Guerra económica dos EUA e prováveis defesas externas
por Michael Hudson
O mundo de hoje está em guerra em múltiplas frentes. As regras do
direito internacional e da ordem posta em prática no fim da II Guerra
Mundial estão a ser rompidas pela política externa dos EUA de
escalar sua
confrontação com os países que se abstêm de dar
às suas empresas o controle dos seus excedentes económicos.
Países que não dão aos Estados Unidos o controle dos seus
sectores petrolíferos e financeiros ou não privatizam seus
sectores chave estão a ser isolados pelos EUA através da
imposição de sanções comerciais e de tarifas
unilaterais que dão vantagens especiais a produtores estado-unidenses, em
violação de acordos de livre comércio com países
europeus, asiáticos e outros.
Esta fractura global tem uma componente cada vez mais militar. Autoridades
estado-unidenses justificam tarifas e quotas de importação,
ilegais de acordo com as regras da OMC, em termos de "segurança
nacional", alegando que os Estados Unidos podem fazer o que quiserem como
a nação "excepcional" do mundo. Autoridades dos EUA
explicam que a sua nação não é obrigada a aderir a
acordos internacionais ou mesmo aos seus próprios tratados e promessas.
Este alegado direito soberano de ignorar seus acordos internacionais foi
explicitado depois de Bill Clinton e sua secretária de Estado, Madeline
Albright, terem quebrado a promessa do presidente George Bush e do
secretário de Estado James Baker de que a NATO não se expandiria
para o leste depois de 1991. ("Você não tem isto por
escrito", foi a resposta dos EUA aos acordos verbais efectuados).
Da mesma forma, a administração Trump repudiou o acordo
multilateral iraniano assinado pela administração Obama e
está a escalar a guerra com seus exércitos por
procuração
(proxy)
no Oriente Próximo. Políticos dos EUA estão a travar uma
Nova Guerra Fria contra a Rússia, China, Irão e países
exportadores de petróleo que os Estados Unidos procuram isolar se
não puderem controlar seus governos, banco central e diplomacia externa.
O quadro internacional que originalmente parecia equitativo era a favor dos EUA
desde o princípio. Em 1945 isto foi encarado como um resultado natural
do facto de a economia dos EUA ter sido a menos prejudicada pela guerra e de
possuir de longe a maior parte do ouro monetário global. Ainda assim, a
estrutura comercial e financeira do pós-guerra era ostensivamente
baseada em princípios internacionais razoáveis e equitativos.
Esperava-se que outros países se recuperassem e crescessem, criando
paridade diplomática, financeira e comercial entre si.
Mas na última década a diplomacia americana tornou-se unilateral
ao transformar o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial, o
sistema de compensação bancária SWIFT
[NR 1]
e o comércio mundial num sistema de exploração
assimétrico.
Este conjunto de instituições centrado unilateralmente nos EUA
está a ser amplamente encarado não só como injusto mas
também como força de bloqueio do progresso de outros
países cujo crescimento e prosperidade são encarados pela
política externa dos EUA como ameaça à sua hegemonia
unilateral. O que começou como uma ordem internacional ostensivamente
para promover a prosperidade pacífica tornou-se cada vez mais uma
extensão do nacionalismo estado-unidense, da extracção
predatória de renda e de um confronto militar mais perigoso.
A deterioração da diplomacia internacional numa agressão
financeira, comercial e militar mais claramente explícita em favor dos
EUA estava implícita no modo como a diplomacia económica foi
moldada no momento em que as Nações Unidas, o FMI e o Banco
Mundial foram constituídos, sobretudo pelos estrategas económicos
estado-unidenses. Sua beligerância económica está a levar
países a retirarem-se da ordem financeira e comercial global, a qual foi
transformada no veículo de uma Nova Guerra Fria para impor a hegemonia
unilateral dos EUA. Reacções nacionalistas estão a
consolidar-se em novas alianças económicas e políticas,
desde a Europa até à Ásia.
Ainda estamos atolados na Guerra do Petróleo que escalou em 2003 com a
invasão do Iraque e que rapidamente se propagou à Líbia e
à Síria. Em grande medida, a política externa americana
baseia-se desde há muito no controle do petróleo. Isto levou os
Estados Unidos a oporem-se aos acordos de Paris para deter o aquecimento
global
[NR 2]
.
Seu objectivo é dar aos responsáveis dos EUA o poder de
impor sanções energéticas que forcem outros países
a "congelarem-se no escuro" se não seguirem a liderança
estado-unidense.
Para expandir o seu monopólio petrolífero a América
está a pressionar a Europa a opor-se ao gasoduto Nordstream II da
Rússia, afirmando que isto tornaria a Alemanha e outros países
dependentes da Rússia, em contraposição à
dependência do gás natural liquefeito (GNL) dos EUA. Da mesma
forma, a diplomacia petrolífera americana impôs
sanções unilaterais contra exportações do
Irão, até uma mudança de regime abrir as reservas de
petróleo daquele país às grandes petrolíferas
estado-unidenses, francesas, britânicas e outras aliadas.
