâneos.
2 - Conteúdos da mistificação linguística
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FORMA EXPRESSA
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CONTEÚDO
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Burocracia prejudicial à competitividade das empresas e aos
trabalhadores
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Movimento sindical
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Reformas estruturais
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Aumentar a exploração capitalista e a insegurança dos
trabalhadores
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Arcaísmos
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Direitos sociais conquistados pelos trabalhadores através de duras lutas
ao longo dos anos
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Mercado a funcionar
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Deslocalização de empresas, aumento do desemprego,
especulação financeira
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Promover a eficiência
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Fomentar a monopolização da economia e a penetração
das transnacionais
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Medidas corajosas e responsáveis
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Espoliação dos trabalhadores e pensionistas
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Flexibilizar e racionalizar o mercado de trabalho
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Fomentar a arbitrariedade patronal e a concorrência entre os
próprios trabalhadores na sua luta pela sobrevivência.
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Acabar com os privilégios
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Reduzir os direitos dos trabalhadores
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Exemplos da linguagem usada, para situações idênticas
quando o país
A
é considerado "aliado" dos EUA e o país
B
simplesmente não.
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SITUAÇÃO NO PAÍS A
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SITUAÇÃO IDÊNTICA NO PAÍS B
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Aliado, parceiro
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Satélite
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Manter a ordem
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Repressão sobre manifestantes pró-democracia
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As forças da ordem
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O aparelho repressivo do regime
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As autoridades
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As forças repressivas
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Distúrbios criminosos; vandalismo
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Manifestações contra o regime. Lutas pela democracia e direitos
humanos
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Terroristas
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Rebeldes. Combatentes da liberdade
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Oposição irresponsável que se automarginaliza
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Dissidentes que representam a vontade de todo o povo
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Critério editorial
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Censura
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Confrontos entre manifestantes e a polícia
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Violência sobre civis
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As manifestações degeneraram em confrontos
As forças
policiais viram-se obrigadas
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Brutal repressão abateu-se sobre os elementos pró-democracia
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Os incidentes provocaram vários feridos nas forças policiais...
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A repressão causou mortes e feridos entre os manifestantes
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Multidão; muitos milhares de pessoas
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Algumas centenas de apoiantes
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No país
A
para descrever as situações da primeira coluna a linguagem usada
ou a atitude comunicacional é a da segunda coluna:
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Tortura
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Combate à subversão
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Ausência de medidas de defesa da produção nacional
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Abertura aos mercados
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Poder político subordinado ao poder económico
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Democracia
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Voos da CIA com presos sem julgamento para centros de tortura
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Ignorar. Cortar a palavra se o tema for mencionado na rádio ou TV. No
limite considerar hipótese não confirmada lançada por
inimigos do mundo livre
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Repressão e crimes políticos na Colômbia, Peru, Honduras,
Guatemala, etc.
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Ignorar, nunca mencionar
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Ditadores mascarados de democratas
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Ignorar, nunca mencionar
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Golpes de Estado contra governos que defendem a soberania nacional
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Ações para salvar a democracia e contra o populismo
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Corrupção, especulação e fuga de capitais
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Livre empresa, mercado livre
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Capitalismo neoliberal, regressão social
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Democracia, sociedade aberta e competitiva
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Austeridade, redução de impostos para a finança e grandes
grupos económicos
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Políticas salutares e responsáveis. Fazer o que tem de ser feito.
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Matar civis
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Danos colaterais
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Bombardear cidades indefesas (como os nazis em Guernica)
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Intervenção humanitária. Derrotar a ditadura; exercer
pressão para o povo ficar em segurança.
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Perseguições políticas, milhares de pessoas torturadas,
assassínios em massa por governos apoiados pelos EUA e UE
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Ignorar, nunca mencionar
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Jornalistas, sindicalistas, ativistas sociais, assassinados em países da
América Latina
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Ignorar, afirmar repetidamente que em Cuba não há liberdade
[1]
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Neocolonialismo, dependência política e económica
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Integração económica, comércio livre,
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Quando amigos assumem o poder após golpe de Estado, conduzindo uma
política de perseguições e repressão.
