Resultados da submissão à "troika"
Os salvamentos da Grécia e o desastre económico e social
por C. J. Polychroniou
[*]
A economia grega tem estado a contrair-se durante os últimos cinco anos,
em grande medida devido a uma contracção na procura interna que
começou antes de irromper a crise de dívida soberana no fim de
2009. No fim deste ano, o PIB da Grécia ter-se-á contraído
em mais de 20 por cento desde o início da crise. A economia interna
cresceu a 4 por cento de 2003 a 2007, um desempenho económico
especialmente bom até se perceber que o contribuidor mais importante
para o crescimento do PIB grego foi o forte consumo privado, alimentado por uma
alta no crescimento do crédito, consumo público em grande escala
e investimentos nos Jogos Olímpicos de 2004 (Moschovis e Servera 2009).
Além disso, este crescimento "dinâmico" teve lugar
contra um pano de fundo de assimetrias e patologias de grande escala na
estrutura económica e da administração pública da
Grécia: mau funcionamento de mercados internos, os quais, dentre outras
coisas, mantiveram inflação próxima de dois pontos
percentuais acima do resto da área euro; aumentos em salários
nominais ultrapassando ganhos de produtividade; défices fiscais
crescentes e rácios dívida-PIB incríveis; níveis
espantosos de corrupção e desperdício; financiamento
mínimo de I&D; e desenvolvimentos negativos nas receitas do imposto
sobre rendimentos. Portanto, quando a crise global atingiu as costas da Europa,
todas estas fraquezas estruturais da economia grega explodiram à
superfície, provocando uma crise de imensas proporções
(Polychroniou, 2011). Os mercados retaliaram pressionando os rendimentos dos
títulos gregos a níveis estratosféricos, e a Grécia
acabou por estar totalmente dependente da União Europeia (UE) e do Fundo
Monetário Internacional (FMI) para as suas necessidades de
contracção de empréstimos. Mas isto foi apenas o
princípio de uma crise que agora ameaça a própria
sobrevivência do projecto euro. A crise da dívida grega logo
propagou-se como um vírus à periferia externa da eurozona
(Irlanda e Portugal), a seguir para as duas maiores economias do Sul (Espanha e
Itália) e agora corridas bancárias foram acrescentadas às
pressões crescentes sobre a eurozona.
A propagação da crise de dívida soberana, da Grécia para a
Irlanda, Portugal, Espanha e Itália, é um reflexo da
concepção enviesada do sistema euro (Papadimitriou e Wray 2012) e
do lamentável fracasso por parte da actual liderença europeia em
conter um aprofundamento da crise com medidas políticas rápidas,
eficazes e corajosas. Neste contexto, a Grécia não deveria ser
vista como um caso isolado mas sim como parte da crise da eurozona. Ao mesmo
tempo, contudo, a Grécia é um "caso especial". Sua
economia é pequena, mas com um espantoso conjunto de problemas
únicos e persistentes, a maior parte dos quais estão relacionados
directamente às peculiaridades do ambiente político interno e da
cultura política geral. Exemplo: o país já estava a
incorrer num rácio dívida-PIB acima dos 100 por cento já
em 1992. E a evasão fiscal permanece um problema social descontrolado. A
Esquadra de Crimes Financeiros muito recentemente informou que mais da metade
dos estabelecimentos de negócios que operam em áreas de resorts
turísticos não estavam a emitir recibos, enquanto em algumas das
ilhas mais populares as taxas de evasão fiscal chegavam aos 100 por
cento (
Athens News
2012).
OS SALVAMENTOS FORAM UMA MALDIÇÃO
Como o declínio do PIB grego deveria indicar, a situação
económica na Grécia hoje é catastrófica. A economia
está em queda livre e as consequências sociais são sentidas
amplamente. A principal razão para esta terrível
situação é que o país sofreu durante mais de dois
anos sob um duro regime de austeridade imposto pela UE e o FMI. Os salvamentos
demonstraram-se uma maldição. O país está
literalmente sob ocupação económica e a mergulhar cada vez
mais fundo no abismo, e há pouca razão para esperar uma viragem
no futuro previsível.