O controle americano do dinheiro e do crédito dolarizados é
crítico para esta hegemonia. Como disse o congressista Brad Sherman, de
Los Angeles, na audiência de 9/Maio/2019 do Comité de
Serviços Financeiros da Câmara: "Grande parte do nosso
poder
internacional decorre do facto de o dólar americano ser a unidade
padrão das transacções e finanças internacionais.
Compensar através do Fed de Nova York é crítico para
grandes transacções de petróleo e outras. É
propósito anunciado dos defensores de criptomoedas retirar-nos este
poder, a fim de nos colocar numa posição em que a maior parte das
sanções mais significativas que aplicamos contra o Irão,
por exemplo, se tornem irrelevantes".
[1]
O objectivo dos EUA é manter o dólar como a divisa das
transacções para o comércio mundial, poupanças,
reservas de bancos centrais e empréstimos internacionais. Este status de
monopólio permite aos Departamentos do Tesouro e de Estado dos EUA
perturbarem o sistema financeiro de pagamentos e o comércio daqueles
países com os quais os Estados Unidos estão em guerra
económica ou abertamente em guerra militar.
O presidente russo Vladimir Putin respondeu rapidamente ao descrever como
"a degeneração do modelo de globalização
universalista [está] a transformar-se numa paródia, numa
caricatura de si próprio, em que as regras comuns internacionais
são substituídas por leis... de um país".
[2]
Esta é a trajectória que agora se verifica com a
deterioração do antigo comércio aberto internacional. Ela
tem-se agravado desde há uma década. Em 5/Junho/2009 o
então presidente russo Dmitry Medvedev mencionou esta mesma
dinâmica destruidora em funcionamento na sequência da crise de
hipotecas lixo e fraudes bancárias nos EUA.
Aqueles cujo trabalho era prever acontecimentos... não estavam
preparados para a profundidade da crise e revelaram-se demasiado
rígidos, desajeitados e lentos na sua resposta. As
organizações financeiras internacionais e penso que
precisamos declarar isto frontalmente e não tentar esconder
não estiveram à altura das suas responsabilidade, como tem sido
dito bastante inequivocamente num certo número de grandes eventos
internacionais tais como as duas recentes cimeiras do G20 das maiores economias
mundiais.
Além disso, tivemos confirmação de que a nossa
análise anterior à crise das tendências económicas
globais e do sistema económico global estava correcta. O sistema
unipolar mantido artificialmente e a preservação de
monopólios em sectores económicos globais chave são causas
raízes da crise. Um grande centro de consumo, financiado por um
défice crescente, e portanto com dívidas crescentes, uma divisa
de reserva outrora forte e um sistema dominante de avaliação de
activos e riscos estes são os conjuntos de factores que levam a
uma queda geral na qualidade da regulação e da
justificação económica das avaliações
efectuadas, incluindo avaliações de política
macroeconómica. Em consequência, não havia como evitar uma
crise global.
[3]
Esta crise é o que agora provoca a presente ruptura do
comércio e pagamentos globais.
Guerra em muitas frentes, com a desdolarização sendo a arena
principal
A dissolução da União Soviética em 1991 não
trouxe o desarmamento que era amplamente esperado. A liderança
estado-unidense celebrou a morte soviética como um sinal para o fim da
oposição estrangeira ao neoliberalismo patrocinado pelos EUA e
mesmo como o Fim da História. A NATO expandiu-se para cercar a
Rússia e patrocinou "revoluções coloridas" desde
a Geórgia até a Ucrânia, enquanto estilhaçava a
antiga Jugoslávia em pequenos estadozecos. A diplomacia americana criou
uma legião estrangeira de fundamentalistas wahabistas desde o
Afeganistão até o Irão, o Iraque, a Síria e a
Líbia para apoiar o extremismo da Arábia Saudita e o
expansionismo israelense.
Os Estados Unidos estão a travar uma guerra contra a Venezuela pelo
controle do petróleo, onde um golpe militar fracassou há poucos
anos, tal como a façanha de 2018-19 de reconhecer um regime fantoche
não eleito e pró americano. O golpe hondurenho sob o presidente
Obama teve mais êxito pois conseguiu derrubar um presidente eleito que
advogava a reforma agrária, continuando a tradição que
remontava a 1954 quando a CIA derrubou o governo Arbenz na Guatemala.
Responsáveis dos EUA têm um ódio especial a países
que eles injuriaram, o que vai desde a Guatemala em 1954 ao Irão, cujo
regime foi derrubado para instalar o Xá como ditador militar. Afirmando
promover a "democracia", a diplomacia dos EUA redefiniu a palavra
para significar pró americano e oposição à reforma
agrária, propriedade nacional de matérias-primas e
subsídios públicos à agricultura ou indústria como
um
ataque "não democrático" a "mercados livres",
o que significa mercados controlados pelos interesses financeiros
estado-unidenses e proprietários absenteístas da terra, dos
recursos naturais e dos bancos.
