Assange: Caso encerrado
por Rixstep
Assim, Julian Assange conseguiu finalmente submeter sua
declaração à evasiva Marianne Ny. As coisas correram quase
rapidamente levou apenas 74 meses. Mas agora está feito.
Sabotado até o último minuto pela bizarra promotora de Gotemburgo
que se dignou a reabrir uma investigação que já estava
encerrada por um promotor muito mais perspicaz, Assange foi abandonando,
naquele dia frio de Novembro, sem o seu conselheiro legal. O eminente Per E.
Samuelson, um dos principais juristas da Suécia e defensor de Assange,
foi deixado do lado de fora da Embaixada do Equador e não lhe foi
permitida a entrada. Isto porque sim Marianne Ny recusou-se a
colocá-lo na lista de assistentes.
Samuelson estivera muitas vezes em Londres para visitar Assange naquela
embaixada; Marianne Ny não podia ser irritada. Ela enviou, ao
invés, sua nova assistente, Ingrid Isgren.
A declaração de Assange foi devastadora. Um sumário de 19
páginas da sua perseguição às mãos de Ny,
que finalizou citando a sua única resposta a todas as perguntas
colocadas: que a resposta já estava na própria
declaração.
Assange entendeu as implicações (e perigos) de prosseguir sem
Samuelson, mas decidiu avançar de qualquer modo. Afinal de conta, ele
esperara apenas seis anos por esta oportunidade.
Este recurso do sítio
JA/WL
mostra em que medida cobrimos este caso. Publicámos mais de 800 artigos
ao longo de anos. Certamente o caso despertou um bocado de
atenção por causa do nome "Assange", mas quanto mais se
olhava para ele, e se olhava para a própria Suécia, mais se
percebia aquele fedor que toda a gente assume que vem da Dinamarca.
A Suécia é um país transformado, e não transformado
para melhor. Outrora um modelo de sociedade de que só se podia queixar
do clima, tornou-se uma confusão total, com um governo a substituir
outro e as coisas só a piorarem. Alguém tem de perguntar se isto
intencional.
As contradições na sociedade sueca são alucinantes, para
dizer o mínimo. E ao longo destes anos assistimos uma voz após a
outra ser silenciada de um modo ou de outro por tentarem falar abertamente
Pär Ström, Pelle Billing, Oscar Swartz e outros. A
ninguém foi permitido contradizer ou mesmo questionar a narrativa
dominante.
Está muito claro que a razão porque Assange foi enlameado e
perseguido dentro do insidiosos "tanque de patos" é que ele
fez com que os arrogantes (e relaxados) jornalistas parecessem mal. Jornais que
não podem imprimir sem uma inundação de gralhas. Artigos
de refinados colegas dos media globais, mas aguados para uns poucos
parágrafos vazios de poucas centenas de palavras. A ideia predominante
de que pensar por si próprio pode ser uma coisa perigosa.
Recorde-se, por exemplo, as palavras do repórter legal do [grupo de
media] Bonnier a qual, quando lhe perguntarem o que pensava do caso Assange,
disse "nada e encorajo o povo sueco a fazer o mesmo".
O país afastou-se dos dias rebeldes de Olof Palme, que ousava chamar a
uma espada de espada e nunca recuava diante do poder, sempre pronto a falar a
verdade. Hoje, a Suécia é como 51º estado nórdico da
união, rigorosa e totalmente alinhada com a política neocon dos
EUA. Foi a Suécia que ajudou a CIA a sequestrar dois dos residentes
legais no país para as câmaras de tortura do Egipto, um movimento
calculado com habilidade, efectuado nos feriados do meio de Inverno quando a
maior parte dos responsáveis e dos jornalistas desfrutavam as suas seis
semanas de férias. Esta é a Suécia que hoje é
tão perigosa.
O antigo primeiro-ministro da Suécia é autor de um livro
tão mal escrito que uma garota do infantário provavelmente faria
melhor. Ele foi removido das bibliotecas públicas antes da sua campanha
para a eleição. (Este sítio traduziu e publicou os dois
capítulos mais importantes.)
