Revisão:
O desenvolvimento do pensamento económico socialista
por Paul Cockshott
Dobb foi o mais eminente economista político marxiano da
Grã:-Bretanha
nos meados do século XX. Ele escreveu activamente desde o
princípio dos anos 20 até a década de 1970. Neste curto
livro
[1]
, Brian Pollitt reuniu um certo número de publicações do
último período da vida de Dobb, algumas das quais nunca haviam
aparecido antes em inglês. Consideradas em conjunto, elas proporcionam
uma iniciação reveladora ao pensamento de um marxista ocidental
erudito quando tentava relatar e considerar os debates económicos que
naquele tempo decorriam na Europa do Leste .
É impossível agora ler estes artigos sem um certo sentimento de
emoção provocado pela visão retrospectiva. Dobb morreu em
1976, uns meros 15 anos antes da crise final do socialismo existente até
então. Os tópicos que ele discute nestes ensaios o papel
do mercado versus plano, centralização versus
descentralização, políticas de preços, etc
ganharam destaque durante o período de Gorbachov e do processo
revolucionário do fim da década de 1980. Ninguém pode ler
os comentários de Dobb das décadas de 1960 e 1970 sem reflectir
sobre a trajectória política final das "reformas"
então em curso que ele discute. Ao mesmo tempo é-se confrontado
com os limites reais da conceptualização e da política que
existiam naqueles dias. Pode-se ver como os argumentos da escola da reforma,
argumentando pelo enfraquecimento das disciplinas do plano e por um papel maior
para as forças de mercado dentro das economias socialistas teriam
parecido plausíveis mesmo para Dobb. Digo mesmo para Dobb porque nas
décadas anteriores ele foi um forte defensor dos benefícios do
planeamento socialista e porque a última página do seu artigo
sobre planeamento revela que a sua concessão ao mercado permaneceu
relutante.
No decorrer da minha revisão criticarei o que, em retrospectiva, parecem
fraquezas nos argumentos de Dobb. Mas isto não significa que não
se deveria ler este livro. Ele vale bem a leitura, a fim de entender o debate
sobre teorias económicas socialistas trinta ou quarenta anos
atrás.
1. PENSAMENTO SOCIALISTA
A colectânea começa com o ensaio
Socialist Thought
(1968) que, em resumo, cobre a maior parte dos tópicos tratados no
resto do livro. Um dos pontos reveladores salientados por Dobb é que o
slogan "de cada um segundo a sua capacidade, a cada um segundo a sua
necessidade", popularmente atribuído a Marx, foi de facto
avançado pela escola de Saint-Simon. Quando, em 1875, Marx utilizou a
frase na sua
Crítica do Programa de Gotha,
ele estava a referir-se ao que já era corrente no movimento socialista.
O ensaio de Dobb é geralmente informativo e preciso até que
chegamos à sua explicação da
Crítica do Programa de Gotha,
de Marx. Dobb diz:
Os socialistas da escola marxiana sempre falaram (desde que Marx escreveu a sua
Crítica do Programa de Gotha
) de duas etapas do socialismo, uma inferior e uma superior. Nesta
última, embora os rendimentos do trabalho constituíssem a
única categoria de rendimento, e as desigualdades devidas à
existência do rendimento da propriedade tivessem desaparecido, algumas
diferenças no rendimento ainda permaneceriam devido à necessidade
de diferenciar salários de acordo com a quantidade e espécie de
trabalho executado. (Dobb, The Development of Socialist Economic Thought,
página 52)
De notar que Dobb não diz que esta visão é do
próprio Marx, mas sim a da escola marxiana. Não sei se esta
qualificação foi deliberada, mas vejo neste sumário duas
distorções significativaa do que Marx escreveu na
Crítica
do Programa de Gotha.
A primeira é a noção de duas etapas
do socialismo
[2]
. Será que Marx falou de duas etapa de socialismo, ou duas etapas de
comunismo?
Trata-se apenas de uma palavra, você pode dizer. Socialismo, comunismo, o
que importa? Bem, importa um bocado no contexto do que Dobb estava a escrever.
O movimento comunista oficial fez uma distinção aguda entre
socialismo, quando a distribuição tinha de ser desigual, e
comunismo, onde o princípio de "de cada um de acordo com a sua
capacidade, a cada um de acordo com a sua necessidade" prevaleceria.
Mais uma vez podemos perguntar: será que importa se falamos de duas
fases de socialismo, duas fases de comunismo, ou uma fase socialista seguida
por uma fase comunista?