Um importante subproduto da guerra tem sido sempre os refugiados e a onda
actual que foge do ISIS, Al Qaeda e outros apaniguados dos EUA no Oriente
Próximo está a inundar a Europa. Uma onda semelhante está
a fugir dos regimes ditatoriais, apoiados pelos Estados Unidos, das Honduras,
Equador, Colômbia e países vizinhos. A crise de refugiados
tornou-se um factor primordial para o ressurgimento de partidos nacionalistas
por toda a Europa e para o nacionalismo branco de Donald Trump nos Estados
Unidos.
A desdolarização como o veículo para o nacionalismo
estado-unidense
O Padrão Dólar dívida do Tesouro dos EUA a
estrangeiros mantida pelos bancos centrais do mundo substituiu o
padrão divisas-ouro
(gold-exchange standard)
nas reservas dos bancos
centrais do mundo para a liquidação de desequilíbrios de
pagamentos entre si próprios. Isto permitiu aos Estados Unidos a
[posição] única de incorrer em défices da
balança de pagamentos durante aproximadamente setenta anos, apesar do
facto de estes títulos do Tesouro
(Treasury IOUs)
terem pouca
probabilidade visível de serem reembolsados a não ser sob
acordos em que os EUA buscam uma renda monopolista e um tributo financeiro
directo de outros que lhes permita liquidar sua dívida externa oficial.
Os Estados Unidos são o único país que pode incorrer em
défices constantes da balança de pagamentos sem terem de vender
barato os seus activos ou elevarem taxas de juro para captar empréstimos
em moeda estrangeira. Nenhuma outra economia nacional no mundo poderia
permitir-se despesas militares no exterior em grande escala sem perder seu
valor de troca. Sem as Letras do Tesouro
(Treasury-bill)
padrão, os Estados Unidos estariam na mesma posição dos
demais países. Eis porque a Rússia, China e outras
potências que os estrategas dos EUA consideram serem rivais
estratégicos e inimigos procuram restaurar o papel do ouro como o activo
preferencial para liquidar desequilíbrios de pagamentos.
A resposta dos EUA é impor mudanças de regime a países que
preferem ouro ou outras divisas estrangeiras ao invés de dólares
nas suas reservas cambiais. Um bom exemplo é o derrube de Omar Kaddafi,
da Líbia, depois de ele ter procurado basear no ouro as reservas
internacionais do seu país
[NR 3]
. A sua liquidação representa uma advertência militar a
outros países.
Graças ao facto de que economias com excedentes de pagamentos investem
suas entradas de dólares em títulos do US Treasury, os
défices da balança de pagamentos dos EUA financiam seu
défice orçamental interno. Esta reciclagem por bancos centrais
estrangeiros de gastos militares dos EUA no exterior mediante compras de
títulos do Tesouro dos EUA dá aos Estados Unidos um almoço
gratuito
(free ride),
financiando seu orçamento que também é sobretudo
de carácter militar de modo a que possa tributar seus
próprios cidadãos.
Trump está a forçar outros países a criarem uma alternativa
ao Padrão Dólar
O facto de as políticas económicas de Donald Trump estarem a
demonstrar-se ineficazes para a restauração da manufactura
americana está a criar uma pressão nacionalista para explorar os
estrangeiros através de tarifas arbitrárias sem
consideração pelo direito internacional e pela
imposição de sanções comerciais e
intromissões diplomáticas para desestabilizar regimes que sigam
políticas não apreciadas pelos diplomatas dos EUA.
Aqui há um paralelo com Roma no fim do século I AC. Ela despojou
suas províncias a fim de pagar o seu défice militar, o
subsídio
(dole)
de cereais e a redistribuição de terra às expensas de
cidades italianas e da Ásia Menor. Isto criou oposição
estrangeira para expulsar Roma. A economia dos EUA é semelhante à
de Roma: mais extractivista do que produtiva, baseada principalmente em
rendas
da terra e juros monetários. Como o mercado interno está
empobrecido, os políticos dos EUA tentam tirar do
exterior o que não está mais a ser produzido em casa.
O que é extremamente irónico e muito auto-derrotante para
o almoço gratuito global da América é o objectivo
simplista de Trump de reduzir a taxa de câmbio do dólar para
tornar as exportações norte-americanas mais competitivas em
preço. Ele imagina que o comércio de
commodities
seja a balança de pagamentos inteira, como se não houvesse
gastos militares, sem mencionar empréstimos e investimentos. Para
reduzir a taxa de câmbio do dólar, ele está a exigir que o
banco central da China e de outros países parem de apoiar o dólar
reciclando os dólares que recebem pelas suas exportações
através da compra de títulos do Tesouro dos EUA.
Esta visão em túnel deixa de lado o facto de que a balança
comercial não é simplesmente uma matéria de níveis
comparativos de preços internacionais. Os Estados Unidos dissiparam sua
capacidade de fabricação de sobressalentes e de
fornecedores locais de peças e materiais, enquanto grande parte da sua
engenharia industrial e mão-de-obra qualificada aposentou-se. Um imenso
défice deve ser preenchido por novos investimentos de capital,
educação e infra-estrutura pública, cujos encargos
são muito superiores aos de outras economias.