O actual primeiro-ministro sueco é um homem que não queria ser
primeiro-ministro. De facto, a sua tarefa fora descobrir o candidato do
partido. O seu antecessor no partido foi deixado de lado porque as feministas
do partido pensavam que o seu bigode era demasiado "masculino". Como
nenhum candidato para substituí-lo podia ser encontrado, pediram ao
actual primeiro-ministro que concorresse ao gabinete e ele inicialmente
recusou-se e foi preciso algum trabalho para fazê-lo mudar de
ideia.
Uma mulher que fora a mais popular política do país foi chamada
para voltar de Bruxelas a fim de reforçar a legenda do partido, mas
não demorou muito até ela também ser capaz de entranhar-se
na corrupção. Mas um outro antigo candidato a primeiro-ministro
foi mais uma vez apanhado com os dedos no pote e forçado a
demitir-se da sua posição no gabinete.
E assim por diante. A Suécia de hoje não é a Suécia
de antigamente. Quando neste sítio vimos Rick Falkvinge anunciar a vinda
de Assange para o nosso país, manifestamos nossos temores. O que
descobrimos na manhã de sábado 21 de Agosto de 2010 foi
terrífico. Ao longo de todo o Outubro, como a história e o caso
continuavam, aprendemos, cada vez mais, acerca do país a que chamamos
lar, um país que pensávamos ter toda a razão para estarmos
orgulhosos.
A Suécia passou há muito do reino do censurável e,
através do reino do irracional, directamente para o domínio do
ridículo. A Suécia de hoje não apenas uma caricatura de si
própria, é mais é uma caricatura de uma caricatura
de si própria, desprezando a razão e desprezando desculpas ou
explicações e indigna de esquecimento. Nenhum país
saiu tanto do seu caminho para chegar a um tal ridículo.
Houve um tempo em que era motivo de orgulho viajar pelo mundo com um passaporte
sueco. Hoje, seria preferível que os outros não saibam o
país de origem. A Suécia foi vendida a saldo
politicamente, socialmente, financeiramente e sobretudo judicialmente. Um olhar
mais atento à actual mecânica do sistema judicial sueco revela um
regime Mickey Mouse, com sessões do Supremo Tribunal a tratarem de
questões extremas com álcool e pelo menos um caso de
assédio sexual de menores. Descobre-se um sistema que ainda não
descobriu o julgamento por júri, mas utiliza nomeados políticos
para decidir e estes nomeados, quando passaram por testes rudimentares de
jurisprudência elementar da Universidade de Estocolmo, falharam
miseravelmente, chegando a 2/3 de respostas erradas. Foi então
descoberto que muitos destes nomeados têm registos criminais, que o
sistema nunca considerou verificar registos criminais e que as pessoas
responsáveis por esta confusão dizem que não sentiram isto
era necessário. Assim, não foi excessivo Assange dizer que, pelo
que ele viu, a justiça sueca era uma confusão.
Tumultos e vandalismo são desenfreados. Assassinatos acontecem por toda
a parte. Ninguém pode estar seguro. Bombas terroristas em centros
comerciais. Assassinato em campos de refugiados. Suborno a rodos no Complexo
Industrial de Refugiados do país.
Lares para idosos transferidos para interesses comerciais sediados nas Ilhas
Caimão. Pensionistas abandonados nos corredores ou despejados no freio,
deixados a morrer.
O país com impostos notoriamente elevados incapaz de retribuir a
pensionistas, classificados agora como os segundos mais pobres na UE.
Cozinhas públicas no centro de Estocolmo, a capital da mais famosa
utopia do mundo.
Uma escassez de habitação que merece um registo no Guinness Book
of Records. Mais da metade da população a viver não nos
seus próprios lares, mas em apartamentos. O acesso a apartamentos para
arrendar sendo vendido no mercado negro. O mercado negro imobiliário
é tão comum que é mais ou menos aceite.
A Suécia é o que [a rede social] Tumblr encararia como se fosse
um país, satirizando o famoso vídeo-blog "Angry
Foreigner", ele próprio um refugiado da Bósnia, num clip You
Tube que se tornou viral.