A história da crise grega tem de começar com
reacção a indesculpavelmente lenta da parte das autoridades da
UE. Muitos meses preciosos foram desperdiçados antes de Bruxelas
começar a entender que passos precisavam ser dados em favor de um estado
membro da UE. Mas quando Bruxelas finalmente reagiu, a intenção
foi infligir punição aos gregos "esbanjadores"
(punição por terem cozinhado a contabilidade a fim de juntarem-se
à eurozona e por esconderem o défice real das autoridades da UE)
ao invés de ajudar um estado membro e resolver dificuldades que eram
essencialmente um problema europeu. Em 2008, o défice fiscal da
Grécia ocupava o primeiro lugar entre os 27 estados membros da UE (7,7
por cento do PIB) e sua dívida pública era a segunda mais
elevada. E as autoridades estatísticas nacionais gregas eram realmente
conhecidas por sua falta de independência e integridade. Assim, quando as
autoridades gregas também reviram o rácio do défice para
2009 (de 3,7 do PIB para 12,7 por cento do PIB, ver Comissão Europeia
2010ª), a Alemanha e os chefes da UE estavam determinados a activar um
plano que provocaria muito sofrimento à Grécia e assinalaria a
outros estados membros da eurozona que destino os aguardava se fracassassem em
por em ordem suas casas económicas e fiscais.
Em Maio de 2010, depois de ser completamente excluída dos mercados
internacionais de crédito, a Grécia aceitou um pacote de
salvamento maciço da UE e do FMI a fim de evitar um incumprimento. Isto
não
foi um acto de solidariedade da parte dos parceiros UE da Grécia e seus
apoiantes financeiros. Estavam em causa bancos da Europa, os quais estavam
super-expostos à dívida grega, bem como a estabilidade do euro.
Mesmo assim, responsáveis da UE mostravam-se publicamente bastante
confiantes em que o acordo de salvamento ajudaria a Grécia a colocar a
sua economia outra vez nos trilhos num espaço de tempo relativamente
curto e lhe permitiria retornar aos mercados internacionais de crédito
no fim de 2011 ou princípio de 2012. Por mais perversos que agora possa
parecer, o clima era ligeiramente eufórico. Na Grécia, o
primeiro-ministro George Papandreu (que ainda se retrata como um salvador do
país nos dias modernos) louvou a decisão como um "dia
histórico" para a Grécia e igualmente para a Europa.
Além disso, a maior parte dos economistas por todo o espectro
ideológico não estava simplesmente céptica acerca do
acordo de salvamento mas pensava realmente que as medidas que acompanhavam os
fundos de resgate afundariam a economia grega numa recessão mais
profunda. O acordo de salvamento cobrira três anos e totalizava 110 mil
milhões de euros. Os parceiros da Grécia na eurozona
proporcionariam 80 mil milhões e o FMI 30 mil
milhões. O empréstimo do salvamento tinha uma taxa de juro
usurária de 5 por cento. Quanto aos objectivos do plano de salvamento,
eram vastos e ambiciosos, reflectindo claramente a urgência da
situação, mas também altamente irrealistas e guiados por
uma forte convicção na capacidade da agenda neoliberal de
reformas estruturais para rapidamente para estimular rapidamente economias
perturbadas para voltarem ao crescimento. Reduzir o défice (a 3 por
cento do PIB em 2013), restaurar a sustentabilidade da dívida (a da
Grécia atingiu aproximadamente 120 por cento em Maio de 2010),
alcançar desvalorização interna com o objectivo de reduzir
a procura interna, melhoria da competitividade, e aumento dos investimentos e
das exportações foram identificados como os objectivos
primários do plano. A estratégia de consolidação
fiscal tendo em vista reduzir o défice e restaurar a sustentabilidade da
dívida envolveu um pacote de medidas que equivaliam a 11 por cento do
PIB do país. Com as correcções em vigor, a previsão
afirmava que surgiria um excedente primário em 2012.
As medidas exigidas para realizar os objectivos acima foram simplesmente as
políticas de ajustamento estrutural do FMI que foram impostas em muitos
países latino-americanos, africanos e do antigo bloco comunista do Leste
europeu ao longo dos últimos 35 anos; nomeadamente, cortando o
orçamento, aparando o sector público, eliminando programas
sociais e benefícios dos trabalhadores, liberalizando mercados de
trabalho, elevando impostos, reformando o sistema de pensões,
privatizações abrangentes e assim por diante. A
desvalorização da divisa era impossível no caso da
Grécia, uma vez que o euro é utilizado em toda a eurozona, de
modo que a desvalorização interna (reduzindo o pagamento de
salários e pensões) foi encarada como um substituto natural.
Segundo a expectativa do FMI, a implementação do programa de
ajustamento estrutural permitiria à economia recuperar alguma da sua
competitividade perdida devido a altos custos de trabalho e, após um
aumento lento, a dívida começaria a declinar após 2013.