A ideologia da infraestrutura de Trump é uma Parceria
Público-Privada caracterizada pelo alto custo financeiro exigido pelas
altas rendas de monopólio a fim de cobrir seus encargos com juros,
dividendos de acções e custos de gestão. Esta
política neoliberal eleva o custo de vida para a força de
trabalho dos EUA, tornando-a não competitiva. Os Estados Unidos
são incapazes de produzir mais a qualquer preço que seja, porque
passaram
o último meio século a desmantelar sua infraestrutura, encerrando
seus fornecedores e terciarizando sua tecnologia industrial.
Os Estados Unidos privatizaram e financiaram infraestrutura e serviços
básicos tais como saúde pública e cuidados médicos,
educação e transporte que outros países mantiveram no seu
domínio público a fim de tornar suas economias mais eficientes em
termos de custo ao proporcionar serviços essenciais a preços
subsidiados ou gratuitamente. Os Estados Unidos também lideraram a
prática da pirâmide de dívidas, desde a
habitação até as finanças corporativas. Esta
engenharia financeira e de criação de riqueza pelo enchimento de
bolhas imobiliárias e do mercado de acções financiadas por
dívida tornaram os Estados Unidos uma economia de alto custo que
não pode competir com êxito com economias mistas bem administradas.
Incapaz de recuperar a dominância no sector manufactureiro, os Estados
Unidos estão a concentrar-se nos sectores de extracção de
renda que esperam monopolizar, encabeçados pela tecnologia da
informação e pela produção militar. Na frente
industrial, isto ameaça perturbar a China e outras economias mistas com
a imposição de sanções comerciais e financeiras.
A grande aposta é se esses outros países irão defender-se
juntando-se em alianças que lhes permitam contornar
(bypass)
a economia dos EUA. Estrategas americanos imaginam seu país como a
economia essencial do mundo, sem cujo mercado outros países devem sofrer
depressão. A administração Trump pensa que não
há alternativa
(There Is No Alternative, TINA)
para outros
países, excepto os seus próprios sistemas financeiros dependerem
do crédito em US dólares.
Para se protegerem de sanções estado-unidenses, os países
teriam de evitar utilizar o dólar e, portanto, bancos dos EUA. Isto
exigiria a criação de um sistema financeiro não dolarizado
para usarem entre si próprios, incluindo a sua própria
alternativa do sistema de compensação bancária SWIFT. A
tabela 1 mostra algumas possíveis defesas contra a diplomacia
nacionalista dos EUA.
Como observado acima, o que também é irónico na
acusação do presidente Trump de que a China e outros
países manipulam artificialmente sua taxa de câmbio em
relação ao dólar (ao reciclarem seus superávites
comerciais e de pagamentos em títulos do Tesouro para conterem a
valorização da sua divisa frente ao dólar) envolve o
desmantelamento do padrão Letras do Tesouro. O principal modo pelo qual
economias estrangeiras estabilizaram sua taxa de câmbio desde 1971 tem
sido na verdade a reciclagem das suas entradas de dólares em
títulos do Tesouro dos EUA. Deixar o valor da sua moeda subir
ameaçaria a competitividade das suas exportações frente
aos seus rivais, embora isso não beneficiasse necessariamente os Estados
Unidos.
Acabar com esta prática deixa aos países como caminho principal
para protegerem suas divisas da ascensão frente ao dólar a
redução das entradas de dólares, através do
bloqueio da concessão de empréstimos dos EUA aos seus tomadores
internos. Eles podem cobrar tarifas flutuantes proporcionais ao valor em
declínio do dólar. Os EUA têm uma longa história,
desde a década de 1920, de elevação das suas tarifas
contra moedas que estão a depreciar-se: o sistema American Selling Price
(ASP). Outros países podem impor suas próprias tarifas flutuantes
contra produtos norte-americanos.
A dependência comercial como um objectivo do Banco Mundial, do FMI e da
USAID
O mundo enfrenta hoje um problema muito parecido com o enfrentado nas
vésperas da Segunda Guerra Mundial. Tal como a Alemanha então,
agora os Estados Unidos representam a principal ameaça de guerra e
destrutivos regimes económicos neoliberais impõem austeridade,
retracção económica e despovoamento. Diplomatas americanos
ameaçam destruir regimes e economias inteiras que procuram manter-se
independentes daquele sistema, através de sanções
comerciais e financeiras apoiadas por força militar directa.
A desdolarização exigirá a criação de
alternativas multilaterais para as instituições "de primeira
linha" dos EUA, como o Banco Mundial, o FMI e outras agências sobre
as quais os Estados Unidos têm poder de veto para bloquear quaisquer
políticas alternativas que supostamente não os deixem
"ganhar". As agências de ajuda externa do Banco Mundial e dos
EUA visam promover a dependência das exportações de bens
alimentares dos EUA e de outros bens essenciais, enquanto contratam empresas de
engenharia dos EUA para construir infraestruturas de exportação,
subsidiando as suas empresas e investidores em recursos naturais.