Bem, penso que importa. Se se olhar o que Marx descreveu como a primeira fase
do comunismo "tal como ela emerge da sociedade capitalista",
vê-se que era muito diferente do socialismo da URSS. Ao longo do livro
Dobb assume que uma economia socialista deve manter o dinheiro, mas Marx
não escreveu nada de dinheiro e sim de certificados de trabalho
[3]
. E não há qualquer menção em Marx a
diferenças em rendimento devido à espécie de trabalho
desempenhado. Marx reconheceu que haveria diferenças no rendimento per
capita devido a
-
diferenças na
intensidade ou duração do trabalho efectuado
-
diferenças no tamanho da família
A única diferenciação que Marx e Engels concederam
é aquela baseada numa diferença mensurável na
produtividade
[4]
. Se Joe Stakhanov completa em meia hora uma tarefa na qual o Joe médio
completa em uma hora, então Stakhanov obtém como pagamento uma
Hora certificada plena pela sua meia hora de trabalho. Mas eles não
mencionam diferenças na "espécie" de trabalho. A
noção de que diferentes espécies de trabalho deveriam ser
pagas diferentemente permite a introdução pela porta traseira de
todo tipo de diferenciação de classe
[5]
. Na URSS, por exemplo, "espécies" de trabalho que eram
predominantemente desempenhadas por mulheres eram menos bem pagas do que
aquelas "espécies" predominantemente desempenhadas por homens.
Na sociedade capitalista a forma de extracção do trabalho
excedente é ocultada pelo contrato monetário sobre
salários. Tudo parece estar baseado na troca livre e igual. É
apenas a análise do processo geral de produção em termos
de trabalho incorporado que revela uma exploração real por
trás desta igualdade aparente. Os salários em dinheiro
desempenham um papel análogo ao obscurecer os fluxos reais de trabalho
entre pessoas no socialismo até então existente.
Dobb estava correcto ao dizer que a maior parte dos socialistas da escola
marxiana haviam assumido que dinheiro e salários diferenciados estariam
presentes no socialismo, isto era a ortodoxia estabelecida por Kautsky em
The Class Struggle
(Programa de Erfurt) já em 1888
[6]
. Mas Dobb não se justifica ao atribuir implicitamente esta visão
a Marx e a Engels.
2. PLANEAMENTO
Dobb foi um forte defensor do planeamento durante a maior parte da sua vida. O
artigo sobre planeamento dá algum entendimento de como com o tempo ele
veio a, parcialmente, modificar as suas visões. Ele dá um bom
resumo acerca dos debates teóricos que envolviam Mises[vM35].
Lange[Lan38] e Dickinson[Dic33] até a década de 1930 antes de
continuar a verificar como, no período do pós guerra, a
atenção foi mudada dos problemas do equilíbrio
económico para o de alcançar um crescimento rápido nos
países subdesenvolvidos. As próprias experiências de Dobb
como economista a trabalhar na Índia recém independente exerceram
uma influência óbvia sobre ele. Ele faz uma defesa geral do
planeamento como um meio efectivo de escapar ao subdesenvolvimento.
A seguir examina o planeamento soviético, tal como se desenvolveu a
partir do fim da década de 1920. Ele destaca a extensão em que o
primitivo planeamento soviético confiou no que eram essencialmente
metáforas militares: campanhas, impulsos, concentrações de
forças, etc. Ao olhar para trás, pode-se pensar que isto é
apenas mais um exemplo de como a experiência da Grande Guerra moldou o
pensamento de toda uma geração através da Europa. Este
modo metafórico de pensamento deve ter brotado naturalmente naqueles que
atravessaram aquela guerra e a Guerra Civil Russa que se seguiu. Dobb mostra
como o modo militar de pensar foi realmente bastante efectivo nas tarefas
estabelecidas pelos primeiros Planos Quinquenais. A noção de
sectores prioritários chaves, aos quais tinham de ser
distribuídos recursos de preferência a quaisquer outros, funcionou
bem no acelerar da industrialização, embora este modo militar de
pensamento fosse totalmente estranho a um economista moderno. Alguém
poderia acrescentar, embora Dobb não o faça, que a
noção de sacrifício patriótico para o bem maior do
país, tão corrente em tempos de guerra, também podia ser
utilizada para as tarefas da industrialização socialista. Isto
mais uma vez é uma forma de motivação pessoal bastante
estranha à teoria económica neo-clássica, mas uma forma
sem a qual a primeira metade do século XX torna-se
incompreensível.