No Memorando de Entendimento assinado pela Grécia e os credores da
UE/FMI, esperava-se que o governo grego executasse as reformas exigidas com
velocidade relâmpago e a "troika" a Comissão
Europeia, FMI e Banco Central Europeu (BCE), responsáveis oficiais pela
supervisão do programa de ajustamento estrutural grego reveriam
seu progresso numa base trimestral a fim de determinar quando a
prestação seguinte dos fundos de resgate (os quais eram para ser
utilizados exclusivamente para as obrigações de dívida do
país) deveria ser libertada. Esta abordagem ao tratar das
desgraças económicas de um país é típica do
pensamento do FMI, o qual sempre encarou uma economia nacional como sendo um
navio que pode mudar de rota quase instantaneamente ao comando do seu
capitão. Quanto à cultura nacional, não havia razão
para que não pudesse ser posta à parte como o motor de um carro e
reparada muito rapidamente.
FMI CONTINUA O MESMO
A ideia de que o FMI mudou a sua filosofia e as tácticas que segue
é asneirenta. Na verdade, apesar das muito repetidas
afirmações de vários responsáveis de nível
sénior no sentido de que a organização aprendeu com os
seus erros passados e alterou o modo como aborda países que precisam de
orientação económica e assistência, a mentalidade do
FMI (e dos seus acólitos neoliberais por toda a parte) ainda está
presa à era do regime de Pinochet no Chile, quando armas e torturas eram
utilizam amplamente como meio de impor disciplina fiscal e uma utopia de
"mercado livre" sobre uma nação pouco complacente. A
abordagem do FMI fracassou por toda a parte onde foi tentada, fazendo neste
processo uma zombaria da ciência económica e triturando ideais e
valores democráticos. Desde a América Latina até a
África nas décadas de 1970 e 1980, e desde a antiga União
Soviética na década de 1990 até a periferia da Europa nos
dias de hoje, o desdobramento do experimento neoliberal produziu uma distopia
social, levando a taxas de crescimento mais baixas, fazendo recuar progressos
sociais e aumentando desigualdades.
Como era de esperar, o acordo de salvamento de Maio de 2010 revelou-se um
fiasco da UE/FMI e uma tragédia grega. O défice da Grécia
contraiu-se, mas assim aconteceu com tudo o mais e em muito maiores
proporções: emprego, receitas fiscais, investimento, procura do
consumidor, serviços sociais e humanos. A dívida pública
aumentou substancialmente, e assim aconteceu com todo índice de
miséria económica e mal-estar social, incluindo a
propagação de extremismo anti-imigrantes e ondas de
suicídios relacionados com as agruras económicas. Mas os
parceiros financeiros da Grécia não têm qualquer interesse
nas consequências económicas e sociais da farsa de
consolidação fiscal que perpetraram. Tudo o que lhes importava
era chegar ao equilíbrio fiscal isto é, assegurar que os
bancos continuariam a receber pagamentos pelos títulos da dívida
grega que possuem.
O programa de ajustamento fiscal com base na austeridade começou a
mostrar efeitos catastróficos em poucos meses. Negócios de
pequena dimensão foram encerrados em níveis recorde e o
desemprego começou a sua espiral ascendente. Em Maio de 2010, a taxa de
desemprego estava em 12 por cento; em Maio de 2011 havia saltado para 16,6 por
cento. As medidas de austeridade estavam a ter um grande efeito sobre receitas
fiscais. Apesar de repetidos aumentos de impostos incluindo aumentos
generalizados do imposto sobre venda, uma redução no rendimento
não tributável e um imposto de emergência sobre a
propriedade a todos os donos de casas as receitas do estado declinaram,
com os fundos de pensões e da segurança social em especial a
terem enormes quedas. Segundo a Autoridade Grega de Estatística, a
receitas de 2011 foram mais baixas do que em 2009, "o ano", como
alguns comentadores observaram com perspicácia, "da derrapagem
fiscal absoluta" (Malkoutzis e Mouzakis, 2012).