[4]
O financiamento é principalmente em dólares, fornecendo
títulos sem risco para os EUA e instituições financeiras.
A "interdependência" comercial e financeira resultante levou a
uma situação em que uma interrupção repentina
daquela oferta prejudicaria as economias estrangeiras, causando uma quebra na
cadeia de pagamentos e produção. O efeito é trancar os
países clientes na dependência da economia dos EUA e da sua
diplomacia, qualificados com o eufemismo de "promoção de
crescimento e desenvolvimento".
A política neoliberal dos EUA através do FMI impõe
austeridade e opõe-se a reduções significativas da
dívida. O seu modelo económico finge que os países
devedores podem pagar qualquer volume de dívida em dólares
simplesmente pela redução de salários para extrair mais
rendimento da força de trabalho a fim de pagar credores estrangeiros.
Isto ignora o facto de que resolver o "problema orçamental"
interno, tributando a receita local, ainda enfrenta o "problema da
transferência" na conversão em dólares ou outras
moedas fortes, nas quais a maior parte das dívidas internacionais
são denominadas. O resultado é que os programas de
"estabilização" do FMI na verdade desestabilizam e
empobrecem os países forçados a seguirem seus conselhos.
Empréstimos do FMI apoiam regimes pró EUA, como a Ucrânia,
e subsidiam a fuga de capitais ao apoiarem as moedas locais durante o tempo
suficiente para permitir que as oligarquias locais clientes dos EUA se
desfaçam das suas moedas nacionais a uma taxa de câmbio
pré-desvalorização em relação ao
dólar. Quando a moeda local for finalmente autorizada a entrar em
colapso, os países devedores são aconselhados a impor a
austeridade anti-trabalhadores. Isso globaliza a guerra de classes do capital
contra o trabalho enquanto mantém os países devedores sob uma
curta trela financeira dos EUA.
A diplomacia dos EUA resume-se a impor sanções comerciais para
perturbar economias que se afastem dos objectivos dos EUA. As
sanções são uma forma de sabotagem económica,
tão letal quanto uma guerra militar directa no estabelecimento do
controle americano sobre as economias estrangeiras. A ameaça é
empobrecer populações civis, na crença de que isso as
levará a substituir os seus governos por regimes pró-americanos
que prometem restaurar a prosperidade vendendo as suas infraestruturas internas
aos EUA e outros investidores transnacionais.
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Guerra dos EUA em muitas frentes
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Defesa da desdolarização
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Guerra militar (Oriente Próximo, Ásia) NATO e tratados bilaterais
(saudita, ISIS, Al Qaida), revoluções coloridas e guerras por
procuração
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Organização de Cooperação de Shangai e
pressão para a Europa retirar-se da NATO a menos que os EUA aliviem suas
ameaças de Nova Guerra Fria
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Dolarização é guerra monetária. O padrão dos
US Treasury-bill financia principalmente o défice da balança de
pagamentos militar dos EUA. O SWIFT ameaça isolar o Irão e a
Rússia.
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A desdolarização refreará bancos centrais estrangeiros de
financiarem gastos militares além-mar dos EUA pela
manutenção das suas poupanças em dólares.
Criação de sistemas alternativos de câmaras de
compensação de pagamentos.
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O FMI financia regimes clientes dos EUA e procura isolar aqueles que não
seguem a política estado-unidense.
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Organização de uma alternativa financeira global, tal como o
INSTEX da Europa para contornar as sanções contra o Irão,
bem como a alternativa ao SWIFT russo-chinesa.
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Política do credor impondo austeridade a economias devedoras,
forçando-as a privatizar e vender barato o seu domínio
público para pagar dívidas.
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Um tribunal internacional com poderes para cancelar parcialmente (write down)
em função da capacidade de pagar, com base nos princípio
originais que guiaram a constituição do Bank of International
Settlements (BIS) em 1931.
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O Banco Mundial financia a dependência comercial às
exportações alimentares dos EUA e opõe-se à
auto-suficiência alimentar nacional.
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Uma organização de desenvolvimento alternativa baseada na
auto-suficiência alimentar. Anulação da dívida ao
Banco Mundial e FMI como "dívida odiosa".
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Guerra comercial unilateral dos EUA baseada na cobrança de tarifas
proteccionistas, quotas e sanções.
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Sanções compensatórias e criação de uma
alternativa à OMC ou uma organização fortalecida liberta
do controle dos EUA.
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Ciber Guerra, spycraft via plataformas Internet dos EUA e sabotagem Stuxnet.
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Trabalhar com a Huawei e outras alternativas a opções de Internet
dos EUA.
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Guerra de classe: programa de austeridade para o trabalho
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Moderna Teoria Monetária (MMT, na sigla em inglês),
tributação do rendimento do rentista e dos ganhos do capital.
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Doutrina monetarista neoliberal da privatização e das regras
orientadas para o credor.
