por Laura Alicia Garza Galindo
Nos últimos anos, as empresas transnacionais do ramo alimentar
realizaram fusões com o propósito de controlar a
produção de sementes, os agroquímicos, fertilizantes e
outros insumos para a produção agrícola, especialmente a
cerealífera, sua armazenagem e comercialização; pretendem
inclusive actuar nos padrões de consumo.
Não é superior a
10 (dez) o número destas empresas: sete estadunidenses Philip
Morris, Cargill, Pepsicola, Coca-Cola, Conagra, RJR Nabisco e Anheuser Bush
Nestlé, suíça, Unilever, holandesa; e Danone,
francesa. O controle tem sido crescente e os Estados Unidos
contribuíram para isso ao afastar da competição os
pequenos e médios agricultores de uma infinidade de países, com
práticas de comércio desleal e concedendo grandes
subsídios agrícolas às empresas mencionadas.
O EXTERMINISMO DO CAPITAL MONOPOLISTA
Assim, o controle genético, a biodiversidade e a tecnologia são
os instrumentos utilizados, não a fim de contribuir para erradicar a
imensa pobreza e a fome que imperam no mundo subdesenvolvido, e sim para
ampliar os já enormes lucros dessas empresas. Neste plano, a partir de
1998 uniram-se o governo estadunidense e a empresa Delta and Pine a fim de
desenvolver uma nova técnica bioagrícola a mesma que
patentearam que cria sementes dos grãos mais consumidos no mundo,
os quais ficam impedidos de reproduzir-se, destruindo assim o costume dos
agricultores de guardar uma parte da sua colheita para usá-la na
semeadura seguinte, deslocando as sementes nativas e monopolizando a venda.
Desde há tempo conseguiram o seu propósito: só há
alimentos se se comprarem essas sementes. Precisamente porque detonaram a
infertilidade destas é que foram chamadas
terminator
pelos grupos ecologistas.. Biólogos moleculares advertem do risco de
que a função exterminadora do genoma que é o
conjunto dos genes saia do controle e se transmita a outros cultivos
mediante a polinização. Esta propagação gradual da
esterilidade cerealífera, principal componente no consumo de imensos
grupos no mundo, poderia tornar-se uma catástrofe mundial, que arrasaria
a vida no planeta.
Durante alguns anos a aplicação da técnica manteve-se em
moratória. Contudo, a Monsanto, uma indústria química
estadunidense fundada em 1901, que ao longo da sua história foi
assinalada pelo uso de produtos tóxicos e cancerígenos
(também é a maior produtora de sementes transgenicas no mundo),
ao confrontar-se com a comunidade agrícola pela utilização
não autorizada das suas sementes, decidiu que era tempo de que o
terminator
cuja patente adquiriu ao comprar a já mencionada empresa Delta
and Pine, inventora e proprietária da técnica para produzir a
infertilidade nas sementes ressurgisse e fosse comercializado.
Imediatamente os Estados Unidos, Canadá, Argentina e Brasil viram-se
invadidos por estas sementes, processo irreversível.
Contudo, a recusa de muitos países em adquirí-la
especialmente os europeus travou suas ambições, deixando-a
com grandes stocks. Mas a Monsanto não cedeu e continuou com as
fusões: adquiriu a Dekalb e Holden, grande produtora de milho dos
Estados Unidos; a Sementes Agroceres, uma das maiores produtoras desse
grão no Brasil, e grande parte da Cargill, a maior comercializadora de
sementes no mundo.
No México, os anúncios não só da Monsanto como de
outras grandes empresas envolvidas no assunto podem ser vistos ao longo das
nossas estradas e a sua estratégia de comercialização,
lamentavelmente para os mexicanos, teve êxito. Empresas como a Pionner,
Asgrow, Cristiani Burcal, Novasem e naturalmente a Cargill (Monsanto) oferecem
aos produtores "pacotes tecnológicos" que incluem, além
das
terminator,
os fertilizantes e agroquímicos necessários para a sua
produção. O financiamento governamental concedido mediante o
programa Alianza para el Campo e os recursos do Procampo são a moeda de
troca. Se os camponeses recusarem-se a comprar o pacote terão
dificuldades ao vender a sua colheita. Assim, o milho nativo foi deslocado
pelo transgénico, que consumimos sem saber, o senhor e eu.
Agora tivemos conhecimento graças à denúncia do meu
companheiro Eric Rubio que a Cargill, uma das múltiplas caras da
Monsanto, já controla 40,5 por cento da operação
portuária do terminal graneleiro do porto de Veracruz, ao mesmo tempo
que a empresa mexicana Terminales de Carga Especializada cedeu seus direitos
à empresa Archer Daniels Midland (Estados Unidos), fazendo com que as
grandes produtoras, transportadoras, comercializadoras e exportadoras de
cereais no mundo possuam 87 por cento do porto de Veracruz, pois no breve tempo
que têm operado já se manifestam evidências de
pressões junto aos nossos importadores para obrigá-los a comprar
os cereais aos grandes conglomerados chamados
tanders
na gíria comercial-empresarial , com a ameaça de
recusar-lhe a descarga no "seu" terminal se importarem outro tipo de
grãos e não os dos seus associados, o que é ilegal, uma
vez que esta instalação é uma via geral que deve permitir
o acesso a qualquer importador que cumpra as exigências portuárias.
Como se vê, a entrega das alfândegas, portos e pontos de entrada no
país é parte de uma grande estratégia de
privatização, para que sejam as grandes transnacionais que
decidam que produtos aqui entram.
30/Outubro/2005
Nota: Em Portugal o Decreto-lei 160/2005, de 21 de Setembro, autorizou o
cultivo e
comercialização de variedades transgênicas. A primeira colheita de milho
transgénico verificou-se na localidade de Almograve. Ver notícia em
http://www.ambienteonline.pt/
O original encontra-se em
http://www.jornada.unam.mx/2005/10/30/029a2pol.php
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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