A cobertura do salvamento feita pelos media e a crítica frequente
propalada por responsáveis da UE e do FMI que supervisionam o programa
de ajustamento fiscal combinaram-se para retratar as autoridades gregas como
relutantes, não desejosas, em se comprometerem a reunir as
condições do acordo de salvamento. Trata-se de uma
distorção grosseira da verdade e um pretexto para esconder o
fracasso brutal das medidas de austeridade. O governo grego cumpriu à
letra o Programa de Ajustamento Económico (ver Comissão Europeia
2010b; 2010c; 2011). Milhares de milhões de euros foram reduzidos nas
despesas primárias, grandes cortes foram efectuados em salários
públicos, despesas operacionais de hospitais foram reduzidas em 50 por
cento e o orçamento da educação ficou mais pequeno em
várias centenas de milhões de euros. Mas como a recessão
continuou a ficar cada vez mais profunda, e as receitas fiscais gregas
continuaram a não chegar ao alvo, a pressão sobre o governo para
instituir ainda mais medidas de austeridade aumentou. Isto é uma
táctica empregada pela "troika" desde o princípio do
acordo de salvamento e uma táctica que continua hoje, com o segundo
plano de salvamento.
Dito isto, dificilmente se pode culpar as autoridades gregas pelo desastre que
assolou a nação. A velha elite política conduziu o
país para o abismo com suas políticas irresponsáveis e
práticas corruptas e então (o governo Papandreu) aceitou
quaisquer planos e decisões da UE e do FMI sugerisse para a
Grécia como um facto consumado. Ela fracassou em avançar com
algumas reformas necessárias mas implementou incondicionalmente as mais
odiosas medidas de austeridade da história económica recente da
Europa. Na verdade, ironia das ironias, é que à mesma elite
política que levou a Grécia à bancarrota foi
atribuído o papel de guiar o país para sair da crise. O acordo de
salvamento de Maio de 2010 era para ser feito uma só vez. Mas, mesmo
antes de a tinta estar seca, toda a gente (excepto os responsáveis da
UE) podia ver que isto não ia ser suficiente para ajudar a Grécia
a ultrapassar a sua crise, e certamente não suficiente para travar a
propagação do contágio. Consequentemente, os rendimentos
dos títulos gregos continuaram a subir para alturas cada vez maiores,
congelando a Grécia fora dos mercados financeiros privados por um
período de tempo indefinido, e os caçadores de títulos
continuaram o seu safari por mais "PIIGs" fiscalmente selvagens.
Ao aproximar-se o fim dos primeiros dois anos do salvamento, ministros das
Finanças da eurozona acabaram por aprovar um novo pacote de resgate para
a Grécia no valor de 130 mil milhões. Sem os novos fundos
de salvamento, o país teria incumprido. Bastante curiosamente, as
acções caíram quando foi feito o anúncio, pois os
mercados foram rápidos para perceber mais uma vez que o negócio
não ia resolver a crise grega. Por essa altura, a Grécia
já havia feito a transição da crise para a
catástrofe. A austeridade estava a esmagar a economia grega e a provocar
uma desaceleração
(slowdown)
em toda a economia periférica da eurozona que estava a implementar
medidas de austeridade profundas em meio a uma grande recessão. Mas
dogma é dogma e, como tal, ele tem de ser reforçado sem
considerar qualquer realidade empírica. Portanto, o segundo pacote de
salvamento incluiu ainda mais cortes orçamentais generalizados, a
redução do emprego público em 150 mil postos de trabalho
no fim de 2015 e um projecto de privatização maciça
essencialmente um ataque neoliberal completo aos bens públicos e a todas
as empresas de propriedade pública da Grécia. "Um
país à venda" é como muitos cidadãos gregos
encararam os termos e condições incluídos no segundo
acordo de salvamento. Isto em grande medida explica a subida fenomenal do grupo
de esquerda marginal SYRIZA (que recebeu 4,6 por cento dos votos populares nas
eleições nacionais de 2009) até tornar-se o segundo maior
partido da Grécia (atraiu 26,89 por cento do voto popular nas
eleições nacionais de Junho de 2012, perdendo para o partido
conservador Nova Democracia por menos de 3 pontos percentuais), bem como a
ascensão dos neonazis e outros partidos "nacionalistas de
extrema-direita". À venda, dentre outros muito valiosos activos do
estado, estão os portos de Pireu e Salónica; a telecom grega OTE;
a lotaria nacional; propriedades imobiliárias; e o banco postal. Os
apoiantes financeiros da Grécia esperam que os projectos de
privatização arrecadem 50 mil milhões em 2015, mas
este cenário parece absurdo dado o estado da economia nacional, e ainda
outra indicação de quão loucamente desligado da realidade
grega estão os curandeiros da teoria económica neoliberal.