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Promoção de uma economia mista com infraestrutura pública
como um factor de produção.
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Política de patentes dos EUA busca rendas de monopólio.
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Não reconhecimento de patentes monopolistas predatórias.
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Controle de investimento.
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Desprivatização e buyouts de activos dos EUA no exterior
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Lei internacional e diplomacia
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Os EUA como a "nação excepcional" do mundo não
sujeita a leis internacionais ou mesmo aos próprios tratados que acordou.
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Problemas globais causados pela política dos EUA
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Resposta à política destrutiva dos EUA
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EUA recusam-se a aderir a acordos internacionais para reduzir emissões
de carbono, aquecimento global
[NR 2]
e meteorologia extrema A diplomacia dos EUA está baseada no controle do
petróleo para tornar outros países dependentes da
dominância energética estado-unidense.
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Sanções comerciais e fiscais contra exportadores e bancos
estado-unidenses. Impostos sobre a evasão fiscal dos EUA pelas
"bandeiras de conveniência" da indústria do
petróleo (conveniente para evitar impostos). Tributação ou
isolamento de exportações dos EUA baseadas na
produção com alto teor de carbono.
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Tentativa de monopolizar a nova tecnologia G5 da Internet, sancionamento da
Huawei, insistência na prioridade dos EUA em alta tecnologia.
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Rejeição de patentes sobre TI, medicina e outras necessidades
humanas básicas.
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Leis de patentes em produtos farmacêuticos, etc.
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Tributação das rendas de monopólio.
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Existem alternativas, em muitas frentes
Militarmente, a principal alternativa actual ao expansionismo da NATO é
a Organização de Cooperação de Xangai (SCO),
juntamente com uma Europa que seguisse o exemplo da França sob Charles
de Gaulle e se retirasse da NATO. Afinal, não há ameaça
real de invasão militar hoje na Europa. Nenhuma nação pode
ocupar outra sem um enorme recrutamento militar e perdas tão pesadas de
pessoal que os protestos internos destituiriam o governo que travasse essa
guerra. O movimento anti-guerra dos EUA na década de 1960 sinalizou o
fim do projecto militar, não apenas nos Estados Unidos, mas em quase
todos os países democráticos. (Israel, Suíça,
Brasil e Coreia do Norte são excepções).
Os enormes gastos com armamentos para um tipo de guerra improvável
não são realmente militares, mas simplesmente para proporcionar
lucros ao complexo industrial militar. O armamento não é
realmente para ser usado. Ele é simplesmente para ser comprado e,
finalmente, transformado em sucata. O perigo, é claro, é que
essas armas possam ser usadas, apenas para criar uma necessidade de nova
produção lucrativa.
Da mesma forma, títulos financeiros estrangeiros em dólares
não devem ser realmente gastos em compras de exportações
ou investimentos dos EUA. Eles são como colecções de
vinhos caros, para guardar em vez de beber. A alternativa a tais haveres
dolarizados é criar um uso mútuo de divisas nacionais e um
sistema de pagamentos de compensação bancária alternativo
ao SWIFT. A Rússia, a China, o Irão e a Venezuela já
estão a desenvolver pagamentos em criptomoeda para contornar as
sanções dos EUA e, consequentemente, o seu controlo financeiro.
Na Organização Mundial do Comércio, os Estados Unidos
tentaram afirmar que qualquer indústria que beneficie de infraestruturas
públicas ou subsídios de crédito merece uma
retaliação tarifária nas exportações para
forçar a privatização. Em resposta às
determinações da OMC de que as tarifas dos EUA são
impostas ilegalmente, os Estados Unidos "em protesto bloquearam todas as
novas nomeações para o organismo de apelação de
sete membros, deixando-o em risco de colapso dado que pode não haver
juízes suficientes que lhe permita actuar em novos casos.
[5]
Na visão dos EUA, apenas o comércio privatizado financiado por
bancos privados e não públicos é um comércio
"justo".
Uma alternativa à OMC (ou a remoção de privilégio
de veto dado ao bloco americano) é necessária para lidar com a
ideologia neoliberal dos EUA e, mais recentemente, a farsa dos EUA alegando
isenção dos tratados de livre comércio em nome da
"segurança nacional", impondo tarifas ao aço e
alumínio, e aos países europeus que contornem as
sanções ao Irão ou ameacem comprar gás da
Rússia através do gasoduto Nordstream II, em vez do gás
natural liquefeito, "gás da liberdade", de alto custo dos
Estados Unidos.
No campo dos empréstimos para desenvolvimento, o Banco da China,
juntamente com a sua iniciativa "Nova rota da seda", é uma
alternativa incipiente ao Banco Mundial, cujo principal papel tem sido promover
a dependência externa de fornecedores aos EUA. O FMI, por sua vez,
funciona como uma extensão do Departamento de Defesa dos EUA para
subsidiar regimes clientes como a Ucrânia, enquanto isola financeiramente
países que não são subservientes à diplomacia
norte-americana.