Desde 2006 é legal para os media suecos disfarçarem propaganda
como notícia real e não é mais necessário dar igual
quantidade de tempo a visões opostas. Os media suecos concentram ou
filtram qualquer coisa que ameace as narrativas oficiais. Qualquer media que
ousasse incluir notícias "inconfortáveis" seria
imediatamente classificado como "racista" e evitado pelo povo sueco
como um todo. A WikiLeaks outrora cometeu o erro de ligar-se a um tal
sítio, onde o artigo em causa era meramente um agregado de links
publicados alhures nos media "politicamente correctos" e eles foram
violentamente repreendidos. O mesmo artigo, palavra por palavra, foi reimpresso
por um sítio anglo-russo e não houve uma única palavra de
protesto. O poder que os media corporativos (MSM) têm sobre a cidadania
é assustador.
Trata-se de media corporativos que investigarão desesperadamente por
tempestades na chávena de chá dentro de casa e ignorarão
os furacões reais no exterior. Os media do grupo Bonnier, nestes dias,
ainda não informaram a cidadania sobre as atrocidades que se verificam
no Donbass e só tratam de evasões de vulto quando pessoas querem
saber quem toma conta dos milhões de refugiados daquela área.
E assim por diante.
E dentro destas poções de bruxas na quarta-feira 11 de Agosto de
2010 pôs o pé um Julian Paul Assange, completamente inconsciente,
tal como a maior parte das pessoas, do que acontecia ao reino da rainha sueca.
E, como as infames mensagens dos media corporativos mostram agora, ele é
explorados ao máximo por duas mulheres egoístas, a comportarem-se
como fãs, incapazes ou talvez desinteressadas do entendimento do quadro
mais vasto e das horríveis ramificações do seu
comportamento irresponsável. Quando confrontado no
Riddargatan
na "segunda-feira seguinte", fora dos gabinetes do seu advogado Leif
Silbersky, pela loira "repórter itinerante" do
Expressen,
e perguntado se suspeitava de uma conspiração, Assange disse que
era um conjunto de conspirações ao invés de apenas uma, e
isso é admirar mesmo que não soubesse quão correcto estava
e porque. Das fãs que se transformaram de rivais em co-conspiradoras,
às hienas dos jornais que estavam desejosas de sacrificar alguém
por amor ao grande furo, aos políticos que queriam mostram aos EUA
quão alto eles podem saltar, ao militares que tinham suas
próprias tropas no Afeganistão e acreditam secretamente na
hegemonia mundial dos EUA, é na verdade uma fedorenta
poção de bruxas.
Não há muito que Marianne Ny ou seus superiores possam fazer neste
momento. Não há muito da entrevista de Assange que precise ser
traduzida, cerca de dois dias, a resposta a toda e cada uma das questões
perguntadas foi a mesma.
O caso Assange não está oficialmente encerrado, mas a
evidência, como tal, foi submetida. Os protocolos policiais completos,
tal como submetidos por Marianne Ny aos tribunais na Suécia para o
objectivo de emitir a Alerta Vermelho
(Red Notice)
[da Interpol], estão publicados neste sítio e foram tomados como
documentação pelos tribunais britânicos. E finalmente o
mundo tem a versão do próprio Julian Assange dos acontecimentos,
isto após uma espera de seis anos. Finalmente.
A verdade virá à luz, a verdade vencerá. O que acontecer a
partir deste ponto será julgado esta luz.
A verdade virá à luz, a verdade vencerá. Não deixe
jornalista algum especular outra vez quanto ao que dizem os protocolos.
Após seis meses de escavação e as pessoas no
Flashback
têm os documentos reais. A sordidez impressa por pasquins tais como o
Daily Mail, Sweden's Aftonbladet e Expressen
e, talvez o mais tóxico de todos, Nick Davies do
Guardian,
já não mais se sustem. Mais ainda: estes documentos são
uma acusação às "organizações de
notícias" que imprimiram imprecisões deliberadas o tempo
todo ou ainda pior: recusaram-se a imprimir qualquer coisa de tudo isto. O
relato de Nick Davies dos protocolos foi maliciosamente distorcido; tanto o
Aftonbladet
como o
Expressen
dispunham de cópias prévias e nada imprimiram.
Ver também:
UN rejects UK appeal on Assange
(ONU rejeita recurso do Reino Unido acerca de Assange)
O original encontra-se em
http://rixstep.com/2/1/20161223,00.shtml
e em
https://wlcentral.org/node/2982
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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