Ele explica o sistema de balanços materiais utilizado pelos planeadores
soviéticos e como estes diferiam do formalismo da tabela de
input-outuput desenvolvida posteriormente por Leontief. Isto é
interessante porque embora o sistema de balanços materiais seja
mencionado frequentemente, é raro ver uma explicação de
como isto difere das tabelas input-output. Sob muitos aspectos eles parecem
semelhantes às antigas propostas de Neurath baseadas nas suas
experiências de economia de guerra das Potências Centrais[Neu04].
Ele também destaca o facto de que, com os recursos administrativos e
computacionais então disponíveis, só era possível
calcular no máximo até o 2º ou 3º nível as
implicações de uma mudança no consumo de recursos. Mas,
como ele diz, isto ainda é mais do que uma economia de mercado poderia
administrar, mesmo se não chegasse àquilo que em princípio
se poderia fazer com uma tabela input-output plena.
Dobb destaca o êxito do planeamento soviético utilizando estes
métodos durante o período de crescimento económico
extensivo, quando a oferta de trabalho não era um problema. Quando a
economia amadureceu, desenvolveu-se ali uma necessidade de pilotar a economia
através de um período de crescimento intensivo onde
utilizações alternativas de trabalho e a
classificação desde tornava-se importante. Ele atribuiu a baixa
no crescimento na década de 1960 a esta mudança do
desenvolvimento extensivo para o intensivo. Isto, naturalmente, não
é algo específico da URSS. Toda a 2ª geração e
posteriores em economias a industrializar-se enfrentam um processo semelhante.
Durante a primeira fase elas podem expandir-se a uma taxa exponencial
rápida
devido à aplicação de grandes reservas de trabalho
camponês às tecnologias industriais importadas. Há um
relacionamento profundo entre isto e a tendência da taxa de lucro a cair
em economias capitalistas quando as suas reservas internas de trabalho
são consumidas (ver gráfico). Ele também destaca a escala
crescente do problema do planeamento. Na
década de 30 apenas umas poucas centenas de produtos eram cobertos pelo
método dos balanços materiais. Na de 50 este número havia
ascendido a
2000, com 10 mil produtos sendo cobertos pelo sistema de oferta central. Mas
havia consideravelmente mais produtos distintos sendo produzidos do que isto
uma vez que havia pelo menos 40 mil diferentes fábricas que estavam
sujeitas ao plano e cada uma tenderia a produzir vários produtos.
Nesta etapa tornava-se cada vez mais difícil para os planeadores
conseguir produzir planos plenamente desagregados. Uma vez que o GOSPLAN
não podia exaustivamente especificar de modo exacto quanto de cada
produto era para ser entregue, as directivas às empresas agora
começavam a ser dadas em termos agregados. A agregação
podia ser por peso, como por exemplo com produtos de aço, ou em termos
monetários. Isto deu origem a todo um novo conjunto de problemas. Uma
especificação de que uma fundição produzisse tantas
toneladas de barras de aço não especificava o mix a ser
produzido. Haveria uma tentação de simplesmente produzir montes
das barras de grau mais pesado. Mas mesmo com a melhor vontade, seria apenas
uma questão de sorte se o mix entregue fosse o apropriado. Esta
espécie de más combinações levou a exigências
de que métodos "económicos" ao invés de
"administrativos" fossem utilizados. Foi sugerido que as empresas
deveriam ser descentralizadas, trabalhando numa base de contabilidade de
custos, objectivando fazer um lucro sobre os seus investimentos em activos
proporcionados pelo estado. Se isto fosse feito então teriam de ser
cobrados juros e os preços utilizados teriam de reflectir o
relacionamento real da oferta e procura. O sentido destes
pedidos era mover rumo à espécie de socialismo de mercado que
Lange propusera na década de 1930.
Dobb documenta como isto estava a emergir como uma tendência por todo o
Pacto de Varsóvia (ele silencia o que estava a acontecer na China). E
parecia resignado a aceitar. Não parecia pensar que valesse a pena
examinar o que implica o ressuscitar de relações de mercado. Como
é que a existência de relações mercantis numa e
economia socialista se enquadra com a descrição de Marx da
produção mercantil e do valor de troca como algo que decorre da
combinação da produção social e da
apropriação privada?
As relações da mercadoria e da moeda não são formas
sociais que nos dizem alguma coisa acerca da forma de sociedade nas quais elas
existem?
Como uma economia do tipo proposto por Sik difere do simples capitalismo de
estado?