Para salvar as economias endividadas que sofrem com austeridade ao estilo
grego, o mundo precisa substituir a teoria económica neoliberal por uma
lógica analítica de redução das dívidas com
base na capacidade de pagamento. O princípio orientador da
necessária lógica orientada para o desenvolvimento do direito
internacional deveria ser que nenhuma nação fosse obrigada a
pagar a credores estrangeiros tendo que vender património do
domínio público e direitos de extracção de rendas a
credores estrangeiros. O carácter definidor da soberania deveria residir
no direito de tributar a exploração dos recursos naturais e
respectivos retornos financeiros e criar o seu próprio sistema
monetário.
Os Estados Unidos recusam-se a aderir ao Tribunal Penal Internacional. Para ser
eficaz, ele precisaria [ter] poder de execução dos seus
julgamentos e penalidades, culminando com a capacidade de apresentar
acusações por crimes de guerra na tradição do
tribunal de Nuremberg. Os EUA num tribunal assim poderiam ser julgados, de
acordo com o seu crescimento militar que agora ameaça uma Terceira
Guerra Mundial. Isto sugere um novo alinhamento de países tal como o
movimento das nações não-alinhadas dos anos 50 e 60.
Não alinhado, neste caso, significa estar livre do controlo ou de
ameaças diplomáticas dos EUA.
Tais instituições necessitam de uma teoria económica e uma
filosofia de operações mais realistas para substituir a
lógica neoliberal anti-Estado, de privatizações,
austeridade anti-trabalhadores e oposição a défices
orçamentais e reduções de dívidas. A doutrina
neoliberal de hoje conta os ganhos financeiros e o aumento dos preços da
habitação como um acréscimo ao "produto real"
(PIB), mas considera o investimento público como um peso morto,
não como uma contribuição para a produção. O
objectivo de tal lógica é convencer governos a pagarem aos
credores estrangeiros através da venda das suas infraestruturas
públicas e de outros activos do domínio público.
Assim como o princípio de "capacidade para pagar" foi a pedra
fundamental do Bank for International Settlements, constituído em 1931,
é
necessária uma base semelhante para medir a capacidade actual de pagar
dívidas e, portanto, cancelar maus empréstimos efectuados sem a
correspondente capacidade de pagamento dos devedores. Sem uma tal
instituição e corpo de análise, o princípio
neoliberal do FMI de impor depressão económica e queda dos
padrões de vida para pagar aos EUA e outros credores estrangeiros
irá impor a pobreza global.
As propostas acima proporcionam uma alternativa à recusa
"excepcionalista" dos EUA de integrarem qualquer
organização internacional que tenha uma palavra a dizer sobre os
seus assuntos. Outros países devem estar dispostos a virar a mesa e
isolar bancos e exportadores dos EUA e a evitar o uso de dólares
americanos e encaminhamento de pagamentos através de bancos dos EUA.
Proteger a capacidade de criar um poder compensatório
(countervailing power)
exige um tribunal internacional e sua organização de suporte.
Resumo
O primeiro objectivo existencial é evitar a presente ameaça de
guerra pelo atenuação da interferência militar dos EUA em
países estrangeiros e a remoção das bases militares dos
EUA como relíquias do neocolonialismo. O seu perigo para a paz e
prosperidade mundial cria a ameaça de uma reversão para o
colonialismo anterior à Segunda Guerra Mundial, dirigido por elites
clientes segundo linhas semelhantes às do golpe ucraniano de 2014 por
grupos neonazis patrocinados pelo Departamento de Estado dos EUA e pela
National Endowment for Democracy. Tal controlo lembra os ditadores que a
diplomacia americana estabeleceu em toda a América Latina nos anos 50. O
terrorismo étnico de hoje promovido pelos EUA, apoiado pelo islamismo
wahabi-saudita lembra o comportamento da Alemanha nazi na década de 1940.
O aquecimento global é a segunda grande ameaça existencial
[NR 2]
. Bloquear tentativas de reverter isso é um fundamento da
política externa americana, porque se baseia no controle do
petróleo. Portanto, as ameaças militares, de refugiados e de
aquecimento global estão interligadas.
O militarismo dos EUA representa o maior perigo imediato. A guerra actual
está fundamentalmente mudada em relação ao que costumava
ser. Antes da década de 1970, as nações conquistadoras
tinham de invadir os países e ocupá-los com exércitos
formados por recrutamento militar. Mas nenhuma democracia no mundo de hoje pode
reviver tal proposta sem desencadear a recusa popular generalizada de combater,
votando pelo afastamento do governo do poder.
O único meio pelo qual os Estados Unidos ou outros países
podem combater outras nações é
bombardeá-las. E como observado acima, as sanções
económicas têm um efeito tão destrutivo sobre as
populações civis em países considerados adversários
dos EUA quanto a guerra aberta. Os Estados Unidos podem patrocinar golpes
políticos (como nas Honduras e no Chile de Pinochet), mas não
podem ocupar países, nem têm vontade de reconstrui-los, para
não falar em assumir a responsabilidade pelas ondas de refugiados que
nossos bombardeamentos e sanções estão a causar desde a
América Latina até ao Próximo Oriente.