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A democracia venceu
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Seita criminosa que governou o Camboja até ser derrubada em 1979 por
soldados da República Popular do Vietname e exilados principalmente do
Partido Comunista.
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Os "Khmers Vermelhos" comunistas
[2]
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Massacre de civis palestinianos pelo exército israelense.
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Confrontos na faixa de Gaza
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Disponibilizar informação revelando a face ocultada da
política interna e externa dos EUA.
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Atitude criminosa suspeita de apoiar e proporcionar ajuda a terroristas (caso
de Julian Assange, Chelsea (Bradley) Mannig, Edward Snowdown, por ex.)
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Tratamento cruel, injusto, supressão de direitos legais, aplicado a
Julian Assange (ex. Chelsea Manning)
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Ignorar, nunca mencionar
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No pais
B
para descrever as situações da primeira coluna a linguagem usada
é a da segunda coluna:
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Ações imperialistas de ingerência e aplicação
de sanções
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Promover a democracia
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Defesa da soberania nacional
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Isolacionismo reacionário e arcaico
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Planeamento económico democrático. Controlo do poder
económico pelo poder político
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Totalitarismo
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Preocupações sociais postas em prática
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Esquerda radical e populista
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Manifestações de apoio ao governo
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Ignorar. No limite, selecionar imagens que desqualifiquem o acontecimento.
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Indivíduos pagos por organismos de países estrangeiros para
conspirarem contra governos com apoio popular
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Dissidentes, lutadores pela democracia
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País que não faz o que os EUA pretendem
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Ameaça aos interesses do "ocidente"
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Nacionalização dos recursos naturais do pais, com o apoio da
maioria esmagadora da população e cumprindo promessas eleitorais.
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País que se encaminha para a ditadura. Estado pária.
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Mortes de civis em países atacados ou em consequência de
sanções económicas
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Ignorar, nunca mencionar ou culpar o "regime"
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Destruição e matanças cometidas por terroristas
financiados pelo império
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Sectores moderados, em luta pela liberdade e a democracia.
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Bombas de fragmentação e de urânio empobrecido. Morte de
centenas de milhares pessoas, na esmagadora maioria civis. O total é
avaliado em dois milhões, incluindo os danos causados pelas
sanções
[3]
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Intervenções humanitárias (ex. Jugoslávia,
Afeganistão, Iraque, Líbia, Síria, Somália,
Iémen, etc.)
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3 - Linguagem como estratégia de propaganda e manipulação
As estratégias de manipulação coletiva, visam deturpar os
significados, bloquear o espírito crítico e condicionar
mentalmente o ouvinte. Vejamos algumas destas estratégias:
Eufemismos
induzir ideias contrárias ao significado original das palavras, fazendo
passar por desejável o que seria recusado. (ex. Reformas Estruturais).
Oximoros
Com objetivo idêntico, colocar na mesma expressão conceitos
contraditórios.
Repetição
Bloquear o pensamento crítico através da intensidade repetitiva.
"Nos EUA a repetição de ecos (ecolalia) chama-se
debate" (Paul Craig Roberts)
Veemência e indignação
Mentiras, ditas desta forma, condicionam a procura da verdade. Particularmente
relevante quando se pretende um processo de desumanização e
diabolização, estabelecendo um clima de paranoia coletiva contra
um designado inimigo. A opinião pública foi desta forma preparada
para aceitar as agressões levadas a cabo contra a Jugoslávia,
Líbia, Iraque, Afeganistão, Síria, a russofobia, etc.
Dissociação
Exacerbar as consequências escamoteando as causas. Serve de
álibi para o "populismo" das várias direitas.
Distração
Desviar a atenção do que é socialmente importante com
informações irrelevantes.
Crise como oportunidade
Deixar desenvolverem-se ou provocar problemas para concretizar
soluções que seriam recusadas de outra forma (caso da austeridade
e das privatizações).
Faseamento
Políticas impopulares que seriam recusadas de imediato, são
aplicadas de forma gradual, à medida que vão sendo apresentadas
como realistas e sem alternativa. Promovendo a resignação pela
"habituação".