O que foram as implicações de uma tal economia para a estrutura
de classe da sociedade?
Dificilmente Dobb poderia alegar ignorância acerca destas
questões. Ele era um eminente académico da economia
política marxiana e clássica. Devia ter estado bem consciente da
derivação de Marx da forma mercadorias. Certamente estava
consciente dos debates continuados entre Sweezy[SB71] e Bettleheim[Bet70], para
mencionar apenas os mais eminentes economistas marxistas ocidentais que
discutiam estas questões?
Se bem que se possa agora dizer que nem Sweezy nem Bettleheim propuseram
finalmente políticas alternativas satisfatórias, a sua
discussão de tais questões mostrava significativamente mais
sagacidade política do que Dobb. Que a aceitação de Dobb
das propostas de Sik/Liberman foi relutante pode ser visto na sua
citação final de Lange[Lan67]. Nesta Lange argumenta que
relações de mercado estavam a tornar-se cada vez mais redundantes
pelo avanço da tecnologia computacional. O computador permitia que
decisões de planeamento racional fossem tomadas na ausência de
mercados. Dobb reconhece que isto é verdade no abstracto mas replica que
o computador utilizado para compor tabelas input-output podia no máximo
manusear cerca de 100 diferentes tipos de produtos. Ele cita a tabela
soviética de I/O de 1959 como sendo uma matriz de 153x83. Uma tal tabela
I/O implica uma agregação muito considerável com todos os
perigos que a acompanham.
Uma tabela daquela dimensão implica uma exigência de armazenagem
de uns 64 kilobytes (levando em conta os comprimentos de palavra do
computadores soviéticos então correntes). É bastante
plausível que este fosse o limite do que poderia ter sido
alcançado pela tecnologia do fim da década de 1950. Nos meados da
de 1970, quando os últimos artigos de Dobb foram escritos, os
computadores de topo dos EUA, como o Cray 1, eram confirmadamente capazes de
resolver um plano desagregado para uma economia da dimensão da
soviética. É verdade que devido à política errada
de simplesmente copiar
mainframes
IBM para fazer o chamado Conjunto Unificado,
de computadores Comecon, as capacidades computacionais soviéticas na
década de 70 estavam consideravelmente atrás do Cray. Mas ainda
assim teriam sido capazes de manusear problemas de planeamento consideravelmente
maiores do que os exemplos que Dobb cita de 15 anos antes. Se a
realização do planeamento pormenorizado in natura houvesse sido
estabelecido como um objectivo nacional, então é bastante
possível que no fim da década de 70 os desenhadores
soviéticos de computadores tivessem produzidos máquinas com
potência suficiente. Agora, naturalmente, computadores com as capacidades
necessárias estão prontamente disponíveis no mundo todo.
Ninguém pode negar que Dobb estava a relatar um dilema real relativo
à capacidade então existente da economia soviética para
planear. Ele também apresenta um relato razoável do debate tal
como este era visto nos países do Comecon. Mas em
comparação com Bettleheim e Sweezy ele foi menos perspicaz quanto
aos perigos sociais das propostas Sik/Liberman. Em comparação com
Lange ele foi menos perspicaz na sua apreciação do potencial da
tecnologia da informação. Se alguém ler Dobb deveria
também ler os seus contemporâneos mais perspicazes.
Referências
[Bet70] C. Bettelheim.
Calcul économique et formes de propriété.
F. Maspero, 1970.
[CCMW09] AF Cottrell, WP Cockshott, GJ Michaelson, and IP Wright. Classical
econophysics. 2009.
[Dic33] HD Dickinson. Price Formation in a Socialist Community.
The Economic Journal,
43(170):237250, 1933.
[Lan38] Oscar Lange.
On the Economic Theory of Socialism. University of Minnesota Press,
1938.
[Lan67] Oscar Lange. The computer and the market. In
Socialism, capitalism and economic growth: essays presented to Maurice Dobb.
Cambridge University Press., 1967.
[Mar70] K. Marx. Marginal Notes to the Programme of the German Workers'
Party [Critique of the Gotha Programme].
Marx and Engels Selected Works,
3, 1970.
[Neu04] Otto Neurath. Economics in Kind, Calculation in Kind and their
Relation to War Economics. In Thomas Uebel and Robert Cohen, editors,
Economic Writings.
Kluwer, (1919) 2004.
[SB71] P.M. Sweezy and C. Bettelheim.
On the transition to socialism.
Monthly Review Pr, 1971.