Os ideólogos dos EUA vêem a expansão militar coerciva de
seu país, a subversão política e a política
económica neoliberal de privatizações e
financeirização como uma vitória irreversível que
assinala o "Fim da história". Para o resto do mundo, é
uma ameaça à sobrevivência humana.
A promessa americana é que a vitória do neoliberalismo é o
"Fim da história", oferecendo prosperidade ao mundo inteiro.
Mas, sob a retórica da livre escolha e do livre mercado está a
realidade da corrupção, subversão, coerção,
servidão pela dívida
(debt peonage)
e neofeudalismo. A realidade é a criação e
subsídio de economias polarizadas, bifurcadas entre uma classe
privilegiada rentista com sua clientela e seus devedores e
arrendatários. Permite-se aos Estados Unidos monopolizarem o
comércio de petróleo e cereais e os monopólios de alta
tecnologia extractores de rendas, vivendo às custas da dependência
dos seus clientes.
Ao contrário da servidão medieval, as pessoas sujeitas a este
cenário de "Fim da história" podem escolher onde querem
viver. Mas onde quer que vivam devem endividar-se durante toda a vida a fim de terem
acesso a uma casa própria e devem depender do controlo dos EUA sobre as
suas necessidades básicas, dinheiro e crédito, aderindo ao
planeamento financeiro americano das suas economias. Este cenário
distópico confirma o reconhecimento de Rosa Luxemburgo de que a escolha
definitiva que as nações enfrentam no mundo de hoje é
entre socialismo e barbárie.
[1] Billy Bambrough, "Bitcoin Threatens To 'Take Power' From The U.S.
Federal Reserve,"
Forbes
, May 15, 2019.
www.forbes.com/...
[2] Vladimir Putin, discurso no Economic Forum, June 5-6 2019. Putin prosseguiu
para advertir contra "uma política de egoísmo
económico completamente ilimitado e um colapso forçado".
Esta fragmentação do espaço económico global
"é o caminho para conflitos intermináveis, guerras
comerciais e talvez não apenas guerras comerciais. Figurativamente, este
é o caminho para a derradeira luta de todos contra todos".
[3] Discurso no St Petersburg International Economic Forum's Plenary Session,
St Petersburg, Kremlin.ru, June 5, 2009, from Johnson's Russia List, June 8,
2009, #8,
[4] -
www.rt.com/business/464013-china-russia-cryptocurrency-dollar-dethrone/
Já no final da década de 1950, o Plano Forgash propôs um
Banco Mundial para Aceleração Económica. Concebido por
Terence McCarthy e patrocinado pelo senador da Florida, Morris Forgash, o banco
teria sido uma instituição mais voltada para o desenvolvimento,
orientando o desenvolvimento estrangeiro para criar economias equilibradas e
auto-suficientes em alimentos e outros itens essenciais. A proposta teve a
oposição dos interesses dos EUA, alegando que os países
que buscavam a reforma agrária tendiam a ser antiamericanos. Mais
especificamente, eles teriam evitado a dependência comercial e financeira
dos fornecedores e dos bancos dos EUA e, portanto, das suas
sanções comerciais e financeiras para os impedir de seguirem
políticas contrárias às exigências
diplomáticas dos EUA.
[5] Don Weinland, "WTO rules against US in tariff dispute with
China,"
Financial Times
, July 17, 2019.
25/Julho/2019
[NR 1] SWIFT: Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication.
É uma entidade que gere os códigos de identificação de um
banco, denominados Bank Identifier Code (BIC).
O código IBAN faz parte do sistema SWIFT.
[NR 2] As emissões de carbono são a resultante necessária
e inevitável de qualquer processo de combustão de
hidrocarbonetos. Mais especificamente: as demonizadas emissões de
CO2 não são poluentes e este gás até é
indispensável à vida no planeta terra. O tão
apregoado aquecimento global de origem antropogénica é uma
impostura pseudo-científica
. Hudson, que não é climatologista, deixou-se influenciar
pela gigantesca campanha de propaganda "aquecimentista" promovida pelo
IPCC/ONU e pela UE. Este pode ser um dos poucos assuntos em que o governo
Trump (que se recusou a assinar o Acordo de Paris) tem razão.
[NR 3] As reservas-ouro do Banco Central da Líbia foram saqueadas pelos
EUA após a agressão e derrube do governo líbio.
O mesmo aconteceu às
reservas-ouro do Banco Central da Ucrânia
, que foram transferidas secretamente para a custódia do Fed após o golpe do Maidan em 2014.
Ver também a entrevista de Michael Hudson:
Desdolarizando o império financeiro americano
[*]
Discurso pronunciado no 14th Forum of the World Association for Political
Economy, 21/Julho/2019.
O original encontra-se em
thesaker.is/u-s-economic-warfare-and-likely-foreign-defenses/
e em
www.unz.com/mhudson/u-s-economic-warfare-and-likely-foreign-defenses/
Este discurso encontra-se em
http://resistir.info/
.
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