Durante os primeiros dois anos do primeiro acordo de salvamento, líderes
da UE e do mesmo modo o governo grego também ridicularizaram quaisquer
sugestões de reestruturação da insustentável
dívida pública da Grécia, um movimento que deveria ter
sido empreendido quase imediatamente após o estalar da crise. Em Maio de
2012, um acordo para reestruturação da dívida foi
alcançado com a maior parte dos investidores privados, os quais, depois
de a Alemanha e a UE terem utilizado algumas tácticas violentas,
concordaram em trocar seus títulos do governo por novos títulos
que valiam menos da metade dos anteriores. Os títulos do governo grego
possuídos pelo BCE foram excluídos do "haircut". Como
se verificou depois, isto foi mais um movimento por parte dos líderes da
UE para comprar tempo, uma vez que o acordo de reestruturação
ainda deixou a dívida da Grécia em níveis
insustentáveis, ao passo que colocavam as emissões de novos
títulos gregos sob a alçada da lei britânica (portanto o
Parlamento grego não pode aprovar legislação recusando o
seu pagamento).
De acordo com a maior parte dos cálculos, o "haircut" reduziu
o rácio da dívida da Grécia para 132,4 por cento (embora o
rácio da dívida real possa ser mais alto, pois ainda há
alguma incerteza acerca da efectividade do acordo de troca). Isto significa que
uma outra reestruturação de dívida é simplesmente
uma obrigação se o país tiver um futuro financeiro para
além de 2020, quando, de acordo com o FMI, espera-se que a dívida
caia para 120 por cento (a qual seria a mesma do rácio dívida-PIB
no princípio da crise) mas ainda pode acabar num nível tão
elevado quanto 145 por cento. Sob tais circunstâncias, pode alguém
acreditar que no futuro financeiro da Grécia há espaço
para sequer o mais ligeiro optimismo?
Entretanto, e enquanto o país está tanto economicamente como
socialmente no ponto de ruptura, a "troika" está a pedir ao
governo grego que produza poupanças adicionais de 12 mil
milhões durante os próximos dois anos. A taxa de desemprego
situa-se agora em mais de 22 por cento e poderia em breve atingir os 25 por
cento. Mais de 25 mil gregos, sobretudo jovens e bem educados, já
deixaram o país a fim de procurar trabalho na Alemanha. Se o desastre
económico e social que a UE e o FMI tem estado a impor à
Grécia durante os últimos dois anos e meio continuar mais tempo,
a Grécia em breve será um país habitado primariamente por
pessoas pouco educadas, trabalhadores de baixo rendimento, idosos e imigrantes.
Isto é um destino que nenhum país merece, pouco importando os
seus pecados financeiros e económicos e a vergonha será
unicamente da Europa.
Referências
Athens News.
2012. "Record Rates of Tax Evasions on Islands." July 26.
European Commission. 2010a.
Report on Greek Government Deficit and Debt Statistics
. January.
. 2010b. "The Economic Adjustment Programme for Greece:
First ReviewSummer 2010." European Economy, Occasional Papers, No.
68. Brussels: Directorate-General for Economic and Financial Affairs. August.
. 2010c. "The Economic Adjustment Programme for Greece:
Second ReviewAutumn 2010." European Economy, Occasional Papers, No.
72. Brussels: Directorate-General for Economic and Financial Affairs. December.
. 2011. "The Economic Adjustment Programme for Greece:
Third ReviewWinter 2011." European Economy, Occasional Papers, No.
77. Brussels: Directorate-General for Economic and Financial Affairs. February.
Malkoutzis, N., and Y. Mouzakis. 2012. "Greece, Spain, Portugal Stare into
Abyss." Kathimerini (English edition), July 21.
Moschovis, G., and M. C. Servera. 2009. "External Imbalances of the Greek
Economy: The Role of Fiscal and Structural Policies."
ECFIN Country Focus
6, no. 6 (July 10).
Papadimitriou, D. B., and L. R. Wray. 2012.
Euroland's Original Sin
. Policy Note 2012/8. Annandale-on-Hudson, N.Y.: Levy Economics Institute of
Bard College.
Polychroniou, C. J. 2011. "An Unblinking Glance at a National Catastrophe
and the Potential Dissolution of the Eurozone: Greece's Debt Crisis in
Context." Working Paper No. 688. Annandale-on-Hudson, N.Y.: Levy Economics
Institute of Bard College.
Do mesmo autor:
A crise da dívida grega no seu contexto
, 21/Jan/12
Crise do capitalismo
, 12/Jan/12
Crise da eurozona 2.0
, 17/Abr/12
Será que uma depressão induzida pela austeridade descerá a cortina final sobre o drama grego?
, 04/Jun/12
[*]
Economista, investigador no Levy Economics Institute of Bard College.
O original encontra-se em
http://www.levyinstitute.org/publications/?docid=1569
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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