[vM35] L. von Mises. Economic calculation in the socialist commonwealth.
In F A Hayek, editor,
Collectivist Economic Planning.
Routledge and Kegan Paul, London, 1935.
[Zac08] David Zachariah. Determinants of the average profit rate and the
trajectory of capitalist economies. In
Probabilistic Political Economy,
2008.
Notas
1.
The Development of Socialist Economic Thought: selected essays by Maurice Dobb
, editado por Brian Pollitt, Lawrence and Wishart, 2008
2. Ao referir-se à primeira etapa Marx escreveu:
O que temos de tratar aqui é de uma sociedade comunista, não
quando ela desenvolveu os seus próprios fundamentos mas, ao
contrário, quando acaba de emergia da sociedade capitalista; a qual
está portanto sob todos os aspectos economicamente, moralmente e
intelectualmente ainda estampada com as marcas de nascimento da velha sociedade
de cujo ventre ela emerge. Consequentemente, o produtor individual recebe em
retorno da sociedade depois de terem sido feitas as
deduções exactamente o que ele dá a ela. O que ele
deu a ela foi o seu quantum individual de trabalho. O trabalho social
diário, por exemplo, consiste da soma das horas individuais de trabalho;
o tempo de trabalho individual do produtor individual é a parte do
trabalho social diário com que contribuiu, a sua
participação nele. Ele recebe certificado da sociedade de que
forneceu tal quantidade de trabalho (após dedução do seu
trabalho para os fundos comuns) e com este certificado ele retira do stock
social de meios de consumo tanto quanto o mesmo montante de custo do trabalho.
O mesmo montante de trabalho que ele deu à sociedade em uma forma ele
recebe de volta em outra. [Mar70]
3. Esta utilização de certificados de trabalho ao invés de
dinheiro foi enfatizada dois anos depois por Engels em
Anti-Dhuring
Parte 3 capítulo 4.
4. Ver por exemplo:
Um ferreiro não qualificado pode fazer cinco ferraduras no tempo em que
um ferreiro qualificado faz dez. Mas a sociedade não forma o valor a
partir da acidental falta de qualificação de um indivíduo,
ela reconhece como trabalho humano geral apenas o trabalho de um grau
médio normal de qualificação num momento particular. Nas
troca portanto, uma das cinco ferraduras feitas pelo primeiro ferreiro
não tem mais valor do que uma das dez feitas pelo outro em igual tempo.
O trabalho individual contem trabalho humano geral apenas na medida em que
é socialmente necessário. (Engels, Anti-Dhuring, parte 3,
capítulo 4)
Engels estava a ridicularizar Duhring exactamente por introduzir esta
espécie de diferenciação de espécies de trabalho:
No entanto, o "princípio universal de justiça"
não deve de qualquer modo ser confundido com aquele nivelamento baixo
que faz os burgueses oporem-se tão indignadamente a todo comunismo e
especialmente ao comunismo espontâneo dos trabalhadores. Não de
modo algum tão inexorável como poderia parecer.
"igualdade em princípio de direitos económicos não
exclui a adesão voluntário ao que a justiça requer como
expressão de reconhecimento especial e honra... A sociedade honra-se a
si próprio ao conferir distinção aos mais elevados tipos
de capacidade profissional através de uma moderada
distribuição adicional para consumo" {267}.
E o Senhor Dühring, também, honra-se a si próprio quando, ao
combinar a inocência de uma pomba com a subtileza de uma serpente
[Mateus 10:16. Ed.], mostra tão tocante
preocupação quanto ao moderado consumo adicional dos
Dührings do futuro.
(Anti Duhring, parte 3, capítulo 4)
6. No Capítulo 4, parte 9, por exemplo, Kautsky escreve:
Todas as formas modernas de remunerações com pagamento de
salário fixado, salário por peça, salários por
tempo, bónus todas elas são reconciliáveis com o
espírito de uma sociedade socialista; e não há nenhuma
delas que não possa desempenhar um papel na sociedade socialista, tal
como as vontades e os costumes dos seus membros, juntamente com as necessidades
da produção, podem exigir. (citação do Marxist
Intenet Archive edição de
A luta de classe
).
Outros trabalhos do autor em resistir.info:
Notas sobre como o sector financeiro realmente funciona
Notas sobre o Jubileu: Resolver a crise financeira com cancelamento de dívida
O original encontra-se em
http://mltoday.com/
. Tradução de JF.
Esta revisão encontra-se em
http://resistir.info/
.
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