Evidenciação
Tornar evidente o que é falso através de erros do
raciocínio silogístico; tomar como verdades absolutas axiomas
dogmáticos e imagens que deturpam o real, etc. (ex. o Estado como
"boa dona de casa")
4 - A linguagem da calúnia
A linguagem da calúnia é de todas a mais perversa ao nível
da intoxicação mental, utilizada para diabolizar os que
não se submetem totalmente ao império.
Boatos são promovidos à categoria de notícia,
notícias falsas passam a factos com base nos quais
"comentadores" desenvolvem as suas arengas sem contraditório.
Os criminosos golpes na Indonésia, no Chile, foram precedidos da
calúnia: "os comunistas preparavam-se para assassinar os
militares", na Argentina ativadas pela AAA (Aliança Anticomunista
Argentina).
As guerras no Iraque, na Síria, na Líbia, na Jugoslávia
foram precedidas de calúnias. Tal como as sanções contra a
Venezuela e outros Estados. Fidel Castro teria sido um assassino, tal como
Nicolas Maduro, Kadafi, Milosevitch, etc., promovendo a repulsa do
cidadão desinformado por políticas progressistas e os
ódios de que se alimenta a extrema-direita.
[4]
Contra a China considerada o inimigo principal do império (com a
Rússia) procura-se desencadear no Xinjiang uma revolta da etnia uigure.
Alguns exemplos da calúnia em curso:
Uma uigure ensanguentada a quem um carrasco Han arranca as unhas.
Vídeo filmado em 2004 em Chicago com uma atriz.
Um bebé uigure com coleira, comendo de uma gamela para cão.
Foto divulgada em 2015 nas Filipinas pela (indigna) mãe da
criança.
Um uigure nu espancado no chão por um soldado. Espancamento de um
delinquente por um soldado indonésio em maio de 2017.
Viu-se uma uigure um pouco embaraçada para justificar a sua gravidez
depois de ter sido
esterilizada à força;
"desaparecidos" foram encontrados risonhos nas suas casas.
[5]
A cobertura internacional de notícias nos media ocidentais é
fornecida na quase totalidade por apenas três agências noticiosas
com sede em Nova York, Londres e Paris, definindo o tipo da linguagem e da
propaganda globais, ao serviço da oligarquia e do imperialismo.
Só o esclarecimento e a elevação da consciência
social do povo trabalhador, permitirão superar os efeitos da mentira e
da ininterrupta propaganda caluniosa. Só assim se desenvolverão
as raizes da esperança num futuro diferente e melhor.
Notas
1- O último jornalista assassinado pelo poder político em Cuba,
foi-o no tempo do ditador Batista, apoiado pelos EUA. Assassinatos de
jornalistas deram-se em países apoiados pelos EUA (por ex.
Colômbia, Honduras). Situações ignoradas pela Amnistia
Internacional e pelos "Reporters sem fronteiras".
2 - Os "khmers vermelhos" foram apoiados pelos EUA que os mantiveram
como guerrilha na Tailândia para derrubar o novo governo de
salvação e reconstrução nacional. Na ONU os EUA
não reconheceram o novo governo como representante do país,
apoiando a representação dos criminosos Khmers.
3 - No caso da Líbia o mandato da ONU para garantir a exclusão do
espaço aéreo das hostilidades entre governo e rebeldes e proteger
a população civil, resultou na morte de 40 a 60 000 civis devido
aos bombardeamentos da NATO.
4 - No caso da Jugoslávia o Tribunal Penal Internacional ilibou
postumamente o presidente da Sérvia, Milosevic, cujos alegados crimes
serviram de justificação para uma sementeira de ódios e
bombardeamentos que vitimaram milhares de civis.
5 - Théophraste R. (editor de
www.legrandsoir.info/
) Et si le mensonge photographique devenait trop difficile?, 17/08/2020
A deteção da falsidade das imagens foi feita com a
aplicação
InVID
(In Video Veritas).
Ver também:
La intoxicación lingüística. El uso perverso de la lengua
, de Vicente Romano, 185 p., 740 kB
Sobre o marxismo na linguística
, de Estaline, 1950.
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